Criança e Consumo elabora dicas para proteger as crianças da publicidade na internet

Projeto do Instituto Alana lista sugestões para distanciar os pequenos de ações mercadológicas, camufladas de entretenimento, no meio virtual. 

Por Redação da Envolverde – 

Diariamente, as crianças estão expostas a um grande volume de publicidade direcionada a elas na internet. Presentes em jogos, sites, redes sociais e até em canais de youtubers mirins, essa comunicação muitas vezes confunde as crianças, que não conseguem distinguir anúncios de conteúdo de entretenimento. Além de trazer consequências nocivas aos pequenos, entre elas, o estímulo ao consumismo precoce, a comunicação mercadológica dirigida ao público infantil viola a legislação brasileira, como o Código de Defesa do Consumidor, que considera abusiva e ilegal a publicidade que se aproveita da pouca experiência e do desenvolvimento, ainda em formação, da capacidade de julgamento da criança.

Pensando nisso e atrelado à campanha global da Consumers International para o Dia do Consumidor, em 15 de março, que tem como tema ‘Building a Digital World Consumers can Trust’ (‘Construindo um mundo digital em que os consumidores confiam’), o projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, listou algumas dicas para ajudar mães, pais e responsáveis a lidar com esses perigos online.

1- Mediação do uso da internet

Estar presente e orientar a navegação na web ajuda a garantir que a criança navegue em sites seguros. Sugerir um limite de tempo para o uso da internet, deixar os computadores em espaços de uso coletivo e evitar o uso de dispositivos móveis sem acompanhamento, são algumas dicas. Vale lembrar que a Academia Americana de Pediatria sugere que crianças com menos de dezoito meses não sejam expostas a qualquer tipo de estímulo tecnológico.

2- Saiba como as crianças usam a internet

Procure conhecer os jogos e aplicativos que as crianças usam, saber que informações elas fornecem para acessar ou jogar determinado conteúdo, e que tipos de prêmios estão ganhando. Se o jogo não for adequado, sugira outro. Instalar um bloqueador de publicidade ou utilizar o modo de navegação anônima em sites como o YouTube ou em jogos, também previne que empresas monitorem as atividades das crianças e evita que coletem informações sobre elas ou anunciem produtos nos sites visitados.

 

3- Explique a importância de não fornecer dados

Converse com as crianças sobre a importância de sua privacidade. É possível ir além do ‘não fale com estranhos’ e explicar que não é seguro falar ou compartilhar informações com outras pessoas, pois, ao fornecer informações para jogar, participar de uma promoção, baixar um aplicativo ou responder a um teste online, elas podem entregar dados pessoais valiosos para essas empresas, e revelar informações importantes sobre elas e suas famílias.

4- Canais de youtubers mirins e redes sociais

Os canais dos youtubers mirins são muito populares entre as crianças. Aproveitando-se da audiência, empresas enviam ‘presentes’ aos administradores dos canais para que sejam apresentados em seus vídeos. As marcas também estão nas redes sociais e, muitas vezes, seus perfis estão repletos de vídeos, imagens, passatempos e posts direcionados ao público infantil. O responsável deve ficar atento a esses conteúdos e, no caso de uma publicidade, pode questionar as intenções da empresa e, dependendo da idade da criança, conversar com ela a respeito, contribuindo para a construção de uma visão crítica.

5- Legislação

Durante o tempo que passam na internet, as crianças estão expostas a possíveis violações, como a publicidade dirigida ao público infantil. Diante desse cenário e da importância de atualizar a legislação vigente, que considera a publicidade infantil ilegal, é importante que mães, pais e responsáveis saibam que tramita na Câmara dos Deputados, desde maio de 2015, o Projeto de Lei 1746/2015, que acrescenta um capítulo ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sobre a garantia do direito de proteção dos dados das crianças e dos adolescentes na internet. O PL reconhece a abusividade da publicidade voltada para o público infantil e da coleta de informações não autorizadas para fins mercadológicos.

Sobre o Criança e Consumo

Criado em 2006, o Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, atua para divulgar e debater ideias sobre as questões relacionadas à publicidade dirigida às crianças, assim como apontar caminhos para minimizar e prevenir os malefícios decorrentes da comunicação mercadológica.

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne projetos na busca pela garantia de condições para a vivência da plena infância. Criado em 2002, o Instituto é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

(Instituto Alana/ #Envolverde)

* Com informações do Instituto Alana.

Brincando de guerra

Nascidas em meio à ocupação americana no Iraque, as crianças que vivem em Mossul agora assistem à batalha sangrenta contra o Estado Islâmico. Nas brincadeiras de guerra, se fantasiam de soldados enquanto esperam seu destino: matar ou morrer.

Por Yan Boechat, da Agência Pública –

Ainda faz frio nas primeiras horas de uma manhã ensolarada de fevereiro quando um grupo de meninos entre 6 e 13 anos corre entre as ruínas do que um dia foi um bairro de Mossul, no norte do Iraque.

Eles se escondem por trás de torres de energia destruídas, pulam para dentro dos buracos abertos pelos ataques aéreos e, volta e meia, disparam com suas armas imaginárias. São rifles AK-47, dizem eles, os mesmos usados pelos militantes do Estado Islâmico que dominaram a segunda maior cidade do Iraque por quase dois anos e meio. O armamento pesado é feito com cabos de vassoura, restos de caixotes para o transporte de frutas ou qualquer pedaço de madeira que lembre vagamente uma arma. Um deles chegou a criar um sistema de disparo com um elástico. Sua munição são as cápsulas de balas deflagradas que cobrem as ruas de Mossul.

“Até agora matamos apenas uns 22”, conta Ali Hawl, de 10 anos, cabo de vassoura cortado em punho, e um olhar sério de soldado. “Mas ontem foi melhor, matamos mais de 50, foi uma grande batalha.” Seu irmão, Ahmed, um ano mais velho, concorda. “Eles tentaram fugir, estavam com medo de nós, mas não deixamos nenhum escapar, pegamos todos os ‘daesh’”, diz, referindo-se aos soldados do EI com o acrônimo árabe de cunho depreciativo para Estado Islâmico.

Acompanhados de um irmão de 8 anos e mais dois amigos, os garotos passam o dia a caçar os militantes do Estado Islâmico que habitam suas fantasias.

“Os mais difíceis de matar são os guerrilheiros estrangeiros, principalmente os russos, esses são muito bons lutadores, não fogem e temos tido trabalho com eles”, conta Mohamed Suri, um menino de 12 anos que carrega seu pedaço de madeira como se fosse um bem treinado soldado, com o dedo indicador apontado para a frente, como fazem os combatentes profissionais para não acionar o gatilho por acidente.

Os cinco são moradores de um dos bairros periféricos da parte leste de Mossul que assistiu às primeiras e mais sangrentas batalhas entre as Forças Especiais Iraquianas e os militantes do EI pela retomada da capital econômica e política do Califado Islâmico. Foram semanas de combates intensos. Apenas nesta região da cidade, os extremistas atacaram o exército com mais de 300 carros-bomba, muitos deles dirigidos por meninos com idade semelhante à de Mohamed e seus amigos.

Ali (último da esquerda), Walis (do centro) e Mohamed (segundo da direita para a esquerda) brincam de solados com mais dois amigos no bairro de Al Samah, em Mossul. Foto: Yan Boechat/Agência Pública

 

Walis Hawl, o irmão menor de Ali e Ahmed, ainda guarda vivas as lembranças daqueles dias. “Eu ficava debaixo da cama ou com minha mãe. Era muito barulho e eu achava que íamos todos morrer”, conta ele, com sua arma tão pequena quanto seu tamanho. Ao final da batalha, as ruas da vizinhança estavam cobertas de corpos, que acabaram servindo como diversão. “Jogávamos pedras neles, e batemos com um pedaço de pau nas suas cabeças, acabamos com eles. Só não mexemos naqueles que os cachorros estavam comendo”, diz, rindo, Ali, pouco antes de sair com sua equipe para uma nova caçada naquela manhã do início de fevereiro.
A paz é exceção

Apesar de brutal, o cotidiano dos cinco amigos do bairro de Al Samah é a regra em Mossul. Desde a chegada do Estado Islâmico à cidade, em junho de 2014, as crianças têm sido vítimas frequentes tanto dos extremistas como, agora, da guerra contra eles. Uma estimativa do Unicef, a agência das Nações Unidas para a defesa das crianças, estima que quase 50% dos moradores de Mossul são menores, com idade variando entre 0 e 12 anos.

Trata-se de uma geração que nasceu e viveu em meio à guerra que consome o Iraque há quase 15 anos. Para essas crianças, momentos de relativa paz são a exceção, não a regra. “É uma situação complexa em que as crianças já estavam vulneráveis e agora continuam ainda mais”, diz Sharon Behn Nogueira, a coordenadora do Unicef no Iraque. Só entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano, a agência contabilizou mais de 100 mil crianças que saíram da cidade em busca de refúgio, muitas delas sem os pais.

Menino brinca com rifle imaginário em parque de diversão destruído no bairro de Al Karama, em Mossul. Foto: Yan Boechat/Agência Pública

 

É o caso de Abdulah, de 12 anos. Seu pai foi morto pelo Estado Islâmico, diz ele, por ter sido pego vendendo cigarros em Mossul, um crime grave para os extremistas, que proíbem quase tudo que não existia nos tempos em que Maomé vivia, no século 7. Sua mãe, viúva, acabou casando-se com um militante de alta patente do EI e, com o avanço das tropas iraquianas na cidade, fugiu para a Síria com o marido. “Ele não quis me levar, disse que seria muito trabalho fazer a viagem com uma criança”, conta ele, resignado. Sua sorte foi ter sido acolhido pela mãe de dois de seus amigos de rua que, com ele, mendigavam em Mossul. “Eles são meus irmãos agora, somos uma família.” Os quatro vivem em uma barraca no campo de refugiados de Hasan Shan, a 40 quilômetros de Mossul. A mãe dos amigos, e agora sua mãe, também é viúva e os três passam parte do dia a pedir cigarros aos estrangeiros que visitam o campo. “É para minha mãe, ela está na barraca”, diz Abdulah.

Ele, como a maioria das crianças que vivem em Mossul, quer ser soldado. Assim que tiver idade, conta, vai se alistar no exército. Seu objetivo, como quase de todos os garotos, é lutar contra os militantes do Estado Islâmico. “Quero matar todos eles com uma arma de verdade”, diz Abdulah. No campo de Hasan Shan, no entanto, nem ele nem os milhares de meninos de sua idade podem fantasiar batalhas imaginárias para descarregar a raiva e a frustração dos dias de terror: é proibida qualquer brincadeira que tenha ligação com a guerra.

Armas de brinquedo, mesmo pedaços de madeira que possam fazer lembrar vagamente um rifle, são proibidas. “Nem com o dedo podemos fingir que temos um revólver, eles nos batem”, diz Said Hussein, o “irmão” mais novo de Abdulah. “Precisamos tirar da cabeça desses meninos a ideia de que lutar e matar é bom”, conta um dos guardas do campo, com um rifle AK-47 pendurado no ombro, responsável por disciplinar os meninos e suas brincadeiras.

Não será uma tarefa fácil. Nos dois anos e meio em que o Estado Islâmico esteve controlando Mossul e região, as cerca de 1,5 milhão de crianças que viviam sob o seu domínio deixaram de ir para escolas regulares. Todo tipo de educação tradicional foi suspensa e apenas os meninos tinham o direito de frequentar as madrassas islâmicas. Lá, a maior parte do tempo era dedicada a estudar o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, e, em alguns casos, técnicas de combate.

Abdulah (o mais alto), de 12 anos, Said (o mais baixo), de 7, e Khaled (o do meio), de 9, no campo de refugiados de Hasan Shan: história comum. Foto: Yan Boechat/Agência Pública

 

“As crianças chegam aqui com assuntos militares na cabeça, não conseguem usar exemplos simples, como frutas ou objetos, para ilustrar suas operações matemáticas mais básicas”, diz Mustapha Akim, coordenador de uma escola instalada no campo de refugidos de Khazer, onde vivem mais de 140 mil pessoas hoje, metade delas crianças. “Os meninos em geral fazem contas com balas de rifles e suas representações emocionais quase sempre estão ligadas a situações violentas, como decapitações ou assassinatos. É uma situação extremamente complexa”, conta ele. Os serviços de atendimento psicológico nos campos é carente, ocorre apenas uma vez por semana, e a demanda é imensamente maior que a oferta. “Só os casos mais extremados são atendidos. Os traumas cotidianos, esses eles terão que lidar sozinhos”, diz Akim, resignado.

Pesadelo e morte

Moamim Namim tem apenas 10 anos e é perseguido constantemente por um pesadelo aterrador. Volta e meia ele sonha que está pegando uma bala às escondidas em uma pequena loja de doces e é descoberto com ela já na boca. Alguém o surpreende e o leva para a praça em frente a sua casa. Ela está cheia de gente, seus pais estão entre os espectadores. Então um homem de barba longa, negra, o agarra e coloca sua mão sobre um tronco de árvore cortado. Com um golpe certeiro de machado, arranca sua mão direita.

Algumas vezes, o sonho muda.

Em vez da mão, sua cabeça é cortada. “Sempre acordo, é muito ruim. O pior é quando cortam minha mão”, diz ele, sentado ao lado de galões de combustível que ajuda a vender com seu pai, exatamente em frente à praça de seus pesadelos. Não é preciso muito tempo de conversa para entender por que Moamim tem pesadelos terríveis tão frequentes.

Criança vítima de estilhaços de morteiro é atendida por paramédicos em hospital de campo na parte Leste de Mossul. Foto: Yan Boechat/Agência Pública

 

A praça de seus sonhos e de seu cotidiano era um tradicional ponto de execuções do Estado Islâmico em Mossul até essa parte da cidade ter sido retomada pelo exército iraquiano. Moamim, assim como muitas das crianças da região, era incentivado a assistir às execuções. “Era bem ali”, diz ele apontando para o largo agora semidestruído pela batalha que expulsou dali os militantes do EI há poucos meses. “Às vezes eles usavam uma espada, às vezes uma faca e em alguns casos as pessoas jogavam pedras, mas isso era só para mulheres”, conta com naturalidade. Ele quer voltar a estudar. Mas, por enquanto, seu pai não quer deixá-lo retornar à escola. “Quando eles saíram daqui, eles avisaram que iriam colocar bombas em todas as escolas. Achamos melhor esperar. Ele já está há tanto tempo sem ir, não fará diferença esperar mais um pouco”, diz Ahmed Namim, enquanto pede ao filho que cobre a venda de dois litros de gasolina para um motorista estacionado nas proximidades da praça.

Para a maior parte dos mossulis, Moamim teve sorte ao longo dos últimos três anos. Não pereceu na mão do Estado Islâmico e não sofreu nenhum ferimento nos cinco meses de batalhas intensas que já dura a tentativa de recuperar a cidade dos extremistas. Não existem números exatos sobre o número de civis mortos em Mossul desde o início da ofensiva. O governo iraquiano não divulga nenhum número e a maior parte das agências internacionais diz não ter capacidade de fazer um monitoramento preciso. Apenas a organização não governamental Iraqi Body Count se arrisca a fazer estimativas. De acordo com a ONG, entre outubro do ano passado, quando a ofensiva contra Mossul teve início, e fevereiro deste ano, mais de 7 mil civis foram assassinados em todo o Iraque, sendo mais de 70% das mortes ocorridas naquela cidade, onde atualmente se desenrola a maior campanha militar no Iraque desde a invasão americana em 2003.

Nos hospitais de campo que atendem soldados e civis vítimas das batalhas, o número de crianças feridas e mortas é impressionante. A reportagem da Pública acompanhou o cotidiano de alguns desses hospitais por vários dias entre novembro e fevereiro e testemunhou dezenas de vítimas infantis. “Esta é uma batalha diferente, com muitos civis, e as crianças são as mais frágeis”, diz o capitão das Forças Especiais Iraquianas Ahmed Ali, um dos médicos que atuam exclusivamente nesses centros de atendimento médico próximos das frentes de batalha.

Crianças brincam ao lado de carcaça de carro bomba em Mossul. Foto: Yan Boechat/Agência Pública

Nos momentos mais intensos, o hospital de Mossul chega a receber até 200 vítimas civis apenas em um dia – quase metade crianças. Muitas delas chegam a esses centros dilaceradas pelos morteiros, granadas ou pelos estilhaços dos carros bomba. Ninguém sabe ao certo quantas morreram, mas não seria leviano afirmar que os corpos de crianças já se contam aos milhares nesta guerra.

Mais sangue infantil será derramado. Depois de conquistarem a parte leste de Mossul, agora as forças iraquianas estão invadindo o outro lado da cidade, cortada pelo rio Tigre. É uma área mais densamente povoada, com ruas estreitas e elevações de terreno que prometem tornar as lutas ainda mais sangrentas. Pela estimativa do Unicef, ao menos 350 mil crianças irão enfrentar esta que promete ser a fase mais brutal da retomada de Mossul, por viverem na parte afetada – no total, a cidade abriga mais de meio milhão de crianças.

A única certeza que há neste momento é que muitas delas não sobreviverão. (Agência Pública/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Agência Pública

‘Diálogos do Brincar’ discute cidades, criança e natureza’

Conversa terá transmissão online nesta quinta-feira 09/03, às 19h.

Por Redação do Instituto Alana –

Não há dúvidas de que a vida nas grandes metrópoles afasta, de forma crescente, as crianças do convívio com a natureza. Muitas ficam restritas a espaços fechados: casa, escola, carros, clubes. Estão sempre entre muros, o que impossibilita a experiência de brincarem ao ar livre, em espaços abertos, públicos, comunitários. O contexto é preocupante, já que o contato com o ambiente natural contribui para o desenvolvimento integral da criança. Estudos afirmam que, conviver em espaços naturais e abertos traz benefícios sociais, intelectuais, emocionais, espirituais e físicos à criança.

Para refletir sobre a importância e o direito de brincar ao ar livre, Laís Fleury, coordenadora do ‘Criança e Natureza’, do Instituto Alana, participa do 1º encontro da série ‘Diálogos do Brincar’ de 2017, com o tema ‘Cidades, Criança e Natureza’. O bate-papo será exibido ao vivo pelo site do Território do Brincar, no dia 9 de março às 19h (horário de Brasília). Todos os encontros contarão com tradução simultânea em libras.

Foto: Shutterstock

 

Comprometida em garantir que crianças, principalmente das áreas urbanas, cresçam e se desenvolvam em contato com a natureza, Laís compartilhará reflexões sobre a importância do brincar ao ar livre, além de dicas práticas para que pais, educadores e demais cuidadores assegurem a conexão dos pequenos com os elementos da natureza (mesmo em ambientes aparentemente hostis, como grandes metrópoles ou escolas que, tantas vezes, carecem de áreas verdes). “A reaproximação das crianças com a natureza ainda é um debate desarticulado e pulverizado. Queremos comunicar à sociedade sobre sua importância e mostrar quais são os impactos positivos desse contato”, salienta Laís.

Em 2017, a iniciativa ‘Diálogos do Brincar’ trará, a cada bimestre, discussões e reflexões sobre temas que tocam a infância, o brincar e a educação. Para saber mais e acompanhar a programação das videoconferências, siga o Território do Brincar no Facebook e no Instagram. A iniciativa é correalizada pelo projeto Território do Brincar e pelo Instituto Alana.

(Instituto Alana/ #Envolverde)

Caminhadas coletivas

Além de aproximar famílias da escola, carona comunitária ajuda a criar laços entre os alunos e a comunidade.

Por Plataforma Cidades Educadoras*

A ideia não é exatamente nova – surgiu na Austrália, em 1991, elaborada por David Engwich -, mas cada vez mais se espalha pelo mundo: porque não substituir os carros particulares ou os ônibus escolares por uma caminhada a pé, que leve as crianças juntas e caminhando para as aulas, organizada em conjunto pela escola e pela comunidade escolar? Porque não criar autonomia sobre a mobilidade urbana desde cedo?

Quando a professora Carolina Padilha, do Carona a Pé, resolveu transformar o transporte de seus filhos – que estudam em um colégio particular na zona central de São Paulo – em um processo participativo e caminhante, não sabia que ela já havia se disseminado pelos quatro cantos. A “geração espontânea” da ideia de criar um sistema de “caronas a pé” para seus filhos é significativo da força e da urgência de iniciativas como essa, que trazem enormes benefícios para crianças, pais, ruas, escolas e comunidades.

Conhecido em diversas partes do mundo como Pédibus, tais iniciativas são simples de se organizar e ajudam a criar cidades mais amigáveis para crianças. E como uma cidade amiga da infância é uma cidade amiga de todos e todas, apresentamos um passo a passo de como organizar sua carona comunitária para a escola, elaborada a partir de uma conversa com Flávia Fontes Oliveira, jornalista e mãe de duas meninas que participam do Carona a Pé, e do Manual do Pédibus, elaborado pela Câmara Municipal de Lisboa (Portugal).

1) Por que caminhar com as crianças?

– Cada deslocamento de automóvel libera 200 gramas de dióxido de carbono na atmosfera, que contribui para o efeito estufa;
– Diminui drasticamente o trânsito nas adjacências da escola;
– É seguro e desperta consciência ambiental, espacial, de mobilidade urbana e transforma o entorno da escola;
– Cria laços entre as crianças, entre a comunidade escolar, aproxima famílias e pais da escola;
– É gratuito;
– Promove hábitos saudáveis e diminui a obesidade infantil;
– Crianças que praticam atividade física tem melhor capacidade de concentração;
– Aproxima os pais uns dos outros e fortalece sentidos comunitários;
– Fortalece a busca por melhorias no espaço urbano.

Crédito: Reprodução/Plataforma Cidades Educadoras

2) Quem pode organizar?

Flávia afirma que o Carona a Pé é um projeto da comunidade escolar e não da escola, mas há casos em que o processo pode ser induzido pela coordenação escolar. “No começo, conversamos com alguns pais e mães na saída da escola e iniciamos uma conversa por WhatsApp. Elaboramos a primeira rota e começamos o processo. Não faz nem dois anos e já são mais de oitenta crianças envolvidas em oito rotas.”

3) Mãos à massa

“Você tem que ter um acordo entre todo mundo, uma reunião, pois estará confiando seu filho à outras pessoas. Isso é legal, porque gera um apoio entre as pessoas. Depois de algum tempo, a Carona ganha vida própria”, acredita Flávia. É importante pensar rotas e caminhos que sejam acessíveis às crianças. O Manual do Pédibus afirma que as paradas idealmente são de no máximo dois minutos entre um ponto e outro, ou seja, 150 metros na velocidade média de uma criança. O trajeto total não pode passar de um quilômetro. Grupos de WhatsApp – ou qualquer outra rede de mensagens rápidas – ajudam bastante na organização.

De forma a aumentar a segurança, criar coletes com refletores também ajuda a estabelecer uma unidade visual. Flávia ressalta que as crianças, depois de se familiarizar com o sistema, ajudam amigos e novos membros do grupo a fazerem a caminhada dentro das regras estabelecidas. Realizar encontros de confraternização também é uma boa pedida.

Para esse “ônibus” sair, é preciso um acompanhante na frente da expedição e outro atrás para garantir a segurança e que ninguém se perca. Pode ser um pai, um avô, um irmão mais velho, um professor etc.

4) Regras de conduta

Os sistemas de carona coletiva são bastante flexíveis e adaptáveis, mas é importante haver um compromisso e um calendário organizado entre os pais, para garantir que os horários sejam cumpridos e as crianças sejam recebidas com amor e tranquilidade. Não ocupar toda a calçada, não sair correndo, manter uma fila, são algumas das regras que podem ajudar a manter o bom-convívio do “ônibus”, que pode sair inclusive em clima chuvoso, desde que as crianças tenham guarda-chuvas, capas, um par de botas e uma troca de roupa.

5) Resultados

Uma família faz em média 20 deslocamentos semanais até a escola. “Não ter que me preocupar com o transporte diário do meu filho é um grande alívio”, aponta Flávia, que enxerga benefícios em todo o entorno da escola. “O bairro começou a reconhecer as crianças, que são bem recebidas, eles já ficam atentos com a travessia de rua, oferecem sorrisos. Não tenho dúvida que isso torna a cidade mais amiga das crianças.”

“As crianças passam a se apropriar da rua e a conviver melhor entre si. Além disso, chegam na escola de um jeito mais tranquilo e saudável, o que contribui para a sua aprendizagem”, pontua a mãe Renata Morettin, em reportagem do Portal Aprendiz sobre a iniciativa.

6) Saiba mais

O Carona a Pé têm um site bastante explicativo onde é possível encontrar um formulário para quem quiser estabelecer a metodologia em sua escola. O Manual do Pédibus traz um passo a passo bastante completo e abrangente. Confira também as matérias do Portal Aprendiz sobre o tema: Famílias criam ônibus andante para levar crianças às escolas na Suíça e Carona a Pé cria rotas para a escola e aproxima crianças da vida no bairro. A experiência também está registrada no Banco de Experiências da Plataforma Cidades Educadoras.

(Porvir/ #Envolverde)

* Publicado originalmente na Plataforma Cidades Educadoras e retirado do site Porvir.

Educadores usam histórias e yoga para melhorar concentração das crianças

Projeto Yoga com Histórias valoriza a exploração do corpo e trabalha com narrativas lúdicas que envolvem as emoções

Por Marina Lopes, do Porvir –

O que as histórias têm a ver com o corpo? Para o professor João Soares e a pedagoga Rosa Muniz, a resposta é tudo. Juntos, eles criaram o projeto “Yoga com Histórias“, que tem o objetivo de proporcionar um desenvolvimento infantil mais saudável.

A ideia surgiu há mais de 22 anos, quando eles trabalhavam em um projeto da Fundação Casa, na época conhecida como Febem. A proposta era desenvolver atividades para crianças e adolescentes em situação de abandono social, violência e maus tratos. “Nós começamos a brincar de contar histórias e dar algumas posições do yoga para as crianças. Depois fizemos adaptações e passamos a incluir novos elementos”, recorda João, que já trazia experiências do teatro e também tinha praticado yoga.

De acordo com ele, a opção de associar narrativas lúdicas aos movimentos do yoga foi para justamente aproximar os pequenos desse universo. “Na minha opinião, uma aula tradicional não funcionaria com essa faixa etária. Com as histórias, conseguimos falar a língua do inconsciente das crianças e trabalhamos com questões simbólicas que envolvem os seus medos e emoções”, explica. Na visão do professor, os personagens presentes nas atividades ajudam meninos e meninas a projetarem seus sentimentos e se fortalecerem emocionalmente.

Durante as aulas, as histórias trabalham temas ligados a uma série de sentimentos, como medo, raiva e superação. “Nós tentamos trazer essa colocação do yoga, que olha para cada pessoa como um ser especial”, destaca. Ele conta que a proposta também busca estimular que as crianças desenvolvam generosidade e empatia. “Falamos muito dessas questões, mas sempre com bastante humor e de forma lúdica”, adverte.

Além do trabalho com as emoções, João destaca que a prática do yoga transforma a maneira de lidar com o corpo. “Com o passar do tempo, as crianças começam a perder a sua inteligência corporal. Elas param de subir em árvores, correr e brincar. Já não exploram mais todos os movimentos e possibilidades que o corpo oferece.” Segundo ele, essa perda também tem relação com o uso crescente de tecnologias, como tablets e celulares.

“O yoga é um espaço para as crianças explorarem o próprio corpo, e isso também está ligado ao modo como elas se relacionam com o mundo e aprendem”, avalia. Durante a prática, o professor diz que os pequenos melhoram a sua respiração e oxigenação cerebral, o que também ajuda a ampliar a concentração. Por esses e outros motivos, ele levanta a bandeira de que a prática deveria estar presente dentro do ambiente escolar. “É fundamental levar o yoga para dentro das escolas. Já está mais do que comprovado que o sistema atual não funciona.”

O primeiro argumento usado por ele para defender a inclusão do yoga na sala de aula é a forma como o espaço está organizado. “Uma criança não dá conta de ficar tanto tempo sentada em uma cadeira. Se ela não senta bem, os pulmões ficam comprimidos e não geram oxigenação adequada para o cérebro. Isso faz com que ela também não preste atenção.” Outra observação feita por ele é que as aulas deveriam oferecer um tempo de relaxamento, para os alunos assimilarem o que foi aprendido. “Poderíamos colocar três ou cinco minutos de intervalo com exercícios de respiração”, sugere.

Para espalhar essa mensagem, há anos o projeto “Yoga com Histórias” também tem se dedicado a desenvolver um curso de formação de educadores. Todo ano são criadas turmas que recebem professores de todo o país. Entre as aulas, são abordados temas como as fases do desenvolvimento infantil, psicomotricidade e inteligências múltiplas.

Nos próximos meses, o “Yoga com Histórias” também deve ganhar um programa infantil na TV Rá Tim Bum. Os episódios irão trazer histórias, desenhos animados e momentos para as crianças praticarem yoga em casa, junto com toda a família. Para viabilizar os custos desse projeto, eles criaram uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse. O objetivo é levantar R$ 280 mil para apoiar nos gastos com a produção. (Porvir/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Porvir.

Global Child Forum acontece em SP

Programa-se para o próximo dia 4 de abril.

Por Redação da Envolverde –

São Paulo, 21 de fevereiro de 2017: No dia 4 de abril, o Global Child Forum será realizado em São Paulo, pela primeira vez no Brasil, sob o tema “Investir em cada criança”. O Fórum irá destacar como as empresas podem promover o avanço social e econômico na região, apoiando os direitos das crianças. O Fórum é organizado em colaboração com o UNICEF e o Childhood Brasil e reunirá mais de 300 líderes e decisores de empresas, Governos, mundo acadêmico e sociedade civil.

“Estamos muito satisfeitos por organizar o Global Child Forum na América do Sul em São Paulo, uma das cidades e centro de negócios mais vibrantes do mundo”, disse Åse Bäckström Saeed, diretora administrativa do Global Child Forum. “Mas, embora a prosperidade na América do Sul esteja aumentando, a região ainda tem desigualdade econômica e social. Este fórum irá desafiar as empresas a construir um futuro justo e sustentável para as crianças da região, integrando os direitos da criança as suas operações”. Muitas empresas estão vendo isso como uma oportunidade para os seus negócios e estão abrindo novos caminhos nesta área. O fórum irá compartilhar essas iniciativas, oferecendo a sua visão de um mundo sustentável em que os direitos das crianças sejam respeitados e apoiados por todos os públicos de interesse.

O fórum de um dia será realizado com as presenças de Sua Majestade o Rei Carl XVI Gustaf, presidente honorário do Global Child Forum, e Sua Majestade a Rainha Silvia da Suécia, do Presidente do Brasil Michel Temer e a Primeira Dama Marcela Temer. O evento irá proporcionar uma plataforma para os líderes empresariais e globais, bem como para especialistas, ONGs, governos e universidades, para inspirar novas maneiras de pensar que podem ser desenvolvidas para combater os crescentes desafios enfrentados pelas crianças da região.

Um dos destaques do Fórum será o lançamento do estudo de benchmark sobre “O Direito da Criança e o setor empresarial na América do Sul”, feito em colaboração com o Boston Consulting Group (BCG), que classifica as principais empresas da região de acordo com indicadores para os direitos da criança.

Os conferencistas incluem, entre outros:

• Ana Maria Drummond, diretora executiva do Childhood Brasil

• Per Heggenes, CEO da Fundação IKEA

• Dr. Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento

• Clara Lopez Obregon, Ministra do Trabalho da Colômbia

• Marta Santos Pais, Representante Especial das Nações Unidas do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças

• María Perceval, diretora da UNICEF na América Latina e Caribe

• Paul J. Sistare, Fundador e Presidente da Atlantica Hotels International

O Global Child Forum na América do Sul será realizado na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) somente para convidados. Se estiver interessado em participar do Fórum, por favor contate: SAM@globalchildforum.org.

Sobre o Global Child Forum

Fundado em 2009 pela família real sueca, o Global Child Forum é um fórum relevante para os direitos das crianças e empresas dedicadas ao pensamento inovador, o compartilhamento de conhecimentos e ao networking. Acreditamos no poder e na responsabilidade das empresas trabalhando em parceria com todas as partes da sociedade, para criar uma sociedade próspera, sustentável e justa para as crianças do mundo. Além de nossos fóruns, o Global Child Forum oferece perspectivas de pesquisa, melhores práticas e ferramentas de avaliação de risco destinados a explorar oportunidades para que as empresas integrem os direitos das crianças em suas operações e comunidades. O presidente honorário do Global Child Forum é Sua Majestade o Rei Carl XVI Gustaf. Para mais informações, por favor visite: www.globalchildforum.org

Participe da conversa, utilizando a hashtag do evento #gcfSAM.

(#Envolverde)

Educação, infâncias e juventudes na cidade

Por Redação do Portal Aprendiz –

Com o objetivo de refletir sobre as formas de conviver e habitar a cidade e suas relações com a educação, será realizado entre os dias 9 e 11/5 o I Seminário Nacional “Infâncias e juventudes na cidade: um diálogo com a educação”, no campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

“Somos enredados por várias lógicas da cidade. Do plano oculto de suas intenções às evidências de seus constrangimentos e de suas possibilidades educativas, torna-se imperativo conhecer melhor a cidade e as infâncias e juventudes que nela habitam”, informa o texto de apresentação do evento.

O encontro reunirá pesquisadores de diferentes campos disciplinares, mobilizados em empreender novos estudos e pesquisas sobre outras formas de conviver e habitar a cidade em permanente diálogo com a educação.

Os trabalhos a serem apresentados serão divididos em três modalidades: comunicação oral, relato de experiência e pôster. Eles devem se enquadrar nos seguintes eixos temáticos: educação, infância e cidade; culturas da infância e o direito à cidade; juventudes e ação cultural em diferentes contextos.

O envio dos trabalhos deve ser feito entre 7/2 e 17/4. Veja aqui mais informações sobre as regras de submissão e como enviar seu trabalho. A divulgação do resultado acontece no dia 12/4.

Confira abaixo a programação do evento:

As vagas são limitadas e as inscrições, que custam R$90, devem ser feitas pela página do evento na internet.

O período de inscrições tem início nesta terça-feira (7/2) e prossegue até o dia 17/4. Para os participantes com submissão de trabalho, o prazo de pagamento é até o dia 07/3. Em caso de desistência, não haverá ressarcimento do valor.

Serviço
I Seminário Nacional “Infâncias e juventudes na cidade: um diálogo com a educação”
Local: Auditório do Centro de Ciências Exatas, Campus Goiabeiras – UFES
Endereço: Av. Fernando Ferrari, 514 – Goiabeiras – Vitória (ES)
Data: de 9/5 a 11/5
Mais informações: infanciasejuventudesnacidade17@gmail.com ou (27) 4009-2541 e (27) 3145-4530

(Portal Aprendiz/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.

Emoção é argumento de vida, não de vendas

Por Maria Helena Masquetti*

“Boa noite, aqui está um tênis que pode ser o ideal para seu filho, feito com este material resistente, além do design que respeita a anatomia dos pés infantis, dando-lhe mais segurança e equilíbrio ao caminhar”. Este não é, infelizmente, o texto de algum comercial conhecido, primeiro por abordar os pais em lugar de se dirigir diretamente às crianças e, segundo, por descrever os atributos do produto em lugar de simplesmente associá-lo a um brinde ou brinquedo, ou então afirmar que o tênis é o mesmo usado por algum ídolo do esporte admirado pela criança.

Bem diferente disso, as mensagens comerciais que nos chegam propõem a decisão de compra diretamente às crianças, abordando-as como consumidoras embora elas sejam consideradas incapazes, perante a lei, de praticar os chamados atos da vida civil. Até aí, trata-se de uma transgressão legal claramente pendente de uma determinação jurídica menos condescendente e mais efetiva. O problema talvez ainda maior são os efeitos da mercantilização da emoção na formação das crianças e, por que não, da própria raça humana.

Da experiência em publicidade, lembro-me do dia em que toda a agência se reuniu para ver, em primeira mão, uma campanha finalizada para câmeras fotográficas, prestes a ser veiculada. O tema foi simples e eficaz: uma sequência de imagens, envolvendo diferentes situações com crianças e apelos tocantes sobre a importância de se guardar momentos inesquecíveis da infância.

Apesar do uso de crianças para atrair a simpatia dos adultos para o produto anunciado, a campanha tinha a seu favor o fato de não ser uma mensagem para crianças, embora pudesse ser vista em qualquer horário (como volta a ocorrer agora com o fim da classificação indicativa que protegia as crianças de conteúdos inadequados à sua idade). As imagens eram realmente sensíveis, dessas que nos levam facilmente às lágrimas quando comparamos com os momentos únicos que vivemos (ou que perdemos) ao lado nossos filhos e crianças do nosso convívio.

No entanto, como reza o ditado, o diabo mora no detalhe e aquele ecoou quase em coro com as vozes da maioria dos publicitários presentes: “Vai vender que nem água!”. Em lugar de olhos marejados, uma explosão de risos e a empolgação geral pela preconização do recorde certeiro de vendas, tal como se verificou depois pelo saldo altamente positivo da campanha.

Foto: Shutterstock

 

Usar temas que tocam profundamente o coração das pessoas é uma das estratégias mais comuns da publicidade, uma vez que a emoção é como o cimento fresco sobre o qual a marca ficará impressa na mente do consumidor. Porém, se usar a emoção para multiplicar vendas é banalizar o que temos de mais humano, mais grave ainda é se endereçar uma mensagem ao consumidor por sabê-la profunda a ponto de induzi-lo a comprar, tal como um pescador à espera do peixe após atirar a isca. E se isso mobiliza (ou imobiliza?) tantos adultos, o que dizer quando o público-alvo são as crianças?

“No mundo realmente invertido, a verdade é um momento do que é falso”. Esta reflexão de Guy Debord, escritor francês e autor de A sociedade do Espetáculo, resume de forma aterradora essa manipulação de algo que nos justifica e caracteriza como humanos. Por outro ângulo, Oscar Wilde, cineasta e dramaturgo britânico também critica essa naturalidade fria com a qual o marketing provoca sentimentos que ele mesmo não sente para fazer dinheiro: “Um cínico é um homem que sabe o preço de tudo, mas o valor de nada”.

Tomando como inspiração a capacidade infantil de dar vida à imaginação, resta desejar que a própria emoção leve a melhor sobre a ganância. Que ela traia os propósitos mesquinhos de um modo superior à pequenez da crença material, inundando os rostos de estrategistas, anunciantes, criadores e consumidores com as lágrimas sinceras do encantamento com a infância e da preocupação com o futuro das próximas gerações. Que o dinheiro tenha seu lugar no mundo para comprar as coisas do mundo e os sentimentos tenham seu lugar nos corações para preservar as coisas que não têm preço, perpetuando para as crianças a compreensão vital de que a emoção não se vende. (#Envolverde)

* Maria Helena Masquetti é graduada em Psicologia e Comunicação Social, possui especialização em Psicoterapia Breve e realiza atendimento clínico em consultório desde 1993. Exerceu a função de redatora publicitária durante 12 anos e hoje é psicóloga do Instituto Alana.

O presente que as crianças mais querem

Por Maria Helena Masquetti*

Quem já não participou de uma conversa animada entre amigos quando o assunto eram fatos vividos na infância? Volta e meia, essas recordações acontecem e raramente o que nos salta primeiro à lembrança são os presentes que ganhamos, exceto quando vinham carregados de alguma história ou significado especial.

No entanto, como em todos os anos, muitos pais e familiares estarão às voltas nestas festas com a busca de presentes para suas crianças. É claro que a intenção de fazê-las felizes é a maior razão de tantos sacrifícios de tempo ou dinheiro, porém, presenteá-las com algo valioso e inesquecível, gastando o mínimo e ainda gerando recordações que as acompanharão para sempre, também é perfeitamente possível. A questão é o quanto estamos determinados a resgatar das mãos do marketing o conceito de felicidade com o qual ele tenta revestir produtos e serviços diversos.

Diferentemente desta felicidade artificial que o marketing tanto propaga, as crianças, quando livres no seu brincar, encontram prazer e alegria em coisas que quase nem percebemos. Numa viagem rápida pela própria imaginação, elas mergulham em cenários cuja beleza nenhum brinquedo – ainda mais concebido e fabricado por adultos – pode reproduzir.

Diferentemente desta felicidade artificial que o marketing tanto propaga, as crianças, quando livres no seu brincar, encontram prazer e alegria em coisas que quase nem percebemos. Foto: Shuttestock
Diferentemente desta felicidade artificial que o marketing tanto propaga, as crianças, quando livres no seu brincar, encontram prazer e alegria em coisas que quase nem percebemos. Foto: Shuttestock

 

Forçando um pouco a memória, talvez nos recordemos de uma boneca de pano ou do carrinho de lata que alguém nos ajudou a fazer. Provavelmente nos volte à memória a euforia com a qual acordávamos para uma viagem de férias ou mesmo para a casa de um parente mais próximo. Ir encontrar os avós, fosse no aeroporto ou num ponto de ônibus, podia nos render horas de expectativa. Enfileirar cadeiras na sala para apresentar à família envolvida uma risonha e mambembe peça teatral era um espetáculo e tanto. Construir um brinquedo com o envolvimento de um adulto então, melhor que não ficasse pronto tão cedo a fim de prolongar um momento tão bom. Exemplos assim são fragmentos minúsculos do arsenal de ideias que podemos colocar em prática, usando o tempo que iremos gastar percorrendo lojas nos shoppings atrás de objetos que perderão a felicidade que prometem antes mesmo que a inclemente fatura do cartão de crédito nos seja entregue.

Se perguntarmos, hoje, a uma criança alvejada por comerciais sobre o que ela deseja ganhar, na maioria das vezes, sua resposta será automática, além de praticamente em coro com milhões de outras crianças que estarão pedindo por um mesmo produto, da mesma marca, do mesmo tamanho ou até da mesma cor. E isto sem que nos debrucemos a pensar sobre o quanto essa padronização do desejo pode afetar a construção da identidade dos pequenos e, mais tarde, suas próprias convicções adultas.

Ante a perspectiva de ver nossas crianças crescerem desejando o que o marketing deseja para elas, é de pasmar o contrassenso expresso nas assinaturas de tantos comerciais; “Para você que sabe o que quer” ou “Quem sabe o que quer, vai mais longe!”. Neste contexto contraditório das vendas, essas assinaturas são ocas de fundamento, ao passo que podem se tornar verdadeiras se estivermos com nossas crianças, nomeando suas características individuais e gerando condições para sua expressão própria.

Dado o bombardeio diário e das bem engendradas mensagens endereçadas aos pontos mais frágeis das crianças, provavelmente a maioria delas prefira os produtos anunciados muito mais do que os presentes marcados pelo afeto e pela correspondência com seus anseios legítimos. Cabe, no entanto, àqueles que realmente querem o melhor para elas, não abrir mão do que acreditam. Nada é mais convincente para uma criança do que ver nos adultos de quem elas dependem a convicção de que ser é melhor do que ter e a alegria de construir junto com elas uma felicidade possível e uma história de infância rica de inventividade e ternura que elas não se cansarão de lembrar e contar. (#Envolverde)

* Maria Helena Masquetti é graduada em Psicologia e Comunicação Social, possui especialização em Psicoterapia Breve e realiza atendimento clínico em consultório desde 1993. Exerceu a função de redatora publicitária durante 12 anos e hoje é psicóloga do Instituto Alana.

Belém recebe evento nacional sobre redução de desigualdades na infância

Durante o encontro serão apresentados dados sobre avanços e desafios em oito capitais brasileiras.

Belém, 5 de dezembro de 2016 – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Prefeitura de Belém reúnem, no próximo dia 7 de dezembro, representantes de oito capitais brasileiras para debater avanços e desafios na redução das desigualdades que afetam a vida de suas crianças e seus adolescentes.

O evento marca o encerramento da edição 2013-2016 da Plataforma dos Centros Urbanos, iniciativa do UNICEF no Brasil com as prefeituras municipais de grandes cidades para que estas avancem na garantia dos direitos de meninos e meninas, em especial dos mais vulneráveis.

Participam do evento o representante do UNICEF no Brasil, Gary Stahl, os prefeitos de Belém, Zenaldo Coutinho; Maceió, Rui Soares Palmeira; Manaus, Arthur Virgílio Neto; e Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto. Também estarão representados os municípios de Fortaleza, Rio de Janeiro, São Luís e São Paulo.

Durante os últimos quatro anos, esses municípios contaram com o apoio do UNICEF, que atuou com o Instituto Paulo Montenegro (IPM), para analisar a fundo seus indicadores na área da infância e adolescência observando, além das médias municipais, a realidade de cada sub-região da cidade. A partir dessa análise e da escuta às populações em geral e aos adolescentes, desenvolveram planos de ação para reduzir as desigualdades entre os territórios e garantir os direitos de todos os meninos e meninas, independentemente da região em que moram.

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

 

“Os dados revelam que todos os municípios alcançaram avanços, o que mostra que é possível chegar a cada criança e adolescente quando há vontade política, engajamento de toda a sociedade e recursos investidos nos territórios e crianças mais vulneráveis”, afirma Gary Stahl, representante do UNICEF no Brasil.

Os resultados desse trabalho serão apresentados no encontro, a partir das 8 horas, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia.

Participam dessa iniciativa oito capitais: Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.

A Plataforma dos Centros Urbanos conta com a aliança estratégica da Fundação Itaú Social e MSC Cruzeiros, além da parceria técnica do IPM, da Rede Conhecimento Social e do Centro de Promoção da Saúde (Cedaps). 

Agenda: 

O quê: Evento de encerramento da Plataforma dos Centros Urbanos: Construindo cidades melhores para crianças e adolescentes

Quando: 07 de dezembro, das 8:00 às 18:00 horas

Onde: Hangar Centro de Convenções da Amazônia. Av. Dr. Freitas, s/n, Marco. Belém (PA).

(#Envolverde)