Educação como ação contra as desigualdades

Priscilla Bonini Ribeiro (*) – 

Durante os anos de transição da ditadura militar para o regime democrático, evidenciou-se o papel da Educação como ferramenta de transformação de uma sociedade marcada por profundas desigualdades sociais, uma realidade desconhecida por muitos por ter sido escamoteada anos a fio. Estava claro que cabia a nós, cidadãos brasileiros, refletir e agir para mudar aquele cenário no quadro da nascente democracia.

Inicialmente, discutiu-se a importância de acabar com o analfabetismo adulto. Depois, houve a preocupação com a formação dos professores. Mas ações emergenciais adotadas naquele contexto acabaram prejudicando soluções realmente abrangentes para aqueles graves problemas. A pressa foi inimiga da perfeição e hoje é preciso realinhar o ensino brasileiro com metas iguais para condições desiguais.

Os problemas sociais que o Brasil enfrenta se agravam a cada dia. Assim, é provável que, nos próximos anos, deva aumentar ainda mais o número de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Essa população não está apenas concentrada nas periferias; ela se espalha pelas cidades, instalando-se em todos os bairros e saindo de uma cidade para outra, o que dificulta muito sua mensuração.

A extensão territorial e a diversidade socioeconômica e cultural do país, por outro lado, dificultam ações locais. Para reduzir a distorção na oferta de ensino de qualidade, essas ações necessitam de incentivos federais ou estaduais. É importante frisar também que a qualidade de ensino no Brasil é avaliada por exames padronizados que não consideram as diferenças culturais e muito menos as multiplicidades que cada região do país apresenta.

Quando se propõe aumentar a oferta e ampliar o acesso à escola esbarramos em questões financeiras e administrativas, de difícil solução em muitos municípios de nosso país. O fato é que por mais incentivo que se possa dar ao ensino, como ocorre nas metas do PNE, o respaldo social, administrativo e político não é tão animador assim. Então, a educação tem o seu caminho para a equidade social interrompido não por uma pedra, mas por uma cadeia de fatores cuja superação só é possível com a colaboração social, empresarial e principalmente, dos entes federados – União, Estados e Municípios.

Educação como solução

Como dissemos, a Educação deve ser entendida como solução, ou pelo menos como atenuante para as desigualdades sociais. Para tanto, é necessário ajustar a Educação brasileira às novas tendências educacionais. Os desafios são muitos e as escolhas das estratégias farão a diferença.

Convivemos com um quadro educacional em que é mais “fácil” entrar na escola do que “sair” dela com a conclusão total do ciclo. Sem falar na qualidade de ensino que também não é igual em todas as escolas do país. Quanto mais avança a educação, mais se escancaram as enormes evidências de desigualdades sociais e regionais.

Diante desse quadro, é preciso refletir sobre algumas questões: o quanto a educação crescerá realmente, com este quadro de desigualdade social não considerado no PNE? Como ajustar as metas padronizadas de universalização quando as divergências regionais tornam-se grandes entraves? Qual a perspectiva que a atual geração tem ao ser tratada como igual num mundo de desiguais?

As metas do PNE visam à universalização do ensino, com cada aluno matriculado e cursando os ciclos escolares de acordo com a idade certa. Antigamente, o aluno só entrava na escola aos sete anos; hoje ele frequenta os bancos escolares com meses de idade, primeiro em creches, seguindo para a pré-escolar, ensino fundamental 1 e 2, no conjunto de ciclo denominado ensino básico obrigatório; depois vem o ensino médio e o ensino superior.

Logo na primeira fase as diferenças sociais ficam evidentes. A demanda para creche aumenta a passos largos e a oferta de vagas nas redes municipais não consegue acompanhar essa procura. A fila de espera por uma vaga é grande e injusta, em determinados casos, quando ocorre a judicialização.

Gargalos da educação

No ensino fundamental a dificuldade é terminar a primeira e a segunda etapa. São gargalos diferenciados. Entretanto, muitas crianças não conseguem acompanhar o ritmo escolar devido às condições sociais em que vivem. Já está mais do que provado que a alimentação, o ambiente domiciliar, a participação da família, entre outros, são fatores determinantes na vida de um aluno. Quando esses fatores são afetados pela condição social da família o resultado é percebido nas salas de aulas, onde as dificuldades aparecem e persistem.

No ensino fundamental 2 o problema fica ainda mais flagrante quando percebemos que, apesar de os alunos terem chegado a essa etapa de ensino, ainda não sabem interpretar textos e apresentam muita dificuldade para entender cálculos. Sair do ensino fundamental com uma formação de qualidade não é, ainda, a realidade da educação brasileira.

Com os problemas surgidos no ensino fundamental, entrar no ensino médio torna-se cada vez mais distante e a evasão escolar cresce nesta passagem de nível escolar. Muitos dos que conseguem entrar no ensino médio carregam a bagagem de despreparo para enfrentar as novas disciplinas. O resultado são alunos que saem do ensino médio sem condições acadêmicas suficientes para encarar o ensino superior.

E temos, então, no ensino superior, a mesma situação. Muito embora o número de pessoas que entra em uma faculdade tenha aumentado, incentivados pelos programas nacionais de financiamentos e bolsas de estudos em instituições particulares, a qualidade do aluno é precária e as dificuldades, que se iniciaram lá atrás, no ensino fundamental, ficam gritantes.

Os gestores educacionais têm metas a cumprir e as penalidades inerentes do descumprimento das metas não consideram as condições sociais dos alunos. Iguala-se, portanto, os desiguais sem a devida preparação para que esses desiguais possam ter condições de aprimorar o aprendizado, ante as condições sociais em que vivem. Será difícil, então, reverter esse quadro de desigualdades sociais com a obrigatoriedade no cumprimento de metas que visam muito mais a quantidade da oferta do que a qualidade do ensino.

Sem dúvida, a educação escolar é a ferramenta que gera a cidadania e que é capaz de mudar destinos. Sem dúvida, é por meio da educação que uma nação se torna desenvolvida. Mas não se pode exigir que a educação seja a grande responsável por tudo aquilo que as políticas públicas não fizeram: gerar condições de desenvolvimento pessoal pleno e em todos os sentidos.

Enfim, é fato que a educação é capaz sim de resolver as desigualdades sociais que existem em nosso país, mas ela não poderá arcar sozinha com o ônus que há anos está batendo à nossa porta. Os educadores, gestores e administradores, principalmente da esfera municipal, são os que mais serão responsabilizados pelo não cumprimento das metas do PNE.

Não é uma questão de ser isso justo ou injusto. É preciso reconhecer que, para que as metas do PNE fossem factíveis, as condições sociais da população precisariam ser muito melhores do que são hoje. Metas iguais para desiguais só irá ampliar o problema e protelar sua solução.

Desiguais não são iguais

Não resolveremos as desigualdades sociais com o atual PNE, que impõe o fardo à Educação. Não resolveremos as desigualdades sociais sem que haja uma política pública apartidária que elabore e implemente um regime de colaboração condizente com as diversas realidades que cada município enfrenta e enfrentará para cumprir metas e mais metas.

Não podemos tratar os desiguais como iguais, como se as diferenças não existissem. Para combater as discrepâncias sociais é preciso uma educação de qualidade com iguais oportunidades para todos, dentro dos parâmetros de universalização do ensino defendido pelo PNE. Mas é necessário mais do que isso. A educação pode sim modificar toda a nossa sociedade e nos dar melhores condições de vida, mas, enfatizo, se em seus parâmetros as desigualdades sociais não forem consideradas, a educação não dará o seu grande salto.

(*) Priscilla Bonini Ribeiro é Secretária Municipal de Educação de Guarujá e Conselheira Estadual de Educação do Estado de São Paulo; Mestre em Educação pela Universidade Medotista de São Paulo.

Prêmio Itaú-Unicef abre incrições

Programa reconhece parcerias entre organizações da sociedade civil (OSC) e escolas públicas no desenvolvimento de ações de educação integral. Neste ano, o número de parcerias que serão premiadas aumentou para 96

Estão abertas as inscrições para a 12ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, que neste ano tem como mote “Educação Integral: Parcerias em Construção”. O objetivo do programa é reconhecer e estimular as boas parcerias entre organizações da sociedade civil (OSCs) e escolas públicas no desenvolvimento de ações de educação integral que ampliem tempo, espaços e conteúdos de aprendizagem para crianças e adolescentes. Desde 1995, já recebeu cerca de 16 mil inscrições, premiando iniciativas em 1.752 cidades.

Neste ano, houve mudanças nas regras de premiação. Além dos vencedores nacionais e regionais, as 96 parcerias finalistas receberão prêmio em dinheiro. “Com isso, ainda mais parcerias passam a ser premiadas. O objetivo é ampliar a distribuição de recursos, alcançando maior número de ações e localidades beneficiadas”, explica a superintendente da Fundação Itaú Social, Angela Dannemann.

Gary Stahl, representante do UNICEF no Brasil

Para o representante do UNICEF no Brasil, Gary Stahl,  a expectativa é de que neste ano o prêmio possa alcançar ainda mais as crianças e os adolescentes mais vulneráveis, aqueles mais difíceis de alcançar. “Queremos identificar e reconhecer iniciativas que possam contribuir com a redução de desigualdades no País e sejam inspiradoras para o aperfeiçoamento de políticas públicas que ajudem a levar o direito à educação integral a toda parte”, explica.

As inscrições podem ser realizadas até o dia 17 de maio no site premioitauunicef.org.br, onde está publicado também o regulamento. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo telefone 0800-7017104.

O Prêmio

O Prêmio Itaú-Unicef é uma iniciativa da Fundação Itaú Social e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Cada edição tem duração de dois anos, período no qual são contempladas duas linhas de ação. Durante os anos ímpares, acontece a premiação, com a mobilização para o processo de inscrição, avaliação e seleção de ações socioeducativas. No segundo ano, são realizadas ações de formação sobre a temática de educação integral.

Ao se inscrever, a OSC indica a escola com a qual trabalha e as atividades socioeducativas que desenvolvem conjuntamente. As parcerias mais efetivas são reconhecidas e tanto a OSC quanto a escola pública são premiadas. As avaliações consideram o mérito das ações desenvolvidas e os aspectos de gestão para a sua sustentabilidade.

“As parcerias são uma estratégia muito importante para que a Educação Integral se concretize. Elas ampliam os espaços para o trabalho com as crianças, oferecem atividades diversificadas e multiplicam as oportunidades educativas. São ainda uma forma de enfrentar as desigualdades sociais, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade”, avalia Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec.

Os projetos inscritos passam por análise preliminar, sendo agrupados por localidades do País. Nesta edição, serão oito regionais: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). As parcerias são avaliadas por agentes públicos das áreas de Educação e Assistência Social.

Até 96 parcerias finalistas serão selecionadas entre julho e agosto. Representando a parceria, a organização da sociedade civil e a escola pública receberão, cada uma, o valor de R$ 10 mil. Na etapa seguinte, serão escolhidas quatro parcerias premiadas por região, totalizando 32, que receberão R$ 20 mil adicionais, tanto a OSC como a escola.

A premiação final está prevista para dezembro, em São Paulo, quando serão anunciadas as quatro parcerias vencedoras, que receberão mais R$ 100 mil cada. Totalizando um prêmio de R$ 130 mil para as quatro parcerias premiadas nacionalmente.

Na última edição do Prêmio Itaú-Unicef, os ganhadores foram: Eu, Você e a Escola, Educação que Transforma (Diamantina – MG); Aprender Faz Bem (Campos de Goytacazes – RJ); Matéria Rima (Diadema – SP); Curumins da Amazônia II: Protagonizando Vidas com Educação e Arte (Parintins – AM); e Projeto Morro da Cruz para a Vida (Porto Alegre – RS).

(#Envolverde)

MAC mostra os infinitos caminhos que levam à arte

Por – Agência USP

Apresentar os diferentes caminhos da arte contemporânea brasileira é o desafio da mostra Os desígnios da arte contemporânea no Brasil, que está sendo apresentada no segundo andar do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. Um desafio que o curador José Antonio Marton propõe reunindo o trabalho de nove artistas de diferentes regiões do Brasil. “São trabalhos que, apesar da diversidade de paisagens, dialogam entre si e questionam o público”, explica.

Fernando Lindote: Lusus Naturae – Foto: Sidney Kair

A reflexão sobre os movimentos da sociedade se fundem na arte de Alan Fontes, Ana Prata, Fernando Lindote, James Kudo, Paulo Almeida, Rodrigo Bivar, Sergio Lucena, Tatiana Blass e Ulysses Boscolo. Porém, trazem narrativas diversas.

Tatiana Blass: Entrevista # 10,óleo sobre tela de 2014 - Foto: Everton Ballardin
Tatiana Blass: Entrevista # 10, óleo sobre tela de 2014 – Foto: Everton Ballardin

“A mostra nos revela uma produção contemporânea pulsante”, observa Ana Magalhães, curadora do MAC. “Ao longo da história da arte contemporânea, a questão da morte da pintura foi levantada para falar do esgotamento desse suporte como um suporte necessariamente atrelado à tradição artística, contra a qual se bateram e se fascinaram os artistas do século 20. Mas também para falar do fim da narrativa linear da arte, ou do fim da história da arte como discurso sobre a produção artística. Mas efetivamente a pintura permaneceu como meio importante da prática artística contemporânea, em várias partes do mundo. No Brasil, os artistas que lançam mão desse meio são muitos e o fazem, como veremos aqui, de formas muito diferentes.”

Onde as memórias se perdem

Alan Fontes: instalação lembra as Cataratas de Foz do Iguaçu – Foto Divulgação
Alan Fontes: instalação lembra as Cataratas de Foz do Iguaçu – Foto Divulgação

O jeito de ver, contar, sentir e registrar a história resulta nos múltiplos caminhos que o visitante percorre no espaço. Alan Fontes, mineiro de Belo Horizonte, questiona a destruição da história e da natureza. Na instalação Onde as Memórias se Perdem, apresenta uma pintura retratando as Cataratas de Foz do Iguaçu. “A obra foi executada com uma paleta reduzida em tons frios, que instaura uma indefinição espacial e temporal na cena”, explica o artista. “O fluxo contínuo de água que abre seu caminho de forma contundente na paisagem, erodindo e lavando infinitamente a rocha, está metaforicamente relacionado com o volume intermitente de imagens produzidas na contemporaneidade, assim como a consequente sensação de esquecimento gerada pela constatação da nossa incapacidade de lembrar e reter definitivamente a memória.”

No fundo, outras duas pinturas questionam a destruição dos casarões da avenida Paulista.

Ana Prata, também mineira, de Sete Lagoas, traz as séries Sol e Montanha, Amarelo e Grande Circo. São imagens de quem busca o invisível. “Os desígnios da arte contemporânea são múltiplos e inumeráveis”, opina a artista. “Acho que se decifrarmos os seus desígnios perderíamos a vontade de olhar, de entender e buscar. Perderia o sentido que a arte tem de tornar visíveis coisas invisíveis.”

Ana Prata: Grande Circo, 2013 – Foto: Divulgação
Ana Prata: Grande Circo, 2013 – Foto: Divulgação

As cores de Fernando Lindote, de Santana do Livramento, cidade gaúcha que faz fronteira com o Uruguai, movimentam o espaço. Buscam a simbologia da cultura brasileira na escultura do papagaio em bronze e na pintura Primeiro Imperador, uma espécie de ser mítico que habita as florestas. Na mostra, é possível observar o artista que não abdica do humor do cartunista e chargista.

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Fernando Lindote e a figura mítica do Primeiro Imperador – Foto: Divulgação

Tatiana Blass debate o tempo, a vida e a morte em sua instalações e pinturas. Na instalação Zona Morta, 2007, o visitante revê e reflete sobre sonhos e lembranças. Há quadros, discos, um velho piano com uma partitura do caderno Invenções a Duas Vozes, obrigatório no aprendizado clássico, fotos, uma decoração dos anos 1960. E, ao sair, há um corpo estendido no chão de alumínio fundido, com o título Para o Morto.

Tatiana Blass: sonhos e lembranças - Foto: Divulgação
Tatiana Blass: sonhos e lembranças – Foto: Divulgação

Sergio Lucena e o encontro da luz

Nas telas de Sergio Lucena, o visitante mergulha no silêncio. Paraibano de João Pessoa, o artista surpreende pelo encontro com a luz. As cores se fundem e são a paisagem. E o retrato de um pintor consagrado no Brasil e no exterior.

Nas telas de Lucena, contemplação e silêncio - Foto: Divulgação
Nas telas de Lucena, contemplação e silêncio – Foto: Divulgação

Para chegar à luz e cor, Lucena, 53 anos, percorreu um longo caminho. Entrou nos cursos de Física e Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, mas não concluiu. Acreditou e trabalhou pelas trilhas que a sua arte foi desenhando. Em 1992, ganha uma bolsa de estudos para estudar em Berlim. Sua trajetória é pontuada por diversas fases. Uma árdua busca. O desenho denso em detalhes, perfeito, foi se libertando da forma e hoje é a nuance do tempo, do espaço, da natureza do ser sensível. “A paisagem é o meu tema maior. Ela corresponde para mim à fusão dos estados físico, psicológico e espiritual”, explica Lucena. “A pintura de paisagem é o caminho que percorro na busca das relações entre as múltiplas esferas da realidade.”

Memórias de um lugar

James Kudo, 49 anos, paulista de Pereira Barreto, traz a série Florestas e surpreende pelas cores e síntese da paisagem.  Uma síntese também da sua própria história e lembranças.

James Kudo: cor e luz - Foto: Divulgação
James Kudo: cor e luz – Foto: Divulgação

Nos tons de azul do céu, da água, o preto que transformou as montanhas, no aconchego de um tecido xadrez que remete à memória de uma casa, de um lar, Kudo pinta a trajetória da sua cidade natal, fundada por imigrantes japoneses no dia 11 de agosto de 1928,  chamada de Novo Oriente. Parte desse município que passou a ser chamado de Pereira Barreto foi inundada, em 1990, pela usina hidrelétrica de Três Irmãos. São as imagens dos lugares de sua infância que são reverenciadas em seus desenhos.

Universo poético

Ulysses Bôscolo: pequenas telas formam a paisagem de pássaros – Foto: Divulgação
Ulysses Bôscolo: pequenas telas formam a paisagem de pássaros – Foto: Divulgação

Na série Pássaros,  o paulistano Ulysses Bôscolo, 39 anos, propicia ao visitante as imagens e cores dos pássaros. “Uma série de telas pequenas e do mesmo tamanho distribuídas no espaço como se fossem notas musicais em uma partitura”,  define o curador Antonio Marton. Apresenta também uma série de xilogravuras. Não tem o encanto e a delicadeza dos pássaros mas trazem a força do seu desenho. São obras que revelam as várias faces do artista, gravador e ilustrador.

A obra do paulistano Paulo Almeida, 39 anos, também registra os ambientes          que o cercam. São grandes pinturas que trazem detalhes da arquitetura ou reflexos dos espaços captados ou flagrados pelo seu olhar fotográfico. São estratégias onde ele reconstrói um novo espaço com as suas obras e compartilha esse universo com os artistas e os visitantes da mostra.

Paulo Almeida :Biennial Pavilion on the mirrors, 2015 - Foto: Divulgação
Paulo Almeida :Biennial Pavilion on the mirrors, 2015 – Foto: Divulgação

Descobertas do contemporâneo

 Nas imagens de Rodrigo Bivar, há a pausa de uma busca. Apesar de jovem – nasceu no Distrito Federal, Brasília , em 1981 – a sua inquietação já o levou por diversos caminhos. Vai seguindo os desígnios da contemporaneidade. E se até há pouco tempo ele registrava cenas e paisagens do cotidiano, agora ele compõe as formas das cores. Nada a ver com o óbvio dos limites dos espaços. Ele se dá a autonomia e o direito ao infinito da arte.

Rodrigo Bivar: uma nova paisagem – Foto: Divulgação
Rodrigo Bivar: uma nova paisagem – Foto: Divulgação


A exposição Os desígnios da arte contemporânea no Brasil, com curadoria de José Antônio Marton, está no Museu de Arte Contemporânea da USP, na Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, até 30 de julho de 2017. Funciona às terças, das 10 às 21 horas, e quarta a domingo, das 10 às 18 horas. Entrada gratuita. Mais informações no tel. (11) 2648-0254. Site: www.mac.usp.br

(#Envolverde)

Unesp oferece 70 cursos gratuitos a distância

Conteúdos de exatas, humanas e biológicas contemplam diversas carreiras profissionais
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) está oferecendo cursos a distância e gratuitos para quem busca formação e atualização profissional. São 70 cursos relacionados às três áreas do conhecimento: exatas, humanas e biológicas contemplando diversas profissões.

Os cursos serão oferecidos na plataforma online da Unesp com material didático, exercícios de múltipla escolha e a opção de interagir com outras pessoas que estão fazendo o mesmo curso, além de poder entrar em contato com o professor que propôs a disciplina para tirar dúvidas. Aberto ao público, os interessados podem fazer quantos cursos preferir sem restrição de quantidade.

Serviço
Site: www.unespaberta.ead.unesp.br
Cursos de exatas: www.unespaberta.ead.unesp.br/exatas
Cursos de humanas: www.unespaberta.ead.unesp.br/humanas
Cursos de biológicas: www.unespaberta.ead.unesp.br/biologicas

Publicado originalmente em
http://socialbauru.com.br/2017/03/28/unesp-oferece-70-cursos-gratuitos-a-distancia/

(#Envolverde)

7ª Conferência Mundial de Restauração Ecológica

 A SER-Society for Ecological Restoration (SER), em parceria com a SOBRE – Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica e a SIACRE Sociedad Ibero-Americana y del Caribe de Restauración Ecológica promovem a 7ª Conferência Mundial de Restauração Ecológica (SER2017) em Foz do Iguaçu, PR, Brasil, no período de 27 de agosto a 01 de setembro de 2017. A submissão de resumos pode ser feita até 2 de abril. Mais informações: www.ser2017.org

Trata-se do evento mais importante do mundo na área de restauração ecológica. A Prof. Dr
a. Vera Lex Engel, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu, é a Presidente da Comissão Organizadora da SER2017

A restauração ecológica tem sido cada vez mais reconhecida como um instrumento chave para estabilizar e mesmo reverter os impactos ecológicos e socioculturais da degradação ambiental e das mudanças climáticas. Muitos países, dentre eles o Brasil, têm se comprometido a restaurar pelo menos 15% de suas áreas degradadas até 2020. Entretanto, o grau em que esses compromissos possam ser cumpridos e seus objetivos alcançadas depende do desenvolvimento e disseminação de informação da mais alta qualidade sobre a ciência e a prática da restauração ecológica.

A Conferência SER2017 reunirá os maiores cientistas mundiais na área de restauração ecológica, numa plataforma onde os mesmos poderão interagir com praticantes, manejadores de recursos naturais e tomadores de decisões, com o intuito de construir e aumentar capacidade técnica para projetos globais de restauração. A SER2017 irá fomentar a rede global de restauração ecológica, criando oportunidades e conexões para maximizar os benefícios da restauração ecológica, tanto para a natureza como para as pessoas. O tema da conferência, “Linking Science and Practice for a Better World” (“Ligando a ciência e a prática para um mundo melhor”) é particularmente relevante em busca de soluções para os problemas de degradação ambiental, reforçado pelo fato de que um número cada vez maior de países do mundo tem se comprometido a atingir metas internacionais e nacionais de restauração ecológica e mitigação das mudanças climáticas globais.

O fato do evento envolver a inédita parceria entre a mais importante organização mundial (SER) e as duas entidades de maior liderança e representatividade na América Latina (SIACRE) e Brasil (SOBRE), respectivamente, nos permite antecipar que o evento será um dos maiores e mais influentes até o momento, com estimativa de participação de mais de 1500 delegados de todas as partes do planeta, representando membros da academia, técnicos, manejadores de recursos naturais, estudantes, tomadores de decisão e outras partes interessadas.

A conferência incluirá sessões plenárias gerais com palestrantes de renome mundial, além simpósios, workshops e cursos de treinamento focados no estado da arte da restauração, bem como nos esforços, oportunidades e desafios em escala local, regional e global, visando contribuir para a formação de recursos humanos qualificados para atingir os objetivos. Além de abordar questões atuais e relevantes como estas, a conferência trará excelentes oportunidades para treinamento, para a formação e expansão de redes de contatos profissionais para os que atuam na área.

(#Envolverde)

“Portinari Para Crianças” chega ao mercado brasileiro

Por Redação da Envolverde –

TSP Editorial lança coleção em homenagem ao pintor modernista.

Já se disse que a arte é uma mentira que nos permite conhecer a verdade. Se a arte for a obra de Portinari (1903-1962), um dos maiores pintores do Brasil e do mundo, que verdades e valores não revelaria? Pensando na intertextualidade entre arte e educação, a TSP Editorial, depois de 3 anos e meio de pesquisas e revisões, lança a coleção paradidática “Portinari Para Crianças”. Inspirada na obra do pintor paulista, a coleção é composta por 7 livros de leitura (que abrangem do ensino infantil ao fundamental, do 1º ao 5º ano), 6 livros do professor, 125 pranchas com telas do artista e 1 DVD com 125 imagens para imprimir de todas as obras que ilustram os livros.

A tela "Meninos Brincando" (1958), de Portinari, é o ponto de partida para discutir a infância, no livro destinado à educação infantil (crianças de 04 a 06 anos). Foto: Reprodução
A tela “Meninos Brincando” (1958), de Portinari, é o ponto de partida para discutir a infância, no livro destinado à educação infantil (crianças de 04 a 06 anos). Foto: Reprodução

 

A coleção teve o apoio de João Candido Portinari, filho único do pintor e diretor-presidente do Projeto Portinari, no Rio de Janeiro, e supervisão da arte-educadora e coordenadora do Núcleo de Arte-Educação e Inclusão Social do Projeto Portinari, Suely Avellar. Ela é coautora dos livros do professor. Os textos são das escritoras Maria Lucia Lima, Fátima Miguez e Lucia Fidalgo e o projeto gráfico, da designer Julia Lima. Direcionada aos estudantes e professores das redes pública e privada, a coleção “Portinari Para Crianças” custa R$ 69 por aluno. Cada livro é destinado a um ano letivo.

A partir de telas e gravuras de Portinari, foram criados poemas e textos em forma de narrativas, que dialogam com as imagens por ele criadas. Portinari foi um dos pioneiros, no Brasil, a retratar o negro e o índio. Dedicou-se a retratar os trabalhadores e figuras populares em suas diversas atividades (o lavrador de café, a lavadeira, o seringueiro, o garimpeiro, o músico, o jangadeiro, o operário, o estivador, o cangaceiro, a baiana). Eles aparecem em diferentes contextos, na sua cidade natal, na favela, como migrantes ou retirantes. Portinari é considerado o principal pintor modernista a tratar questões de identidade e etnia e, por consequência, das raízes do Brasil.

A capa do livro "Riquezas do Brasil", voltado para o ensino fundamental, traz a reprodução da pintura a óleo "Café", de 1935: aprender ficou mais divertido.
A capa do livro “Riquezas do Brasil”, voltado para o ensino fundamental, traz a reprodução da pintura a óleo “Café”, de 1935: aprender ficou mais divertido.

 

Mais do que linhas e cores, a obra de Portinari revela valores fundamentais para crianças e jovens em formação. A coleção propõe uma conexão entre as telas e temas do Brasil, do mundo e de formação de crianças e jovens nessa faixa etária, dos 04 a 10 anos. Os títulos se dividem em: Educação Infantil – “Os Meninas” e “As Meninas”; 1º ano – “Jogos e Brincadeiras”, 2º ano – “Brasil Festeiro”, 3º ano – “Festa na Floresta Brasileira”, 4º ano – “Riquezas do Brasil” e 5º ano – “História do Brasil em Traços e Cores”, cada qual prestando uma homenagem ao pintor e chamando a atenção para fatos e experiências educacionais. “A proposta é o ensino da arte de maneira muito agradável e intuitiva, com o uso de diversas outras disciplinas, como História, Economia, Sociologia, Antropologia e Biologia. A infância é um tema fundamental na obra de Portinari. Nosso trabalho foi apenas o de explorar as potencialidades desse tema e apontar caminhos de aprendizado para pais, professores e alunos”, explica Luiz Fabricio Argentieri, sócio-fundador da TSP Editorial e idealizador da coleção.

A coleção "Portinari Para Crianças" (TSP Ed.) reúne livros e DVD e promove um diálogo entre as obras de arte e diferentes disciplinas escolares, como História, Sociologia, Economia, Antropologia, Biologia.
A coleção “Portinari Para Crianças” (TSP Ed.) reúne livros e DVD e promove um diálogo entre as obras de arte e diferentes disciplinas escolares, como História, Sociologia, Economia, Antropologia, Biologia.

 

Na coleção de nível infantil, dirigida a crianças de 04 a 06 anos, frases poéticas, escritas por Maria Lucia Lima, falam de ações, preferências e comportamentos de meninos e meninas, conduzindo os pequenos leitores ao acervo da obra de Portinari. Os temas remetem à infância do artista em Brodowski, sua cidade natal, no interior do Estado de São Paulo. A tela “Meninos Brincando”, de 1958, ilustra a capa do livro, que conta a vida do menino Candinho. Crianças engajadas em brincadeiras de cor e forma e em retratos de cenas do interior. Obras como “Plantando Bananeira” (1956), “Menino com Pipa” (1954), “Menino com Passarinho e Arapuca” (1959), “Menina das Trancinhas” (1958), “Denise com Pássaro” (1960), “Menina com Cabrito” (1954), “Grupo de Meninas” (1940), “As Moças de Arcozelo” (1940) são reproduzidas nos livros e servem de inspiração para pais e professores instigarem os pequenos leitores. Lá estão retratos sobre a relação das crianças com os animais, com os amigos, com a vida, brincando no quintal, entre estrelas e balões, e entre frutas tropicais, como goiabeira, mangueira e bananeira.

Tropical e popular, Portinari é um dos mais importantes artistas brasileiros do século 20. A colona, a baiana, a mulata, a índia, o cangaceiro, o mestiço, o intelectual, todos são retratados em suas obras. A História do Brasil aparece em traços e cores na coleção “Portinari Para Crianças”. Uma forma divertida e lúdica de aprendizado. Obra que merece ser revisitada, revista e, agora, também vista em DVD, com novas tintas e cores.

Ficha técnica:

Título: Portinari Para Crianças

Autoras: Fátima Miguez, Lucia Fidalgo e Maria Lucia Lima

Coordenação: Suely Avellar / Projeto Portinari

Ilustrações: Julia Lima

TSP Editorial, São Paulo, 2016.

Formatos: 18 cm x 19 cm (livros de educação infantil) e 22 cm x 15,5 cm (ensino fundamental)

Páginas: 40 páginas (educação infantil) e ensino fundamental (60 páginas, em média).

Preço: R$ 59 por livro

Vendas on-line: www.totalsp.com.br

Contato: 19 3878-3746

FNDE lança cartilha para apoiar gestores educacionais

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) lançou, neste mês de março, a cartilha FNDE em Ação,que traz um resumo das principais ações da autarquia voltadas às administrações municipais, estaduais e comunidades escolares. O objetivo da publicação é facilitar o acesso dos 26 estados, do Distrito Federal, dos 5.570 municípios e de cerca de 156 mil escolas públicas de todo o país aos programas, sistemas e ferramentas da autarquia.A cartilha traz instruções essenciais para que prefeitos, secretários de educação e gestores educacionais se familiarizem com os programas finalísticos e possam acessá-los de forma mais prática.

“A maioria das demandas que recebemos no dia a dia do FNDE é decorrente do pouco conhecimento dos gestores em relação ao acesso e manuseio de nossos programas e ações”, explica o presidente do FNDE, Silvio Pinheiro. “Por isso, pensamos nesse material, que é simples, didático e vai auxiliar milhares de municípios, estados e escolas. As instruções vão desde a forma de se acessar o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), por exemplo, à forma de se prestar contas no Siope [Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação], e tudo com linguagem simples e acessível. Esta cartilha pertence a todos nós que abraçamos, dia a dia, a boa causa da educação: gestores, técnicos, professores, pais e alunos.”

O assessor de Relações Institucionais do FNDE, Maurício César, destacou a facilidade que a publicação trouxe: “Nós não tínhamos um material sucinto, que conseguisse condensar, ao menos, nossas principais ações. Com a cartilha ficou mais fácil orientar e tirar dúvidas básicas que a maioria dos gestores, prefeitos, deputados e até senadores têm sobre nossos programas e ações.”

Responsável pela elaboração do material, a assessora de comunicação do FNDE, Poliana Oliveira também comentou o lançamento: “Falar com nosso público de forma simples e prática é nosso maior desafio e a construção dessa cartilha foi pautada justamente nisso. Nossa equipe de publicidade trabalhou com afinco para entregar o melhor produto, no menor tempo possível.”

A cartilha FNDE em Ação traz informações sobre o que são os programas, qual a forma de acessá-los, suas principais características, como prestar contas, entre outras informações. São destaques da publicação os seguintes programas: Alimentação escolar (Pnae); Biblioteca da escola (PNBE); Caminho da escola; Compras governamentais – Registro de preços nacional (RPN); Dinheiro direto na escola (PDDE); Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb); Livro didático (PNLD); Plano de Ações Articuladas (PAR); Proinfância; Salário-educação; Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope) e Transporte escolar (Pnate). (#Envolverde)

Acesse a cartilha FNDE em Ação

Escola São Paulo de Ciência Avançada em Mudanças Climáticas aceita inscrições

Elton Alisson, da Agência FAPESP

Estão abertas até o dia 31 de março as inscrições para a “São Paulo School of Advanced Science on Climate Change: Scientific basis, adaptation, vulnerability and mitigation”.

Organizada pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Mudanças Climáticas (INnter-disciplinary CLimate INvestigation cEnter) – INCLINE – um núcleo da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que tem como objetivo promover a interdisciplinaridade das diversas áreas de pesquisa científica relacionadas às mudanças climáticas – e pelo Instituto Interamericano para Pesquisa em Mudanças Globais (IAI) – uma organização intergovernamental constituída por 19 países das Américas, sediada em Montevidéu, no Uruguai –, a Escola será realizada entre os dias 3 e 15 de julho no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

O evento, apoiado pela FAPESP, no âmbito da modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), tem como objetivo fornecer a alunos de pós-graduação e pesquisadores em início de carreira conhecimentos avançados sobre a ciência da mudança climática e tópicos relacionados, incluindo aspectos de políticas públicas.

Serão selecionados 100 alunos, entre estudantes de mestrado e doutorado, pós-doutores e pesquisadores em início de carreira, sendo, aproximadamente, 50% brasileiros e 50% estrangeiros, de diferentes disciplinas acadêmicas – tais como Ciências Naturais, Sociais, Humanas e Engenharia –, com trabalhos e pesquisas relacionados aos temas da Escola.

Os participantes serão selecionados com base no mérito de suas informações de candidatura, na relevância do trabalho acadêmico e estudos relacionados aos temas da Escola e de acordo com equilíbrio disciplinar, de gênero e regional.

Os selecionados que venham de outras cidades, estados e países terão suas despesas com passagem aérea, transporte e alimentação pagas pela organização. As inscrições devem ser feitas pelo site http://www.iag.usp.br/inscricoes/spsasc.

“A Escola permitirá que os participantes debatam com renomados cientistas temas importantes do último relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da Organização das Nações Unidas (ONU)] – o AR5 – e tenham uma visão mais global dos resultados dessa publicação”, disse Tércio Ambrizzi, professor do IAG-USP e coordenador do evento, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, os relatórios do IPCC são divididos em três partes resultantes das contribuições de três grupos de trabalhos diferentes: a primeira relacionada às bases científicas, a segunda parte sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade e a terceira sobre mitigação das mudanças climáticas.

Apesar de os três temas estarem interligados, estas diferentes partes do relatório acabam sendo lidas por públicos distintos. Os pesquisadores da área de Ciências Naturais, por exemplo, acabam detendo-se na parte sobre as bases científicas. Já os cientistas sociais e de outras áreas relacionadas à área de Humanas, por exemplo, acabam restringindo seus focos à segunda parte, sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade, e à terceira, sobre mitigação das mudanças climáticas, exemplificou.

“Em razão dessa leitura compartimentada do relatório do IPCC, nós pensamos que seria extremamente interessante trazer especialistas nas três áreas abrangidas pela publicação para fornecer aos participantes da Escola um resumo e discutir as principais conclusões de uma forma mais global”, explicou Ambrizzi.

Atualmente, o IPCC está em seu sexto ciclo de avaliação. Durante este ciclo, o Painel produzirá três relatórios especiais, um relatório metodológico sobre os inventários nacionais de gases de efeito estufa e o sexto relatório de avaliação (AR6), que deverão ser finalizados até 2021.

Um dos relatórios especiais, denominado SR1.5, será sobre os impactos do aquecimento global de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, que deverá ser concluído em setembro de 2018.

O segundo relatório especial, batizado de SR2, será sobre as alterações climáticas, a desertificação, a degradação das terras, a gestão sustentável das terras, a segurança alimentar e os fluxos de gases de efeito de estufa nos ecossistemas terrestres e tem previsão de conclusão em setembro de 2019.

E o terceiro relatório especial – o SROCC – que será sobre as alterações climáticas e os oceanos e a criosfera, também deverá ser concluído em setembro de 2019.

Acordo de Paris

Durante a Escola será discutido o tema do SR1.5, sobre os impactos de um aumento de 1,5 °C da temperatura global acima dos níveis pré-industriais, que os países signatários do Acordo de Paris, estabelecido em dezembro de 2015 durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), realizada na capital francesa, pretendem evitar.

No Acordo de Paris ficou estabelecido que todos os países signatários deveriam cortar suas emissões de gases de efeito estufa com o objetivo de conter o aumento da temperatura do planeta em até 2 ºC até 2100.

Cientistas integrantes do IPCC, contudo, indicaram que o aumento da temperatura mundial deve ser limitado a 1,5 °C, uma vez que, com uma elevação da temperatura do planeta em 2 ºC, diversos países no Pacífico, por exemplo, situados muito próximos da costa, poderiam ser prejudicados em razão de um aumento do nível do mar causado pelo incremento da temperatura global.

“Reservamos um dia e meio do final da Escola para promover uma discussão final sobre como o aumento de 1,5 °C na temperatura global poderia efetivamente afetar o sistema atmosférico e oceânico como um todo”, disse Ambrizzi.

“Essa discussão deverá ser liderada por dois especialistas, sendo um deles o atual diretor executivo do IAI, Holm Tiessen”, afirmou.

A Escola deverá ter a participação de pesquisadores brasileiros, das Américas do Sul e Central, além da Europa e dos Estados Unidos como palestrantes – alguns deles membros do IPCC.

A programação será composta por um curso com duração de duas semanas que incluirá aulas teóricas, trabalhos em grupo, sessão de pôsteres, discussões científicas e visitas a duas instituições no Estado de São Paulo que conduzem pesquisas sobre mudanças climáticas: o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

“Esperamos que a Escola promova uma interação de conhecimentos entre os participantes e que eles possam efetivamente não só refletir, mas também contribuir com ideias e sugestões que, eventualmente, possam ser até mesmo levadas ao IPCC”, disse Ambrizzi.

Mais informações sobre a Escola podem ser obtidas no site http://inclineusp.wixsite.com/spsascc

(#Envolverde)

O BID lança um portal multilíngue para apoiar aprendizagem

O Centro de Informações para a Melhoria das Aprendizagens (CIMA) é o primeiro portal em espanhol, inglês e português de indicadores e estatísticas educacionais comparáveis para a América Latina e o Caribe

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está lançando o Centro de Informações para a Melhoria das Aprendizagens (CIMA), um portal de indicadores e estatísticas educacionais para a América Latina e o Caribe, em resposta às necessidades de decisores de políticas públicas, pesquisadores, dos meios de comunicação e da sociedade civil no monitoramento dos sistemas educacionais da região e no trabalho de informar as políticas públicas para contribuir à melhoria desses sistemas.

Embora já existam esforços de compilação de dados por outras organizações, CIMA oferece uma plataforma fácil de usar, com informações em espanhol, inglês e português. Sua proposta é apresentar estatísticas educacionais comparáveis e relevantes sobre os desafios enfrentados pelos países da região.

CIMA é abastecido por três fontes principais de dados: levantamentos domiciliares harmonizados, avaliações de aprendizagem e dados administrativos. Na atualidade, o portal apresenta cerca de 40 indicadores, que oferecem um panorama regional da educação e permitem realizar comparações entre países e anos. Os usuários do portal CIMA também poderão explorar os indicadores por meio dos “Perfis de país”, que apresentam em detalhe as características de cada sistema educacional. Essa abordagem permitirá a identificação das áreas nas quais os diferentes sistemas avançaram e as áreas nas quais há uma necessidade urgente de melhorias, informando, assim, a elaboração de metas nacionais e regionais que orientem os serviços educacionais.

“O portal CIMA oferece evidências para apoiar a adoção informada de decisões e, assim, melhorar com eficiência a qualidade dos sistemas educacionais e das aprendizagens. Temos a firme convicção de que com mais conhecimentos a respeito do quanto as nossas crianças sabem, e do que elas sabem, poderemos fazer com que todos os estudantes da região cheguem ao topo”, ressalta Emiliana Vegas, Chefe da Divisão de Educação do BID. Vegas adiciona que CIMA não consiste apenas nesse portal de estatísticas, mas é um projeto integral orientador de políticas e metas educacionais.

Nesse sentido, o projeto CIMA visa a encorajar os países a fortalecer os seus sistemas de coleta e análise de dados, participando de avaliações de aprendizagem regionais e internacionais, e medindo o impacto das suas reformas educacionais. Assim, serão geradas cada vez mais informações úteis e de qualidade, capazes de orientar melhorias nas políticas públicas. Para alcançar esse objetivo, CIMA busca a participação ativa de ministérios, agências de avaliação e institutos de estatísticas, no sentido de gerar e aproveitar dados educacionais de qualidade por meio da criação da Rede CIMA em nível regional.

Para navegar no portal CIMA e conhecer mais a respeito deste projeto, visite www.iadb.org/cima

Sobre o BID

O Banco Interamericano de Desenvolvimento tem como missão melhorar vidas. Fundado em 1959, o BID é uma das principais fontes de financiamento de longo prazo para o desenvolvimento econômico, social e institucional da América Latina e o Caribe. O BID também realiza projetos de pesquisa de vanguarda e oferece assessoria sobre políticas, assistência técnica e capacitação a clientes públicos e privados em toda a região.

Fundação Siemens e Instituto Sabin se unem pela educação infantil

Entidades fecham acordo para ampliar o Projeto Experimento, que estimula o interesse de crianças pela ciência.

Por Redação da Envolverde –

A Fundação Siemens firmou uma parceria com o Instituto Sabin para aumentar o alcance do Projeto Experimento, programa que tem o intuito de estimular em crianças o interesse pela ciência. O Instituto vai levar o projeto, que já está em andamento desde 2015 e já beneficiou cerca de 20 mil alunos em sete estados brasileiros, para 19 entidades sociais no Distrito Federal e entornos. É esperado que 5700 crianças sejam impactadas pela parceria nessas novas escolas beneficiadas até janeiro de 2019. A meta do Projeto Experimento para 2017 é ampliar o alcance do programa para 30 mil alunos em 12 estados.

A parceria foi viabilizada graças à Siemens Healthineers, divisão de saúde da Siemens, que enxergou a possibilidade e engajou as duas entidades. A princípio, a parceria tem a duração de dois anos, podendo ser renovada. A expectativa da Fundação Siemens é que a parceria se torne permanente e que o Instituto Sabin se torne um multiplicador do projeto. Além disso, de acordo com Bianca Talassi, Secretária Executiva da Fundação Siemens, as entidades acreditam na força da educação e esse acordo pode abrir caminho para novos projetos no futuro.

A previsão é que as aulas nas novas escolas comecem ainda no primeiro trimestre escolar, impactando crianças a partir dos seis anos. Cada professor pode atender entre 20 e 30 alunos e, nessas 19 entidades, serão treinados dois professores por instituição, totalizando 38 novos professores para a condução do programa. Uma das metas estipuladas é de aumentar este ano o número de professores/multiplicadores em todo o Brasil de 500 para 1500.

“A gente fica muito feliz em poder estender uma parceria que já é bem sucedida no âmbito comercial, de negócios. Foi algo bem simbólico para a gente, conseguir fazer a ponte entre duas iniciativas que cada instituição já fazia, mas que poderiam trabalhar em sinergia, que é o caso agora” disse Fabio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin.

Foto: Shutterstock

 

Aumenta o interesse de crianças e jovens pela ciência

O Projeto Experimento, concebido pela Siemens Stiftung (Fundação Siemens na Alemanha), tem como objetivo aprimorar o ensino de ciências e fomentar o interesse por questões científicas em crianças e jovens por meio de uma metodologia que incentiva o aprendizado pela descoberta e parte de iniciativas similares na Alemanha, onde teve origem. “Esse crescimento mostra de maneira clara o comprometimento da Fundação Siemens com o ensino STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) e a importância de discutir o tema em uma agenda pública, buscando o desenvolvimento do nosso país. Por meio das parcerias firmadas, notamos que a preocupação está presente na indústria, no empresariado, no terceiro setor, nas instituições de ensino e nas secretarias de educação, porém precisamos agir rapidamente”, afirma Bianca Talassi.

O projeto atua capacitando professores com métodos, instruções e materiais que encorajam crianças a pensarem de forma independente e criativa sobre problemas científicos e suas soluções. A metodologia facilita aos professores traduzir o princípio do aprendizado por descoberta em práticas de ensino. Nela, crianças e jovens são gestores do próprio conhecimento, explorando fenômenos naturais de forma independente através da experimentação.

No mundo, o projeto criado pela Siemens Stiftung está presente em três continentes, nos seguintes países: Alemanha, África do Sul, Quênia, Chile, Peru, Colômbia, Argentina, México e Brasil.

Para mais informações sobre o Projeto Experimento, acesse: http://www.siemens-fundacao.org/Projeto.aspx?p=1357

Sobre o Instituto Sabin

Criado em 2005 e qualificado como OSCIP, o Instituto Sabin surgiu com a missão de reunir e formalizar as práticas de responsabilidade social exercidas pelo Laboratório Sabin. Bem antes da criação do Instituto, o Laboratório Sabin já realizava ações sociais, beneficiando comunidades e pessoas em vulnerabilidade social e/ou econômica. O próprio crescimento desse trabalho fez emergir a necessidade da fundação do Instituto.

O primeiro projeto social do Laboratório Sabin foi o Criança e Saúde, cujas ações foram iniciadas em 1999. O objetivo era apoiar creches de comunidades em vulnerabilidade social no desenvolvimento de ações de saúde, em especial as que acolhiam crianças com apresentavam elevados índices de verminoses. A parceria do Sabin foi fundamental para mudar este quadro, não só na redução drástica desses diagnóstico como também na melhoria considerável da estrutura e do atendimento prestado pelas creches à comunidade.

Desde então, as ações, programas e projetos sociais aumentaram e a necessidade da criação de um Instituto responsável exclusivamente por desenvolver e coordenar os projetos se tornou necessária.

Atualmente, o Instituto Sabin tem a missão de promover a melhoria da qualidade de vida de comunidades onde o Grupo Sabin atua nas áreas de saúde, esporte e educação. Até 2016, mais de 800 mil pessoas haviam sido beneficiadas com as ações, projetos e apoio do Instituto. http://institutosabin.org.br/site/

Sobre a Fundação Siemens no Brasil

A antiga Fundação Peter von Siemens – nome dado em homenagem ao fundador da mantenedora – foi criada em 25 de setembro de 1986. Em 2004, obteve o título de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), mudança que possibilitou a ampliação das ações da entidade. A partir de 2012 foi oficialmente nomeada Siemens Fundação Brasil, ou popularmente conhecida como Fundação Siemens. A Fundação foi criada a partir da necessidade de contribuir com o desenvolvimento local, primordialmente nas comunidades onde atua, a partir do entendimento de que ao sermos parte integrante da sociedade, também somos responsáveis por sua situação e ao mesmo tempo, agentes transformadores. Seu foco de atuação está voltado basicamente para a Educação e Desenvolvimento Local através de Tecnologias Básicas. http://www.siemens-fundacao.org/

(#Envolverde)