Onda de calor sobre São Paulo continua com temperaturas elevadas

Por Júlio Ottoboni*

O Sudeste brasileiro está tomado por uma onda de calor desde o início de fevereiro, que tem tudo para deter o recorde das mais elevadas temperaturas dos últimos anos. Para complicar o quadro, as altas temperaturas serão acentuadas nos próximos dias. A anomalia climática já é classificada como uma das mais longas e de temperaturas mais altas já registradas nos últimos tempos.

A partir do dia 20 de fevereiro, uma nova configuração nos sistemas atmosféricos promoveu uma intensificação do calor para os próximos dias, ou até mesmo para o final do mês.

O Serviço Nacional de Meteorologia da Argentina monitorou a ação da onda de calor que se atua sobre o país. A região de Buenos Aires e arredores e também de Rosário se encontram com temperaturas por volta de 35 graus. Caso intensifique o calor, será emitido um alerta de perigoso para bebês, crianças e pessoas com mais de 60 anos. A tendência é essa massa de ar quente e seco suba para regiões do Brasil e do Paraguai.

Segundo meteorologistas, um núcleo de alta pressão, situado na média troposfera, aproximadamente 5.500 metros de altitude, deve se posicionar sobre o continente, mas precisamente na porção Sul do país. Esse anticiclone provoca a descida do ar mais seco da parte superior da atmosfera para a parte baixa. Esse processo de descida comprime e aquece o ar, que se soma ao ar quente já existente nos baixos níveis da troposfera e  resultar em altas temperaturas no interior do país.

São Paulo também registrou novo recorde de calor no domingo (19), isso pelo segundo dia consecutivo. A temperatura máxima na capital paulista foi de 34,6°C superando os 33,9°C do sábado. Segundo a empresa de meteorologia Climatempo, a “ tarde deste domingo também foi a mais quente do verão 2016/2017 na cidade de São Paulo, superando a tarde do dia 26 de dezembro de 2016, quando a máxima foi de 34,4°C”.

As áreas urbanas de todo o mundo tiveram consideráveis aumentos das ondas de calor nos últimos 40 anos. Períodos prolongados de dias extremamente quentes cresceram em mais de 200 áreas urbanas de todos os continentes entre 1973 e 2012. E isso foi  intensificado nos últimos anos. As áreas urbanas de todo o mundo tiveram consideráveis em suas temperaturas médias devido a alteração de seus microclimas pela formação de ilhas de calor.

Esse foi o resultado da pesquisa publicada na revista científica Environmental Research Letters.  As ondas de calor, segundo os pesquisadores, são períodos compreendidos entre seis ou mais dias consecutivos,. Mas isso é variável de acordo com a região, em localidade na Europa é considerado a partir do terceiro dia de temperaturas elevadas para a época, podendo variar entre 5 até 10 graus acima da média histórica. Outro aspecto, as noites não se resfriam o suficiente e mantém a temperatura elevada.

O estudo mostrou que mais da metade das áreas estudadas apresentaram um aumento significativo do número de dias extremamente quentes e em mais de 65% dos casos ocorreu um aumento de noites extremamente quentes. As ondas de calor devem aumentar suas frequências e intensidades devido às anomalias climáticas provocadas pelo aquecimento global. Poucos vezes se viu o centro do anticiclone irradiador desta imensa onda de calor que varreu a porção mais austral da América do Sul tão próximo a Antártida.  As piscinas de água quente no Oceano Atlântico elevaram em demasia as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM), o que aumenta ainda mais o calor tanto da costa africana como em praticamente toda a costa e o interior do continente no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Segundo a Climatempo, desde o começo de fevereiro, as simulações do estado da atmosfera para o fim da primeira quinzena do mês indicavam uma grande redução da chuva no Sudeste. “ O motivo para a diminuição da chuva era uma nova aproximação e intensificação da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) sobre o país.

Como todo sistema de alta pressão atmosférica, a ASAS reduz a umidade no ar e consequentemente a nebulosidade e as condições para chuva. E cria um bloqueio atmosférico para a entrada de frentes frias e formação de chuvas. “ A resposta direta e imediata da atmosfera diante da redução da chuva é o aumento do calor”, alertou o comunicado da empresa. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

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