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Velas ao vento

O vento, energia que moveu as caravelas no século XVI, poderá ser a solução para um transporte marítimo mais eficiente no século XXI. A novíssima tecnologia de navios movidos a energia eólica será testada nos próximos dois anos pela Norsepower Oy Ltd., em parceria com a Maersk Tankers, o Energy Technologies Institute (ETI) e a Shell Shipping & Maritime.  A Maersk Tankers fornecerá um navio-tanque Long Range 2 (LR2) de 109.647 toneladas de peso-morto (DWT), que será adaptado com duas velas de rotor Norsepower de 30m de altura por 5m de diâmetro. Os cilindros altos e giratórios já foram usados ​​em embarcações menores no passado, esta é a primeira vez que alguém tenta colocá-los em um navio tão grande quanto um petroleiro de 245 metros. As velas do rotor serão instaladas durante o primeiro semestre de 2018 e os testes em alto mar devem acontecer em 2019. (Envolverde)

Brasil: Política, um negócio muito rentável

Por Mario Osava, da IPS – 

Rio de Janeiro, abril – A democracia no Brasil vai sobreviver aos escândalos de corrupção da geração atual de líderes políticos e impedir as reformas que governo planeja para superar a crise econômica?

“A intervenção militar não está no horizonte mas pode aparecer se aumentarem os conflitos de caos como aconteceu em Espirito Santo” afirma, com medo, o historiador Daniel Aarão Reis, professor da Universidade Federal Fluminense em Niterói, cidade vizinha a Rio de Janeiro.

O pequeno estado de Espírito Santo região centro-oeste do Brasil vivenciou muitos roubos e assassinatos nas primeiras semanas de fevereiro, sem transporte público, comércios, escolas e hospitais que estavam fechados por motivo da greve da polícia militar, que deixou de cuidar das ruas reivindicando melhores salários.

“ Uma separação social perigosa, que coloca em risco o sistema institucional pode ser um dos cenários do futuro” prevê o sociólogo Elimar Nascimento, professor de pós-graduação em Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.

A situação provocaria a queda de muitos líderes políticos acusados de corrupção, dos protestos de rua e a rejeição das reformas trabalhistas, assim como as greves do setor público pelo aumento de salário podem gerar rebeliões como as de Espírito Santo. Tudo isso prejudicaria a economia prolongando a rescisão, segundo Nascimento.

Outra alternativa seria acabar com a Operação Lava Jato do Ministério Público que investiga a corrupção nos negócios petroleiros e que involucra muitos líderes de governo e oito ministros, segundo o testemunho de 78 dirigentes e ex-dirigentes da Odebrecht que contribuíram com a Justiça. “Nada vai mudar, a maioria dos acusados ficaria livre, a corrupção voltará a crescer, estaríamos perdendo uma oportunidade única de renovar a política brasileira em 2018” explica Nascimento.

Exclusão de corruptos é improvável

Entre os cenários mais extremistas existe um meio termo que é limpar a política nas eleições com a exclusão dos corruptos da Lava Jato, no entanto isso é pouco provável pela cultura permissiva dos brasileiros” avaliou o professor em diálogo com a IPS.

“A corrupção na magnitude revelada pelos investigadores nos três últimos anos ameaçou a democracia de forma sistemática e generalizada” apontou Nascimento, que participou em debates internacionais sobre as carências da democracia neste século.

A ferida maior estaria nas revelações da Odebrecht, cinco ex-presidentes vivos e o atual mandatario Michel Temer, se beneficiaram de recursos ilegais além do presidente do Senado Elicio Oliveira, o da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia assim como os líderes dos principais partidos.

A batalha dos políticos denunciados na Operação Lava Jato trouxe à tona os vícios do sistema brasileiro. A reforma política, uma velha demanda nacional, pode se concretizar agora, porém sem corrigir distorções, como a fragmentação partidária há uma brecha para que velhos líderes, que poderiam estar presos, fujam da condenação.

O voto em listas fechadas para os partidos, tinha poucos adeptos, mas hoje tem seguidores inesperados, facilitando sua aprovação.

Os brasileiros preferem votar em candidatos individuais ao parlamento, porém não em partidos. Sendo que os líderes dos partidos escolheriam a lista de candidatos e sua ordem, esta seria uma forma simples de reeleger senadores e deputados envolvidos em processos judiciais, reduzindo as condenações.

No entanto, no Brasil parlamentares e governantes em geral contam com um foro privilegiado, onde são julgados por tribunais superiores e os processos são lentos e acostumam desaparecer pela prescrição de delitos. Além disso estes líderes querem ter o privilégio de se candidatar aos cargos de deputados e governador de estado aumentando as chances de ficar impunes.

O medo da primeira instância

O maior medo deles é que sem cargos públicos eles precisarão enfrentar o juiz Sergio Moro que comanda a Operação Lava Jato e já pediu 199 prisões preventivas, ajuizou 267 pessoas e condenou 27. Sem o foro privilegiado, Moro seria a alternativa.

A rapidez da primeira instancia é contrastante com a lentidão do Supremo Tribunal Federal onde cerca de 200 políticos são investigados, mas sem nenhuma condena. As sentencias da corte acostumam demorar cinco anos e medio, segundo dados do centro de estudos da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro.

“Os privilégios, mais que a corrupção são a maldição da política brasileira” declarou Aarão Reis que identifica na Constituição Nacional de 1988 um fortalecimento do sistema aristocrático vigente. “ O voto em lista fechada fortaleceria esta aristocracia” diz

Além do foro os parlamentarem usufruem de elevadas remunerações fixadas por eles mesmos. Existe um limite constitucional de 10.700 dólares, porém há mecanismos para driblar esta regra, como adicionais de moradia, passagens aéreas, verba para assessores e funcionários de escritório, assistência médica, veículos e combustível. “O senador campeão tem 79 funcionários no seu gabinete” afirmou Nascimento.

Desta forma cada senador custa a sociedade 51 mil dólares mensais, 10% menos que um deputado. Além disso os parlamentares têm direito a emendas que destinadas a inversões, hospitais, centros culturais. No entanto o Poder executivo decide quando libera estes recursos e os utiliza como moedas para assegurar a maioria parlamentaria, uma espécie de suborno para a votação de propostas polêmicas e prioritárias para o governo.

Há também chances do parlamentar se reeleger ou tentar vôos mais altos como governar um estado, dificultando o ingresso ao “castelo” e limitando a renovação do parlamento brasileiro.

Quem paga a conta das eleições

“Outra aberração é a proposta de aumentar o fundo público para financiar eleições em outubro de 2018” destacou Aarão Reis. Cerca de 2200 milhões de reais são a atual proposta em debate pelos deputados.

Somado ao Fundo Partidário de 819 milhões de reais que este ano será distribuído entre 35 partidos registrados na Justiça Eleitoral, em quantidade proporcional a votação das últimas eleições de deputados em 2014.

“À sociedade lhe é imposta a responsabilidade de financiar os gastos partidários e eleitorais. Se os partidos querem fazer campanhas caras, deveriam utilizar as doações dos seus afiliados” diz Aarão Reis, historiador que atualmente escreve um livro sobre a revolução soviética em 1917.

Tudo isso transformou a política brasileira em um grande negócio onde você ganha dinheiro, proteção judicial e vantagens diversas para se manter no poder. Em consequência hoje existem 56 novos partidos pedindo registro eleitoral. (IPS/#Envolverde)

São Paulo: Aos domingos, a vida pulsa no Minhocão

Leno F Silva, especial para a Envolverde – 

Caminhar pelo Minhocão, aos domingos, é uma maneira de encontrar com algumas das diversidades de Sampa

Muito criticado como solução de mobilidade urbana e projeto arquitetônico, o espigão que liga o centro à zona oeste da cidade vive congestionado na maior parte do dia de segunda à sexta.

Os edifícios laterais passam a sensação de estarem colados às grades de proteção das pistas, e os primeiros andares ficam completamente expostos e sem privacidade. Por isso, algumas janelas permanecem fechadas todo o tempo, sem contar a poluição do ar, intensa, em função do volume de veículos expelindo CO2.

A existência de um movimento organizado para transformar essa obra do Maluf em um parque suspenso dá alento e esperança o que, talvez, possibilitará a melhora sensível das condições ambientais da região.

Enquanto isso não avança, sobra aproveitar os domingões como der na telha: andar, correr, bicicletar; passear com cães, desfilar de patins, jogar bola com as crianças, saborear as delícias culinárias vendidas informalmente e, o mais importante, ver e cruzar com pessoas de carne e osso e ao vivo.

Vista do Minhocão em um domingo. Foto Leno F. Silva

Sem pressa e com olhar de observador é comum perceber que a vida pulsa nos apartamentos dos prédios “invadidos” pelas pistas de rodagem.

Já se constata lá uma nova fase da expansão imobiliária. Lançamentos e projetos ousados atraem futuros moradores, os quais buscam as facilidades daquele perímetro, sem o risco de terem as suas individualidades vistas nos primeiros pavimentos, e também apostam numa completa revitalização da área nos próximos anos.

Que vença o Parque Minhocão, com mais verde, humanidade; opções de lazer, entretenimento e cultura para a nossa gente boa da cidade de São Paulo. Por aqui, fico. Até a próxima. (#Envolverde)

Parceria para a reciclagem

O Instituto Coca-Cola e a Novelis firmaram uma parceria para apoiar e fortalecer cooperativas de catadores de materiais recicláveis. De acordo com dados do CEMPRE, organização empresarial que apoia a reciclagem, existem cerca de 800 mil pessoas no Brasil que atuam como catadores de materiais recicláveis no Brasil. Deste total 30 mil fazem parte de 1.175 cooperativas e são responsáveis pela separação diária de mais de 2,3 mil toneladas de resíduos recicláveis. (Envolverde)

Parque na Rodovia dos Imigrantes

Localizado em região remanescente de Mata Atlântica, às margens da Rodovia dos Imigrantes, no km 35, em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, o Parque Ecológico Imigrantes foi idealizado pela Fundação Kunito Miyasaka o parque se propõe a um impacto mínimo de seus visitantes sobre o ecossistema local. As pessoas vão caminhar sobre uma passarela feita de plástico reciclável e construída na altura das copas das árvores. O projeto prevê a inauguração em 2018. (Envolverde)

Nome social no Cartão de Crédito

O Banco Central vai permitir que pessoas que mudaram de sexo ou que adotaram uma identidade diferente de seu sexo civil possam colocar seus nomes sociais nos cartões de crédito. Essa decisão foi tomada após a defensoria pública de São Paulo questionar as normas do BC a respeito. Com isso os bancos agora podem colocar em seus cartões o nome que o correntista utiliza em sua vida cotidiana. (Envolverde)

Uma crise de refugiados ao estilo Trump

Por Madeleine Penman, da IPS – 

México, abril 2017 (IPS) O cenário de uma das fronteiras mais conhecidas no mundo, ao redor de 1000 quilômetros de uma cerca de metal poroso, que divide vidas, esperanças e sonhos entre os Estados Unidos e México é sem dúvida esmagador, mas não do jeito que esperávamos. Mesmo com o discurso da campanha eleitoral dos Estados Unidos no ano passado, o limite que separa estes dois países hoje se apresenta absurdamente “tranquilo”.

Não é possível encontrar homens, mulheres e crianças como Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, esperava que invadissem o local.

Também não tem ninguém trabalhando no poderoso muro que Trump prometeu construir em 3000 quilômetros de fronteira.  Nem estão os 5000 agentes que incrementariam a segurança no local.

Mas na fronteira hoje existe uma confusão e pavor gigantes. Segundo os defensores humanitários é a “calma antes da tempestade” nada novo, porém podem se tornar algo muito pior. As promessas de Trump não se materializaram, mas estão em andamento junto a outras práticas nas fronteiras.

O impacto deste controle fronteiriço na vida das pessoas que vivem constantemente o terror de ser deportadas com violência extrema estão começando a ser visíveis, o que pode gerar uma crise de refugiados.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Semear um discurso de ódio e medo

Desde que iniciou sua campanha pela presidência Trump chamou de “delinquentes e estupradores” aos imigrantes e refugiados de México e América Central. No reconheceu o sofrimento dos milhares de homens, mulheres e crianças que vivem e situações de conflito, alguns nos países mais perigosos do mundo como El Salvador e Honduras, onde precisaram fugir para sobreviver.

Elaborar leis confusas sem assessoria sobre sua aplicação

Diversas leis propostas por Trump nos primeiros dias de mandato pretendiam fechar a fronteira para imigrantes e refugiados à procura de um local seguro nos Estados Unidos. Uma normativa de 25 de janeiro tinha por objetivo garantir a expulsão de migrantes e refugiados o mais rápido possível. No entanto dados revelam que as autoridades fronteiriças não fazem ideia de como aplicar os caprichos de Trump.

Enviar as pessoas de volta sem fazer perguntas

Todo ano, milhares de pessoas da América Central e outros países atravessam a fronteira de México e Estados Unidos à procura de segurança e uma vida melhor.

No entanto ao invés de entrarem nos Estados Unidos ganhando refúgio para salvar suas vidas, o serviço de Aduanas e Proteção de Fronteiras nega a entrada delas.

Desde San Diego, Califórnia até McAllen, Texas desde 2015 os agentes das fronteiras são conhecidos por fazer justiça com as próprias mãos, rejeitando solicitações e afirmando que ninguém podem entrar. Esta realidade é imoral e vai contra os princípios jurídicos internacionais e os compromissos assumidos pelos Estados Unidos onde existe o direito de solicitar refúgio.

“Você não sente vergonha de ajudar terroristas? ” Foi assim como uma funcionária de Direitos Humanos em México foi alvo de piada por um agente de fronteira em Arizona quando acompanhava pessoas de Centroamérica para garantir que os respeitassem.

Ignorar as organizações criminosas que aterrorizam os refugiados

Entrar nos Estados Unidos sem documentação é quase um suicídio, as pessoas ficam expostas aos carteis de drogas e os grupos criminosos que controlam a fronteira e que estão dispostos a se aproveitar das pessoas desesperadas.

Desde a eleição de Trump os traficantes de pessoas aumentaram seus valores. O Secretário de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kelly, desde novembro de 2016 a taxa pelo tráfico humano aumento de 3500 dólares a 8000. Mas o secretário não reconhece o risco da vida destas pessoas que fogem dos seus países apesar do controle de Trump. Com o muro os traficantes vão ganhar além de dinheiro, poder.

Externalizar a responsabilidade

Há múltiplos questionamentos sobre os planos dos Estados Unidos de militarizar a fronteira e negar a entrada dos refugiados. Nas últimas semanas o ministro de Relações Exteriores de México, Luis Videgaray anunciou que México não aceitaria que pessoas estrangeiras fossem deportadas dos Estados Unidos por motivo da ordem de 25 de janeiro.

Mas como isso será posto em prática? México se negará a receber imigrantes? Teremos mais campos de refugiados na fronteira México – Estados Unidos? Ou os imigrantes serão presos em centros de detenção?

Segundo Amnistia Internacional em México também não há um plano especifico para receber as pessoas que Estados Unidos rejeita, gerando uma grande confusão. Nesse contexto os imigrantes e refugiados estão expostos a violação dos seus direitos, com medo do governo americano os deter e expulsar e com a incerteza do que espera para eles em solo mexicano com inúmeros abusos. (IPS/#Envolverde)

 

PIB Verde e Fundo de Meio Ambiente na pauta do Congresso

Efraim Neto*, “De Olho no Congresso” especial para a Envolverde – 

Apesar de ser mais uma semana atípica para os parlamentares, com outro feriado na semana e com o maremoto provocado pela lista do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, as atividades nas Comissões da Câmara do Deputados e do Senado Federal serão intensas. Entre outras coisas, na terça-feira será analisado o projeto do PIB Verde e uma alteração no Fundo Nacional de Meio Ambiente.

Confira as matérias legislativas sobre meio ambiente e sustentabilidade debatidas nessa semana no Congresso Nacional.

Terça-feira, 18 de abril

Às 10h, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para debater a realização do Censo Agropecuário 2017. O último levantamento foi realizado em 2007, baseado em dados de 2006. Para esse ano, o IBGE estima o custo do Censo em R$ 1,6 bilhão, e o orçamento da União dispõe de apenas R$ 505 milhões. Confira os participantes.

Também às 10h, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal (CAE) do Senado Federal analisa o PLC 38/2015, que estabelece o PIB-Verde, em cujo cálculo é considerado o patrimônio ecológico nacional. Após ter parecer favorável na Comissão de Meio Ambiente (CMA), os membros da Comissão avaliam o conteúdo do relatório do Senador Flecha Ribeiro, que apresenta posição favorável ao projeto.

Outros dois temas em debate na CAE são: a) o PLS 578/2015, que altera a redação do § 2º do art. 5º da Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, que cria o Fundo Nacional de Meio Ambiente e dá outras providências, para incluir como prioritárias as aplicações de recursos financeiros na Caatinga, para o qual o Senador Davi Alcolumbre apresenta relatório pela aprovação do projeto com a Emenda nº 1-CAE; b) o PLS 640/2015, altera a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre o novo Código Florestal brasileiro, para autorizar a apresentação do Cadastro Ambiental Rural – CAR em substituição ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, para o qual o Senador Paulo Rocha apresenta relatório pela aprovação do projeto e da emenda nº 1-CMA-CRA nos termos da subemenda da CRA.

Às 14h30, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, os parlamentares avaliam a PEC 187/2016, que acrescenta o §8º ao art. 231 da Constituição Federal de 1988, a fim de permitir às comunidades indígenas praticar atividades agropecuárias e florestais em suas terras, bem como, comercializar aquilo que foi produzido e gerenciar sua renda.

Quarta-feira, 19 de abril

Às 09h30, a Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) avalia: a) o PL 1862/2007, que dispõe sobre a etiquetagem de produtos nacionais ou estrangeiros, alertando o consumidor sobre os graus de impacto ambiental; b) o PL 4908/2016, que altera a Lei nº 11.105, de 2005 (Lei de Biossegurança), no que diz respeito aos rótulos de produtos alimentares com organismos geneticamente modificados – OGM ou seus derivados; c) o PL 5290/2016, que torna obrigatória a declaração de emprego de água nas embalagens e rótulos de produtos alimentícios.

No mesmo horário, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados analisa o REQ 361/2017 CAPADR, onde o Deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) requer a realização de audiência pública nesta Comissão, convidando os Excelentíssimos Srs. Evaristo Eduardo de Miranda – pesquisador da Embrapa, Sr. José Sarney Filho – Ministro do Meio Ambiente, Sr. Aldo Rebelo – Relator do Projeto de Lei n. 12.651/12 – e o Sr. Blairo Maggi – Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para discutir os 5 anos de aprovação do Código Florestal e sua aplicação, dentre outros temas correlacionados ao assunto”.

A CAPADR ainda debate o PL 4131/2015, que altera a Lei nº 11.284, de 2 de março de 2006, dispondo sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável, para fins de conceder compensação financeira a produtores rurais da Amazônia Legal e das regiões abrangidas pelo Cerrado, pela manutenção de áreas cobertas por florestas.

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS) da Câmara dos Deputados analisa o PL 2433/2011, que acrescenta o § 9º ao art. 33 da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 – que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e dá outras providências – a exigência que fabricantes e importadores coloquem texto informativo em rótulos e embalagens de produtos geradores de resíduos sólidos sobre a importância de sua entrega em postos de coleta específicos.

No Senado Federal, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprecia o PLS 173/2011, no qual autoriza o Poder Executivo a criar a Secretaria Nacional dos Povos Indígenas. Outra matéria de importância em análise é o PLS 750/2011, que dispõe sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal e dá outras providências. Ambos os projetos deverão ser aprovados na Comissão e seguirão para apreciação no Plenário.

Às 14h, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal debate com Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), questões relacionadas ao Censo Agropecuário 2017. Já às 14h30, a Comissão Mista permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) realiza audiência pública para debater a crise hídrica na região do Vale do São Francisco e a situação do reservatório da barragem de Sobradinho. Confira os participantes.

Por fim, às 16h, em Sessão Deliberativa da Câmara dos Deputados será discutida, em primeiro turno, a PEC nº 504-A, de 2010, que altera o § 4º do art. 225 da Constituição Federal, para incluir o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados patrimônio nacional, medida que pode auxiliar na conservação dos biomas. Atualmente, segundo a Constituição, são patrimônio nacional a Amazônia, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira.

*Efraim Neto é jornalista, atua na área de serviços de comunicação e jornalismo em Brasília e é conselheiro do Instituto Envolverde.

(#Envolverde)

Atentado a uma árvores de 700 anos

Júlio Ottoboni, especial para a Envolverde – 

Árvore símbolo do Vale do Paraíba já sofreu inúmeros atentados em seus 7 séculos de existência. O atual, com fogo, pode ter sido o mais devastador.

Um incêndio atingiu no início de abril o jequitibá-rosa, no distrito de Eugênio de Melo de São José dos Campos, com 700 anos de idade. Ele já foi alvo de várias atos de vandalismo e atentados. Atualmente é escorado por uma imensa estrutura de aço. A árvore, típica da Mata Atlântica e sob ameaça de extinção, queimou por cinco horas e ainda passa por avaliação de técnicos quanto a sua possibilidade de recuperação e de sobrevivência.

Jequitibá de 700 anos que fica no distrito de Eugênio de Melo de São José dos Campos. Foto de: Adenir Britto/PhotoUpBrasil

A árvore é um dos mais importantes símbolos de defesa do meio ambiente da Vale do Paraíba paulista e foi declarada patrimônio histórico e imune de corte por decreto municipal nº 8.25993, de 10 de dezembro de 1993. Mesmo assim não se conseguiu conter os ataques ao jequitibá.

O fogo começou por volta das 11 horas da terça-feira (11) e foi extinto às 16h por equipes do Corpo de Bombeiros e populares. Funcionários da prefeitura também estiveram no local para acompanhar e ajudar no trabalho de contenção do incêndio que adentrou por uma fresta no tronco e queimou a árvore por dentro.

Segundo moradores da região, um homem capinou a área de calçada e ateou fogo no mato, isso a poucos metros da árvores que em minutos estava em chamas. A prefeitura realizará na próxima segunda-feira (17) a limpeza e retirada da vegetação seca e queimada do entorno do jequitibá-rosa.

Equipes das secretarias de Manutenção da Cidade e de Urbanismo e Sustentabilidade realizaram  uma vistoria técnica para identificar os graus de destruição e de lesões sofridas pela árvore. O diagnóstico preliminar mostrou que o incêndio não atingiu profundamente o tecido vivo do jequitibá-rosa. Isso pode ajudar numa futura recuperação da árvore.

Segundo a prefeitura, as equipes técnicas aguardarão o prazo de 20 dias para haver uma resposta fisiológica da árvore. Em seguida vão reiniciar os serviços de adubação, tratamento nutricional e controle de pragas e doenças por meio de inseticidas e fungicidas.

Foto: Adenir Britto/PhotoUpBrasil

Essas atividades são repetidas desde 2006 dentro de um plano de recuperação. Agora ele será intensificado caso o exemplar reaja. As condições de saúde da árvore antes do incêndio só serão alcançadas em um prazo de quatro anos.

Esse exemplar tem 27 metros de altura e 30 de diâmetro de copa e ainda pode durar cerca de mil anos. O Jequitibá teve uma fissura no caule e além de uma armação metálica para impedir que seja derrubado pelos ventos. O tratamento começou em 2002 e deve levar ainda de três a quatro décadas até sua recuperação.

A árvore fica nas margens da antiga estrada velha Rio-São Paulo, num trecho da Estrada Imperial. Ela foi abrigo de bandeirantes e de Entradas que seguiam para Minas Gerais. Também testemunhou o ciclo da cana de açúcar, o cafeeiro e de gado leiteiro, passando imune por mais de 3 séculos de exploração econômica da região em atividade agrária.

Os primeiros problemas começaram a surgir na década de 60, com cultos religiosos feitos sobre suas raízes e nas proximidades de seu tronco. Velas acessas em diversos rituais acabaram por incendiar a árvore diversas vezes e causaram danos significativos em sua saúde. Nos anos 80, a fábrica de veículos militares Engesa usou a árvore para testes com seus caminhões e jeeps, inclusive lançando-os contra o tronco ou mesmo atando correntes na tentativa de derrubá-lo com veículos de tração 4 x 4 .

Esses abusos comprometeram toda estrutura radicular da árvore, a fez perder galhos e entrar em colapso até o tombamento. Porém, mesmo com os cuidados, o jequitibá vem nestes 24 anos de preservação legal, passando por uma série de atentados. Os mais comuns são incêndios e tentativas de derrubada. Além da colocação de anéis metálicos em seu tronco, para evitar a abertura da fissura existente, foi criada um imenso suporte de aço para mantê-lo em pé. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.