Atentado a uma árvores de 700 anos

Júlio Ottoboni, especial para a Envolverde – 

Árvore símbolo do Vale do Paraíba já sofreu inúmeros atentados em seus 7 séculos de existência. O atual, com fogo, pode ter sido o mais devastador.

Um incêndio atingiu no início de abril o jequitibá-rosa, no distrito de Eugênio de Melo de São José dos Campos, com 700 anos de idade. Ele já foi alvo de várias atos de vandalismo e atentados. Atualmente é escorado por uma imensa estrutura de aço. A árvore, típica da Mata Atlântica e sob ameaça de extinção, queimou por cinco horas e ainda passa por avaliação de técnicos quanto a sua possibilidade de recuperação e de sobrevivência.

Jequitibá de 700 anos que fica no distrito de Eugênio de Melo de São José dos Campos. Foto de: Adenir Britto/PhotoUpBrasil

A árvore é um dos mais importantes símbolos de defesa do meio ambiente da Vale do Paraíba paulista e foi declarada patrimônio histórico e imune de corte por decreto municipal nº 8.25993, de 10 de dezembro de 1993. Mesmo assim não se conseguiu conter os ataques ao jequitibá.

O fogo começou por volta das 11 horas da terça-feira (11) e foi extinto às 16h por equipes do Corpo de Bombeiros e populares. Funcionários da prefeitura também estiveram no local para acompanhar e ajudar no trabalho de contenção do incêndio que adentrou por uma fresta no tronco e queimou a árvore por dentro.

Segundo moradores da região, um homem capinou a área de calçada e ateou fogo no mato, isso a poucos metros da árvores que em minutos estava em chamas. A prefeitura realizará na próxima segunda-feira (17) a limpeza e retirada da vegetação seca e queimada do entorno do jequitibá-rosa.

Equipes das secretarias de Manutenção da Cidade e de Urbanismo e Sustentabilidade realizaram  uma vistoria técnica para identificar os graus de destruição e de lesões sofridas pela árvore. O diagnóstico preliminar mostrou que o incêndio não atingiu profundamente o tecido vivo do jequitibá-rosa. Isso pode ajudar numa futura recuperação da árvore.

Segundo a prefeitura, as equipes técnicas aguardarão o prazo de 20 dias para haver uma resposta fisiológica da árvore. Em seguida vão reiniciar os serviços de adubação, tratamento nutricional e controle de pragas e doenças por meio de inseticidas e fungicidas.

Foto: Adenir Britto/PhotoUpBrasil

Essas atividades são repetidas desde 2006 dentro de um plano de recuperação. Agora ele será intensificado caso o exemplar reaja. As condições de saúde da árvore antes do incêndio só serão alcançadas em um prazo de quatro anos.

Esse exemplar tem 27 metros de altura e 30 de diâmetro de copa e ainda pode durar cerca de mil anos. O Jequitibá teve uma fissura no caule e além de uma armação metálica para impedir que seja derrubado pelos ventos. O tratamento começou em 2002 e deve levar ainda de três a quatro décadas até sua recuperação.

A árvore fica nas margens da antiga estrada velha Rio-São Paulo, num trecho da Estrada Imperial. Ela foi abrigo de bandeirantes e de Entradas que seguiam para Minas Gerais. Também testemunhou o ciclo da cana de açúcar, o cafeeiro e de gado leiteiro, passando imune por mais de 3 séculos de exploração econômica da região em atividade agrária.

Os primeiros problemas começaram a surgir na década de 60, com cultos religiosos feitos sobre suas raízes e nas proximidades de seu tronco. Velas acessas em diversos rituais acabaram por incendiar a árvore diversas vezes e causaram danos significativos em sua saúde. Nos anos 80, a fábrica de veículos militares Engesa usou a árvore para testes com seus caminhões e jeeps, inclusive lançando-os contra o tronco ou mesmo atando correntes na tentativa de derrubá-lo com veículos de tração 4 x 4 .

Esses abusos comprometeram toda estrutura radicular da árvore, a fez perder galhos e entrar em colapso até o tombamento. Porém, mesmo com os cuidados, o jequitibá vem nestes 24 anos de preservação legal, passando por uma série de atentados. Os mais comuns são incêndios e tentativas de derrubada. Além da colocação de anéis metálicos em seu tronco, para evitar a abertura da fissura existente, foi criada um imenso suporte de aço para mantê-lo em pé. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

 

São José vai sediar Centro de Alerta de Desastres

Júlio Ottoboni*, especial para a Envolverde – 

Duas boas notícias no 1º Seminário Nacional de Avaliação dos Alertas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que ocorreu na primeira semana de abril no Parque Tecnológico de São José dos Campos e atual sede da entidade. O órgão científico é uma das ações mais eficazes no combate dos extremos climáticos ocasionado pelo aquecimento global de efeito antrópico.

A Prefeitura de São José dos Campos doará uma área de 54 mil metros quadrados para o Cemaden construir sua sede própria. O conjunto de prédios ficará ao lado do Parque Tecnológico, que se encontra as margens da Via Dutra. A direção da entidade também confirmou que ampliará em mais 1.500 m² a sua estrutura atual, em funcionamento no núcleo atual.

Com essa ampliação, o Cemaden conseguirá trazer mais uma parcela de pesquisadores que se encontram lotados no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na unidade do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) sediada em Cachoeira Paulista, também no Vale do Paraíba.

Centro de monitoramento de desastres do Cemaden – Foto Julio Ottoboni

O anúncio da ampliação da estrutura e a doação do terreno ocorreram durante do seminário, no qual representantes das defesas civis de mil municípios, incluindo São José dos Campos, participaram de capacitação para alertas naturais. Com os extremos climáticos a situação tem ficado crítica em diversos pontos do país.

Pelo levantamento do órgão científico, que é ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e Comunicações, nos últimos cinco anos foram emitidos mais de 6.7 mil alertas ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad). Essa entidade atua para evitar e minimizar impactos sociais e econômicos causados por desastres naturais.

Local onde será construída a nova sede do Cemaden em São José dos Campos (SP)

Parceria de resultados

A experiência de São José dos Campos com o  Cemaden  no monitoramento e prevenção de catástrofes já mostrou efeitos práticos. Em janeiro, a entidade enviou um alerta para a Defesa Civil sobre o risco de deslizamento ou escorregamento e em março, ambos neste ano, outro alerta foi emitido sobre chuva com potencial de enxurrada. Nas duas ocasiões o tempo foi suficiente para alertar os moradores e retirar outros dos lugares sob risco.

O Cemaden entrou em operação em dezembro de 2011 e foi anunciado logo depois do desastre na serra fluminense. Segundo o governo federal, o esforço está concentrado em diminuir o tempo de resposta aos alertas.

“O tempo de resposta é determinante para preservar vidas. Algumas vezes, esse período é muito curto, chega a ser de alguns minutos”, explica o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes.

Os alertas são feitos após  análises de risco e de condições adversas, utilizando estudos de modelagem e dados coletados pelas redes geológicas, hidrológicas e meteorológicas distribuídas pelo país. O Cenad, que é ligado ao Ministério da Integração Nacional, aciona a defesa civil nos estados e municípios para que tome as providências necessárias.

Integração com Defasas Civis

“Queremos maior interface entre o Cemaden e as defesas civis. Nossa ideia é criar um canal de comunicação com elas para receber feedback dos estados e municípios, para sabermos se a qualidade e o produto que estamos oferecendo estão adequados às necessidades de cada localidade”, ressaltou Moraes.

O controle das áreas se dá da Sala de Situação do Cemaden, na qual 958 municípios são monitorados. Destes,  821 integram o Plano Nacional de Gestão de Risco e Respostas a Desastres e estão elencados como cidades com alto grau de ameaça para a ocorrência de desastres naturais. Pois nestas localidades ocorrem  94% das mortes e 88% do total de desalojados e desabrigados em todo o território nacional.

O Cemaden entrará em breve com um sistema de envio de mensagens SMS para as defesas civis estaduais e municipais. Esses avisos por meio de um número de celular cadastrado na base de dados agilizará o processo e também causando a redundância, algo fundamental no caso de potencial de risco. Também está em análise o desenvolvimento de um aplicativo que gera os avisos de forma automática. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

São José registra aumento de serpentes nas ruas

Júlio Ottoboni, especial para a Envolverde – 

Diversos bairros de São José dos Campos estão enfrentando problemas com o surgimento de cobras em áreas residenciais e em vias públicas neste começo de outono. A área urbana da cidade ficou vários meses sem receber capina em locais de grande incidência de repteis o que favoreceu tanto a proliferação com o surgimento de diversas espécies de animais peçonhentos, como cobras e escorpiões.

Um dos motivos é o crescimento da área urbana para localidades com ecossistemas estáveis, em antigas áreas de pastagem e também de residuais da Mata Atlântica, como no bairro de classe média alta Urbanova, onde se concentra a maior parte de loteamentos fechados e condomínios residenciais da cidade.

O lugar era uma antiga fazenda de café que foi abandonada com o declínio da produção ainda nos anos 30 e depois foi usada por área de pastagem, além de ser banhado pelo Rio Paraíba do Sul. Nos anos 90 houve o início de uma grande especulação imobiliária no lugar e que rapidamente transformou todo o ecossistema que estava em equilíbrio na antiga área de fazenda em loteamento de alto padrão e cercados por muros e telas, inclusive interrompendo cursos de fragmentos de Mata Atlântica e de ribeirões e riachos.

Segundo a vereadora Dulce Rita (PSDB), que integrou várias comissões de meio ambiente na câmara local, o problema alastrou e fugiu do controle. “Temos casos de relatos em toda a cidade, praticamente todas as regiões, onde mora mesmo houve um na semana passada envolvendo uma cobra. A administração passada deixou de limpar e roçar praticamente toda as áreas públicas da cidade e agora a prefeitura não está dando conta do volume da demanda”, comentou.

A situação chegou a um nível de gravidade que o cemitério do bairro de Santana, na zona norte da cidade, centenas de escorpiões invadiam as ruas e casas da redondeza nas noites do começo deste ano. A construção centenária do muro passou a abrigar uma população imensa desses animais. A prefeitura mandou que se retirasse todo o antigo reboco da construção e o refizessem com material liso, que impedisse a subida do aracnídeo pelas paredes e que toda a extensão do muro fosse pulverizada com inseticida.

No bairro Urbanova, no último final de semana, pelo menos 10 registros de cobras foram feitos à policia ambiental e comentados nas redes sociais. A maioria delas é de cascavel, embora se tenha relatos de cobra coral e jararacas. Segundo os biólogos, a proximidade com o Rio Paraíba do Sul e um ambiente que permaneceu intocado por décadas favorece o surgimento desses animais. Muitos deles buscando alimentos, cada vez mais escassos na região que habitam.

O Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras), da Universidade do Vale do Paraíba (Univap) mantém um setor somente para atender os casos com serpentes, foi criado um ofídiário que recolhe e recebe diversas espécies, algumas delas endêmicas, de ocorrência apenas neste trecho do Vale do Paraíba e de veneno altamente letal. A Polícia Ambiental também está capacitada a fazer o resgate de serpentes encontradas dentro da malha urbana. Com as noites mais frias de outono, as serpentes procuram as áreas mais quentes para ficar, que geralmente são as ruas e calçadas de concreto. Até o momento não ocorreu nenhuma acidente envolvendo pessoas e serpentes. Entretanto são vários os registros de animais  domésticos que foram mortos após serem mordidos por cobras, principalmente cascavéis. (#Envolverde)

Universidade investe na recuperação de animais silvestres

Por Júlio Ottoboni*

A Universidade do Vale do Paraíba ( Univap) se tornou a principal  referência no atendimento a fauna silvestre dentro do eixo São Paulo – Rio de Janeiro. O Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras), situado no campus Urbanova, em São José dos Campos, conquistou um grau de excelência que possibilitou atrair empresas parceiras para o projeto, que teve início em 1999.

Instalado nas proximidades do Rio Paraíba do Sul e de um dos maiores residuais de Mata Atlântica existentes no trecho entre Jacareí e São José dos Campos, o Cras tem 8,3 mil metros quadrados de área, que inclui tanto a área construída e de solário, além de duas alas para quarentena e de recuperação dos animais.

Atualmente em expansão de sua área, o núcleo conta com investimentos das concessionárias de rodovias CCR Nova Dutra, Tamoios, além da Engep Ambiental e empresa farmacêutica Drogavet. Na parceria as empresas que necessitam recebem treinamento de pessoal, teórico e prático, para contenção, manejo, cuidados com animais feridos e transporte.

A responsável técnica do Cras e professora da universidade, a doutora em engenharia biomédica Karla Andressa Ruiz Lopes, que é bióloga de formação, tem notado um crescimento no volume de chegada de exemplares apreendidos pela Polícia Ambiental como levados por particulares. Isso se dá tanto pela eficiência do centro, como por ações policiais mais incisivas e também pela expansão da malha urbana sobre áreas com ecossistemas naturais minimamente preservados.

 

“Depois de tratados e verificada as condições de êxito na reinserção na natureza, os animais são destinados para o ecossistema original e em sua área de ocorrência. Já tivemos exemplares que seguiram para o Mato Grosso, para a Bahia por exemplo”, comentou a bióloga. “Não tem meio termo, ou o animal pode ser reabilitado e reintroduzido com 100% de sucesso ou não será feito”.

Tratamento – Os animais chegam ao Cras de diversas maneiras e estado de saúde. Seja por doação, atropelamento e apreensão,  em sua maioria.  Cerca de 70% das espécies são aves, seguidos por 20% de mamíferos e 10% de répteis.  O tempo do tratamento varia muito tanto pela condição física e emocional do animal, como pelo período de recuperação de cada espécie. O histórico do centro registra uma loba guará internada por três anos e papagaios que ficam oito meses.

No entanto, existem os que serão cativos durante toda a vida. Como no caso de híbrido de arara, que por lei não pode ser reintroduzida, saguis de intercruzamento de espécies, animais exóticos, inclusive uma Arara Canindé que tem estresse crônico e vários outros com deficiências que os impossibilitam a sobrevivência no meio ambiente de origem.

Quanto ao volume de recepção de animais, entre as aves, os papagaios e periquitos lideram, seguidos por araras e espécies menores da Mata Atlântica. Já em termos de variedade, os mamíferos são quase insuperáveis. O Cras tem entrada de capivaras, saguis, ratão do banhado, tatus, tamanduás mirim, preguiças, gatos do mato, veados campeiros e até de uma onça parda que chegou a óbito. Os gambás são os líderes absolutos em incidência.

Apesar de quase não receber anfíbios, os répteis apresentam uma elevada concentração em diversidade. São tartarugas, jabotis, jacarés, lagartos diversos, iguana e serpentes. O aumento de abandono de animais exóticos, como lagartos e serpentes, também é notado.

Justiça – Apesar de ser crime ambiental, previsto em lei federal, ter a posse e aprisionamento de animais silvestres sem autorização do Ibama, os profissionais do Cras já se depararam com situações, no mínimo, constrangedoras causadas pela justiça.

Como o de animais apreendidos em péssimas condições de saúde, debilitados física e emocionalmente, que foram totalmente recuperados e no período de reintrodução o antigo ‘dono’ surge com uma ordem judicial para a devolução da posse. Ou mesmo com direito a visita periódica, o que aconteceu no caso de duas araras prontas para serem libertas na natureza e uma veio a óbito pelo estresse que passou neste processo de reaproximação do antigo tutor.

A bióloga e coordenadora do centro, Karla Ruiz, conta que por interferência judicial já foram devolvidos vários passarinhos, saguis entre outros animais. Isso depois de meses de tratamento e cuidados para prepara-los para a soltura.

A Lei 5.197/1967 , de Proteção a Fauna, diz em seu artigo 1º-“ Os animais silvestres de quaisquer espécies, em qualquer fase de seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedade do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha.”

Os juízes hoje se baseiam na Lei 9605/1998  prevê: “No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena”. E numa, polêmica, no mínimo, decisão do Conama, de 2013, na qual há facilitações para o infrator continuar com a posse do animal silvestre  mediante a uma autorização por um Termo de Depósito de Animal Silvestre (TDAS).

“Todo nosso trabalho é feito com metodologia científica, contamos com uma médica veterinária, estagiários e colaboradores da faculdade de biologia, biólogos, tratadores e em infraestrutura temos o ambulatório e equipamentos. Em casos cirúrgicos mais graves encaminhamos para outros centros. Atualmente as espécies mais bem sucedidas na reintrodução são os papagaios e araras, além do gambá”, observou Karla Ruiz.

A capacidade instalada do Cras é entre 400 até 600 animais, com a reforma da área de recepção e manutenção feita pelas empresas parceiras há condições de receber mamíferos maiores, como onças. A população atual gira em torno de 350 animais, em recintos coletivos e individuais.

O Cras faz parte de uma estrutura maior concebida e mantida pela Univap, o Centro de Estudos da Natureza, que está ligado ao núcleo de biologia da universidade e contempla ainda um borboletário, um serpentário e uma área de cultivo de plantas medicinais. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

SCD-1, um fenômeno do mundo dos satélites

Por Júlio Ottoboni*

São 24 anos no espaço, completados em fevereiro, em órbita da Terra, e ainda se encontra funcionamento. O Satélite de Coleta de Dados ( SCD-1), o primeiro de uma série prevista pela Missão Espacial Completa Brasileira ( Mecb), é hoje um fenômeno entre os satélites artificiais do mundo. Seu projeto inicial era para funcionar um ano, recolhendo dados ambientais das Plataformas de Coleta de Dados (PCD) espalhadas pelo território nacional.

Caso o SCD-1 alcance seu 25º ano no espaço, a serem completados em 09 de fevereiro de 2018, ele se tornará um dos mais bem sucedidos objetos espaciais com função de monitoramento ambiental já produzido pelo segmento aeroespacial. Um feito praticamente inédito na história da tecnologia satelitária desde o começo da corrida espacial, na década de 50. Esse é um dos satélites mais longevos em relação ao seu projeto inicial.

 

O tempo de 25 anos é calculado como o máximo de tempo para um objeto em órbita terrestre baixa, como a do SCD-1 que é de 750 quilômetros, sofra com o efeito de arrasto da gravidade do planeta e caia na superfície, geralmente se desintegrando na reentrada atmosférica.

“A longevidade do SCD-1 comprova o alto grau de competência técnica não só das equipes de engenharia espacial e de integração e testes que participaram do desenvolvimento do satélite, como também das equipes de operação em voo do Centro de Rastreio e Controle de Satélites do Inpe”, comentou  o engenheiro do instituto, Jun Tominaga.

O lançamento do SCD-1 colocou o Brasil entre as nações que dominam o ciclo completo de uma missão espacial desde sua concepção até o final de sua operação em órbita. Com 115 kg, o SCD-1 foi totalmente projetado, desenvolvido e construído pela equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos. Para seu desenvolvimento, o Inpe investiu em laboratórios com tecnologia de ponta, como o Laboratório de Integração e Testes ( LIT) e no desenvolvimento de técnicos e engenheiros.

Esse pequeno satélite foi um marco na coleta de dados ambientais e que são distribuídos para instituições nacionais governamentais e do setor privado. Elas desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como estudo da química da atmosfera, previsão meteorológica e climática, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.

O SCD-1 foi lançado com começo de fevereiro de 1993, a partir do foguete Pesagus, de origem norte americana. Nas próximas semanas ele completa sua órbita 127.000, algo próximo a marca de seis bilhões de quilômetros girando em torno do planeta. Para se ter uma ideia da trajetória, a distância média entre a Terra e Marte é de cerca de 225 milhões de quilômetros.

Devido a uma falha em sua bateria, desde 2010, o satélite tem funcionado quando está iluminado pelo Sol.  Com a falha no suprimento de energia, de acordo com o Centro de Rastreio e Controle do Inpe, o SCD-1 ainda consegue coletar e transmitir dados ambientais, que acabam destinados ao monitoramento de bacias hidrográficas, marés, meteorologia, clima,  pesquisas sobre mudanças climáticas e desastres naturais.

Atualmente, a carga útil do satélite se resume a um transponder de coleta e transmissão de informações telemétricas. O SCD-1 opera em horários determinados do dia, o que equivale a cerca de 65% do tempo total anterior.

O segundo transponder, denominado de serviço, que recebe os telecomandos do Inpe para as correções de órbita do satélite não funciona mais. A perda deste equipamento diminui a precisão das estimativas do posicionamento do satélite no espaço. Embora ainda se tenha condições de efetuar algumas operações de controle do SCD-1.

Os técnicos do Inpe fazem periodicamente manobras para manter os painéis solares apontados para o Sol, para captar energia, e o radiador voltado para o espaço a fim de dissipar calor. Desde sua colocação no espaço, a velocidade de rotação do satélite, que o manter em órbita,  vem diminuindo, dos iniciais 120 rpm para 5 rpm este ano. Isso tem afetado a estabilidade na rotação e no seu ângulo em relação à superfície do planeta. E tem causado uma elevação das temperaturas de alguns equipamentos embarcados, que hoje estão acima dos limites estabelecidos.

Apesar dos problemas mencionados, o SCD-1 continua fornecendo dados de carga útil válidos a seus usuários, de modo que, embora com alguma degradação, ainda realiza sua missão de coleta de dados ambientais em um nível satisfatório. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

Onda de calor sobre São Paulo continua com temperaturas elevadas

Por Júlio Ottoboni*

O Sudeste brasileiro está tomado por uma onda de calor desde o início de fevereiro, que tem tudo para deter o recorde das mais elevadas temperaturas dos últimos anos. Para complicar o quadro, as altas temperaturas serão acentuadas nos próximos dias. A anomalia climática já é classificada como uma das mais longas e de temperaturas mais altas já registradas nos últimos tempos.

A partir do dia 20 de fevereiro, uma nova configuração nos sistemas atmosféricos promoveu uma intensificação do calor para os próximos dias, ou até mesmo para o final do mês.

O Serviço Nacional de Meteorologia da Argentina monitorou a ação da onda de calor que se atua sobre o país. A região de Buenos Aires e arredores e também de Rosário se encontram com temperaturas por volta de 35 graus. Caso intensifique o calor, será emitido um alerta de perigoso para bebês, crianças e pessoas com mais de 60 anos. A tendência é essa massa de ar quente e seco suba para regiões do Brasil e do Paraguai.

Segundo meteorologistas, um núcleo de alta pressão, situado na média troposfera, aproximadamente 5.500 metros de altitude, deve se posicionar sobre o continente, mas precisamente na porção Sul do país. Esse anticiclone provoca a descida do ar mais seco da parte superior da atmosfera para a parte baixa. Esse processo de descida comprime e aquece o ar, que se soma ao ar quente já existente nos baixos níveis da troposfera e  resultar em altas temperaturas no interior do país.

São Paulo também registrou novo recorde de calor no domingo (19), isso pelo segundo dia consecutivo. A temperatura máxima na capital paulista foi de 34,6°C superando os 33,9°C do sábado. Segundo a empresa de meteorologia Climatempo, a “ tarde deste domingo também foi a mais quente do verão 2016/2017 na cidade de São Paulo, superando a tarde do dia 26 de dezembro de 2016, quando a máxima foi de 34,4°C”.

As áreas urbanas de todo o mundo tiveram consideráveis aumentos das ondas de calor nos últimos 40 anos. Períodos prolongados de dias extremamente quentes cresceram em mais de 200 áreas urbanas de todos os continentes entre 1973 e 2012. E isso foi  intensificado nos últimos anos. As áreas urbanas de todo o mundo tiveram consideráveis em suas temperaturas médias devido a alteração de seus microclimas pela formação de ilhas de calor.

Esse foi o resultado da pesquisa publicada na revista científica Environmental Research Letters.  As ondas de calor, segundo os pesquisadores, são períodos compreendidos entre seis ou mais dias consecutivos,. Mas isso é variável de acordo com a região, em localidade na Europa é considerado a partir do terceiro dia de temperaturas elevadas para a época, podendo variar entre 5 até 10 graus acima da média histórica. Outro aspecto, as noites não se resfriam o suficiente e mantém a temperatura elevada.

O estudo mostrou que mais da metade das áreas estudadas apresentaram um aumento significativo do número de dias extremamente quentes e em mais de 65% dos casos ocorreu um aumento de noites extremamente quentes. As ondas de calor devem aumentar suas frequências e intensidades devido às anomalias climáticas provocadas pelo aquecimento global. Poucos vezes se viu o centro do anticiclone irradiador desta imensa onda de calor que varreu a porção mais austral da América do Sul tão próximo a Antártida.  As piscinas de água quente no Oceano Atlântico elevaram em demasia as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM), o que aumenta ainda mais o calor tanto da costa africana como em praticamente toda a costa e o interior do continente no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Segundo a Climatempo, desde o começo de fevereiro, as simulações do estado da atmosfera para o fim da primeira quinzena do mês indicavam uma grande redução da chuva no Sudeste. “ O motivo para a diminuição da chuva era uma nova aproximação e intensificação da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) sobre o país.

Como todo sistema de alta pressão atmosférica, a ASAS reduz a umidade no ar e consequentemente a nebulosidade e as condições para chuva. E cria um bloqueio atmosférico para a entrada de frentes frias e formação de chuvas. “ A resposta direta e imediata da atmosfera diante da redução da chuva é o aumento do calor”, alertou o comunicado da empresa. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

Inpe de São José cria aplicativo para identificar nuvens com raios

Por Júlio Ottoboni*

Um  aplicativo desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, poderá indicar a previsão de raios durantes tempestades. O novo modelo está sendo testado em Campinas e será um adicional no projeto “SOS – Chuva App”, que pode ser baixado gratuitamente em smartphones e tablets. O novo item estará funcional ainda neste verão. O Brasil é o campeão de raios em todo mundo e as descargas elétricas atmosféricas têm causado prejuízos superiores a R$ 1 bilhão, além de várias mortes.

O território nacional tem uma incidência entre 50 a 75 milhões de raios por ano. Um sistema inédito já em funcionamento consegue  prever com antecedência de 24 horas a queda de raios em todo país. A ferramenta também desenvolvida pelo Inpe antecipa a informação sobre descargas elétricas de uma maneira preventiva, com intenção de se evitar prejuízos materiais e inclusive a ocorrência de mortes resultantes do fenômeno natural.

Junto com o aplicativo para telefones celulares, esse sistema tomou cinco anos de estudos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), coordenado pelo pesquisador Osmar Pinto Júnior. Esse monitoramento público dos raios está disponível no site do instituto e é mais um instrumento para se ter maior amplitude na previsão do tempo.

Já o aplicativo é resultado prático do Projeto Temático Previsão, que tem por objetivo a indicação imediata de tempestades intensas e para se alcançar uma maior compreensão dos processos físicos no interior das nuvens de cúmulo-nimbo (CB).

O teste do aplicativo dos raios é feito hoje por um radar polarimétrico instalado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A ferramenta, ainda em fase de modelagem, possibilitará a estimativa com antecedência de meia hora se nuvens detectadas pelos radares meteorológicos gerarão relâmpagos.

Essas pesquisas empregaram uma rede de sensores, capaz de detectar relâmpago em três dimensões, algo que dá uma nova perspectiva de estudo aos cientistas. Além das latitudes e das longitudes da ocorrência da descarga, também são medidas a altura de cada parte do relâmpago no interior da CB. As avaliações foram feitas nos testes ocorridos no SOS-Chuva no Vale do Paraíba.

A atual rede LMA, que é a sigla em inglês para Lightning Mapping Array foi usada pela primeira vez utilizada no país. Ela é formada por 12 sensores situados na região metropolitana de São Paulo. O projeto tem hoje participação de entidades internacionais, como a Administração Nacional de Oceânica e Atmosférica ( Noaa) e da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), dos Estados Unidos, além da Universidade de São Paulo.

Os pesquisadores chegaram a conclusão que as nuvens com alta probabilidade de ocorrência de relâmpagos apresentam bastante gelo na faixa onde se encontram temperaturas que variam de zero a 15 graus negativos. Nesta área da nuvem também se encontra muitos cristais de gelo e água líquida super-resfriada.

Essa mistura dentro das nuvens, associada às correntes de ar verticais intensas, criam um zona de maior choque entre as partículas. A consequência deste processo de colisão com extrema velocidade e frequência é a formação de cargas elétricas altamente carregadas, que criam as descargas elétricas atmosféricas no topo da CB, onde as temperaturas são abaixo de 40 graus negativos. (#Envolverde)

Livro conta a saga do projeto do motor a álcool

Por Júlio Ottoboni*

Um dos mais ambiciosos e bem sucedidos programas em tecnologia de combustível limpo do Brasil e com imensa repercussão em todo mundo teve sua história detalhadamente recontada num livro reportagem. O programa do motor brasileiro se revela em detalhes no livro “A Solução Brasileira: História do Desenvolvimento do Motor a Álcool no DCTA”. A publicação escrita pela jornalista Fernanda Soares Andrade traz um relato desde os primórdios do projeto até sua realização e os motores flex que são usados atualmente pelas montadoras de veículos.

Foram três anos de entrevistas, consultas aos jornais da época, comunicados internos, cartas, homenagens etc., no que resultou num acervo com milhares de informações.  O resultado é uma amostra do potencial brasileiro que existia em institutos como o antigo Centro Técnico de Aeroespacial (CTA), de São José dos Campos, berço do programa do motor brasileiro.

Todo o trabalho do livro, inclusive sua publicação, foi bancada pelo Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT), também sediado na cidade do Vale do Paraíba. E sua distribuição é gratuita pela entidade, que ainda digitalizou todo o arquivo gerado na pesquisa e é disponibilizado aos interessados.

“O idealizador da publicação foi o ex secretário-geral do Sindicato, Sérgio Rosim, que tinha como objetivo esclarecer a população sobre o funcionamento dos institutos de pesquisa”, explica a autora o que motivou a publicação.

Entre as funções do livro, além de resgatar informações mais precisas sobre a condução do projeto, Rosim viu como uma homenagem aos funcionários que estiveram envolvidos no projeto do motor brasileiro e o resgate mais fiel possível do ocorrido na época.

São 150 páginas com uma farta documentação histórica, fotos de época, o enfoque da imprensa, que apresenta um quadro contextualizado desde o final da década de 1970 até os dias de hoje. E mostra como a crise do petróleo colaborou para o início do desenvolvimento do motor a álcool no Brasil.

Carro a álcool. Frota Telesp Fusca. Foto: Divulgação

O livro aborda o protagonismo do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), como o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) era chamado na época. Além de mostrar como funcionava todo esse processo, as vantagens em relação à gasolina, o surgimento das novas usinas, também experiências com outros combustíveis e o retorno do uso do álcool nos carros flex. E conta o destino que levou os carros de teste, passagens curiosas e pouco conhecidas.

Entre elas o problema com os carburadores dos fuscas da Telesp, numa frota de 400 veículos. A empresa adquiriu 10 motores reservas e mandou converter os que funcionavam com gasolina. Começaram a surgir inúmeros problemas que os engenheiros do CTA investigaram e resolveram. O mais frequente, no entanto, era o entupimento dos carburadores por um pó branco. Depois de pensarem em fazer até peças de vidro. Um mecânico descobriu a solução, a limpeza da peça com vinagre de cozinha.

Outra curiosidade, as bobinas dos carros queimavam com frequência. Ninguém conseguia descobrir o motivo, pois nunca ocorreu nos testes de bancada. A descoberta veio praticamente por acaso. Enquanto o técnico em telefonia fazia o serviço, o motorista ficava como rádio do carro ligado e gerando uma sobrecarga na bobina. A solução foi criar um circuito independente da ignição do veículo, que é utilizado até hoje pelas montadoras.

A jornalista fez uma longa jornada atrás dos principais personagens deste projeto, indo para São Simão (GO), Goiânia (GO), Uberlândia (MG) e Brasília (DF), além de entrevistas e pesquisas em São José dos Campos.  Um dos pontos altos,  segundo a autora, foi a entrevista com o engenheiro Clóvis Michelan, conhecido por muitos como “pai do carro a álcool”.

“ O Clóvis foi um dos principais incentivadores da pesquisa, tendo disponibilizado seu acervo e seu tempo para conversar. Por causa de um câncer, não conseguiu concluir sua promessa de escrever o prefácio do livro. Foi internado logo após o pedido e veio a falecer três meses depois”, comenta sem esconder a emoção. O prefácio do livro ficou em branco, pois Michelan o redigiria.

A primeira edição do livro teve a tiragem de 2000 exemplares, que foram distribuição de forma gratuita e dirigida, voltada principalmente para parlamentares, sindicatos e bibliotecas do Brasil. Agora a ideia é traduzi-lo para inglês, para que outros países tenham acesso ao conteúdo sobre o projeto se tornou a primeira experiência mundial em larga escala para se ter um combustível automotivo ecológico e sem emissão de poluentes. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

Energia Limpa cresce no Brasil

Grupo BYD, de Campinas. Foto: Divulgação

Por Júlio Ottoboni*

Setor chama  a atenção de parceiros internacionais.

Os investidores e empresas do setor de energia limpa estão vasculhando os centros de excelência tecnológica no interior de São Paulo em busca de condições de produção de painéis e equipamentos voltados para energia solar. Um eixo tecnológico está se construindo nesta busca e envolvem as regiões de São José dos Campos, Campinas, São Carlos e Sorocaba. Esse quadrilátero tem sido o preferido dos investidores estrangeiros.

Sorocaba acaba de anunciar a inauguração da fábrica painéis solares da Canadian Solar . A previsão é que a indústria gere 600 empregos diretos e indiretos na cidade. A empresa tem um portfólio de 390 MWp de projetos solares no Brasil, que entrarão em operação comercial em 2017 e 2018.

Grupo BYD, de capital chinês, promoverá investimentos de R$ 150 milhões para instalação da primeira fábrica de painéis solares fotovoltaicos no Brasil. A meta da empresa é produzir 400 MW de painéis solares por ano. o grupo chinês aportou R$ 100 milhões na instalação de uma fábrica de ônibus elétricos em Campinas (SP), local que abrigará a fábrica e um centro de pesquisas. Até o final de 2017, o Grupo BYD pretende investir R$ 1 bilhão no Brasil.

Valinhos, também na região de Campinas, tem desde 2015 a primeira fábrica brasileira de painéis de energia solar feitos em larga escala.  A empresa Globo Brasil visa atender a demanda que virá com a construção de usinas solares no país. No ano passado, quase 1 giga watt de energia solar foi contratado para ser injetado na matriz energética brasileira a partir de 2017.

Vice ministro Itália. Foto: Júlio Ottoboni

O vice-ministro de desenvolvimento econômico da Itália, Ivan Scalfarotto, esteve recentemente em missão comercial e diplomática no Brasil, quando reafirmou o interesse de seu país investir pesadamente em tecnologia de ponta e na área acadêmica em solo brasileiro. A energia limpa e renovável, assim como o desenvolvimento tecnocientífico italiano, serão os grandes diferenciais para esse processo.

“Temos uma tecnologia avançada e muitos estudos na área de energias limpas e sustentáveis que podem ajudar muito ao Brasil e a nossa aproximação comercial”, destacou o vice-ministro em sua visita ao Parque Tecnológico de São José dos Campos, que pode abrigar um centro de pesquisas ítalo-brasileiro neste segmento.

O principal atrativo para investimentos estrangeiros vem dos próprios números gerados pelo Brasil. A energia eólica brasileira atingiu recentemente a marca de 9 gigawatts (GW) de potência instalada na matriz elétrica nacional, o que equivale a quase uma Belo Monte, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) divulgados em fevereiro de 2016. E a tendência é crescer mesmo diante da crise econômica, pois os resultados apresentaram a constituição de mais de 40 mil postos de trabalho e investimentos superiores a R$ 15 bilhões por ano, nos últimos 2 anos.

Pelas perspectivas do setor, mais 10 GW de potência de energia eólica deverão ser instalados nos próximos quatro anos, alçando a fonte renovável a nada menos do que 10% do total da matriz elétrica nacional.

Em energia solar, a quantidade de instalações de sistemas fotovoltaicos conectados no país triplicou de 2014 para 2015. Somente no período de outubro a dezembro de 2015, a quantidade de micro e mini geradores Fotovoltaicos aumentou 64%.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)  anunciou que a geração de energia eólica no Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 52,7% de janeiro a outubro de 2016 se comparado ao mesmo período do ano passado, saltando de 2.343 MW médios para 3.577 MW médios.

Globo Brasil de Valinhos. Foto: Divulgação

A análise sobre a expansão da energia limpa no país faz parte do estudo “O Mercado Brasileiro de Geração Distribuída Fotovoltaica – 2016”, desenvolvido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK-RJ) e pelo Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Instituto IDEAL).  O documento foi recentemente divulgado.

Segundo as avaliações, as maiores taxas de crescimento desse sistema de geração de energia verde foram registradas nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O estudo constatou ainda que o número de empresas cadastradas no programa “América do Sol”, que dissemina a energia solar fotovoltaica, tem dobrado a cada ano e o número de funcionários do setor acompanha a tendência.

O documento surgiu a partir de questionários respondidos por mais de 300 empresas brasileiras do setor. O estudo pioneiro no Brasil apresenta o desenvolvimento do mercado e identifica os desafios no processo de conexão à rede de micro e mini geradores fotovoltaicos, no âmbito da RN 482/2012 da ANEEL.

A energia eólica no Brasil também tem chamado atenção de grandes investidores. O país passou a ser o 8º maior produtor do mundo. São 400 parques eólicos em funcionamento com mais de 5,2 mil aero geradores em operação, sendo 15 parques já construídos aguardam ligação com a rede.  A capacidade instalada de quase 10 gigawatts (GW) o que representa 6% da matriz energética brasileira.

A energia vinda do vento abastece 45 milhões de brasileiros.  Em 2015, esse tipo de geração energética abasteceu a cada mês o equivalente ao consumo residencial de toda Região Sul do país e gerou 41 mil postos de trabalho. A expectativa do setor é que a capacidade instalada da energia eólica chegue a 18.8 GW em 2019 com uma taxa anual de crescimento de 20%. Como comparação, vale lembrar que a Usina Hidrelétrica de Itaipu tem 14 GW de capacidade instalada.

Em 2015 o crescimento do setor foi de 46%, o maior índice registrado no período em todo o mundo. Pelos levantamentos, desde 1998 foram investidos R$ 60 bilhões em energia eólica no Brasil. No dia 31 de julho de 2016, às 9h, a região Nordeste quebrou um novo recorde. Naquele momento, 76% da energia consumida na região foram gerados a partir do vento.

No mundo a energia eólica tem também seu salto de crescimento. Eram produzidos do total da energia mundial,  22% vieram da força dos ventos em 2015, principalmente na China, Estados Unidos e Alemanha. Em 2016 esses números ainda não foram atualizados.  O setor eólico respondeu por quase metade de todo o crescimento da oferta de energia no mundo em 2015.

A energia oriunda do vento responde por 4% da energia do planeta. Esse percentual alcançará entre 6% a 8% em 2020, 18% a 20% em 2030  até chegar a 1/3 de toda a energia produzida no mundo em 2050, caso o Acordo do Clima firmado em Paris seja cumprido. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

Brasil tem 95% dos municípios vulneráveis às mudanças climáticas

Por Júlio Ottoboni*

A avaliação dos cientistas sobre os extremos climáticos e a adequação das cidades brasileiras para enfrentar o fenômeno decorrente do aquecimento global é o pior possível. A maioria dos pequenos municípios, com população até 100 mil habitantes e que abriga metade da população, não tem um fundo de financiamento de ações de adaptação a mudanças ambientais. Entre elas situações como a elevação da temperatura, o aumento das grandes tempestades e suas consequências.

A avaliação foi feita pelo professor do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ricardo Ojima, coincide com os alertas dados pelos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos. Em particular o cientista Antonio Nobre, que faz alertas constantes sobre a necessidade de se repensar os modelos de ocupação do solo neste novo momento do planeta.

A falta de recursos financeiros e humanos para lidar com questões ambientais e desastres naturais apresentadas por esses pequenos municípios os tornam vulneráveis ao ponto de serem arrasados por desastres ambientais como o que ocorreu em Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015. Como explica Ojima, lembrando que 95% das cidades brasileiras se encontram nesta condição.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) , também sediado em São José, procura estabelecer termos de cooperação tecnológica e científica com outros países, principalmente com a China e a União Europeia. Além de ter uma atuação mais próxima junto às comunidades sob-riscos. Áreas de estudo como resiliência urbana, meteorologia, planejamento urbano e segurança hídrica estão na pauta do órgão.

 

Segundo dados do Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5,61% das famílias brasileiras vivem em favelas, sendo 9,79% na região metropolitana de São Paulo e 9,95% em São Paulo. A capital paulista é a cidade onde vive 10% da população do país.

Os estudos desenvolvidos por Ojima, por exemplo, mostram que as maiores cidades brasileiras, as quais tem população acima de 500 mil habitantes, concentram a outra metade da população brasileira e representam 5% dos municípios do país. Embora tenham um número maior de pessoas expostas às mudanças e aos desastres ambientais, isso é menor que a margem de riscos dos habitantes dos pequenos centros urbanos. Já que os grandes centros dispõem de maiores recursos.

Todavia, tanto nos grandes centros urbanos como nos pequenos tem se observado um aumento do número de pessoas vivendo em condições precárias. Segundo a professora da Faculdade de Arquitetura de Urbanismo da Universidade de São Paulo ( FAU-USP) Maria Camila Loffredo D’Ottaviano, isso contribui para aumentar a exposição aos desastres ambientais.

“O levantamento do IBGE considera como famílias que vivem em favela aquelas que declaram morar em áreas invadidas. Com isso, a população que vive em loteamentos irregulares em áreas precárias não é contabilizada”, ressaltou a arquiteta.

O novo prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, cobrará explicações do Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento (Ipplan) sobre os motivos de ainda não terem ainda incluído em suas diretrizes e projetos as mudanças climáticas. “Vamos estabelecer acordos com todos os institutos e centros de pesquisas que atuam neste setor, não podemos planejar uma cidade sem levar essas transformações em consideração”, comentou.

Atualmente São José dos Campos abriga os principais órgãos de estudos sobre o aquecimento global de origem antrópica e suas consequências. O relatório do Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR) mostrou que a cidade teve uma aumento em áreas de risco de deslizamento e inundações em 200%  entre 2015-2016. O estudo mapeou 54 áreas de risco sendo 37 delas de novas ocupações. Na avaliação anterior constavam apenas 17 pontos. Foram computadas ainda 1.250 moradias em locais de risco.

Deste total de residências, 616 delas se localizam em pontos considerados de alto risco para escorregamento de terra. Outras 345 casas, praticamente 30%, estão em áreas de risco muito alto e 289 sob-risco mediano. O número de ocorrências de soterramento de casas com vítimas fatais aumenta consideravelmente no período das chuvas. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.