Cidades e Meio Ambiente, uma relação conturbada

Por Dal Marcondes, da Envolverde –

A modernidade não significa o abandono da relação entre as pessoas e o meio ambiente. O desenvolvimento tecnológico não irá resolver todos os problemas ambientais do planeta Terra.

O século 20 consolidou o apartheid entre a humanidade e as dinâmicas próprias dos ecossistemas e da biosfera. Até o final do século 19, quando nasceu meu avô, a vida na terra, em qualquer que fosse o país, tinha estreitos laços com os produtos e serviços da natureza.

O homem dependia de animais para a maior parte do trabalho, para locomoção e mal começava a dominar máquinas capazes de produzir força ou velocidade.

Na maioria das casas o clima era regulado ao abrir e fechar as janelas e, quando muito, acender lareiras, onde madeira era queimada para produzir calor.

Cem anos depois a vida é completamente dominada pela tecnologia, pela mecânica, pela química e pela eletrônica, além de todas as outras ciências que tiveram um exponencial salto desde o final do século 19.

Na maior parte dos escritórios das empresas que dominam a economia global a temperatura é mantida estável por equipamentos de ar condicionado, as comunicações são feitas através de telefones sem fio e satélites posicionados a milhares de quilômetros em órbita, as dores de cabeça são tratadas com comprimidos e as comidas vêm em embalagens com códigos de barra.

Não se trata aqui de fazer uma negação dos benefícios do progresso científico, que claramente ajudou a melhorar a qualidade de vida de bilhões de pessoas, e também deixou à margem outros bilhões, mas de fazer uma reflexão sobre o quanto de tecnologia é realmente necessário e o que se pode e o que não se pode resolver a partir da engenharia.

As distâncias foram encurtadas e hoje é possível ir a qualquer parte do mundo em questão de horas, e isso é fantástico. No entanto, nas cidades, as distâncias não se medem mais em quilômetros, mas sim em horas de trânsito. E isso se mostra um entrave para a qualidade de vida.

Computadores, internet e telecomunicações tornaram o mundo menor e abriram as portas de um universo de conhecimento inimaginável poucos anos atrás.

Ainda na década de 1990 fiz uma entrevista com o pensador norte-americano Alvin Toffler , autor de A Estrada do Futuro e perguntei porque o futuro que se desenhava era tão diferente do que havia sido previsto poucos anos atrás, da década de 1970. “Simples”, respondeu ele.

“Ninguém foi capaz de prever que os computadores se tornariam eletrodomésticos, e mais ainda, que eles seriam ligados em rede possibilitando comunicação universal entre pessoas e bancos de dados”, concluiu. Ou seja, a web, a internet como conhecemos hoje, 20 anos depois daquela entrevista, não foi uma evolução previsível.

Romantismo pragmático

Há um certo romantismo em pensar na vida em comunhão com a natureza, onde as pessoas dedicam algum tempo para o contato com plantas, animais e ambientes naturais.

Eu pessoalmente gosto e faço caminhadas regulares em praias e trilhas. Mas não é disso que se trata quando falo na ruptura entre a engenharia humana e as dinâmicas naturais.

Há uma crença que está se generalizando de que a ciência, a engenharia e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental que surja.

E esse é um engano que pode ser, em muitos casos, crítico para a manutenção do atual modelo econômico e cultural das economias centrais e, principalmente, dos países que agora consideramos “emergentes”.

Alguns exemplos de que choques entre a dinâmica natural e o engenho humano estão deixando fraturas expostas. A região metropolitana de São Paulo enfrentou uma das maiores crises de abastecimento de água de sua história.

As nascentes e áreas de preservação que deveriam proteger a água da cidade foram desmatadas e ocupadas, no entanto a mídia e as autoridades em geral apontam a necessidade de mais obras de infraestrutura para garantir o abastecimento, como se a produção de água pelo ecossistema não tivesse nenhum papel a desempenhar.

No caso da energia também existe uma demanda incessante por mais eletricidade, mais combustíveis e mais consumo. Isso exige o aumento incessante da exploração de recursos naturais e não renováveis.

Pouco ou nada se fala na elaboração de programas generalizados de eficiência energética, de modo a economizar energia sem comprometer a qualidade de vida nas cidades.

Outro ponto de descolamento é a gestão de resíduos. Grande parte dos ambientes naturais está contaminada por plásticos e outros resíduos produzidos pelo descarte de produtos usados e embalagens.

A gestão de resíduos tem sido encarada como um problema de engenharia, fala-se muito em aterros sanitários e em “queima energética” dos resíduos, o que levaria a agravar outro problema presente na agenda ambiental do século 21, as mudanças climáticas, causadas principalmente pelas emissões de gás carbônico das atividades humanas. Pouco ainda se faz em direção a uma eficaz redução da geração de resíduos ou da utilização maior de materiais reciclados e/ou biodegradáveis.

Serviços Ambientais

Há também o desmatamento em todos os biomas brasileiros e ao redor do mundo. Monitora-se muito os dados sobre a Amazônia, mas há problemas sérios na Mata Atlântica, cujos dados recentes mostram aumento da área desmatada, no Cerrado, onde estão as nascentes de alguns dos grandes rios brasileiros, e até na Caatinga, que sofre periodicamente com longos períodos de estiagem.

Todos esses dilemas, porém, parecem alheios ao cotidiano das grandes cidades, onde o trânsito e o tempo (medido em horas) ocupam os espaços de preocupação. Não há no imaginário de pessoas que vivem em ambientes artificiais de edifícios, automóveis e espaços urbanos degradados uma clara noção dos vínculos existentes entre suas vidas e os serviços ambientais prestados pelos ecossistemas.

A desconexão vai além da simples percepção, nas cidades as pessoas se recusam a mudar comportamentos negligentes como o descarte inadequado de resíduos ou desperdícios de água e energia. Há muito a mudar.

Pessoas, empresas, governos e organizações sociais são os principais atores de transformação, mudanças desejáveis e possíveis, mas que precisam de uma reflexão de cada um sobre o papel do meio ambiente na vida moderna.

É um equívoco pensar que civilização e meio ambiente são departamentos estanques. O moderno modo de vida das sociedades de consumo depende da resiliência dos ecossistemas em oferecer água, alimentos e todo o tipo de produtos minerais e vegetais necessários para a manutenção da sociedade do século 21.

A profunda descrença na capacidade humana em mudar é, na verdade, uma atitude inconsequente de uma geração acomodada no individualismo e no consumismo, onde as relações sociais se dão mais em redes cibernéticas do que no bom e velho calor humano.

As sociedades humanas vivem em constante mutação, como mostra a história. Negar a possibilidade de que o futuro seja um bom lugar para se viver é violentar os direitos de nossos filhos e netos de ter uma existência digna. (#Envolverde)

  • Dal Marcondes é jornalista com especialização em economia e meio ambiente e passagens por grandes redações da imprensa paulista, como Gazeta Mercantil, Agências France Presse, Dinheiro Vivo e Estado e revistas como IstoÉ e Exame. Atualmente é mestrando da ESPM-SP com pesquisa em Modelos de Negócios no Jornalismo Digital e Pós-Industrial.

 

A sustentabilidade em tempos de crise

Dal Marcondes*, da Envolverde – 

A sustentabilidade e suas metas construídas ao longo de décadas oferecem uma plataforma de conhecimentos que tem o potencial de alimentar 10 bilhões de pessoas e oferecer todos os benefícios de uma civilização tecnologicamente evoluída.

O início dos anos 2000 foram muito ricos em iniciativas de sustentabilidade de empresas e organizações sociais no Brasil. Muitos dos grandes pensadores da área, como Ignacy Sachs e Ray Anderson passaram um bom tempo em reuniões e encontros com executivos e empresários que sonharam com um país líder em Responsabilidade Social e em ações socioeducativas capazes de criar, aqui, os paradigmas de uma nova economia.

Foi um tempo em que as empresas e organizações colocaram como prioridade a adequação aos preceitos da Global Reporting Iniciative (GRI) quando anualmente preparavam seus Relatórios de Sustentabilidade. Organizações que propugnavam o respeito aos objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), aos Princípios do Equador tinham como sonho integrar a carteira do Índice de Responsabilidade Social (ISE) da BM&FBovespa.

Essas metas, diretrizes e sonhos sobrevivem em algumas empresas e organizações, certamente não foram completamente sufocadas por conta da crise institucional e econômica, mas refluíram grandemente em sua capacidade de avançar em direção à utopia de uma sociedade estruturada em uma economia sustentável, capaz de servir como paradigma para a economia global, o que é o sonho de economistas como Sachs e Ladislau Dowbor.

Baixas nas estruturas corporativas

As estruturas de sustentabilidade dentro de grandes empresas sofreram baixas e profissionais de primeira linha nos momentos de avanço hoje ou padecem de trabalhos meramente burocráticos, ou simplesmente não fazem mais parte das equipes. O cenário não é alentador se comparado a poucos anos trás, quando o sonho de transformações reunia nos mesmos salões os principais executivos nacionais de organizações como Greenpeace, WWF. Instituto Socioambiental, Repórter Brasil e outros, e gigantes do mundo corporativo, como Walmart Brasil, Unilever, Cargill e Maggi, entre outras organizações do mesmo porte.

As grandes conferências de organizações como Ethos e Cebds deixaram marcas na memória corporativa e dos profissionais que investiram pesadamente em capacitação para fazer frente às demandas de sustentabilidade que emergiam não apenas da sociedade, mas das próprias empresas. O governo também avançou, mas a sensação é de que nunca liderou o processo, veio, na maior parte das vezes a reboque.

Ao chegar à metade desta segunda década do século 21 a impressão que se tem é de que o esforço foi em vão. Ao final de 2015 a Organização das Nações Unidas conseguiu o consenso necessário para lançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que substituíram os ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Com 17 objetivos e 169 metas que devem ser alcançadas por todos os países até 2030. Sob o ponto de vista dos acordos e regulações internacionais houve um grande avanço na última década e meia, com as Conferências das Partes (COP) em diversas áreas, principalmente Clima, que com os estudos realizados pelo IPPC conseguiram derrubar muitas das argumentações apresentadas por céticos sobre o impacto das ações humanas em relação às mudanças no clima global. O problema não está mais no campo das leis e das regulações.

Retrocesso político e institucional

As maiores dificuldades são impostas agora pelos campos político e econômico. O avanço de setores ultraliberais e xenófobos nas principais economias do planeta está assegurando um retrocesso na implantação de políticas de inclusão social mais consistentes. No campo das empresas o retrocesso se dá pela busca ainda exacerbada da rentabilidade financeira em detrimento dos ganhos estruturantes da sustentabilidade. Muitos dos executivos mais comprometidos com os avanços socioambientais em paralelo aos ganhos econômicos foram afastados de seus cargos e substituídos por pessoas focadas em resultados, como se diz no meio corporativo.

Há ainda um esforço honesto de profissionais e organizações em direção à manutenção dos desejos de sustentabilidade demonstrados nos anos passados, no entanto é preciso um esforço adicional. Um reforço da importância dos princípios e objetivos da sustentabilidade em um planeta que caminha para 10 bilhões de habitantes ainda neste século.

Os diagnósticos estão feitos, sabe-se com grande margem de certeza que o atual meio de exploração dos recursos naturais, a produção linear e o descarte de resíduos no ambiente natural não podem continuar como padrão. A alimentação industrializada e o nível de desperdício relacionado ao consumo mostram uma sociedade ainda individualista e desligada dos problemas naturais e humanos, lembrando que essa separação entre natural e humano é artificial, uma vez que a humanidade é parte do ecossistema natural da Terra.

Plataforma para o futuro

A sustentabilidade e suas metas construídas ao longo de décadas de estudos e conferências internacionais oferecem uma plataforma de conhecimentos capazes de dar sustentação a uma economia que tem o potencial de alimentar 10 bilhões de pessoas com qualidade e, ainda, oferecer todos os benefícios de uma civilização tecnologicamente evoluída. Empresas, governos e organizações sociais estão perfeitamente habilitados a estabelecer suas metas e diretrizes em harmonia com o que há de mais avançado em conhecimento, ciência e utopia sustentável.

Mas… o que falta? Basicamente pressão popular, reforço institucional e decisão dentro de todos os nichos de poder, institucionais ou empresariais.

Para garantir que isso pode ser feito há um exército de profissionais qualificados à espera da oportunidade de fazer a diferença. Pessoas que construíram o boom da sustentabilidade nos últimos 20 anos, que estudaram gestão ambiental nas dezenas de cursos que surgiram no país, que atuaram e se capacitaram em centenas de atividades e que construíram seu conhecimento e diálogos e debates estimulados por mídias ambientais, de sustentabilidade e por jornalistas com atuação na mídia tradicional. (#Envolverde)

  • Dal Marcondes é jornalista com especialização em economia e meio ambiente e passagens por grandes redações da imprensa paulista, como Gazeta Mercantil, Agências France Presse, Dinheiro Vivo e Estado e revistas como IstoÉ e Exame. Atualmente é mestrando da ESPM-SP com pesquisa em Modelos de Negócios no Jornalismo Digital e Pós-Industrial.

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Anjos dos negócios

Por Dal Marcondes, da #Envolverde

Estudo realizado por dois anos com algumas das maiores empresas que atuam no Brasil mostra como elas se relacionam com as startups locais

Empreender nem sempre é um caminho pavimentado por rosas, ao contrário, na maior parte das vezes o calçamento é feito de espinhos. No entanto, isso nem sempre é ruim, porque os desafios e obstáculos são parte importante do processo de construção de novas empresas. Ao se superar as “dores do nascimento” startups inovadoras tornam-se visíveis em um novo ecossistema, o dos investidores anjos e empresas que buscam projetos para incorporar aos seus negócios.

Magnus Arantes, presidente do HBS Alumni Angels of Brazil

Na primeira quinzena de março tomamos contato no Brasil com o estudo How Corporations are Connecting With the Startup Ecosystem (Como as Corporações Estão se Conectando com o Ecossistema de Startup), um projeto inspirado em similares realizados na Harvard Business School e em outras entidades de referência. Segundo Magnus Varassin Arantes, um brasileiro que atua junto à Universidade de Harvard e tornou-se, nos últimos anos, um Investidor Anjo e cofundador do HBS Alumni Angels of Brazil, organização de ex-alunos da Harvard que desde 2012 atuam no fortalecimento do ecossistema de empreendedorismo inovador no Brasil.

O estudo, que foi feito em 2012 e apresentado em São Paulo em 16 de março, aponta que o Brasil, entre as oito maiores economias do mundo naquele ano, estava em último lugar em investimentos em pesquisa, com apenas 1,16% do PIB, enquanto o primeiro lugar era ocupado pela Coreia do Sul, com 4,36% do PIB. Essa posição pode ter caído ainda mais por conta da crise econômica que assola o país desde 2015.  Magnus, que é um ativo investidor em startups no Brasil e na América Latina, explica que o investimento em pesquisa é um dos principais geradores de inovação, e que nos países que mais investem a maior parte do esforço vem sendo desenvolvido pela iniciativa privada. “É parte da estratégia de crescimento das empresas buscar novos caminhos para seu negócio a partir da pesquisa e da aquisição de startups promissoras”, explica.

O estudo apresentado teve metodologia baseada em análise qualitativa a partir de um questionário composto por 95 perguntas feitas às grandes empresas participantes. “Nossa metodologia apresenta a capacidade de identificar vários objetivos das empresas no relacionamento com startups, indo além da simples perspectiva financeira”, explica Magnus.

O estudo procurou atuar em três objetivos primários:

1 – Mapear a intensidade de relação entre grandes empresas e startups no Brasil:

2 –  Desenvolver um padrão para medir os diferentes estágios de intensidade das corporações;

3 – Identificar arquétipos confiáveis e seus modelos, para guiar empresas nesse ecossistema.

 

Cinco objetivos mapeados nas empresas na relação com Startups

1 – Financeiro – busca de resultados;

2 – Inovação – Busca de produtos, serviços ou tecnologias;

3 – Cultural – Busca de incorporação de modelos de ação;

4 – Marketing – Marcas e relações externas;

5 – Testar e aprender – Buscar informações e mapeamento de riscos e oportunidades;

 

Entre os resultados da pesquisa chama a atenção que, em 53% dos casos de incorporação de startups por grandes empresas, a motivação foi estratégica, enquanto em 15% se buscava resolver problemas do negócio e, apenas em 3% dos casos o objetivo era meramente financeiro. Isso mostra que esse ecossistema está mais voltado para a incorporação de inovação do que meramente ampliar faturamento.

A pesquisa é extensa e tem uma avaliação detalhada da relação entre as startups e grandes empresas de diversas áreas e mostra que o aprofundamento na relação entre essas organizações e iniciativas iniciantes podem render bons frutos. “A maioria das empresas somente investe nas startups já em operação e poucas aportam recursos nos primeiros momentos”, explica Magnus. Ele aponta que isso é uma oportunidade perdida pelas empresas que desejam projetos inovadores, uma vez que boas Iniciativas podem não chegar ao amadurecimento, apesar de terem produtos ou serviços absolutamente inovadores, simplesmente por não terem o capital ou a capacidade de gestão necessários.

Uma das lições que fica para as startups brasileiras é que o sonho de empreender não pode estar baseado apenas em uma boa ideia de produto, serviço ou tecnologia. É preciso, segundo apontou Magnus Varassin Arantes em entrevista à Envolverde, ter uma sólida base de gestão, de forma a atrair o interesse de possíveis grandes parceiros a partir de uma posição já reconhecida em seu mercado. Como mostra o quadro acima, a empresa iniciante tem de apresentar um valor estratégico para o possível investidor, ou ao menos ser capaz de resolver um problema inerente ao negócio do grande parceiro.

Outros valores são importantes, mas têm mostrado, segundo o estudo, um interesse apenas moderado por parte dos possíveis interessados. Fica também o alerta de que o ecossistema da inovação entre pequenas empresas carece ainda, no Brasil, de uma sistemática capacidade de reconhecimento pelos principais atores econômicos. “As empresas perdem muito ao não se se adiantarem em investir em projetos promissores”, explica o Magnus, mas alerta que o estudo mostrou que boa parte das iniciativas de parcerias não alcançam os resultados esperados, e que as empresas alegam que há poucas iniciativas que realmente valem o investimento de esforço e recursos para a construção de uma relação de negócios. (#Envolverde)

ODS 6: O Futuro das Cidades – Água: poluição, desperdício e escassez

O Instituto Envolverde, a UNIBES Cultural e o ICLEI convidam para uma roda de conversa no Dia Mundial da Água – 22 de Março – sobre os principais desafios da gestão pública da água nas cidades.

As crises de falta de água nas cidades brasileiras vão continuar nas próximas décadas. Não serão sempre as mesmas cidades e nem ao mesmo tempo, mas certamente é um tema que não deixará o noticiário. Há muitas causas, as mais conhecidas são a seca possivelmente provocada pelas mudanças climáticas e pelas alterações no uso do solo nas regiões de mananciais e na Amazônia, a poluição dos rios e mananciais com esgotos e outras atividades humanas e o desperdício de água nos sistemas de distribuição, que acontecem em todo o país em uma média superior a 30% de toda a água tratada.

Estes são temas que assumem uma relevância imensa diante do índice de urbanização do Brasil, que segundo o IBGE já está em mais de 85%, ou seja, apenas 15% dos brasileiros vivem no campo, enquanto o restante busca trabalho, renda, educação, cultura e… água, nas cidades. O desafio de manter cerca de 170 milhões de pessoas abastecidas é enorme.

Nesta edição de “O Futuro das Cidades” teremos em nossa “Roda de Conversa”  Dante Ragazzi Pauli , ex-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES) e Superintendente de Planejamento Integrado da Sabesp, o professor Pedro Jacobi, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP (PROCAM) e conselheiro do ICLEI, e Adriana Leles, assessora da presidência da SANASA, empresa de distribuição de água de Campinas (SP) e líder do Movimento Menos Perda Mais Água, pela redução de perdas nos sistemas de distribuição. A mediação será do jornalista Dal Marcondes, do Portal Envolverde.

Abrindo o evento, o Greenpeace apresentará o estudo sobre o diagnóstico da paisagem do Cantareira – “Análise de Ecologia da Paisagem do Sistema Cantareira Voltada à Questão Hídrica”, apresentada por Fabiana Alves, responsável pela Campanha de Água do Greenpeace.

Esta edição O Futuro das Cidades-Água: Poluição, desperdício e escassez, conta com o apoio da Brasil Kirin, Greenpeace e da ANA (Agência Nacional de Águas).

Serviço

Data – 22 de março de 2017
Horário – de 10h a 12h
Local: Unibes Cultural
Rua Oscar Freire, 2.500 – São Paulo -SP
Ao lado da estação Sumaré do Metrô

Mais informações e inscrições gratuitas pelo site

www.envolverde.com.br/convida

Contatos

Ana Maria Vasconcellos

convida@envolverde.com.br

(11) 3034.4887

(11) 99974.1191

Muito além dos 40

Por Dal Marcondes – 

 (…) O homem busca e imortalidade no lugar errado. Na verdade todos são imortais (ou pelo menos sentem-se como) entre os 15 e os 25 anos (..) Os 40 são a idade das resoluções: paramos de fumar, beber menos, comer direito, nos preservar para, quem sabe, ter 50, 60, e assim por diante. Com 40 acabamos por perceber que não apenas não somos imortais como aos 20, mas que a mortalidade nos assombra à porta(…)

Creio que a primeira vez que tomei consciência de mim foi próximo aos 10 anos. Até então eu não era mais do que um adendo de meus pais, junto com meus irmãos. Um bando de crianças barulhentas que pouco se importava se os adultos tinham ou não problemas. Afinal, servíamos apenas para satisfazer nossas próprias necessidades.

Aos 10 anos olhei em volta e descobri que poderia cometer coisas diferentes daquelas que fazia abertamente na frente dos meus pais. Comecei por roubar cigarros e fumar escondido. Depois passei a roubar cigarros para dar à vizinha de 15 anos que, assim nos deixava, a mim e ao Cláudio, filho a tia Alba, vizinha e diretora da escola primária, ver seus seios.

Outro salto de qualidade na minha vida se deu aos 13 anos. Foi quando tive a primeira namorada de beijo na boca. Emocionante. Comecei a me sentir dono de meus destinos, viajar e a olhar pela janela em busca de horizontes mais largos, tipo as pernas da moça dirigindo o carro ao lado do ônibus. Aos 15 realmente a independência, a vida como ela é. Ao menos era o que eu imaginava. Um imortal capaz de tudo realizar, de tudo conseguir e de tudo possuir, inclusive uma amiga de mamãe, que depois de tomar mais conhaque do que deveria passou a me olhar com um jeito diferente, me acariciar de uma forma estranha e colocar as mãos onde nenhuma mulher jamais esteve. Adorei!!!

Ai começou um turbilhão. O homem busca e imortalidade no lugar errado. Na verdade todos são imortais (ou pelo menos sentem-se como) entre os 15 e os 25 anos. Viajei, fumei, cheirei, bebi, trepei e fiz milhares daquelas coisas que ou engordam, ou são ilegais, ou são imorais. Me preparei para ser “gente grande”.

Aos 25, formado, passei a achar que já sabia realmente tudo. Homem vivido, cheio de experiência para dar e vender, sempre um conselho na ponta da língua. Em suma, um perfeito e lindo idiota. Dos 25 aos 30 é a época da arrogância. Começamos as perceber que a imortalidade acaba, mas apenas para os outros, que a vida é difícil, mas não para nós, que as pessoas são injustas, mas nunca conosco e que se não tomarmos cuidado, nos ferramos, porque somos exatamente iguais a todo mundo.

Chegam os 30 anos. A idade da razão. Temos a beleza, o conhecimento e a virtude. Temos também filhos, dívidas, aluguel atrasado, estresse, falta de tempo, dois empregos, um (ou mais) chefes pentelhos que não nos dão o devido valor, uma parceira em crise (quando você diz bom dia ela responde que precisamos conversar sobre a relação) e, se tiver sorte, uma amante.

A década dos 30 passa como uma corrida de obstáculos. As rugas se acumulam e os cabelos embranquecem diante de desafios cada vez maiores e inusitados. Derrepente o dinheiro passa a ter uma dimensão nunca antes prevista, o mundo fica estressante, principalmente porque ler jornal não é mais um prazer, mas uma infernal obrigação. Na verdade não quero saber nada do que está escrito lá. Quero mesmo é encontrar um confortável buraco no chão e lá enfiar a cabeça para sempre. Como não temos coragem de fazer isto, chegam os 40.

Ah! Os 40. Metade da vida (se tiver sorte). Já percebemos que, com o tempo, tudo cai e tudo dobra, mas será que é tão ruim assim? Os 40 são a idade das resoluções: paramos de fumar, beber menos, comer direito, nos preservar para, quem sabe, ter 50, 60, e assim por diante. Com 40 acabamos por perceber que não apenas não somos imortais como aos 20, mas que a mortalidade nos assombra à porta. Contudo, não podemos olhar para os 40 com a visão dos 30. Qualquer um que olhar os 40 com a ótica de 30 vai apreciar uma leve decadência. Mas tire-se a arrogância da idade da razão e coloque-se as lentes da compreensão e vê-se um mundo novo se descortinando. Neste novo mundo os valores se transformam e um certo toque de sabedoria começa a surgir. Ainda não é a consciência cósmica dos 50/60, quando os netos preenchem os vazios que a vida criou, mas lampejos de que, de alguma maneira, viver é bom.

Aos 40 surge o senso crítico que seria impossível anos antes. A tranqüilidade que seria taxada como irresponsável ao ascensor social e profissional dos 30. Aos 40 ganha-se peso na cintura e uma esbelta lucidez na alma.

É um bom tempo para viver, ter amigos, construir relações, escrever livros. É um tempo onde pode-se relaxar sem medo de parecer desatento. Pode-se amar sem medo da paixão, pode-se construir e pode-se olhar os amigos com afeto. Eles são amigos de muito tempo e já provaram que gostam de ti, não precisam fazer mais nada além de estar ali. (#Envolverde)

* Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde, passou por diversas redações da grande mídia paulista, como Agência Estado, Gazeta Mercantil, Revistas Isto É, Exame e Carta Capital. Desde 1998 dedica-se a cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, educação, desenvolvimento sustentável e responsabilidade socioambiental empresarial.

História: Rio+20 e a economia de 2020

Dal Marcondes, da Envolverde – 

Em 2012 escrevi este texto para fazer um contraponto entre a ficção catastrofista que previa um mundo apocalíptico para 2020 e o que os governos, ONGs e empresas estavam prevendo na Conferência Rio+20. Vale uma releitura.

Em 1973 um filme alertou para os ricos da degradação ambiental em 2020. Soylent Green, dirigido por Richard Fleisher e estrelado por Charlton Heston e Edward G. Robinson, mostrou uma megalópole com 40 milhões de pessoas em um mundo degradado e sem condições de produzir alimentos para todos. Oceanos mortos e fazendas protegidas como caixas fortes completam o cenário da trama policial para desvendar o assassinato de um alto executivo da empresa Soylent, que fabrica biscoitos com os quais as pessoas se alimentam. A trama se desenvolve ao redor do biscoito verde (Soylent Green), que dá título ao filme, mas que em português foi traduzido para “O Mundo de 2020”. Esse biscoito, de proteínas, deveria ser fabricado de algas marinhas, mas os oceanos estão morrendo e não tem mais capacidade de alimentar a humanidade…

O cenário é de fato catastrofista. Na época de seu lançamento, com 16 anos, comecei a pensar no que seria a mundo de 2020, principalmente porque o personagem de Edward G. Robinson, que morre no filme em uma cena memorável de eutanásia (e que de fato o ator morre duas semanas depois de terminar as filmagens), teria nascido no mesmo ano que eu, em 1956. Portanto, aquele poderia ser um olhar ao meu próprio futuro. Esse talvez tenha sido o principal incentivo para que me dedicasse, em minhas atividades profissionais, ao jornalismo econômico, às questões ambientais e ao desenvolvimento de um olhar sobre as possibilidades do futuro.

Quase 40 anos depois de ter assistido Soylent Green em uma sala de cinema na av. Paulista, em São Paulo, passei um mês no Rio de Janeiro assistindo a apresentações, diálogos, debates e todo tipo de atividades na Conferência das Nações unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Por mais que se diga que essa conferência rendeu poucos frutos, ninguém em sã consciência pode negar a importância das mais de 3 mil reuniões da sociedade civil e da academia, além, é claro, das reuniões de governo, para a construção de uma base de consciência para as transformações na economia global nos próximos anos.

O Mundo de 2020 ainda não chegou e há instrumentos disponíveis para que nunca chegue. O cenário de degradação ambiental irreversível e de insensatez capaz de alimentar as massas com proteína humana é tão inaceitável sob o ponto de vista ético que governos, empresas e sociedade civil devem seguir dialogando em busca de soluções. A economia de 2020 deve ser capaz de alimentar cerca de 8 bilhões de pessoas em todo o planeta e estar preparada para abrigar mais um ou dois bilhões ainda neste século.

O Mundo pós Rio+20

Existe uma certa “ressaca” de discussões, investimentos e projetos ambientais e de sustentabilidade neste pós-Rio+20. Empresas, governos e sociedade civil pagaram alto para garantir suas presenças e suas vozes nos milhares de fóruns, salas e manifestações que sacudiram o rio de Janeiro. Os próprios cariocas, anfitriões do evento, olham em perspectiva com um certo ar blasé, como quem abriu as portas aos convidados, mas não participou da festa.
Por todo lado se fortalece a tendência do derrotismo de argumento fácil, de que nada aconteceu de importante, que nada se decidiu de relevante e de que tudo não passou de um gigantesco palco para um dramalhão protagonizado por toda a humanidade. Essas bobagens estão por trás de manchetes de jornais e revistas escritas por pessoas que não querem se dar ao trabalho de analisar os fatos.

Os fatos mostram avanços e perspectivas de continuidade nos trabalhos que não podem ser ignorados. As maiores cidades do mundo, reunidas no C40, se comprometeram a investir em uma economia de baixo carbono e em mobilidade mais sustentável para seus habitantes; Até 2014 o mundo terá uma outra métrica de desenvolvimento que deverá ser expressa nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vão substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio; empresas por todos os países estão buscando melhorar suas performances em sustentabilidade e as bolsas de valores, como a BM&FBovespa, estão cobrando de seus associados que façam relatórios de sustentabilidade; pela primeira vez os Oceanos estiveram no centro de uma conferência deste porte e a biodiversidade ganhou um destaque inédito nos debates sobre desenvolvimento.

No entanto, apregoar o fracasso e seguir fazendo como sempre é muito mais fácil.
No Brasil os debates sobre o modelo elétrico, a exploração e uso do pré-sal, a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e os modelos urbanos estão na pauta da mídia, das empresas, dos movimentos sociais e do governo.

A grande dilema para a transformação do modelo econômico não é porque faltam alternativas, mas sim porque a resiliência do atual modelo é muito forte. É mais fácil dizer e até mesmo acreditar que não há alternativa, do que arregaçar as mangas e trabalhar em diversos caminhos que estão ai propostos para empresas e governos.

A Economia da 2020

A Economia de 2020 não será fácil de se compreender e soluções únicas não servem mais a todos. O poder local deve ganhar não apenas força, mas competência para gerir questões relacionadas ao desenvolvimento local e à criação de cadeias de valor capazes de identificar a aproveitar potencialidades únicas.

Grandes empresas devem abandonar a atitude imperial diante de seus fornecedores,  empregados e clientes e passarão a compreender seu papel enquanto gestoras de redes de relacionamento capazes de criar valor em todas as suas pontas através de modelos de negócios muito mais livres e transparentes.

O mundo do século XXI é tão diferente do modo de vida do século XX, como aquele foi de seu antecessor, o século XIX. Mas estas diferenças somente são percebidas em perspectiva. Por exemplo, um cidadão em 1912 pouca diferença veria entre seu modo de vida naquele momento e o que havia vinte anos antes, em 1892. Então vejamos:  em 1912 a indústria do petróleo se firmou como uma das principais atividades econômicas do século XX, assim como a indústria automobilística, que lançou as bases de uma das mais impactantes transformações da economia mundial. O petróleo praticamente arrancou a humanidade de rincões da idade média e a lançou na era espacial. Em 1912 essa revolução não era perceptível no cotidiano das pessoas. Em 1892 qualquer um que pensasse em abandonar a criação de cavalos para charretes para investir em motores a combustão seria classificado como imprudente.

Entre 1992 e 2012 dois saltos tecnológicos foram dados pela humanidade, o primeiro no campo das comunicações, com a entrada em cena da internet, da telefonia celular e de suas ramificações por cabo, wireless e satélites. A segunda, acoplada à primeira, assim como os automóveis e o petróleo também se desenvolveram de forma simbiótica, é a indústria da informática, com seus computadores cada vez mais potentes e portáteis. Capacidade de computação, de armazenamento e de processamento de dados aliado à interconectividade universal são as sementes de uma economia mais inteligente no século XXI. Uma que ainda está em gestação.

A aqueles que acham que o tempo entre 2012 e 2020 é curto demais para grandes mudanças, vale lembrar que em 1912 o mundo vivia a chamada Belle Époque , com sua aristocracia boêmia e seus sonhos românticos. Em 1914 o mundo entrou na 1ª Guerra Mundial, que até 1918 deixou 19 milhões de mortos e um novo mapa geopolítico na Europa.  As décadas seguintes  foram  absolutamente imprevisíveis sob o ponto de vista civilizatório, mas revolucionárias sob a ótica do desenvolvimento tecnológico.

A 1ª Guerra Mundial marcou o fim dos impérios do século XIX, como a Alemanha do Kaiser, o Império Austro-Húngaro e o império Turco-Otomano.  O Império Britânico ainda levou alguns anos definhando. A crise financeira deste início de século XXI pode estar marcando o início de uma nova geopolítica global, com o fim da hegemonia dos herdeiros da 2ª Guerra Mundial e o início de uma economia menos focada no lucro financeiro de bancos e mais alicerçada na produção de bens e serviços essenciais para oferecer qualidade de vida a 9 bilhões de pessoas. As atuais economias emergentes estão mais focadas na produção de commodities minerais e agrícolas e na oferta de produtos industrializados e serviços do que em uma roda viva financeira.

As tecnologias emergentes nesse início de século fazem apostar em uma economia baseada no valor do conhecimento, da ciência e no entretenimento, em detrimento à economia da especulação financeira do final do século XX.

Marcar o ano de 2020 no horizonte pode dar um excelente ponto de inflexão para um planejamento de onde queremos ir e, quando chegarmos lá, avaliarmos a trajetória e os resultados. Em uma comparação com os carros, os modelos de 1912 eram toscos, pouco mais do que carroças com motores, enquanto em 1920 havia veículos que superavam os 100 quilômetros por hora e já começavam a sofisticar em confortos.

Podemos não saber exatamente como será a economia de 2020, mas de uma coisa já se tem certeza, ela não pode imitar a arte em devastação ambiental, promiscuidade social e ignomínia econômica.(Envolverde)

* Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde, passou por diversas redações da grande mídia paulista, como Agência Estado, Gazeta Mercantil, Revistas Isto É e Exame. Desde 1998 dedica-se a cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, educação, desenvolvimento sustentável e responsabilidade socioambiental empresarial.

Mil anos para as mulheres!

Por Dal Marcondes*

Minha vida é cercada de mulheres. Em sua maioria pessoas fortes, cheias de vida e personalidade. A começar por minha mãe. Maria Bela é um farol que emana segurança e caráter. Minhas irmãs, as três, são a ternura de que me lembro. Cristina é o sonho, o charme, a insensatez e a liberdade. Adriana é a responsabilidade e a braveza em todos os sentidos do termo. Nira é a harmonia, a alegria e a ternura que fazem sorrir, sempre.

Minhas filhas são complementos: Alba é um presente que faz olhar o futuro com esperança. Alice é a certeza de que este futuro será construído de fato, e será um bom lugar para se viver.

Entre meus amores há um pouco de tudo, representado hoje por Ana Maria, que tudo agita e fMulher Trabalhadoraaz com que a vida se mova, sempre.

Agora, no Dia Internacional da Mulher vamos ler muito sobre isto, apenas espero que não seja mais com a visão romântica de que as mulheres são umas coitadinhas que carregam o mundo nas costas. Claro que há injustiças, e muitas. No entanto, há avanços a serem comemorados. O principal deles é o espaço que as mulheres estão ocupando no campo político. Tivemos uma mulher Presidente da República, uma demonstração de que estão prontas para assumir responsabilidades que anos atrás eram impensáveis para quem não ostentasse aspecto de liderança viril.

A vida tem demonstrado que as mulheres chegaram a este século XXI muito melhor preparadas para as incertezas e novos desafios que os homens. As meninas estão anos luz de seus contemporâneos masculinos nos quesitos liberdade, consciência e autoconhecimento. Enquanto as moças olham para cima e para a frente, grande parte dos rapazes se encolhe, se acovarda e busca abrigos que os protejam de um futuro incerto.

Há, entre os homens, um certo sentimento de “antigamente é que era bom”, quando sabiam seus papéis quase que por “herança genética”. Eram criados para trabalhar, pagar as contas e ter prioridade sobre o controle remoto da TV. Sabiam o que fazer, enquanto, na sua opinião, as mulheres deviam se dedicar a lavar, passar, cozinhar e cuidar das crianças. Bom, tudo mudou.

E agora rapazes? A festa não acabou, apenas mudou a música, agora elas trabalham, planejam, mandam e, talvez, sejam melhores que nós nisso. Elas dirigem, compram, pagam e opinam. Elas são mães e com este poder da vida entendem melhor a responsabilidade de deixar viver.

O mundo masculino é um mundo de exclusão, de força e de morte. O mundo feminino é de acolhimento e de vida. Qual tem mais a oferecer para o futuro? E não podemos nos equivocar, este mundo-mulher não é fraco, sua força não vem das armas, mas sim da legitimidade. Enquanto os homens se armam para enfrentar a pluralidade da vida, as múltiplas opiniões e a diversidade, as mulheres estão habituadas a mediar as disputas de seus homens sem deixar mágoas e construindo uniões.

Acredito que a Terra, planeta feminino, será melhor quanto mais as mulheres ocupem espaços de poder. Neste  Dia Internacional da Mulher faço uma aposta no futuro: que este seja o milênio da mulher. E no ano 3.000 voltaremos a ver se os homens podem voltar a merecer confiança. (Envolverde)

Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde, passou por diversas redações da grande mídia paulista, como Agência Estado, Gazeta Mercantil, revistas IstoÉ e Exame. Desde 1998 dedica-se à cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, educação, desenvolvimento sustentável e responsabilidade socioambiental empresarial.

Duendes e Gnomos

Por Dal Marcondes

Depois de muito tempo longe de seus afazeres mágicos, o duende voltou à sua velha árvore. Mais maduro, com o coração calejado pelas maldades que viu pela Terra, já não era mais o mesmo otimista de tempos atrás.

Olhou em volta e viu que cresciam muitas ervas daninhas em seu outrora lindo jardim. As rosas deram lugar a espinhos, a grama ao capim e muitas árvores haviam sido cortadas.

A relva não mais brilhava como diamante ao sol da manhã. Um fosco escuro dominava a paisagem. No ar o cheiro ocre do enxofre. No céu as nuvens das chaminés ocuparam o lugar do sol e do luar.

No tempo em que esteve fora, ocupado em não sentir, a escuridão da alma se ocupou em crescer. Para cada canto onde sua vista alcança a decrepitude cresce.

Então, como um furtivo fantasma, aproximou-se da porta dos amigos. Empurrou lentamente sobre as dobradiças resistentes. Um certo cheiro de mofo subiu-lhe às narinas. Teve medo de olhar.

No escuro, ouviu uma voz fraca que repetia em refrão:

“Eu acredito em ti,

Eu sei que voltaras.

Eu creio no sol,

Eu creio na lua.

Enquanto eu acreditar,

Um duende existirá.

Quando eu morrer,

Um duende morrerá”.

Então ele se lembrou. É verdade, os duendes existem pela fé humana. E ele se lembrou que é um duende. Que depois de tantos anos talvez consiga voltar a fazer sorrir.

E ele se aproximou daquela linda pessoa machucada refugiada na escuridão e agradeceu.

“Obrigado por me deixar existir”

E sua aura se espalhou para trazer de volta o sol, a lua, o sorriso…

(#Envolverde)

Sustentabilidade como Política Pública

Por Dal Marcondes, da Envolverde – 

Em um tempo de guerras, massacres, eventos climáticos extremos e crises econômicas e políticas nacionais e globais, a retomada da centralidade da sustentabilidade é uma trilha mais segura para a humanidade

Ao começar um novo ano entrega-se ao destino muitas esperanças, de que seja um período de paz, de felicidade e de muitos bons fluídos. O olhar mais cético faz retornar à crua realidade, onde a paz é apenas uma abstração e a felicidade está entregue à individualidade. No entanto, o início deste ano em especial inaugura os mandatos de uma nova leva de prefeitos no Brasil. Muitos deles chegando em cidades com graves problemas econômicos e sociais e alguns sem nenhuma experiência administrativa.

Há o risco de que se implantar políticas públicas aleatórias e desconexas se não houver um eixo de ação. Qual seria esse eixo? Para muitos a palavra-chave para a gestão pública segue sendo “sustentabilidade”. Há muita coisa a ser feita nessa área, desde os básicos gestão de resíduos e saneamento, até inovações importantes em áreas como mobilidade, saúde, habitação, educação e moradia, entre outras obrigações dos alcaides.

Basicamente sustentabilidade na gestão pública pode ser definida através da racionalidade da aplicação dos recursos de forma a economizar materiais, reduzir desperdícios, acabar com resíduos e criar condições para o bem estar, a boa saúde e para a educação. Uma gestão que tenha como eixo a sustentabilidade tende a ser uma administração com bons resultados.

A ideia não é nova, vem sendo debatida ao longo de décadas. A redução de riscos ambientais e sociais aponta para bons impactos na economia das cidades, que gastarão menos para equacionar problemas causados pela imprevidência. Na primeira semana deste ano o jornalista André Trigueiro também defendeu na Folha de S. Paulo (https://goo.gl/muIXoK) a sustentabilidade como linha mestra na gestão pública, e não apenas nas cidades, mas no país como um todo.

Pode parecer diletante retomar o tema da sustentabilidade em um momento em que o país e o mundo estão convulsionados por guerras, correntes migratórias descontroladas, massacres e crises de todos os gêneros. No entanto, esse é um guideline que pode dar sustentação a uma retomada da economia com base em muita racionalidade e inovação, isso em um momento em que não há nenhuma alternativa de planejamento público que esteja, de fato, oferecendo resultados.

Para as empresas em geral a sustentabilidade, tão apregoada em marketing e relatórios, representa basicamente economia de materiais, água e energia, redução de riscos patrimoniais, redução de resíduos e significativos ganhos de imagem. Essas são condições que podem dar excelentes resultados se aplicadas a serviços públicos em geral, seja no atendimento direto da sociedade como na gestão das obras públicas.

Durante os últimos anos os debates sobre sustentabilidade recuaram para nichos onde os temas principais foram mudanças climáticas, água e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A confluência das crises política e econômica, com seus fortes impactos sociais, que criou uma forte rispidez nas relações da cidadania, nas ruas e nas redes sociais, deixou outros temas fora da pauta e uma das pautas abandonadas foi a da sustentabilidade. É como se houvesse uma hierarquia dos problemas e as questões socioambientais cavalgassem ladeira abaixo nas prioridades.

Pontualmente alguns temas emergem na mídia, uma nova absurda lei, um novo escândalo de gestão em organismos ambientais e um novo desastre. Mesmo nas empresas consideradas líderes no tema apenas alguns soluços de comunicação mantiveram a pauta viva.

É preciso relembrar que sustentabilidade não é um nicho, um item na pauta da humanidade, uma decisão pontual. É uma transversalidade fundamental para a gestão pública, das empresas, das organizações sociais e das pessoas.

A implantação de políticas públicas que estabeleçam a centralidade da sustentabilidade pode oferecer caminhos mais seguros para a superação das crises de curto prazo e mais segurança para as metas de longo prazo. Há sempre que se lembrar que os principais diagnósticos já estão realizados e disponíveis para qualquer pessoa e na maior parte dos idiomas. (#Envolverde)

* Dal Marcondes é jornalista, diretor da Agência Envolverde, com especialização em Economia, em Ciências Ambientais (Procam/USP) e mestrando em Modelos de Negócios do Jornalismo Digital e Pós-Industrial (ESPM/SP).