30/07/2010 - 05h07
Redução de energia pode chegar a 30% em prédios

Por Francisco Brasileiro, da UnB

Laboratório de Controle Ambiental e Eficiência Energética avalia como reduzir o consumo de energia sem perder o conforto.

Diminuir o consumo de energia sem prejudicar o conforto de ambientes é a missão do Laboratório de Controle Ambiental e Eficiência Energética da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB (Lacam/FAU). Investir em uma iluminação inteligente, que combine luz natural e artificial, é uma das alternativas propostas pelos pesquisadores. Projetos que levam em conta esses conceitos desde o início chegam a gastar metade da energia de um prédio convencional. Mesmo aqueles que ganham adaptações posteriores podem ter até 30% de economia no gasto com energia.

“Para avaliar a eficiência energética de uma construção é preciso considerar três aspectos: envoltória – a estrutura externa do edifício –,  o condicionamento de ar e a iluminação”, explica Cláudia Amorim, coordenadora do grupo de pesquisa Qualidade Ambiental e Iluminação Natural no Espaço Construído do Lacam. Detalhes como o uso de cores brancas na fachada são essenciais. “As cores mais escuras absorvem muito calor, o que pode aumentar os gastos com ar-condionado”, explica a pesquisadora.

O laboratório participa da avaliação de prédios para etiquetagem de eficiência energética do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) – sendo responsável pela análise das condições do prédio da nova Rodoviária Interestadual de Brasília.

Claúdia afirma que a iluminação mais eficiente é uma conquista que depende de planejamento. “O setor da construção consome 40% da energia mundial. Construir um prédio já pensando nisso significa uma economia durante toda vida útil da construção”, afirma Caio Silva, doutorando em Arquitetura Sustentável. “As lâmpadas próximas a janela tem que ter acendimento independente, para não desperdiçar a luz natural”, exemplifica Cláudia.

TEMPERATURA - Para o condicionamento de ar é importante verificar como os aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, foram avaliados pelo Inmetro. “Eles classificam o nível de consumo de A até E. Analisamos a etiqueta dos aparelhos para saber qual vai ser o nível da construção nesse aspecto”, afirma a Claúdia.

De acordo com a pesquisadora, prédios grandes ganham pontos quando incorporam em sua estrutura ares-condicionados centrais. “O ideal para os prédios da Esplanada dos Ministérios seria, por exemplo, isso. Muitos deles ainda adotam os tradicionais aparelhos de janela”. O Lacam prestará consultoria para o projeto Esplanada Sustentável, do Governo Federal.

CASOS DE SUCESSO - Na UnB, o novo prédio do Instituto de Química é um caso de sucesso no aproveitamento da luz. “Os combogós, quadrados vazados na fachada do prédio, diminuem a incidência direta da luz solar, mantendo o ambiente agradável”, explica Milena Sintra, estudante de mestrado do Lacam. Por outro lado, a nova sede do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) apresenta outra solução para o mesmo problema. "Eles usaram uma tela verde antes dos vidros, que funciona como uma proteção solar".


(Envolverde/UnB Agência)


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