Inovação deve caminhar junto com sustentabilidade

Liliane Rocha*, especial para a Envolverde – 
Os aplicativos que tanto facilitam a vida nas cidade e em ambientes virtuais são, também, a nova face das empresas. Por estarem na ponta da inovação estrariam também livres dos compromissos com a sustentabilidade empresarial?

Sabemos que a internet passou a incorporar em meados dos anos 90 as empresas on-line, mas o que elas têm em comum? São inovadoras. Surgiram para atender demandas e anseios que a maioria de nós sequer sabíamos que eram tão eminentes. Oferecem produtos ou serviços dos quais sequer detém os materiais físicos ou as estruturas das atividades fins, construindo um império de forma infinitamente mais veloz do que empresas historicamente consolidadas haviam conseguido desde a revolução industrial.

Uber, Facebook, Netflix, Groupon, Cabify, Google, Airbnb, entre outras, são empresas que tiveram uma jornada meteórica. Admiradas pelo êxito de pouco tempo após sua fundação passarem a faturar bilhões. A UBER, em cerca de dois anos de existência, foi avaliada em 17 bilhões de dólares; a Groupon, também no mesmo período, foi avaliada em cerca de 6 bilhões de dólares; a Google, poucos meses após a sua fundação, foi avaliada e vendida por 1,4 bilhões de dólares.

Em tudo mencionado acima certamente não há nada de errado. No entanto, as perguntas que devem ganhar espaço em nossas reflexões são: como e em que medida estas empresas têm se consolidado pautadas nos conceitos de Sustentabilidade?

Páginas de pesquisas e sites de interação social deveriam ser pressionados e responsabilizados por serem veículo para disseminação de falsas notícias? O termo “pós verdade” já foi incluso no Dicionário de Oxford e muitos afirmam que o fenômeno de falsas notícias na internet foram determinantes nas últimas eleições americanas.

E pela disseminação de pornografia infantil? Incentivo ao terrorismo? Um volume inestimável de conteúdos desta natureza navega todos os dias na rede prejudicando as vítimas e, em certa medida, resguardando os algozes.

De que modo, empresas de aplicativos na área de transporte, podem ser motivadas a preocupação com emissões do efeito estufa dos carros? Como devem ocorrer os trâmites de responsabilidade trabalhista? E com a mobilidade urbana? Sim, mobilidade urbana, afinal é inegável que a possibilidade de percorrer a cidade no conforto de um carro a baixíssimo custo, concorre nos grandes centros urbanos com o interesse por transportes coletivos como metrôs e ônibus.

Recentemente um motorista da UBER ganhou na justiça uma causa na qual deverá receber cerca de 80 mil reais, incluindo os valores que ele deixou de ganhar durante os 6 meses de relações de trabalho. Entre os argumentos utilizados estiveram o fato de que o pagamento do cliente ao motorista é feito por intermédio da empresa, que desconta cerca 20% do valor da corrida, configurando a prestação de serviços que é formalizada por meio de contrato.

Se uma mulher for estuprada no carro de um motorista vinculado a uma destas empresas ou em um imóvel alugado por meio de uma empresa de aluguel de imóvel de terceiros de quem é a responsabilidade? E em caso de discriminação de qualquer natureza? A Airbnb já foi acusada em alguns países de diminuir a oferta de habitação a preços acessíveis nas grandes cidades.

Empresas como compras coletivas responsáveis pelo rastreamento da cadeia de fornecedores das empresas que vendem promoções em seus sites? Estariam brechas legais possibilitando que as exponenciais se eximam de algumas responsabilidades?

Deixo claro que estas empresas não são vilãs. Ao contrário oferecem serviços fundamentais para a sociedade em um formato atual e relevante. O que me pergunto, no entanto, é se a sociedade estaria perdendo a noção de que, como qualquer outra empresa, estas também devem ser cobradas a construir seu patrimônio, assegurando a efetivação da Sustentabilidade no cerne da sua estratégia de negócios. Especialistas poderiam ajudá-las a formatar projetos e iniciativas que assegurem o crescimento pautado em preservação ambiental, inclusão social, equidade, entre outros. A hora é agora. Não deveremos esperar que algo de impacto aconteça para começar a construir está visão.

Certamente as exponenciais, em sua magnitude e capacidade de inovação, poderão realizar uma imensa contribuição e transformação no cenário da Sustentabilidade Global. (#Envolverde)

*Liliane Rocha é diretora executiva da Gestão Kairós – consultoria especializada de Sustentabilidade e Diversidade. Tendo sido responsável da área de Responsabilidade Social e Diversidade América Latina na Votorantim Metais, Walmart Brasil, Banco Real-Santander, Philips, entre outras. Mestranda em Politicas Públicas pela FGV, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Especialização em Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, MBA em Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Escreve semanalmente para a Envolverde sobre Diversidade.

Por quê no Brasil “Hidden Figures” foi traduzido como “Estrelas Além do Tempo”?

Por Liliane Rocha*

É notório que o Brasil tem uma dificuldade histórica na discussão clara e consciente sobre o racismo até hoje institucionalizado em nossa sociedade. Afinal, foram quase 400 anos de escravidão, criando normas, sistemas e conceitos ainda vigentes no país e que impactam a população negra cotidianamente.  Não à toa os dados são alarmantes.

Apesar de termos uma expressiva população negra no Brasil, estimada em 51% da população, somando pretos e pardos, estudos apontam que somente teremos equidade salarial em 127 anos, ou seja meados de 2.137. Em 2010 um estudo sinalizou que dentre as mortes por homicídio no país 75% eram negros. Dos cerca de 16 milhões de brasileiros na extrema pobreza em 2012, 65% eram negros.  Negros representam somente 5,3% no quadro executivo das grandes empresas, 5% dos políticos no congresso nacional. Se estratificarmos o IDH brasileiro em brancos e negros, veremos que o país dos brancos teria índices similares a países europeus, enquanto o país dos negros teria dados extremamente similares aos dos países mais pobres do mundo.

Relembro todos esses dados para reforçar o cenário atual do país, pois muitos céticos ainda duvidam do abismo de direitos entre brancos e negros. E o ponto para o qual quero chamar a atenção nesse artigo é como um filme que traz um posicionamento tão claro em relação a opressão e avanços da luta racial como “Hidden Figures” que traduzido em português teria o título de “Figuras escondidas”, no Brasil é traduzido como “Estrelas Além do Tempo”. Veja bem, não tratasse apenas de uma questão de gostar ou não do título. Está claro que Figuras Escondidas tem um viés mais provocativo e ideológico enquanto “Estrelas Além do Tempo” tem um viés mais romanceado. Assim, a mudança na tradução para o português expressa a dificuldade do brasileiro na discussão transparente do racismo no país.

É evidente que o filme que conta a história de cientistas negras da NASA, que no auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, tiveram um papel crucial para a vitória dos Estados Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação, tem no título “Figuras Escondidas” uma clara reflexão crítica em relação as milhares de personalidades sejam  negros, judeus, mulheres, entre outros, que desempenharam papel fundamental ao longo da história da humanidade, mas simplesmente foram saqueados da história.

 

Vejamos algumas das “Figuras Escondidas” do Brasil na questão racial que você sequer talvez saiba que existiram ou que eram negros e negras.  Vejamos alguns exemplos:

Dandara dos Palmares foi uma grande guerreira na lua pela liberdade do povo negro. No século XVII, conquistou espaço de liderança nas lutas palmarinas e enfrentou todas as lutas seguintes em Palmares. Foi companheira do Zumbi de Palmares e seguia ao seu lado sem perder o protagonismo feminino.

Nilo Peçanha, presidente do Brasil entre 1909 e 1910. Nilo Procópio Peçanha foi o primeiro – e até agora o único – presidente do Brasil negro. Filho de pai negro e mãe branca, Peçanha assumiu a presidência após a morte de Afonso Pena e ficou no cargo entre 1909 e 1910.

Joaquim Maria Machado de Assis, nascido em 1839, quase dispensa apresentações, pois é considerado o maior nome da literatura brasileira. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.

André Rebouças, nasceu em 1838, filho de Antonio Rebouças, advogado, parlamentar e conselheiro do Império. Estudou nas melhores escolas do Rio de Janeiro, completando seus estudos na Europa, onde se especializou em fundações e obras portuárias. Participou na Guerra do Paraguai (1865-1870), como engenheiro.

Por fim, reafirmo, é está a importante contribuição reflexiva que o filme traz e que a tradução romantizada do título no Brasil, creio não por acaso, põe a perder. Que estas mulheres foram estrelas e marcaram a história além do tempo, assim como milhares de outros homens e mulheres, ninguém dúvida. A questão que as diferenciam, no entanto, é o fato de não terem sido notórias ao grande público.

O fato de terem sido apagadas e escondidas da história. E somente agora, tantos anos depois, trazidas para os centros das atenções. Que o filme sirva como um ponto de atenção para que essa história não continue a se repetir. Que as pessoas sejam reconhecidos pelos seus feitos e não pelo grupo étnico, social, racial, entre centenas de outras características do qual fazem ou não parte. (#Envolverde)

A era das transformações sustentáveis exponenciais

Por Liliane Rocha*

O mundo corporativo está em um momento que se apresenta como uma grande oportunidade de mudança total de paradigmas, processos, forma de fazer negócio e de se relacionar com o mundo ao redor. A única constante na atualidade é a mudança e ela ocorre cada vez de forma mais veloz.

Parece cliché reforçar esse ponto, mas a verdade é que o micro cosmos corporativo em suas nuances, continua apresentando em uma mesma empresa profissionais que estão pensando 20, 30, 40 anos adiante. Com profissionais que ainda reproduzem em sua forma de pensar estratégia a mentalidade de 20, 30, 40 anos atrás. Na mesma empresa vemos iniciativas ultrapassadas e de vanguarda sendo realizadas.

Agora vejamos como a mudança de padrão mental é urgente, nos últimos anos vimos empresas como a UBER ser em cerca de dois anos de existência avaliada em 17 bilhões de dólares, a Groupon também com o mesmo período ser avaliada em cerca de 6 bilhões de dólares, a Google poucos meses após a sua fundação ser avaliada e vendida por 1,4 bilhões de dólares. Todas empresas que surgiram para oferecer um produto ou serviço do qual sequer são detentores dos materiais físicos necessários, construindo um império de forma infinitamente mais veloz do que as empresas historicamente consolidadas haviam conseguido desde a revolução industrial.

Especialistas como Ismael Slim apontam que “quando você muda para um ambiente baseado na informação o ritmo de crescimento entra em trajetória exponencial”. O que os profissionais de Sustentabilidade e as empresas que querem ser referência nesta frente precisam ter em mente é que a regra vale também para a sustentabilidade. Para alcançar resultados ambientais e sociais incomparáveis e sólidos é fundamental se pautar em premissas que têm gerado mudanças disruptivas na sociedade.

Todas as áreas e funções que conhecemos estão sendo fundamentalmente transformadas. Quando eu me formei em 2006 pouco se falava em de Sustentabilidade, hoje diversas empresas tem áreas, estruturas, equipes e orçamentos com esta finalidade. Mas será que os seus profissionais e os CEOS estão vendo com clareza como este processo de sustentabilidade é intrínseco aos negócios? Repito, não complementar, não adjacente, mas sim intrínseco a forma de se fazer negócio. Vamos aos 7 passos que pode colocar a estratégia da sustentabilidade da sua empresa em consonância com a atualidade, trazendo transformações exponenciais, ou seja de profundo e amplo impacto, para a empresa e o planeta.

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  1. A empresa não é detentora única de todas as soluções. As empresas em geral se posicionam com muita agilidade para dizer que não são as únicas responsáveis por questões sociais e ambientais. Há também o primeiro e o terceiro setor. No entanto aqui estamos falando além disso. Hoje qualquer indivíduo talentoso em sua própria garagem está gerando mudanças no mundo. A exemplo, temos o jovem Jack Andraka de 14 anos que desenvolveu sozinho o teste para a cura do câncer. Ou o jovem James Dyson inventor da microgeladeira de vacinas que tem o potencial de salvar 1,5 milhão de vidas por ano segundo a OMS ou a jovem Hannah Herbst de 15 anos que desenvolveu um aparelho que gera energia renovável a partir do oceano.

Neste sentido é fundamental que as empresas usem a “sandália da humildade”, reconhecendo que em tempos como o que vivemos hoje uma solução ambiental ou social de impacto pode vir de qualquer lugar. Portanto, escutar atentamente e construir junto com diversos agentes é fundamental.

  1. Seres humanos não são parte do maquinário, do inventariado, do patrimônio monetário da empresa. São co-autores da empresa. Este aspecto é fundamental, pois há empresas que para além de não escutar a comunidade, como mencionado anteriormente, não escuta os próprios funcionários. Profissionais, são indivíduos com opiniões, percepções, linhas de raciocínio, insights. Em uma cultura como a brasileira na qual muitas vezes a divergência de ideias é tratada como conflito e não como uma oportunidade de chegar a melhores resultados, por vezes espera-se de funcionários uma postura mecânica e robotizada. Pensar na Valorização da Diversidade de todos os tipos, inclusive de ideias, e aumento da autonomia, otimizará todos os processos da empresa, incluindo os ambientais e sociais.

Segundo estudo realizado pela Hay Group com 170 empresas brasileiras “aproximadamente 76% dos funcionários das empresas que se preocupam com a diversidade reconhecem que têm espaço para expor suas ideias e inovar no trabalho.”

  1. Nomes fantasias, razões sociais ou o cnpj são imateriais e inanimados. O que realmente será o corpo, mente e alma das empresas são os profissionais que dia-a-dia concretizam e tornam real o negócio. Portanto, desde o CEO até a “tia da copa” todos precisam estar envolvidos e engajados com os conceitos ambientais e sociais. O que claro, só é possível se a plataforma de saúde e qualidade de vida das empresas estiver funcionando de forma adequada, pois ninguém consegue gerar desenvolvimento sem as suas necessidades básicas e primárias serem atendidas.
  2. Compreender que os tempos mudaram, mudam e mudarão de forma cada vez mais veloz. Esta não é uma frase filosófica ou intangível. Os casos que comentei acima demonstram essa realidade claramente. A forma de fazer negócio, mensurando o êxito a partir do crescimento econômico é hoje o caminho para o fracasso, seja a curto ou a médio prazo. É preciso compreender que o foco no desenvolvimento de forma mais complexa atentando para o papel da empresa na sociedade é fundamental. Se a empresa não estiver atenta a esta questão, será a única. Todos os demais estarão atentos.
  3. Onde quer que esteja um profissional com computador, telefone e internet, lá será seu escritório. As ferramentas de gestão de projetos e tarefas são aperfeiçoadas e disseminadas constantemente. Portanto, para sustentabilidade, assim como todas as outras atividades, será que é realmente preciso ter toda uma equipe centralizada nas grandes capitais, o dia inteiro no escritório? Ou será, que otimizar as novas ferramentas, assegurando que as equipes estejam no local e no momento onde as questões ambientais e sociais estão latentes, assegurará agilidade, eficiência e rápida resposta da empresa frente aos acontecimentos.
  4. A Comunidade não é somente aquela vizinha a sua fábrica. E não se adiante dizendo então que é todo o Brasil. Sua Comunidade está espalhada, fragmentada, é todo aquele que se interessa, interage e acompanhada de alguma forma a sua empresa. Falando assim parece óbvio, mas a verdade é que muitas empresas ainda nem se relacionam com a vizinhança física, quem dirá com a digital. A verdade é que hoje um acontecimento envolvendo a sua empresa no nordeste do país, pode impactar de forma direta sua operação no sul. Portanto, é fundamental pensar as questões ambientais e sociais de forma expandida, considerando a existência das redes sociais, e a conectividade das pessoas.
  5. Fatores ambientais e sociais não são pilares paralelos ao negócio, nem complementares, nem adjacentes. Sim muitas vezes usamos essas iconografias porque elas são formas simplificadas de expressar o tema. O importante é termos essa consciência de que são implicações e não a expressão da realidade. Nos dias atuais, com os avanços tecnológicos, movimentações sociais e avalanche de informações, o negócio não está mais separado como pilar distinto, de questões sociais e ambientais. Negócio, Meio Ambiente e Sociedade são um só!

Há, por exemplo, o caso de uma empresa do ramo alimentício que após investir milhões em um produto de papinhas para neném e já em comercialização, foi questionada por uma ONG sobre a possível existência de um produto cancerígeno entre os componentes e viu dessa forma sua linha de produtos e seu investimento ruir. Os casos de empresas que investiram milhões em projetos que foram paralisados e / ou  descontinuados devido a questões sociais e ambientais são infinitos. Isso ocorre, porque alguém dentro da empresa considerou que estes temas estavam separados quando na atualidade são um só.

Não há receita de bolo, no entanto, as menções aqui descritas são com base em anos de experiência, vivenciando situações similares, compartilhando, escutando, ensinando e aprendendo sobre estratégia da sustentabilidade, assegurando a sua conexão com os avanços e inovações que tem ocorrido na sociedade e aqueles que estão por vir em um futuro próximo. (#Envolverde)

* Liliane Rocha é diretora Executiva da empresa Gestão Kairós (www.gestaokairos.com.br), mestranda em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Extensão de Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Gestora com 11 anos de experiência na área de Responsabilidade Social tendo trabalhado em empresas de grande porte – tais como Philips, Banco Real-Santander, Walmart e Grupo Votorantim. Escreve mensalmente para a Envolverde sobre Diversidade. 

A mão mais que visível do mercado

Por Liliane Rocha*

Estamos vivendo um período peculiar da história brasileira, e mundial. No Brasil, de um lado assolados pelo discurso latente sobre a crise econômico-financeira que impacta fortemente os mais pobres. No mundo, por outro lado com as ameaças de um futuro incerto dado as previsões, que já começaram a se confirmar, das mudanças climáticas, crise dos refugiados, estado islâmico, questões para além das fronteiras brasileiras, mas que em um mundo interconectado, nos abalam, nos tocam e nos fazem repensar.

O mais intrigante de tudo isso é que em ambos os casos fomos nós, os próprios seres humanos, que construímos todo este cenário assustador, com o agravamento de problemas que há muito tempo relegamos a um segundo plano em detrimento de vantagens imediatistas, sempre em torno do individual.

E é exatamente neste momento conturbado que comunidades, governos e sociedades começam a se questionar se não nos deixamos levar tempo demais pelo “capitalismo selvagem” e pelas tais regras de mercado. A mão invisível que, na verdade, é para lá de visível, tem nomes, interesses e tem exercido poder em decisões que impactam toda a humanidade.

Estudando Finanças Públicas do Brasil, me chamou a atenção o fato de que dos 2 trilhões de dívida pública liquida, 94,80% a União deve para grandes empresas e detentores do capital privado. Pode incluir pessoas físicas como eu e você, mas certamente o maior percentual é de grandes empresas ou pessoas físicas acionistas destas grandes empresas. Somente 5,20% da dívida é externa. Sendo que 23% desta dívida interna é para com as grandes instituições financeiras. Alguma dúvida sobre o quanto o governo brasileiro, está e não de hoje, nas mãos da iniciativa privada?

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Além disso, a concentração de renda no Brasil, em diálogo com o dado acima é impressionante, segundo a Oxfam Brasil em Conferência Ethos 2016, temos no Brasil 4.225 multimilionários com uma renda mensal acima de 450 mil reais. Ainda segundo a Oxfam Global 8 pessoas tem mais dinheiro que 50% da população mundial.

Como é que o Sistema de Produção Capitalista, que teoricamente se mostrou como o mais eficiente, se estabeleceu em bases tão insustentáveis, a ponto de em pleno século XXI estarmos ainda nos perguntando, longe de consenso, qual é o papel das empresas em nossa sociedade?

Essa que parece ser uma pergunta tola, requer um esforço extra para ser respondida, especialmente quando estamos mergulhados nas sendas do sistema que nos imprime uma falsa sensação de que está tudo certo em existir apenas para gerar lucro para alguns poucos.

Conforme aponta Charles Handy, em seu artigo “Para que serve uma empresa”, a visão de que as empresas servem para gerar lucro, garantindo a satisfação dos acionistas pura e simplesmente confunde uma condição necessária com uma condição suficiente. Afinal, o propósito de uma empresa deve ser o de obter lucro sim, porém, de modo que possa fazer algo mais, ou melhor, sendo este algo a verdadeira justificativa da empresa.

Mais do que discussões acerca da melhoria de políticas e procedimentos voltados à fiscalização das empresas e seus gestores, o cerne das discussões está pautado exatamente sobre esta temática da finalidade das corporações. Qualquer organização só faz sentido se servir a humanidade como um todo, a melhoria das condições humanas e ao planeta. O sistema capitalista pode ser o melhor caminho, mas para isso, teremos que ser honestos, esmiúça-lo com visão crítica e melhorá-lo onde for possível. (#Envolverde)

* Liliane Rocha é diretora Executiva da empresa Gestão Kairós (www.gestaokairos.com.br), mestranda em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Extensão de Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Gestora com 11 anos de experiência na área de Responsabilidade Social tendo trabalhado em empresas de grande porte – tais como Philips, Banco Real-Santander, Walmart e Grupo Votorantim. Escreve mensalmente para a Envolverde sobre Diversidade. 

Um novo padrão mental para as empresas

Por Liliane Rocha*

Tudo que disser e fizer será usado a seu favor!

Sabemos que muitos são os motivos que levam as empresas a elaborar sua estratégia de Sustentabilidade. Há aquelas que atuam por coerção, nesta caso a atuação de responsabilidade socioambiental é um grande fardo a ser cumprido devido a obrigatoriedades legais e de pressões sociais. Há aquelas que atuam por conveniência, ou seja, não devido a obrigatoriedades legais, mas porque enxergam nestas ações uma oportunidade de fazer marketing e vender a imagem da empresa. E há aquelas que atuam por convicção, acreditam que é necessário, em meio ao caos ambiental e social que atinge atualmente todas as partes do planeta, exercer um papel consciente e forte na luta em favor do meio ambiente e da humanidade.

Notório é que uma empresa sozinha não pode se responsabilizar e nem teria como mudar toda uma sociedade, mas certamente esta mesma empresa tem como rever e reavalizar todo o seu processo produtivo. Partindo do princípio de que as ações das empresas, em escala evolutiva, sejam cada vez mais pautadas pela convicção e auto-responsabilização. É importante enfatizar que a atuação só terá resultados e será eficiente a medida em que os valores socioambientais estejam intrínsecos, desde seus princípios organizacionais até sua forma de fazer negócios. É essencial que a abordagem do tripé da Sustentabilidade, a perspectiva de valor compartilhado e de desenvolvimento, para além do crescimento econômico, pautem a discussão, transferindo a sustentabilidade da periferia para o centro da estratégia de negócio.

Para que as empresas atuem de forma sustentável devem ampliar redes de relações, ouvir todos os públicos com os quais se relaciona e estar aberta ao processo continuo de construção de conhecimento, em outras palavras tratam-se de processos multidimensionais, multistakeholder e muldisciplinares.

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Legitimidade é também um ponto crucial para que um processo de responsabilidade social caminhe de forma adequada. Um grupo ou um líder somente será ouvido e conseguirá cumprir seu papel a medida em que tenha reputação e credibilidade junto aos demais. Além de poder, que aqui perde completamente qualquer sentido pejorativo para ser interpretado como a capacidade real de resolver as questões necessárias. E a urgência que por muitas vezes é esquecida pelas empresas em sua atuação, quando ao chegar em uma comunidade ou interagir com algum segmento ao qual pretende ajudar, parte se sua própria realidade por muitas vezes cometendo equívocos. Infelizmente não é raro ver uma empresa investindo em saúde em uma comunidade que precisa urgentemente de educação, ou investindo em lazer em cultura em uma comunidade com graves problemas de saneamento básico. É crucial que no processo de investimento as empresas considerem cada vez mais quais são as urgências da localidade onde estão inseridas.

A responsabilidade socioambiental já faz parte da realidade empresarial e se consolida enriquecendo e transformando conceitos. Não basta que uma avaliação seja quantitativa, precisa ser também qualitativa e mais ambas as variáveis devem ser avaliadas juntas. E a sustentabilidade se liberte da diretriz jurídica onde “tudo que disser poderá ser usado contra você” para uma perspectiva na qual a comunicação transparente e responsável é uma estratégia empresarial para evitar ou gerenciar crises e fortalecer a reputação das empresas. (#Envolverde)

* Liliane Rocha é diretora Executiva da empresa Gestão Kairós (www.gestaokairos.com.br), mestranda em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Extensão de Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Gestora com 11 anos de experiência na área de Responsabilidade Social tendo trabalhado em empresas de grande porte – tais como Philips, Banco Real-Santander, Walmart e Grupo Votorantim. Escreve mensalmente para a Envolverde sobre Diversidade. 

Poluição: o que o Brasil deve aprender com a China?

Por Liliane Rocha*

Em meados de 2015 o mundo começou a ficar alarmado com as manchetes de jornais que diziam “Poluição do ar segue alarmante na China” ou “10 Cidades chinesas decretam estado de emergência” ou ainda “passar um dia em Pequim equivale a fumar 40 cigarros”. Além de impressionada, devido aos trabalhos de ecoeficiência, com análises de emissões de carbono, pegada hídrica, gestão de resíduos e energia que tenho realizado junto a grandes empresas no Brasil, não pude deixar de refletir um pouco mais sobre o tema. A frase mais latente em meus pensamentos é de  Sheryl Crow  que diz “O melhor tipo de energia alternativa é aquela que nem sequer é usada.”, mas seria isso possível?

Segundo 3º Relatório Global Global da ONU sobre o assunto, lançado em 2016, “a poluição do ar representa o maior risco ambiental à saúde. Ela é responsável por mais de 3 milhões de mortes prematuras no mundo todos os anos.” O mesmo estudo afirma também que o Brasil não é dos piores países no ranking, mas poderia estar melhor.

Em contraponto, a Conferência das Nações Unidas pelo Clima (COP 21) de 2015 listou o Brasil entre os 10 países mais poluidores do mundo. No estudo Global Top 10 Greenhouse Gas Emitters, o país apareceu como o sétimo maior emissor do mundo. No mesmo período o  Brasil firmou acordo climático bilateral com os Estados Unidos, que incluiu “metas como 20% na inclusão de fontes renováveis na matriz energética brasileira e fim do desmatamento ilegal. Iniciativas para mitigar as mudanças climáticas são fundamentais, uma vez que o país pode deixar de apresentar o bom desempenho na redução de emissões que vinha mostrando até agora.” No entanto, qual será a postura do governo brasileiro frente as novas medidas menos sustentáveis que possivelmente serão propostas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Convenhamos que a problemática não é simples. A energia nas suas mais diversas formas, é indispensável à sobrevivência da espécie humana. E mais do que sobreviver, o homem procurou sempre evoluir, descobrindo fontes e maneiras alternativas de adaptação ao ambiente em que vive e de atendimento às suas necessidades. Como preparar alimentos sem fogão e conservá-los sem usar a geladeira? A lavagem de roupas é muito mais fácil e rápida usando-se máquinas de lavar, a limpeza da casa é mais bem feita com o uso do aspirador. E os meios de transporte, os carros, os ônibus, que tanto facilitam a vida do trabalhador?

A poluição do ar representa o maior risco ambiental à saúde. Foto: Shutterstock

 

Como imaginar uma fábrica dependendo apenas d o trabalho manual dos operários? Ou a abertura de uma estrada sem tratores ou máquinas de terraplanagem? Ou ainda a construção sem guindastes, as siderúrgicas sem fornos e as fazendas sem máquinas agrícolas? Difícil não é mesmo? No entanto o nosso dilema realmente se intensifica quando pensamos que em sua grande maioria as fontes de energias tradicionais como petróleo, carvão mineral e gás natural são poluentes e não-renováveis.

No Brasil, mais de 80% da população vive na zona urbana. A grande maioria desse contingente está na periferia dos grandes centros urbanos, onde as condições de infra-estrutura são deficitárias.  Apesar da grande extensão territorial do país e da abundância de recursos energéticos, há uma grande diversidade regional e uma forte concentração de pessoas e atividades econômicas em regiões com problemas de suprimento energético.

As emissões brasileiras, ao contrário dos líderes do ranking, estão divididas quase igualmente entre os setores de energia, com 469.7 Mt CO₂e, e agricultura, com 444.4 Mt CO₂e. Indústria e resíduos também são fontes de emissão no Brasil.

Lembremos que ao contrário do que acontece em muitos outros países, no Brasil a maior fonte de energia são as hidrelétricas. Embora esse cenário venha mudando, vale lembrar que no Brasil em 1994, as usinas hidrelétricas produziam 91% da energia elétrica do país, o consumo de energia proveniente dessa fonte cresceu ao longo dos anos, com a construção de usinas gigantescas como a de Itaipu e Tucuruí. E quem mais recentemente não acompanhou os impasses de Belo Monte?

Parte significativa dos recursos energéticos está disponível em regiões pouco desenvolvidas e distantes dos grandes centros urbanos, sujeitos a restrições ambientais e movimentos sociais, ambos legítimos. Portanto, é essencial que tenhamos o conhecimento dos recursos energéticos disponíveis, das tecnologias, de como podemos aproveitar e reaproveitar energia e quais são as demandas setoriais e regionais do país.

Na atualidade, entre trancos e barrancos o Brasil tem buscado se destacar positivamente. Segundo o Ministério de Minas e Energia quando considerada a oferta interna de energia brasileira – toda a energia necessária para movimentar a economia – a estimativa para 2016 foi que as renováveis iriam contribuir com 43,5%, indicador superior aos 41,2% verificados em 2015. Nas previsões, a fonte hidráulica destacava-se, elevando sua participação de 64% (2015) para 69,5% (2016) na matriz de oferta de energia elétrica, e de 11,3% para 12,5% na matriz de oferta interna de energia. Até abril de 2016, a oferta hidráulica apresenta crescimento de 7,7%.”

A energia eólica é uma das mais importantes fontes de energia renovável, o que a torna a grande esperança para um futuro promissor do mix energético que atenderá à demanda do Brasil. Pesquisas recentes afirmam que o Brasil tem um potencial técnico viável de geração eólica de 60 mil MW, no fi­nal de 2010 haviam, 1.400 MW instalados – pou­co acima de 2% do potencial eólico do país. Entretanto as oportunidades para o desenvolvimento de projetos de geração a partir de energia eólica são imensas e já começam a ganhar volume significativo. Algumas regiões estão sendo objeto de estudos e me­dições para instalação de parques eólicos as localidades onde o aproveitamento dos ventos é favorável, como toda a costa do Nordeste brasileiro e os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O fator de capacidade para os ventos do Brasil chega, em certas localidades, a 45%, enquanto em alguns países que já possuem plantas eólicas instaladas esse índice é inferior a 35%. Outra importante fonte de energia sustentável é a co-geração a partir de resíduos orgânicos. Novas tecnologias de co-geração tornaram o processo 30% mais eficiente do que métodos convencionais. Além disso, a queima de lascas de eucalipto e bagaço de cana-de-açúcar viabiliza a autossuficiência energética para muitas indústrias de setores, como papel e celulose e sucroalcooleiro. E a energia solar, mesmo em pequeníssimas escalas, também tem ganhado destaque.

Não podemos nem devemos repetir os caminhos da China. Nesse sentido, existe a necessidade urgente de questionarmos e revermos os principais fatores que contribuem para a crescente demanda por energia, com destaque para as atividades econômicas, o sistema de urbanização e o estilo de vida. Afinal, somente através de mudanças substanciais nessas áreas nos permitirão uma maior utilização de tecnologias mais limpas e fontes renováveis, hoje ainda insuficientes e/ou não tão eficientes para atenderem nossos altos padrões de consumo, dado que ainda existem limitantes técnicos e/ou econômicos para sua maior disseminação.

Os desafios para continuar expandindo o setor energético com menores efeitos aos Quatro Princípios de Sustentabilidade (biodiversidade, solos vivos, cadeias alimentares, Ciclos biogeoquímicos) são grandes, sabendo-se que é praticamente impossível eliminar totalmente os impactos, para qualquer que seja o sistema energético. Entretanto, existem alternativas diferenciadas que se destacam especialmente por não liberar (ou liberar pouco) gases ou resíduos que contribuem para o aquecimento global na produção e/ou consumo, as chamadas “energias limpas”. É fundamental termos um maior compromisso e esforço por parte dos setores público e privado para trilhar um caminho mais sustentável. (#Envolverde)

* Liliane Rocha é diretora Executiva da empresa Gestão Kairós (www.gestaokairos.com.br), mestranda em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Extensão de Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Gestora com 11 anos de experiência na área de Responsabilidade Social tendo trabalhado em empresas de grande porte – tais como Philips, Banco Real-Santander, Walmart e Grupo Votorantim. Escreve mensalmente para a Envolverde sobre Diversidade. 

Seriam as empresas o nosso Frankstein?

Por Liliane Rocha* 

Vendo alguns estudos da OIT é impossível não notar o quanto a violência no mundo do trabalho por vezes parece aumentar, principalmente em tempos pautados pelo discurso da “crise econômica” são ocorrências de assédio moral, demissões em massa sem justificativas econômicas plausíveis e uma linha cada vez mais invisível entre vida profissional e pessoal.

Não é raro hoje, aliás, é regra, que ao chegarmos em uma empresa de grande porte, encontremos diversas câmeras instaladas que nos lembram Foucault em “Vigiar e Punir”, pois percebemos a existência de mecanismos de controle e vigilância por toda parte. Ou seja, todos precisam estar constantemente, sendo vigiados como se fosse pressuposto que alguém em algum momento fará algo de errado e precisará ser punido.

Fatores como estes demonstram que muitas das empresas não tem cumprido seu papel social, nem mesmo da porta para dentro, com seus próprios colaboradores. Esta conclusão só é válida quando o ponto central da nossa reflexão são as condições de bem estar e qualidade de vida do ser humano. Está evidente que se o ponto central nesta linha de raciocínio fosse o crescimento econômico, as corporações poderiam ser consideradas muito saudáveis, afinal têm demonstrado, cada dia mais, mesmo com a suposta crise, bom desempenho financeiro e rendimento.

Contudo, se pensarmos que as organizações, assim como todas as estruturas sociais, foram feitas pelo homem, e deveriam, portanto, suprir as suas necessidades, chegamos à conclusão de que estamos criando um “monstro”. Cabe aqui uma analogia com o Frankstein, a criatura que destrói seu próprio criador.

Foto: Shutterstock

 

Quando ampliamos esta análise para as relações externas, expressas no relacionamento das empresas com seus diversos stakeholders, o quadro se torna ainda mais preocupante, pois ainda hoje não podemos dizer que foi firmado um consenso sobre ser ou não obrigação das empresas desempenhar um papel ético, moral e social junto à comunidade nas quais estão inseridas, ao meio ambiente, do qual estão extraindo suas matérias primas, e junto à sociedade em geral.

Tudo que foi citado até este ponto foi para reforçar como em muitos casos o social ainda está apartado do econômico. O mais intrigante em tudo isso é que as organizações não são organismos vivos, mas sim instituições criadas e compostas por seres humanos, um coletivo de indivíduos que juntos compõe e formam as empresas. E, portanto concluir que as organizações não servem aos seres humanos, mas sim a um sistema é algo que deve causar muito estranhamento.

Certamente a integração do social e do econômico, com o ser humano no centro da estratégia de negócio, não só é possível como também é necessária. E hoje o anseio por essas transformações tem se refletido no mundo com o nome de sustentabilidade. Cada vez mais pessoas e organizações compreendem que em um mundo de profissionais insatisfeitos, de comunidades miseráveis e de escassez ambiental nenhum crescimento econômico será suficiente para assegurar a continuidade da espécie humana.

Conciliar fatores econômicos e sociais, não somente é possível, como também necessário. Já começamos a trilhar esse caminho colocando em prática estratégias de sustentabilidade, contudo há necessidade ainda de aprofundar, consolidar. Cabe a todos nós a função de olhar para as empresas, recriá-las, transformá-las e, de alguma forma, fazer com que cumpram seu papel fundamental que é servir bem as necessidades e anseios da humanidade. (#Envolverde)

* Liliane Rocha é diretora Executiva da empresa Gestão Kairós (www.gestaokairos.com.br), mestranda em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Extensão de Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Gestora com 11 anos de experiência na área de Responsabilidade Social tendo trabalhado em empresas de grande porte – tais como Philips, Banco Real-Santander, Walmart e Grupo Votorantim. Escreve mensalmente para a Envolverde sobre Diversidade. 

ESPM: curso de férias sobre empreendedorismo social 

Como a valorização das diferenças pode gerar valor no marketing estratégico empresas!

São Paulo, 07 de dezembro de 2016 – O curso será realizado de 16 a 19 de janeiro, das 19h30 às 22h30, na R. Joaquim Távora, 1240, Vila Mariana. “Diversidade no Marketing. Sendo inclusivo e não preconceituoso. busca expandir a compreensão sobre questões teóricas e práticas relacionadas a diversidade na estratégia de comunicação, marketing e publicidade e propaganda das empresas, bem como no desenvolvimento de produtos e serviços de forma a assegurar a criação de valor e satisfação junto a públicos diversos (gênero, etnia, orientação sexual, pessoas com deficiência, diferentes idades, religiões). Além de assegurar a abrangência da população e a geração de valor.

As aulas serão ministradas pelo professor da Graduação e MBA da ESPM, nas questões de ética, responsabilidade socioambiental, empreendedorismo, empreendedorismo social e terceiro setor, Marcus Nakagawa e Liliane Rocha, experiente na área de Sustentabilidade e Diversidade em empresas de grande porte. “O curso foi idealizado para executivos de marketing, comunicação e relações públicas, empreendedores e gestores que queiram aprender mais sobre como associar a diversidade ao marketing e a comunicação, favorecendo a criação de vínculo entre a marca e os públicos de diversidade”, explica Nakagawa. É também indicado para profissionais de comunicação de organizações sociais focadas em diversidade.  Segundo Liliane Rocha “É fundamental compreender a Diversidade como aspecto estratégico da construção da marca, reputação e posicionamento da empresa, assegurando vantagem competitiva para os negócios e a construção de um mundo melhor”.

As 12 horas de aula serão dinâmicas e com diversos estudos de casos, além de debates. Entre os assuntos abordados estão:

  • Problemas do mundo e a Sustentabilidade Empresarial?
  • Ética, Direitos Humanos e Responsabilidade Social Empresarial;
  • O que é Diversidade;
  • Como o marketing e a comunicação das empresas têm trabalhado;
  • Diversidade e casos;
  • Grupos de Diversidade;
  • Estudos de casos de sucesso e não sucesso.

Marcus Nakagawa é professor da Graduação e MBA da ESPM, nas questões de ética, responsabilidade socioambiental, empreendorismo, empreendedorismo social e terceiro setor; palestrante de sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida para empresas como Unimed, Senac, Sindicredi, entre outros; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade; sócio-diretor da iSetor, empresa de gestão administrativa e financeira/ projetos para empreendedores empresariais, culturais e sociais com clientes como a Fundação Telefônica, Farofa.la, Trash 80’s, Instituto Akatu, Instituto Ressoar da Rede Record, Adecoagro, Sebrae, entre outros; professor convidado do MBA da UNIP e do Master – Pós MBA da B.I. International.

Mestre em Administração como o foco em Sustentabilidade na Estratégia de Negócios das Empresas (PUC-SP), pós-graduado em Administração (ESAN-UNIFEI) e graduado em Propaganda e Marketing (ESPM-SP).

Liliane Rocha é mestranda em Políticas Públicas tem 12 anos de experiência na área de Responsabilidade Social e Diversidade em empresas de grande porte – tais como Philips, Banco Real-Santander e Walmart– e organizações do Terceiro Setor, tendo prestado consultoria para Pepsico, Votorantim e Grupo Pão de Açúcar. Tendo sido, Gestora Global América Latina (Brasil, Peru e Colômbia) de Responsabilidade Social na Votorantim Metais. Atualmente proprietária e Diretora Executiva da Gestão Kairós, tendo prestado consultoria para: Coca-Cola Femsa, Leão Alimentos e Bebidas, Fundo Baobá de Equidade Racial, Serasa, Anglo, entre outros. Sócia-Diretora do Site Diversidade Global de 2007 a 2014.

Serviço

Curso: Diversidade no Marketing. Sendo inclusivo e não preconceituoso.
Datas: de 16 a 19 de janeiro
Carga horária: 12 horas

Investimento: R$ 1.210,00 à vista.
Local: R. Joaquim Távora, 1240, Vila Mariana

Informações: (11) 5081-8200 ferias@espm.br

Inscreva-se aqui.

Sobre a ESPM

Fundada em 1951 com o nome Escola de Propaganda do MASP e sob o slogan ‘Ensina quem faz’, a ESPM tinha como filosofia, mantida até hoje, reunir profissionais do mercado para ministrar seu curso, associando a prática com a teoria. Em pouco tempo já era reconhecida como uma das principais instituições de ensino do País.

A partir de 1974, deu início à sua expansão, inaugurando a ESPM Rio, no Rio de Janeiro. Em 1978 viriam os cursos de pós-graduação e, em 1985, inaugurou a ESPM Sul, em Porto Alegre. Considerada um centro de excelência no ensino de Comunicação, Marketing e Gestão, a oferta de novos cursos de graduação era o caminho natural a ser seguido. E desta forma, a ESPM ampliou seu portfólio: Administração (1991); Design (2004); Relações Internacionais (2006); Jornalismo (2011); Sistemas de Informação em Comunicação e Gestão (2014); Cinema e Audiovisual (2015); e Ciências Sociais e do Consumo (2015). O início do século XXI também ficou marcado pela introdução dos programas de mestrado e doutorado.

O toque de recolher das mulheres brasileiras

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Uma mulher é violentada a cada 11 minutos. Foto: Shutterstock

Por Liliane Rocha*

Antes de escrever esse artigo pensei durante dias, aliás meses. Afinal o que dizer? A violência contra as mulheres de uma forma ou outra já tem estado na pauta, dados que há anos eu acompanho, recentemente foram transmitidos a exaustão pela mídia “uma mulher é violentada no Brasil a cada 11 minutos”. Também me impus um desafio. Não queria dizer algo que só as mulheres fossem ler ou se sentir tocadas. Queria falar algo que pudesse alcançar também os homens.

Sim, sei bem que há mulheres machistas e homens feministas. No entanto, sabemos da dificuldade que muitos homens encontram em meio aquele bate papo com os amigos em colocar a sua opinião, rechaçar uma piada equivocada, e chamar a atenção do brother por um comentário que fere o direito das mulheres. E certamente esse envolvimento dos homens com o tema é fundamental, pois o estupro de uma mulher é o ponto final de um caminho de validação social percorrido ao longo da sua vida, no qual de uma forma ou de outra, houve o endossamento da figura da mulher como um ser que pode ser aviltado no íntimo de sua integridade, no direito de decidir o que faz ou não com o seu próprio corpo.

Agora não dá mais. Resolvi escrever. Qualquer coisa que possa gerar algum impacto. Porque acho que as pessoas não se dão conta da triste realidade. Se uma mulher é violentada a cada 11 minutos e o Brasil teve 47 mil casos de estupro em 2015. Você já parou para pensar quem são essas mulheres? Estaria uma delas ao seu lado?

Trabalho com Diversidade. E de 2 anos para cá, uma das coisas que isso representa na minha vida, é que cada vez que alguém do meu círculo próximo (alguém que eu conheça ou conhecidos de conhecidos) sofre alguma violação de direitos, a primeira pessoa da qual eles ou elas lembram sou eu. Para a minha alegria, pois posso ajudar as pessoas, mas também para a minha tristeza, pois ao contrário das pessoas em geral não posso me dar ao luxo de me alienar da face mais cruel do nosso país, como por exemplo, o absurdo dos recorrentes estupros da nossa sociedade.

É o melhor amigo da época do colégio que liga dizendo que na festa da turma, um amigo violentou uma amiga que bebeu demais e havia apagado. E a conhecida que me procura dizendo que sofreu a violência e não sabe o que fazer. E a colega que conta o caso da vizinha de 6 anos violentada na festa de aniversário dos pais dela por um grande amigo do próprio pai.

Não acompanho pelos noticiários. E sim no dia-a-dia. Sei os rostos, as rotinhas, os costumes. Sei que são pessoas normais, como eu e você, que nunca na vida acharam que passariam por esse horror. Sua vizinha. Sua irmã. Sua amiga. Sua filha. Aquela pessoa que está ao seu lado e você nunca saberá que foi violentada porque as vítimas não querem falar do assunto. Afinal, sofrem 4 violências contundentes: a do ato em si, a do mal atendimento da polícia despreparada para atender o caso, mesmo se for na delegacia da mulher (já acompanhei casos pessoalmente), a da sociedade que julga. Julga a roupa, julga o comportamento. Julga tudo, mesmo quando não há o que se julgar. Menos o homem que cometeu o crime. E por fim, o de saber que as estatísticas apontam a forte possibilidade da impunidade do agressor.

Pensei em intitular esse artigo de “essa mulher abusada está ao seu lado”, pois queria chamar a atenção das pessoas ao fato de que isso não acontece “à outra”. Aquela que não conhecemos e nunca veremos. Não! Com essa estatística a chance de que haja alguém próxima de você, no seu círculo de relacionamento que já tenha passado por isso e você não saiba é imensa. Esse não é o tipo de coisa que uma mulher coloca no outdoor.

No entanto, optei o título relacionado ao toque de recolher, porque quis chamar a atenção ao fato de que é impossível uma mulher se sentir segura no Brasil de hoje. Nos preocupamos com o horário que saímos e chegamos, com que roupa estamos vestindo, com o fato de haver pessoas ou não na rua. Nos preocupamos em pegar uma carona, beber um drink que possa estar batizado ou mesmo de baixar a guarda entre amigos. É um verdadeiro toque de recolher social, que não está escrito em lugar nenhum, mas faz parte das normas sociais. Até quando? Isso só muda se você mudar. (#Envolverde)

* Liliane Rocha é diretora Executiva da empresa Gestão Kairós (www.gestaokairos.com.br), mestranda em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Extensão de Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Gestora com 11 anos de experiência na área de Responsabilidade Social tendo trabalhado em empresas de grande porte – tais como Philips, Banco Real-Santander, Walmart e Grupo Votorantim. Escreve mensalmente para a Envolverde sobre Diversidade. 

Teria o capitalismo matado a democracia?

Por Liliane Rocha*

Dēmokratía “governo do povo”. 

“Vivemos em uma democracia”, “Avançamos na democracia e não podemos regredir”. Em tempos de complexidade política, pressões da sociedade civil e um governo que tem sido fortemente questionado, frases como estas estão na agenda do dia a dia do brasileiro. E mais do que isso, a democracia como base fundamental para a promoção do desenvolvimento alcançado pelo país ao longo dos últimos anos. Essa linha de livre pensamento é quase unanimidade, mas o que você diria se eu te contasse que ao longo da história da humanidade nem sempre a democracia foi consenso entre os pensadores, filósofos e políticos? Pode ser difícil acreditar, mas grandes referências que tem norteado a reflexão e o imaginário coletivo tais como Platão, Aristóteles, Locke, Montesquieu e mesmo Rousseau não eram a favor da democracia. Simplesmente porque não consideravam que este sistema seria capaz de manter a ordem e a segurança tão necessárias a nossa convivência coletiva.

O que mencionei te surpreender, principalmente porque foi dito de súbito, por isso, voltemos alguns passos atrás e analisemos tanto a democracia como o desenvolvimento de forma gradativa e ao longo da linha do tempo.  Se hoje todos bradam a democracia como valor e base social, por vezes usando o termo a exaustão e mesmo esvaziando-o de sentido, nem sempre foi assim. O termo foi criado no século V A.C, na Grécia antiga, e significa em sua análise semântica “governo do povo” ou “poder que emana do povo”. Demos significa povo e cratos poder. Surgiu como uma definição oposta ao termo aristocrata “organização sociopolítica baseada em privilégios de uma classe social formada por nobres. Ou seja, um governo de poucos”.

Contudo, o entendimento de povo na Grécia antiga estava muito distante do que aplicamos na atualidade. Eram excluídos mulheres, estrangeiros e escravos (pobres). Neste sentido, já poderíamos fazer aqui uma crítica à democracia da época. No entanto, o que fazia com que filósofos como Platão e Aristóteles fossem contra a democracia, não era este aspecto da inclusão versus a exclusão que salta aos nossos olhos. E sim, eram contra a democracia, devido ao fato de acreditarem que esta não era a forma mais eficaz de se obter ordem social e segurança. Ambos os filósofos consideravam os regimes autoritários mais eficientes quando o assunto era a regulamentação social entre ricos e pobres, por isso defendiam a aristocracia ou a monarquia como regime adequado à melhor governança, gestão da sociedade e capaz de assegurar condições básicas de convivência social.

A partir do século XIX, a Revolução Francesa torna a difundir a democracia, desta vez fortemente atrelada à conceituação de Direitos Humanos, contudo o discurso permanecia longe da prática ou de se tornar uma realidade efetiva. Há inclusive referências que mencionam a democracia como “uma ditadura da maioria”. A expressão evidencia o pânico que havia (e há até hoje) entre as classes sociais mais abastadas de que o empoderamento da coletividade representasse a implantação de um governo autoritário conduzido pelo povo.

Contudo, para refletir a democracia e o capitalista tal qual temos hoje no Brasil e no mundo é essencial analisar também a influência americana sobre esse conceito ao longo do século XX. Principalmente porque ao longo destes anos os Estados Unidos porque certamente podemos afirmar que este país influenciou muito a estrutura política e social do Brasil. Neste sentido o documentário da BBC de 2002, “O século do Ego”, traz uma contribuição brilhante para este diálogo, pois traça uma linha do tempo associando a democracia à construção da sociedade americana.

Nos anos 20, Edward Bernays, sobrinho de Freud, sim o pai da psicanalise, era o Relações Públicas oficial do Governo Americano e clamava ter desenvolvido as técnicas, estimulando os desejos das pessoas e associando-os a produtos de consumo. Criava-se naquele momento um novo modo de controlar a força irracional das massas, conhecido como engenharia do consentimento. A democracia para ele era um conceito maravilhoso, mas ele não via as massas como tendo um julgamento confiável, por isso a massa tinha que ser guiada por cima.  “O que surgiu no século 20 nos EUA foi uma nova ideia de como lidar com democracia de massa. Ao centro estava o sujeito do consumo que não só fazia a economia funcionar, mas que também era feliz e dócil, criando assim uma sociedade estável. A noção fundamental de democracia é sobre mudar as relações de poder que dominaram o mundo por tanto tempo. E o conceito de democracia lançado pelos Estados Unidos nos 20 é sobre manter as relações de poder.” Século do Ego, 2002.

]O ápice desta concepção ocorreu em meados de 1936 quando Edward Berneys, desta vez contratado pelas grandes empresas americanas com o objetivo de deflagrar guerra ideológica ao New Deal, começou a trabalhar exaltando ligação entre a democracia e os negócios na América. Em 1939 na Feira Mundial de negócios, construiu ao centro um monumento enorme chamado DemoraCity.

Mas afinal, trazendo essa reflexão para o Brasil de 2015, após refletir a gênesis. Como anda a democracia na atualidade? Será que quanto mais avançada for uma economia, mais democrática ela tenderá a ser?

Para reforçar essa perspectiva, analisemos ponto a ponto o Brasil de 2015. O cenário já começa a ficar nebuloso quando falamos dos Direitos Civis, lembrando, propriedade, vida, liberdade e respeito. Neste aspecto o país está claramente em progresso, mas não consolidado, pois persiste ainda a problemática de qual a camada social a qual o indivíduo pertence, sendo quanto mais pobre mais seus direitos civis são fragilizados e desrespeitados. Certamente ainda não há educação, saúde e segurança para todos. A depender da cidade em qual o cidadão vive, da sua etnia, da sua renda e até do seu gênero, as vulnerabilidades em termos de direitos civis são gritantes.

Façamos um breve recorte de Direitos Civis para gênero (mulheres) e etnia (afrodescendentes). Segundo o fórum mundial dentre 189 países o Brasil ocupa a Brasil ocupa 62ª posição no Ranking de desigualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, 76% da renda dos homens, e se esta desigualdade permanecer a tal almejada igualdade chegará somente em 2095. Mulheres brasileiras ocupam 8,6% da Câmara dos Deputados. No Senado 16%. Em 2014 foram cerca de 480 mil denuncias feitas por mulheres que estão sofrendo violência doméstica são agressões físicas, violência psicológica, moral, cárcere privado e violência sexual. E a cada 12 segundos uma mulher sofre violência no Brasil.

Para afrodescendentes temos que no Congresso brasileiro temos 5% de negros. Segundo dados de 2010 há uma epidemia de morte de jovens negros no Brasil, pois apesar de negros/as comporem pouco mais da metade da população brasileira, eles representam 75% dos casos de homicídio no país. Sabemos que ainda hoje no Brasil a renda dos negros chega a ser 60% menor do que a dos brancos. Segundo o IBGE 2012, do total de 16 milhões de brasileiros na extrema pobreza, a grande maioria é negra ou parda.

Ainda no Brasil 0,9% mais ricos do País detêm entre 59,90% e 68,49% da riqueza dos brasileiros. E dados as notícias de corrupção que tivemos no país esse ano, a exemplo da Operação Lava Jato, podemos inferir que os detentores da riqueza do país tem negociado entre si, representantes do governo e das empresas, para manter os privilégios de poucos, em detrimento dos direitos de muitos, ou melhor, dizendo do povo.

Concluindo e reforçando, os dados históricos realmente elucidam o desenvolvimento capitalista como propulsor da democracia como forma de governo. E sim, temos no Brasil uma democracia que tem se fortalecido e efetivado ao longo dos anos. Todavia hoje, possivelmente não seja o fortalecimento do desenvolvimento capitalista que reforçará a democracia definida. Simplesmente porque o desenvolvimento capitalista enquanto crescimento econômico (sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, com o principal objetivo de adquirir lucro) tem servido aos interesses de poucos. E se persistimos nesta trajetória poderemos ter certeza que se o capitalismo ainda não matou deliberadamente a democracia, o fim está próximo. (#Envolverde)