Mulheres ainda enfrentam desigualdade no acesso a empregos e educação

Por Redação da ONU Brasil – 

Meninas e mulheres devem ser encorajadas a seguir a carreira que quiserem, afirmou nesta quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. A chefe da agência das Nações Unidas alertou que elas ainda enfrentam desigualdades no acesso a empregos dignos e à educação de qualidade, sobretudo porque gastam mais tempo que os homens em tarefas domésticas.

Meninas e mulheres devem ser encorajadas a seguir a carreira que quiserem, afirmou nesta quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. A chefe da agência das Nações Unidas alertou que elas ainda enfrentam desigualdades no acesso a empregos dignos e à educação de qualidade, sobretudo porque gastam mais tempo que os homens em tarefas domésticas.

“Queremos construir para as mulheres um mundo do trabalho diferente. Conforme as meninas cresçam, elas devem ser expostas a um vasto leque de carreiras e encorajadas a fazer escolhas que as levem além dos serviços tradicionais e de cuidado, para profissões na indústria, na arte, no serviço público, na agricultura modera e na ciência”, disse Phumzile.

Mulheres passam até 2,5 vezes mais tempo do que os homens cuidando da casa e de parentes, sem receber nada por isso.

Mulheres nepalesas. Foto: Banco Mundial/Stephan Bachenheimer

 

“Em muitos casos, essa divisão desigual do trabalho vem às custas do aprendizado dessas mulheres e meninas, de atividades remuneradas, do envolvimento nos esportes ou na liderança de comunidades”, acrescentou a dirigente da agência da ONU.

Para Phumzile, é necessário mudar a forma como crianças são educadas na família, na escola e pelos meios de comunicação. O objetivo deve ser quebrar estereótipos e impedir que os jovens aprendam “que as meninas têm de ser menos, ter menos e sonhar menos que os meninos”.

A chefe da ONU Mulheres lembrou que, no mercado de trabalho, homens ganham em média 23% mais que as mulheres por trabalhos de igual valor. Em certos segmentos populacionais, como negros vivendo nos Estados Unidos, o índice sobre para 40%.

 

Cobrando mais oportunidades de emprego decente e educação, Phumzile alertou ainda que as disparidades de gênero estão se perpetuando em novos setores. “Atualmente, apenas 18% dos diplomas de graduação em ciências da computação foram concedidos para estudantes mulheres”, afirmou. Apenas 25% da mão de obra das indústrias de tecnologia é feminina.

A dirigente pediu ainda políticas públicas e empresariais para adequar a rotina de trabalho às necessidades de mulheres. Uma recomendação é a instituição da licença trabalhista tanto para mães quanto para pais de recém-nascidos.

Phumzile acrescentou que governos devem estar atentos às vulnerabilidades de mulheres que trabalham no setor informal. “Isso exige implementar políticas macroeconômicas que contribuam para o crescimento inclusivo e acelerem significativamente o progresso para as 770 milhões de pessoas vivendo na pobreza extrema”.

Em 2017, o tema escolhido pela ONU para lembrar o Dia Internacional é “Mulheres no Mundo do Trabalho em Evolução: Um Planeta 50-50 até 2030”. A data será marcada com eventos na sede da ONU em Nova Iorque, onde especialistas, dirigentes da ONU, representantes dos Estados-membros e celebridades se reunirão para celebrar o empoderamento feminino.

Saúde sexual e reprodutiva

Também por ocasião da data, o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, fez um apelo à comunidade internacional para que garanta o acesso de todas as mulheres a serviços de saúde sexual e reprodutiva.

Entre as consequências da persistente desigualdade entre homens e mulheres, estão graves violações dos direitos humanos, alertou o dirigente.

“Tomemos como exemplo o fato de que, todos os anos, dezenas de milhares de meninas são forçadas a se casar — um terço delas, aproximadamente — antes de completarem 15 anos. Ou que uma em cada três mulheres sofrem violência de gênero. Cerca de 200 milhões de mulheres já passaram pela mutilação genital feminina”, alertou o chefe da agência.

Jovem de Burkina Faso recebe métodos contraceptivos em Burkina Faso. Foto: UNFPA

 

Osotimehin lembrou que “há 225 milhões que, mesmo querendo, não conseguem planejar suas vidas reprodutivas”. “Por isso, estão impossibilitadas de decidir se querem ter filhos ou não e quando tê-los”, afirmou.

Para o chefe do UNFPA, “assegurar o acesso universal ao planejamento reprodutivo voluntário significa colocar as mulheres e meninas mais pobres, marginalizadas e excluídas em primeiro plano”. “Mulheres e meninas que podem fazer escolhas e controlar suas vidas reprodutivas são mais propensas a conseguir melhor educação, trabalhos decentes e tomar decisões com liberdade e informação em todos os âmbitos de suas vidas”, frisou.

Mercado de trabalho

A chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, ressaltou que as mulheres têm 50% menos chances que os homens de ter empregos remunerados em tempo integral.

“As mulheres estão super-representadas no trabalho vulnerável e informal, muitas vezes sem proteção social, e são sub-representadas na gestão do setor corporativo, detendo apenas 22% das posições seniores de liderança nas empresas”, afirmou a dirigente em mensagem para o dia.

Clark destacou ainda que, das 173 economias incluídas no relatório de 2016 do Banco Mundial sobre “Mulheres, Negócios e Direito”, ao menos 155 possuem no mínimo uma lei que discrimina mulheres.

“Ainda existem países onde as mulheres não têm o direito de se divorciar, herdar propriedades, possuir ou alugar terras, ou ter acesso a crédito”, criticou. “Chegou a hora de eliminar as barreiras à igualdade de gênero no mundo do trabalho e em todas as outras esferas.”

Menina em sala de aula na Guatemala. Na América Latina e no Caribe, mais de 78% das mulheres com emprego ocupam postos de setores da economia considerados de baixa produtividade. Foto: Banco Mundial/Maria

 

Em artigo de opinião publicado para a data mundial, a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, apontou que 78,1% das mulheres empregadas na região atuam em setores definidos como de baixa produtividade. São as áreas da atividade econômica com as piores remunerações, menor contato com novas tecnologias e, em muitos casos, empregos de baixa qualidade.

A chefe do organismo regional lembrou ainda que “uma em cada três mulheres na América Latina e no Caribe ainda não tem uma fonte de renda própria”. “A isso se soma o fato de que 26% das mulheres maiores de 15 anos de idade na região recebem menos de um salário mínimo”, acrescentou.

Para combater a pobreza e a precariedade, Bárcena recomendou “propostas como a renda básica universal ou a regulação e fiscalização do salário mínimo em determinados setores altamente feminizados que hoje não têm amparo legal algum”. Segundo ela, essas “são ferramentas que permitiriam ampliar e melhorar o acesso das mulheres à renda”.

Violência

Em mensagem para o Dia Internacional, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, lembrou que uma em cada três mulheres está sujeita à violência física na esfera privada.

No meio rural, 90% dos estupros ocorrem precisamente quando as mulheres estão em seu caminho para recolher água ou lenha.

“As mulheres devem exercer suas liberdades e ser capazes de fazer as próprias escolhas, controlar os próprios corpos e as próprias vidas, além de participar de decisões que definem o curso da sociedade, da mesma forma que os homens fazem”, disse Bokova.

A dirigente lembrou as palavras da ativista Gloria Steinem, dizendo que “a história da luta das mulheres pela igualdade não pertence a apenas uma feminista nem a uma organização, mas sim aos esforços coletivos de todos os que se preocupam com direitos humanos”.

Neste 8 de março, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, afirmou que “a violência bárbara contra mulheres e meninas é uma vergonha compartilhada”, da responsabilidade de todos.

“Seja em casa, no local de trabalho ou em prisões, mulheres devem se sentir seguras. Ninguém deveria viver desesperadamente com medo ou em situações de terror”, alertou o dirigente, que se comprometeu a acabar com a violência de gênero e a empoderar mulheres de todo o mundo.

Secretário-geral da ONU também se pronunciou

Em mensagem para a data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que “os direitos legais das mulheres — que nunca foram iguais aos dos homens em nenhum continente — estão se esvaindo”.

O dirigente máximo das Nações Unidas afirmou que a desigualdade de gênero tem sido agravada pelo machismo e pela misoginia, erroneamente justificados por valores culturais ou religiosos. “Nestes tempos turbulentos, com o mundo mais imprevisível e caótico, os direitos das meninas e mulheres estão sendo reduzidos, restritos e revertidos”, disse.

Confira na íntegra o pronunciamento do chefe da ONU clicando aqui.

(ONU Brasil/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site ONU Brasil.

Brasil avança nos ODS

Portal ONUBR –

No dia 1º de janeiro de 2016, a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável entrou em vigor em todo o planeta. O documento contém 17 objetivos e 169 metas que deverão ser cumpridas pelos Estado-membros da ONU ao longo dos próximos 14 anos. Os compromissos assumidos pela comunidade internacional substituem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo período de vigência se encerrou em 2015.

No Brasil, uma força-tarefa foi criada em 2014, um ano antes da adoção da nova agenda, para discutir os desafios trazidos pelo acordo. O organismo contava com representantes do governo federal e de agências da ONU com atuação no país.

Os integrantes se dividiram em 16 grupos temáticos, que apontaram os indicadores nacionais existentes que poderiam ajudar o país a monitorar o cumprimento das metas. O resultado foi o lançamento de uma publicação em setembro de 2015 sobre estatísticas brasileiras. O documento foi considerado a primeira contribuição do Brasil para a implementação da Agenda 2030 a nível nacional. Acesse aqui.

Ao longo de 2016, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mobilizou os governos de São Paulo, Minas Gerais, Pará, Piauí, Maranhão, Ceará, Paraíba, Bahia, Paraná e também do Distrito Federal a se comprometerem com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. De acordo com a agência, todas essas unidades federativas ou já adotaram estratégias locais para o tema, ou estão se preparando para alinhar suas políticas públicas à agenda da ONU.

Em outubro, o governo federal criou, por meio de decreto, a Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com a participação de representantes dos governos municipais, estaduais e federal, bem como da sociedade civil, o organismo desenvolverá iniciativas para garantir o cumprimento dos ODS e acompanhar os resultados.

Entre os resultados até agora, destaque para pesquisa feita com empresas do CBPG: 41% delas já desenvolvem ações com os ODS
Imagem: PNUD

 

No Legislativo, foi criada uma frente parlamentar para a Agenda 2030. Lançado em novembro, o comitê é formado por 210 deputados e dez senadores que ficarão responsáveis por melhorar as leis do país tendo em vista as metas das Nações Unidas.

O Tribunal de Contas da União também tem trabalhado pela implementação dos ODS. A Agenda 2030 foi adotada como parâmetro para auditorias temáticas feitas pelo organismo.

Setor privado

Segundo o PNUD, a aproximação com o setor privado é fundamental para garantir que a implementação dos ODS ocorra em diferentes esferas da sociedade. Nas duas últimas edições do encontro anual Social Good Brasil (2015/16), a agência da ONU apresentou a Agenda 2030 para investidores e empresas que atuam diretamente em negócios de impacto social.

Por meio do Fórum Pacto Global, realizado em novembro, empresas privadas discutiram as relações entre suas atividades produtivas e a Agenda 2030. Uma pesquisa divulgada pela Rede Brasil do Pacto Global revelou que, das empresas que compõem o Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG) – um pool de quase 40 organizações de referência na área de sustentabilidade, responsável pela gestão da Rede Brasil -, 41% delas já desenvolvem ações de desenvolvimento sustentável, e 35% estão em fase de planejamento para adequar operações aos ODS. (#Envolverde)

* Publicado originalmente pela ONUBR e retirado do site Pacto Global.

Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio

Em março, já estarão abertas as inscrições para o evento, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

Por Redação da Envolverde –

Para atender às solicitações e oferecer ainda mais vantagens aos congressistas, no início de março já estarão abertas as inscrições para o 2˚ Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, com preço promocional de lançamento. O objetivo é atender, principalmente, o público de outros estados que pretende se programar com antecedência. Em 2016, foram recebidos congressistas de 20 estados.

O tema principal deste ano será Liderança Globalizada, Empreendedora e Integrada e o evento acontece nos dias 17 e 18 de outubro, no Transamerica Expo, em São Paulo, que é responsável pela promoção, organização e realização do evento, que tem apoio institucional da ABAG, Associação Brasileira do Agronegócio, e coordenação de conteúdo da BioMarketing.

O Congresso é voltado para agricultoras, pecuaristas, cooperadas, profissionais da indústria, executivas de corporações do setor e herdeiras de propriedade agrícola, além de integrantes da cadeia do Agronegócio em geral. Ainda com mais força nesta edição, o evento prioriza a relevância feminina para o avanço inovador, rentável, sustentável e ético do Agronegócio.

Mulher trabalha em um campo de trigo no Nepal. Foto: Saliendra Kharel/FAO

 

Especialistas abordarão temas como gestão operacional em propriedades agrícolas e pecuárias, administração rural, marketing e comercialização, integração e cooperativismo, além de vários aspectos estratégicos como governança, sucessão, padrões de rentabilidade, planejamento, gestão tecnológica e de canais de distribuição, certificações, inovação, agricultura digital, questões fundiárias e legais.

Mais de 15 workshops práticos, cases de sucesso e plenárias serão conduzidos por acadêmicos, empresários e renomados profissionais do setor. Quanto ao público, são aguardados atuantes do setor antes, dentro e pós-porteira das fazendas, pesquisadores, produtores, técnicos agrícolas e estudantes, agrônomos, veterinários, biólogos, zootecnistas, executivos, vendedores, comunicadores, consultores e interessados no Agronegócio.

A pouco mais de 7 meses para o evento, a Agrichem já fechou um dos Patrocínios e as empresas Belgo Arames, Bradesco, Cieli di Toscana, FLC, Jacto, RCA e Tortuga|DSM já fecharam cotas de Apoio. Também foram firmadas Alianças Estratégicas com a Cocamar, a Farsul e o Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA).

Para ter acesso a mais informações sobre o 2˚ Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio consulte o site oficial do evento www.mulheresdoagro.com.br que está em fase de atualização e em março trará novidades. Visite a página do Facebook (https://www.facebook.com/mulheresdoagro/?fref=ts) ou, se preferir, fale com Renata Camargo, Executiva responsável pelo evento, através do telefone (11) 5643-3009.

(#Envolverde)

Onda de calor sobre São Paulo continua com temperaturas elevadas

Por Júlio Ottoboni*

O Sudeste brasileiro está tomado por uma onda de calor desde o início de fevereiro, que tem tudo para deter o recorde das mais elevadas temperaturas dos últimos anos. Para complicar o quadro, as altas temperaturas serão acentuadas nos próximos dias. A anomalia climática já é classificada como uma das mais longas e de temperaturas mais altas já registradas nos últimos tempos.

A partir do dia 20 de fevereiro, uma nova configuração nos sistemas atmosféricos promoveu uma intensificação do calor para os próximos dias, ou até mesmo para o final do mês.

O Serviço Nacional de Meteorologia da Argentina monitorou a ação da onda de calor que se atua sobre o país. A região de Buenos Aires e arredores e também de Rosário se encontram com temperaturas por volta de 35 graus. Caso intensifique o calor, será emitido um alerta de perigoso para bebês, crianças e pessoas com mais de 60 anos. A tendência é essa massa de ar quente e seco suba para regiões do Brasil e do Paraguai.

Segundo meteorologistas, um núcleo de alta pressão, situado na média troposfera, aproximadamente 5.500 metros de altitude, deve se posicionar sobre o continente, mas precisamente na porção Sul do país. Esse anticiclone provoca a descida do ar mais seco da parte superior da atmosfera para a parte baixa. Esse processo de descida comprime e aquece o ar, que se soma ao ar quente já existente nos baixos níveis da troposfera e  resultar em altas temperaturas no interior do país.

São Paulo também registrou novo recorde de calor no domingo (19), isso pelo segundo dia consecutivo. A temperatura máxima na capital paulista foi de 34,6°C superando os 33,9°C do sábado. Segundo a empresa de meteorologia Climatempo, a “ tarde deste domingo também foi a mais quente do verão 2016/2017 na cidade de São Paulo, superando a tarde do dia 26 de dezembro de 2016, quando a máxima foi de 34,4°C”.

As áreas urbanas de todo o mundo tiveram consideráveis aumentos das ondas de calor nos últimos 40 anos. Períodos prolongados de dias extremamente quentes cresceram em mais de 200 áreas urbanas de todos os continentes entre 1973 e 2012. E isso foi  intensificado nos últimos anos. As áreas urbanas de todo o mundo tiveram consideráveis em suas temperaturas médias devido a alteração de seus microclimas pela formação de ilhas de calor.

Esse foi o resultado da pesquisa publicada na revista científica Environmental Research Letters.  As ondas de calor, segundo os pesquisadores, são períodos compreendidos entre seis ou mais dias consecutivos,. Mas isso é variável de acordo com a região, em localidade na Europa é considerado a partir do terceiro dia de temperaturas elevadas para a época, podendo variar entre 5 até 10 graus acima da média histórica. Outro aspecto, as noites não se resfriam o suficiente e mantém a temperatura elevada.

O estudo mostrou que mais da metade das áreas estudadas apresentaram um aumento significativo do número de dias extremamente quentes e em mais de 65% dos casos ocorreu um aumento de noites extremamente quentes. As ondas de calor devem aumentar suas frequências e intensidades devido às anomalias climáticas provocadas pelo aquecimento global. Poucos vezes se viu o centro do anticiclone irradiador desta imensa onda de calor que varreu a porção mais austral da América do Sul tão próximo a Antártida.  As piscinas de água quente no Oceano Atlântico elevaram em demasia as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM), o que aumenta ainda mais o calor tanto da costa africana como em praticamente toda a costa e o interior do continente no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Segundo a Climatempo, desde o começo de fevereiro, as simulações do estado da atmosfera para o fim da primeira quinzena do mês indicavam uma grande redução da chuva no Sudeste. “ O motivo para a diminuição da chuva era uma nova aproximação e intensificação da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) sobre o país.

Como todo sistema de alta pressão atmosférica, a ASAS reduz a umidade no ar e consequentemente a nebulosidade e as condições para chuva. E cria um bloqueio atmosférico para a entrada de frentes frias e formação de chuvas. “ A resposta direta e imediata da atmosfera diante da redução da chuva é o aumento do calor”, alertou o comunicado da empresa. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

Ibama apreende 432 toras na fronteira com o Peru

Por Redação do Ibama –

Brasília (15/02/2017) – Ação integrada de fiscalização que envolveu Ibama, Exército, Fundação Nacional do Índio (Funai), Polícia Federal (PF) e Batalhão Ambiental da Polícia Militar (PM) do Amazonas na fronteira com o Peru resultou na apreensão de uma jangada com 432 toras de madeira e na aplicação de multa no valor de R$ 130,5 mil.

O flagrante ocorreu no rio Javari, em Atalaia do Norte (AM). Um peruano que transportava as toras de ucuúba, marupá, jacareúba, cedro, cedrorana, louro e samaúma foi abordado pela equipe de fiscalização e apresentou documentação peruana sobre a origem da madeira com informações inconsistentes. O estrangeiro não portava nota fiscal. Segundo a Funai, parte das toras foi extraída ilegalmente em território brasileiro, na Terra Indígena Vale do Javari, segunda maior do país, com 8,5 milhões de hectares.

Apreensão de toras na fronteira com o Peru em operação que envolveu Ibama, Exército, Funai, PF e PM do Amazonas. Foto: Ibama

 

A ação faz parte da Operação Javari, que combate o tráfico de biodiversidade na tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Peru). Na região, é recorrente o tráfico de madeira e de peixes ornamentais.

“O Ibama realiza frequentemente operações integradas de fiscalização com as Forças Armadas e outras instituições parceiras nessa área, que é estratégica para a proteção da biodiversidade. A reabertura da unidade técnica de Tabatinga vai intensificar a presença do Instituto na região”, disse o superintendente do Ibama no Amazonas, Geandro Pantoja.

Entre as madeiras transportadas foi encontrado o cedro, que está listado no apêndice III da Convenção Internacional sobre Comércio de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora (Cites). Por esse motivo, é necessária licença especial para entrada ou saída do país. As toras apreendidas, que chegaram nesta quarta-feira (15/02) a Benjamin Constant (AM), ficarão sob guarda do Exército até serem doadas. (Ibama/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site do Ibama.

Sistema de Cidades Inteligentes revoluciona o Aglomerado de Piracicaba

Inovação em Energia, Resíduos e Saneamento direcionara o Plano de Desenvolvimento Regional

Por Katherine Rivas –

Na procura de alternativas para a transformação dos centros urbanos em cidades inteligentes, vinte e três prefeituras que formam o Aglomerado Urbano de Piracicaba se reuniram nos dias 8 e 9 de fevereiro para debater estratégias de geração e investimento que conformaram o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da região.

Prefeito de Piracicaba debate alternativas com setor privado e financeiras

 

Em parceria com o Instituto Smart City, plataforma no cenário latino-americano integrada por empresários, gestores públicos e privados em favor da tecnologia e negócios das Cidades Inteligentes e representantes dos municípios do Aglomerado de Piracicaba, o seminário levou ao Teatro do Engenho iniciativas e discussões baseadas em 4 pilares: Energia, Resíduos, Saneamento e Tecnologia.

O Aglomerado nasceu em 2012. É uma das 4 regiões mais rentáveis do estado de São Paulo, com 1,4 milhões de habitantes e 3,26% da participação no PIB do estado formada pelos municípios: Águas de São Pedro, Analândia, Araras, Capivari, Charqueada, Conchal, Cordeirópolis, Corumbataí, Elias Fausto, Ipeúna, Iracemápolis, Laranjal Paulista, Leme, Limeira, Mombuca, Piracicaba, Rafard, Rio Claro, Rio das Pedras, Saltinho, Santa Gertrudes, Santa Maria da Serra e São Pedro. Durante o encontro os prefeitos e representantes do município manifestaram a inquietude de transformar o Aglomerado em região metropolitana.

Para Luigi Longe e Vitor Amuri, idealizadores do projeto do Smart City o principal objetivo é unir as experiências de sucesso das cidades para produzir um impacto regional que facilite a regulamentação e estruturação de projetos urbanos. “Vemos em tecnologias avançadas a possibilidade de ajudar os prefeitos a solucionarem problemáticas urbanas e de mobilidade. Tecnologias de Iluminação que podem contribuir com a segurança do município. Não existe um conceito único de cidade inteligente, e sim a capacidade de resolver os problemas” afirma Amuri, vice-presidente de soluções públicas inteligentes do Smart City.

Segundo Longe a ideia é sensibilizar os governantes da importância de um Plano Diretor Integrado e gerar mecanismos para atrair investimentos para estes projetos sem precisar do dinheiro do contribuinte, tais como turismo, festas nos municípios entre outros. “Queremos espalhar tecnologia em todo o Brasil, precisamos acabar com o falso padrão que indivíduos humildes não vão se adaptar a cidade inteligente. É um desafio, eles vão levar a mudança a outros municípios” acrescenta Vitor Amuri.

Evento debate consumo desnecessário e resíduos sólidos

 

Plano de ação

A aglomeração urbana de Piracicaba é a quarta região metropolitana caminhando ao desenvolvimento de um plano regional, explica Luis José Pedretti, diretor da Emplasa.  A cidade de São Paulo foi pioneira, seguida pela Baixada Santista e Sorocaba. Após o Aglomerado, a cidade de Campinas também passará pelo processo.

Para Pedretti, é preciso sentar e avaliar as prioridades nos próximos dez anos junto com alternativas para as deficiências no saneamento básico.  Todos os dados para criação destas diretrizes são coletados com base no IBGE e sistemas de geolocalização e atividades econômica dos municípios.

Três pilares apresentam as prioridades da região, resíduos, saneamento e iluminação pública. Segundo Luigi Longo estes fatores são importantíssimos para tornar nos prefeitos elegíveis, por tal motivo além de melhorar a qualidade de vida das cidades o projeto contribuirá a legitimar os mandatos das autoridades na região. “ O principal problema é como traçar projetos para atrair o setor privado. O Brasil está em um momento de crise e o único jeito de avançar é se aliar ao setor privado. Precisamos montar projetos seguros que envolvam o Ministério Público, Tribunal de Contas para chamar a atenção dos investidores” diz Longo

Para Smart City a prioridade é criar um ambiente de troca de experiências com cases de Piracicaba, Limeira, Rio Claro que motivem os prefeitos a dar os primeiros passos “Existe um receio das autoridades, o ambiente é inóspito e os prefeitos se sentem sozinhos, mas estamos aqui para dividir o papel” afirmaram os representantes.

Prefeitos e representantes dos municípios realizarão nos próximos dias encontros frequentes com a Emplasa para a construção do Plano Regional.  A expectativa além de ter um planejamento rígido que acabe com as desigualdades é obter facilidade de financiamentos dos projetos “Existe um patamar de recursos observados no financiamento de projetos, enquanto alguns municípios podem não se encaixar, a agrupação regional traz solução a estas limitações” explica o porta-voz da Superintendência Regional de Piracicaba da Caixa Econômica Federal.

Barjas Negri, Prefeito de Piracicaba, acredita o projeto das cidades inteligentes são alternativas para alavancar avanços importantes nos municípios por um período de dez anos. Ele caracteriza o cenário atual pela dificuldade fiscal na economia que afetou múlltiplos projetos.

Alternativas sustentaveis foram apresentadas no Teatro Engenho

 

Pilares

Durante o debate foram apresentadas algumas alternativas inovadoras para os municípios. Sobre resíduos foi lançado o desafio de mudar o olhar da sociedade acostumada com a reciclagem para priorizar o ucycling (reutilização de material reciclado) desta forma ao invés de contribuir com o crescimento do lixo será possível reaproveitar este várias vezes diminuindo os níveis. Outra das iniciativas é a geração de energia elétrica pelo aproveitamento de resíduos e combustível, uma estratégia inédita na América Latina.

No âmbito de energia a telegestão e luminárias LED surgem como alternativas transformadoras. Por meio da telegestão é possível conectar semáforos e sensores de segurança por dispositivos inteligentes. Estas iniciativas podem contribuir também com aumento da segurança e diminuição do crime devido a um monitoramento mais detalhado.

No Saneamento básico, o Aglomerado teve grandes avanços e apresenta oportunidades diversas, porém ainda existe disparidade. Diretor do Núcleo de Meio ambiente da Fundação de Sociologia e Política de São Paulo, Elcires Pimenta acredita que o país está em uma posição grave na política de resíduos sólidos. No Aglomerado ele vê uma preocupação crescente com o estresse hídrico da região que tem entre suas questões fundamentais o tratamento do esgoto “A questão dos resíduos sólidos talvez seja a mais importante. É necessário um plano regional, a integração desses planos todos é fundamental para que sejam efetivos” defende Pimenta

Para o especialista, os governantes e a população do Aglomerado tem o preparo para debater estas temáticas, no entanto a participação precisa ser ampliada nos próximos meses com conferencias municipais, eventos setoriais para que os cidadãos assumam suas responsabilidades na construção participativa. Pimenta observa a crise hídrica nos próximos anos e afirma que é urgente ver esta sob dois aspectos: a falta de água e o excesso de água, um dos desafios dos vinte e três municípios.

Durante o evento empresas com inovação tecnológica como Triciclos, Enob, Saúde Controle, Dominum ADM, Matec, Aguas do Mirante e ONNO Led apresentaram as novidades para os gestores públicos. (#Envolverde)

84% das empresas acreditam em redução das incertezas politicas e econômicas

São Paulo – A Câmara Americana de Comércio entrevistou 326 empresários e executivos durante Seminário Perspectivas Comerciais, Econômicas e Políticas nesta quarta-feira (8/2).

Por Redação da Amcham – 

Os empresários e executivos brasileiros estão mais otimistas em relação ao cenário de instabilidade do país e mais confiantes com o novo ano. Para 84% deles, as incertezas políticas e econômicas estarão em quadro mais estável em 2017. É o que aponta pesquisa inédita da Câmara Americana de Comércio (Amcham) com a participação de 326 lideranças de companhias de vários portes e setores da economia. A enquete foi aplicada nesta quarta-feira (8/2), em São Paulo, durante o Seminário Perspectivas Comerciais, Econômicas e Políticas promovido pela Amcham.

Para os consultados, apesar da aposta em melhora em relação a 2016, duas grandes incertezas ainda devem ditar a velocidade da recuperação da economia brasileira: a operação Lava Jato e seus desdobramentos (33%) e o quadro fiscal preocupante e ainda dependente de reformas/medidas (28%). Outros fatores citados foram: a crise política e antecipações da corrida presidencial de 2018 (18%); a confiança do consumidor e investidor em níveis piores e crise de segurança mais acentuada em alguns estados (17%); e o cenário externo em virtude da troca de presidência nos EUA e tratativas do Brexit na União Europeia (4%).

Indicadores mais positivos em 2017

A grande maioria (95%) dos entrevistados pela Amcham informaram acreditar em resultados comerciais mais positivos em 2017. Sendo que parcela de 88% deles consideram que o ano será de cenário de recuperação, e outros 7% apostam em novo contexto de crescimento expressivo em relação a 2016. Uma fatia de 5% acredita em números comerciais ainda negativos e sem sinais de recuperação.

Sobre a recente afirmação do Ministro Henrique Meirelles que “o país sairá da recessão ainda no primeiro trimestre do ano”, 64% dos executivos informaram já constatar algum nível de melhora no humor econômico do país. Sendo 53% com resultados comerciais levemente positivos nesses primeiros 40 dias do ano; e 11% já percebendo uma melhora significativa nos indicadores no comparativo com o mesmo trimestre do ano passado. Outros 36% ainda vivenciam resultados negativos.

A recuperação depende de três principais fatores, de acordo com os entrevistados pela Amcham. A maioria (54%) citou como aspecto prioritário o aumento da competitividade da economia, exigindo firmeza na condução das reformas estruturais. Os outros dois pontos citados foram: aumento do consumo, com estímulos ao crédito e retomada da confiança do consumido, sendo mencionado por 32%; e o crescimento das exportações, exigindo uma taxa de câmbio relativamente estável e competitiva para o setor industrial; sendo citado por 14%.

No varejo, 69% acreditam também em retomada ainda neste ano. Para 49%, a recuperação acontecerá no segundo semestre, e outros 20% apostam na concretização ainda no primeiro semestre. Outros 27% enxergam recuperação só em 2018.

Levando em consideração o cenário de recuperação, três pontos serão prioritários quando se fala em investimentos comerciais da própria companhia: produtividade em processo, produção e equipe (54%); inovação do portfólio de produtos e serviços (26%); e treinamento e capacitação da força de vendas (11%).

Avaliação do Governo Temer e reforma trabalhista

Decorridos quase nove meses do Governo Temer, 51% dos empresários avaliam como “neutro”, ainda exigindo uma maior capacidade da condução das transformações e reformas. Outra parcela de 28% considerou “positivo” os três trimestres da nova presidência e 21% avaliam como “negativo”, considerando que a equipe não vem demostrando capacidade de liderar as reformas necessárias.

A reforma trabalhista é o aspecto que traz otimismo nos investimentos para 66% dos empresários. Segundo 49%, a modernização da legislação trará impacto em médio prazo, tanto em retomada dos investimentos como também no volume de postos de trabalho. E 17% deles enxergam impactos positivos já no curto prazo, enquanto 34% não enxergam aspectos positivos tanto no curto e médio prazo.

(#Envolverde)

Toneladas de agrotóxicos ilegais são apreendidas

Biólogo alerta sobre risco dessas substâncias à saúde.

Por Redação da Envolverde – 

Cerca de 11,6 toneladas de agrotóxicos ilegais foram apreendidas nos últimos dois meses em uma ação realizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) com o auxílio da Receita Federal, Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal.  Contrabandeadas do Paraguai, a apreensão ocorreu no estado de Mato Grosso do Sul. Tratam-se de inseticidas e herbicidas sem classificação de nível toxicológico e do grau de periculosidade ambiental, e suspeita-se de que seriam usados em plantações de soja e algodão, nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

“Se para agrotóxicos legalizados já existe o risco de desenvolvimento de doenças graves tanto para o trabalhador rural, que tem contato direto com a substância, como também para o consumidor final, e por isso se faz necessário o rígido controle das autoridades para seu uso, se tratando de substâncias ilegais, como essas que foram apreendidas, a situação é ainda mais perigosa”, diz o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS).

Mas, ao invés de diminuir o uso dessas substâncias, no país vem ocorrendo justamente o contrário. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos. E de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2012, dobrou o uso de agrotóxicos no país. “É urgente mudar esse panorama, reduzindo o uso dessas substâncias progressivamente e, principalmente, intensificar ainda mais a vigilância e o combate às substâncias ilegais”, alerta o biólogo.

Abaixo, confira algumas dicas de como higienizar os alimentos em casa para consumi-los com maior segurança:

– No caso de vegetais como alface, escarola e agrião, por exemplo, lave folha por folha, criteriosamente;

– Para vegetais como pimentão, abobrinha e maçã, por exemplo, lave a casca preferencialmente com a ajuda de uma bucha usada apenas para esse fim;

– Coloque os alimentos de molho em água clorada (tem um produto à base de hipoclorito de sódio, à venda em supermercados), por até 30 minutos; Após esse tempo, volte a lavar os alimentos em água corrente para eliminar resíduos flutuantes;

– Se não for consumi-los imediatamente, seque os alimentos, coloque em sacos plásticos apropriados e os guarde na geladeira.

(#Envolverde) 

* Com informações da Ex-Libris Comunicação Integrada.

Coppe mapeia áreas verdes em residências da Zona Norte do Rio de Janeiro

Apenas 11,40% das áreas dos quintais de residências do subúrbio da Zona Norte do Rio de Janeiro possuem árvores e 2,47% têm cobertura rasteira, como gramados. A pesquisa, que retrata o percentual de áreas verdes que restou em residências localizadas nessa região, onde residem 38% dos habitantes do município, cerca de 2,4 milhões de pessoas, foi tema da tese de doutorado da pesquisadora Vera Ruffato, defendida recentemente no Programa de Planejamento Energético da Coppe. Trata-se do maior mapeamento de áreas verdes residenciais já realizado até o momento no país.

Vera Ruffato, pesquisadora da COPPE

Composta por 79 bairros, distribuídos em 203 mil km2, essa região, que é a ambientalmente mais degradada da cidade, vem sofrendo grande alteração de sua estrutura de ocupação, principalmente pela substituição de casas por prédios. “A proposta foi estudar a contribuição dos quintais das residências da Zona Norte para a manutenção das áreas verdes urbanas no uso e ocupação do solo da cidade, tendo em vista que a Prefeitura só possui o mapeamento das áreas verdes acima de 1 mil m2 (1 hectare)”, explica Vera.

A pesquisadora diz que uma forma de amenizar o impacto da urbanização nessa região seria incentivar o plantio de árvores nos chamados espaços permeáveis, que permitem a absorção da água. Essas áreas estão sendo regulamentadas por meio dos Projetos de Estrutura Urbana (PEUs), que vêm sendo discutidos para serem votados na câmara dos vereadores. No caso de novas construções, o Plano Diretor do Município do Rio de Janeiro de 2011 já estabeleceu que todas devem ter um percentual de área permeável, a ser definido por leis complementares.

Segundo Vera as árvores protegem as residências da incidência do sol, podendo diminuir a conta de energia das residências entre 15 e 35%, devido a redução dos custos com climatização. Suas folhas absorvem parte dos ruídos e o sombreamento nas paredes e no chão resulta na redução de ilhas de calor, podendo reduzir a temperatura do ar em uma cidade em até 5ºC. “As árvores também diminuem a quantidade de poluentes, a exemplo de particulados como monóxido de carbono. Ruas com residências arborizadas propiciam redução de 70% da poluição na área”, afirma Vera Ruffato, acrescentando que a copa da árvore também retém e faz evaporar parte da água da chuva, contribuindo para um volume menor de água a ser escoado, amortizando assim os impactos dos temporais.

Algumas sugestões apontadas por Vera em sua tese de doutorado, defendida em setembro de 2016, começam a ser implementadas por meio de dois decretos baixados pela prefeitura dia 1º de janeiro. Um deles estipula o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para que a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente apresente plano para criação de dois viveiros municipais de mudas em Campo Grande e Guaratiba, visando a ampliar a área arborizada da cidade em 300 hectares até o final de 2019. As mudas deverão ser replantadas, com ênfase, exatamente nas áreas abordadas pela pesquisadora em sua tese: nos subúrbio da Zona Norte do Rio.

O segundo decreto estipula um prazo de 120 dias para que a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente e a Secretaria Municipal de Fazenda apresentem um plano para instituir o IPTU Verde na Cidade do Rio de Janeiro, que deverá ter, entre outras medidas, sistemas de aquecimento solar e captação de águas da chuva para reaproveitamento. Com relação a esse decreto, a pesquisadora da Coppe criticou o fato de que as áreas verdes não tenham sido sequer citada no texto entre as medidas recomendadas. “Elas foram relegadas ao item “outros”, quando deveriam estar entre os destaques”, ressaltou. (#Envolverde)

Sistema de Logística Reversa de Embalagens atinge mais de 50% da população brasileira

Relatório com os primeiros resultados do Acordo Setorial de Embalagens foi apresentado ao Ministro do Meio Ambiente.

Por Redação do CEMPRE –

A Coalizão Embalagens, sob liderança do Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), apresentou nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, para o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, em Brasília, o relatório com os resultados preliminares do Acordo Setorial de Embalagens.

Assinado no final de 2015, o Acordo promove a reciclagem de embalagens em geral desenvolvendo um plano de gestão de resíduos dentro do contexto da logística reversa, que tem a meta de reduzir em 22% a quantidade de embalagens pós-consumo destinadas a aterros até o fim de 2017. Segundo dados preliminares, o Sistema de Logística Reversa de Embalagens, implantado pela Coalizão, registrou ações em 422 municípios de 25 estados brasileiros, alcançando 51,2% da população brasileira.

“A Coalizão Embalagens é formada por 28 associações do setor empresarial do País que estão engajadas na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Apresentamos hoje, juntamente com associações signatárias, as realizações que estão sendo desencadeadas para alcançarmos a meta da primeira fase desse acordo”, comenta Vitor Bicca, presidente do CEMPRE.

Victor Bicca e Sarney Filho. Foto:Gilberto Soares/MMA

 

De acordo com o relatório, 702 cooperativas foram apoiadas e 3.151 ações de estruturação para adequar e ampliar a capacidade produtiva das cooperativas foram realizadas entre 2012 e 2016. “De fato, agindo dessa forma, poderemos avançar nas emissões evitadas, contribuindo para a economia necessária de baixa emissão de carbono”, afirmou Sarney Filho.

No período, também foram instalados 2.103 pontos de distribuição voluntária (PEV) e desenvolvidas 7.861 ações para estruturação, implementação, operação e manutenção dos pontos. “O Acordo Setorial de Embalagens representa um grande avanço na lei que instituiu a PNRS”, reforça Bicca. “Dando continuidade às ações que incentivam a responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e população, estamos no caminho certo para alcançar as metas do acordo e promover a destinação adequada das embalagens pós-consumo no Brasil”, finaliza.

Sobre o CEMPRE

O CEMPRE é uma associação sem fins lucrativos, que trabalha para conscientizar a sociedade sobre a importância de reduzir, reutilizar e reciclar lixo por meio de programas de conscientização. A entidade utiliza-se de publicações, pesquisas técnicas e seminários, e mantém para consulta pública um rico banco de dados sobre o assunto em sua sede na capital paulista. Fundado em 1992, o CEMPRE vem sendo mantido por contribuições de empresas privadas de diversos setores. Entre elas estão: Ajinomoto, AmBev, ADM, Arcor, Bauducco, Brasil Kirin, Braskem, BRF, Bunge, Cargill, Carrefour, Coca-Cola, Colgate-Palmolive, Danone, Diageo, Femsa, Gerdau, Heineken Brasil, Hersheys, HP, Klabin, Mondelez, McDonalds, Nestlé Waters, Nestlé, Owens Illinois, Grupo Pão de Açucar, Pepsico do Brasil, SC Johnson, SIG Combibloc, Suzano, Tetra Pak, Unilever Brasil, Verallia, Vigor e Walmart Brasil.

(#Envolverde)