Alunos preparados para atuar no cenário global

Com ensino bilíngue e sem divisão por séries, Sesi Internacional de Curitiba usa metodologia de projetos e tecnologia para conectar aprendizado ao mundo real

Por Marina Lopes, do Porvir –

Se alguém perguntar para um aluno do Colégio Sesi Internacional de Curitiba qual é a sua turma, certamente a resposta não será primeiro, segundo ou terceiro ano do ensino médio. Com a proposta de formar jovens para viver em um mundo globalizado, a escola paranaense abriu mão da divisão por séries para integrar todas as disciplinas em torno de desafios reais. Em um modelo que busca fortalecer a autonomia dos alunos, no início de cada bimestre são eles que decidem quais assuntos desejam aprender.

De reflexões sobre projeto de vida a discussões de temas globais, como tecnologia e meio ambiente, os alunos optam por oficinas de aprendizagem que envolvem a turma na solução de diferentes desafios. Em grupos, eles fazem pesquisas e desenvolvem projetos para responder a um questionamento complexo feito pelo professor.

Saiba mais sobre aprendizagem baseada em projetos

“Todas as disciplinas convergem para pautá-los e subsidiá-los na resposta a essa situação problema, que é colocada no início do bimestre”, explica a coordenadora pedagógica do colégio Renata Virgínia Moura. As aulas são ministradas em português e em inglês. Durante uma oficina que envolve economia, por exemplo, a aula de matemática ajuda a entender juros simples e compostos, enquanto história trata de revolução industrial e física fala sobre o funcionamento da máquina a vapor.

Além de conectar as aprendizagens ao mundo real, a coordenadora afirma que a metodologia estimula o protagonismo dos alunos e o trabalho em equipe, já que eles devem gerir problemas e dividir tarefas. “Quando existe um problema que o grupo não consegue resolver, o setor pedagógico entra em ação e faz um acompanhamento para que eles consigam aprender a trabalhar essas questões relacionais, que nem sempre são fáceis”, completa.

Para lidar com essas questões relacionais e também acompanhar de perto o desenvolvimento dos alunos, os professores assumem um papel de tutores. “Acaba sendo bastante desafiador porque o professor tem que fazer um trabalho muito intenso antes de entrar na sala de aula. Não basta dizer para o aluno pesquisar”, observa a professora de português Danielle Fracaro da Cruz.

Os professores também devem ter muita sintonia com os colegas para integrar conteúdos de diferentes disciplinas. “A ideia é encontrar temas norteadores que podem ser encaixados nas disciplinas e pensar naquilo que eles têm em comum”, explica a professora Monah Nascimento Pereira, de história e teatro. Toda semana a equipe pedagógica se reúne para discutir as oficinas, compartilhar atividades e elaborar desafios. “O desafio não pode ser uma pergunta específica, muito pequena ou muito fechada, que o aluno possa responder com sim ou não”, cita.

Na hora de saber se o grupo conseguiu solucionar o desafio, a avaliação também deve ganhar um novo formato. “A avaliação tem um componente processual. Nós fazemos acompanhamento do processo cognitivo e do processo relacional”, explica Monah. Para isso, os instrumentos de avaliação são variados, incluindo apresentações, atividades escritas, relatórios, projetos e participação.

Há dois anos no colégio, Guilherme Heil Kinas, 15, confessa que o seu primeiro bimestre foi quase um “choque”, já que não estava acostumado com essa metodologia. “Tem aula que o professor dá uma introdução ao conteúdo e tem aula que ele fala pra gente pesquisar sobre o tema e fazer alguns exercícios. Você e a sua equipe podem debater o assunto ou tirar dúvidas com o professor”, conta. Ele também menciona que o contato mais próximo com os professores torna o processo mais simples.

Após já ter passado por oito oficinas de aprendizagem, o aluno avalia que esse formato contribui para ampliar as habilidades de comunicação comunicação e até mesmo perder a timidez, já que todo bimestre é preciso trabalhar em diferentes equipes e no final apresentar uma solução para o desafio proposto.

A resposta para o questionamento de uma oficina pode ser apresentada de diversas maneiras. Em uma oficina de autoconhecimento, ao serem indagados sobre o que nos torna humanos, o grupo de Guilherme organizou uma experiência sensorial na escola. “Era um percurso que as pessoas faziam vendadas e tinham que cheirar canela, experimentar coisas e adivinhar o que era. No final, fizemos uma apresentação para elas refletirem.”

E se a proposta é preparar os alunos para atuar em um cenário global, a tecnologia também não pode ficar de fora da escola, seja para fazer pesquisas ou até mesmo conversar com profissionais de outros países. “Nós não ensinamos a trabalhar com um software, mas instigamos a utilização deles para fazer a coleta e apresentação de dados”, descreve o professor Milclei Bizaio Martins, do laboratório de idiomas.

A escola também usa a tecnologia a favor da educação em disciplinas eletivas. Além de contar com atividades de teatro, desenho, línguas estrangeiras ou até mesmo práticas esportivas, são oferecidas aulas de cinema, fotografia, robótica e tantas outras.

Todas essas práticas também renderam ao colégio o reconhecimento como Escola Modelo da Microsoft, uma classificação que reconhece práticas inovadoras em diversos países e possibilita trocas de experiências em uma comunidade global de escolas. “Nós não buscamos apenas tecnologia, mas também metodologias e abordagens diferenciadas para transformar a educação”, destaca Antonio Moraes, diretor de Educação da Microsoft Brasil. (Porvir/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Porvir.

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