Rosa Alegria: A vida em 2050

por Rosa Alegria*  – 

Crescimento sem geração de emprego representa a nova ordem econômica. Investir em capital e tecnologia é mais vantajoso do que investir em trabalho humano

O mundo está bem mais rico, mas também muito mais desigual. Parte dessa desigualdade tem, entre suas principais causas, a intensidade tecnológica, que vai crescendo, e os empregos acabando.

Ao longo da História, as máquinas foram substituindo os humanos, mas os empregos foram se renovando, se reinventando, fazendo com que ocupações humanas extintas dessem lugar a novas profissões.

Até pouco tempo atrás, podíamos dizer que as reposições conseguiram conviver ou até ultrapassar as eliminações no mercado de trabalho.

Mas agora está sendo bem diferente. Depois das três revoluções industriais e todos os impactos deixados na economia, estamos entrando na quarta revolução e ela vem bem concentrada, não só na geração de riqueza, mas também nas inovações biológicas, tecnológicas, cognitivas e informáticas, como num destino convergente e exponencial capaz de eliminar 50% dos empregos até 2050.

Crescimento sem geração de emprego representa a nova ordem econômica. Investir em capital e tecnologia é mais vantajoso do que investir em trabalho humano.

Além de atividades físicas, agora também as atividades mentais começam a ser substituídas pela inteligência artificial.

O que era antes ficção científica passou a ser essa realidade que nos assombra. Diante desse desemprego em massa iminente, o que realmente está sendo feito para que a humanidade possa se sustentar e sobreviver?
Que estratégias de longo prazo estão sendo encaminhadas para o futuro?

Os governos, as escolas e as empresas estão conscientes do que tudo isso vai representar para as novas gerações?
A impressão é a de que todos estão esperando acontecer aquilo que já sabemos e já está em curso: conhecimento sucateado, desemprego estrutural, trabalho informal crescente, demissões em massa e carteiras de trabalho amareladas.

Fica difícil prever até onde vão chegar os avanços da inteligência artificial, da robótica, da impressão 3D/4D, da biologia sintética, dos drones, da nanotecnologia e suas poderosas sinergias.

Para poder clarear um pouco esse céu nublado e ajudar a criar estratégias para responder a esse suposto conflito entre ser humano e máquina, o Projeto Millennium (rede global de pesquisadores futuristas) está conduzindo um estudo com 50 países.

Aqui no Brasil, o Núcleo de Estudos do Futuro da PUCSP está coordenando um processo de construção coletiva que começou com três cenários compartilhados publicamente.

Para reunir lideranças em torno do tema e exercitar a criação de propostas criativas, foi realizado um workshop inicial em São Paulo no final de outubro, com a presença de Jerome Glenn, fundador do projeto Millennium e autor dos três cenários Trabalho/Tecnologia 2050 já traduzidos em diversos idiomas.

Os cenários Trabalho/Tecnologia 2050 já começaram a pautar o planejamento de alguns países como Argentina, Grécia, Italia, Alemanha, Espanha e Coreia do Sul que, além do Brasil, se juntaram em torno de sistemas de inteligência coletiva para influenciar políticas públicas.

Para que esses cenários pudessem ser desenvolvidos, mais de 450 futuristas e especialistas compartilharam suas visões e projeções. Eles requerem leitura cuidadosa e atenta.

Como todos os cenários bem feitos, eles são descritos no presente com detalhes na medida certa e apresentam impactos inter-relacionados muito bem pensados para que o leitor possa se transportar ao futuro e senti-lo.
A versão em português está publicada na Internet.

Aqui a apresentação do que cada um descreve, para instigar a leitura e instigar a todos os que já querem protagonizar esse novo mundo, que dependendo de nossas atitudes e decisões poderá ser desesperador ou radicalmente diferente de tudo o que já imaginamos viver.

Cenário 1 – Está complicado: um pouco de tudo
Uma projeção tendencial do business-as-usual do aumento da aceleração tecnológica considerando tanto a inteligência quanto a estupidez percebida nas decisões que foram tomadas. Adoção irregular dos avanços tecnológicos; alto desemprego pela falta de estratégias de longo prazo, sucesso misto na aplicação da renda básica universal. Poderes dos gigantes corporativos foram além do controle do governo nesse mundo governo-corporação, 3D-virtual e multipolar em 2050.

Cenário 2 – Agitação político-econômica: o desespero no futuro
Os governos não se anteciparam aos impactos da inteligência artificial geral e não tinham estratégias preparadas para receber o desemprego que explodiu nos anos 2030 deixando o mundo de 2050 em agitação política. A polaridade social e política cresceu de diversas formas. A ordem global se deteriorou e se transformou numa combinação de nações-estados, megacorporações, milícias locais, terrorismo e crime organizado.

Cenário 3 – Se os seres humanos fossem livres: a economia autorrealizável
Os governos se anteciparam aos impactos da inteligência artificial geral, conduziram extensivas pesquisas em como aplicar sistemas de renda básica universal e promoveram auto emprego. Artistas, personalidades da mídia e profissionais do entretenimento ajudaram a criar uma mudança que transformou a cultura do emprego numa cultura da auto realização.

Que caminho vamos escolher?

A moral de todas essas histórias fica valendo desde já. Se não tivermos emprego, que tal pensarmos em trabalhar por prazer, aprender aquilo que nunca pensamos em aprender, revelar talentos ocultos, retomar relações perdidas, sermos mais felizes e nos reconectarmos com o trabalho de formas mais divertidas e significativas? As novas economias (criativa, colaborativa, compartilhada, circular) em expansão já representam caminhos abertos para começarmos a reorientar nossas rotas.

Se a máquina irá trabalhar, pensar por nós e através de nós, em vez de tentar enfrentar o inexorável, por que não investir naquilo que nos liberta do relógio? Afinal de contas, vamos viver muito mais e o tempo será todo nosso. Como ancestrais que já somos, na velocidade das mutações sociais e econômicas, podemos juntos dar as mãos e acelerar essa grande obra milenar: reinventar nossa vida na Terra e semear novos mundos para nossos filhos, netos, bisnetos e gerações futuras.

As consequências de escolhas acertadas serão intensas e transformadoras para criar uma nova civilização. Estamos diante do maior desafio da história: o de provar que realmente somos inteligentes, muito além das máquinas. (#Envolverde)

Rosa Alegria, Master of Sciences, há 15 anos pioneira em Estudos do Futuro no Brasil, academicamente certificada pelo mais reconhecido centro mundial nessa área: University of Houston, Clear Lake, USA. Fundadora do NEF – Nucleo de Estudos do Futuro, na PUC/SP. É colunista da Envolverde.

** Publicado originalmente no site Diário do Comércio.

Envolverde – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Entre os dias 25 e 27 de setembro de 2015, mais de 150 líderes mundias estiveram na sede da ONU, em Nova York, para adotar formalmente uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. Esta agenda é formado pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas, que devem ser implementados por todos os países do mundo durante os próximos 15 anos, até 2030.

A Envolverde adotou como diretriz editorial a classificação de seus conteúdos, reportagens, artigos, textos e vídeos pelo respectivo ODS. Ou seja, cada texto deve ser identificado de acordo com o ODS que impacta. Desta forma os leitores podem se apropriar do conceito de cada um deles. Nosso objetivo é apoiar a iniciativa das Nações Unidas e ajudar a tornar esses objetivos de conhecimento de todos os públicos.

Conheça os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):

Objetivo 1: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares

ODS1

ODS1

  • Globalmente, o número de pessoas vivendo em extrema pobreza diminuiu mais da metade; em 1990 eram 1,9 bilhão. Contudo, 836 milhões de pessoas ainda vivem na extrema pobreza: cerca de uma em cada cinco pessoas em regiões em desenvolvimento vive com menos de 1,25 dólar por dia.
  • O Sul da Ásia e a África Subsaariana são o lar da esmagadora maioria das pessoas vivendo em extrema pobreza.
  • Altos índices de pobreza são frequentemente encontrados em países pequenos, frágeis e afetados por conflitos.
  • Uma em cada quatro crianças abaixo dos cinco anos de idade no mundo possui altura inadequada para sua idade.

Objetivo 2: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável

ODS2

ODS2

  • Globalmente, a proporção de pessoas subnutridas em regiões em desenvolvimento caiu quase pela metade desde 1990, de 23,3% em 1990-1992 para 12,9% em 2014-2016. Mas, atualmente, uma em cada nove pessoas no mundo (795 milhões) ainda é subnutrida.
  • A vasta maioria das pessoas do mundo passando fome vive em países em desenvolvimento, onde 12,9% da população é subnutrida.
  • Ásia é o continente com a população que passa mais fome – dois terços do total. A porcentagem no Sul da Ásia caiu em anos recentes, mas, na Ásia Ocidental, ela aumentou levemente.
  • A África Subsaariana é a região com a mais alta prevalência (porcentagem da população) de fome. Lá, cerca de uma em cada quatro pessoas está subnutrida.
  • A má nutrição causa quase metade (45%) das mortes de crianças abaixo dos cinco anos de idade – 3,1 milhões de crianças anualmente.
  • Uma em cada quatro crianças do mundo sofre crescimento atrofiado. Em países em desenvolvimento, a proporção aumenta de uma para três.
    66 milhões de crianças em idade escolar primária vão às aulas passando fome, sendo 23 milhões apenas na África.
  • A agricultura é a maior empregadora única no mundo, provendo meios de vida para 40% da população global atual. Ela é a maior fonte de renda e trabalho para famílias pobres rurais.
    500 milhões de pequenas fazendas no mundo todo, a maioria ainda dependente de chuva, fornecem até 80% da comida consumida numa grande parte dos países em desenvolvimento. Investir em pequenos agricultores é um modo importante de aumentar a segurança alimentar e a nutrição para os mais pobres, bem como a produção de alimentos para mercados locais e globais.

Objetivo 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

Saúde infantil

    • A cada dia, morrem 17 mil crianças a menos do que em 1990, porém mais de seis milhões decrianças ainda morrem a cada ano, antes do seu quinto aniversário.
    • Desde 2000, vacinas de sarampo preveniram aproximadamente 15,6 milhões de mortes.
    • Apesar do progresso global, uma crescente proporção das mortes de crianças acontece na África Subsaariana e no Sul da Ásia. Quatro de cada cinco mortes de crianças abaixo dos cinco anos de idade ocorrem nessas regiões.

Saúde Materna

ODS3

ODS3

  • Globalmente, a mortalidade materna caiu quase 50% desde 1990.
  • Na Ásia Oriental, no Norte da África e no Sul da Ásia, a mortalidade materna diminuiu cerca de dois terços. Porém, a taxa de mortalidade materna – a proporção de mães que não sobrevivem ao nascimento do filho comparada com aquelas que sobrevivem – nas regiões em desenvolvimento ainda é 14 vezes mais alta do que nas regiões desenvolvidas.
  • Apenas metade das mulheres em regiões em desenvolvimento recebe a quantidade recomendada de assistência médica.

HIV/aids

  • Em 2014, havia 13,6 milhões de pessoas com acesso à terapia antirretroviral, um aumento em relação a apenas 800 mil em 2003.
  • Novas infecções por HIV em 2013 foram estimadas em 2,1 milhões, o que representa 38% a menos do que em 2001.
  • No final de 2013, estima-se que havia 35 milhões de pessoas vivendo com HIV.
  • No final de 2013, 240 mil novas crianças estavam infectadas com HIV.

Objetivo 4: Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

ODS4

ODS4

  • A matrícula na educação primária em países em desenvolvimento chegou a 91%, mas 57 milhões de crianças permanecem foram da escola.
  • Mais da metade das crianças que não se matricularam na escola vivem na África Subsaariana.
  • Estima-se que 50% das crianças fora da escola com idade escolar primária vivem em áreas afetadas por conflitos. Crianças das famílias mais pobres são quatro vezes mais propensas a estar fora da escola do que crianças de famílias mais ricas.
  • O mundo conquistou a igualdade na educação primária entre meninas e meninos, mas poucos países alcançaram essa meta em todos os níveis de educação.
  • Entre os jovens de 15 a 24 anos, a taxa de alfabetização melhorou globalmente, de 83% para 91% entre 1990 e 2015.

Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

ODS5

ODS5

  • No Sul da Ásia, apenas 74 meninas foram matriculadas na escola primária para cada 100 meninos, em 1990. Em 2012, as taxas de matrícula foram as mesmas para meninas e para meninos.
  • Na África Subsaariana, Oceania e Ásia Ocidental, meninas ainda enfrentam barreiras para entrar tanto na escola primária quanto na escola secundária.
  • Mulheres na África do Norte ocupam menos de um a cada cinco empregos pagos em setores que não sejam a agricultura.
  • Em 46 países, as mulheres agora ocupam mais de 30% das cadeiras no parlamento nacional em pelo menos uma câmara.

Objetivo 6: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.

ODS6

ODS6

  • Em 2015, 91% da população global está usando uma fonte de água potável aprimorada, comparado a 76% em 1990. Contudo, 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a serviços de saneamento básico, como banheiros ou latrinas.
  • Diariamente, uma média de cinco mil crianças morre de doenças evitáveis relacionadas à água e saneamento.
  • A energia hidrelétrica é a fonte de energia renovável mais importante e mais amplamente usada. Em 2011, ela representava 16% do total da produção de eletricidade no mundo todo.
    Aproximadamente 70% de toda água disponível é usada para irrigação.
  • Enchentes são a causa de 15% de todas as mortes relacionadas a desastres naturais.

Objetivo 7: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos

ODS7

ODS7

  • 1,3 bilhão de pessoas – uma em cada cinco, globalmente – ainda não têm acesso à eletricidade moderna.
  • 3 bilhões de pessoas dependem de madeira, carvão, carvão vegetal ou dejetos animais para cozinhar e obter aquecimento.
  • A energia é o principal contribuinte para as mudanças climáticas, sendo responsável por cerca de 60% das emissões globais totais de gases do efeito estufa.
  • A energia de fontes renováveis – vento, água, solar, biomas e energia geotermal – é inexaurível e limpa. A energia renovável, atualmente, constitui 15% do conjunto global de energia.

Objetivo 8: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos

ODS 8

ODS 8

  • O desemprego global aumentou de 170 milhões em 2007 para cerca de 202 milhões em 2012, dentre eles, aproximadamente 75 milhões são mulheres ou homens jovens.
  • Aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza e a erradicação do problema só é possível por meio de empregos bem pagos e estáveis.
  • 470 milhões de empregos são necessários mundialmente para a entrada de novas pessoas no mercado de trabalho entre 2016 e 2030.
  • Pequenas e médias empresas que se comprometem com o processamento industrial e com as indústrias manufatureiras são as mais decisivas para os primeiros estágios da industrialização e são geralmente as maiores geradores de emprego. São responsáveis por 90% dos negócios no mundo e contabilizam entre 50 a 60% dos empregos.

Objetivo 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação

ODS 9

ODS 9

  • Cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo em desenvolvimento têm dificuldades no acesso à eletricidade.
  • 2,5 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à saneamento básico e quase 800 milhões de pessoas não têm acesso à água.
  • Entre 1 a 1,5 milhão de pessoas não têm acesso a um serviço de telefone de qualidade.
  • Para muitos países africanos, principalmente os de baixo rendimento, os limites na infraestrutura afetam em cerca de 40% na produtividade das empresas.
  • A indústria manufatureira é importante para geração de empregos, somando aproximadamente 470 milhões dos empregos no mundo em 2009 – ou cerca de 16% da força de trabalho de 2,9 bilhões. Estima-se que existiam mais meio bilhão de empregos na área em 2013.
  • O efeito da multiplicação de trabalhos industrializados impactou a sociedade positivamente. Cada trabalho na indústria gera 2,2 empregos em outros setores.
  • Em países em desenvolvimento, apenas 30% da produção agrícola passa por processamento industrial. Em países desenvolvidos, 98% é processado. Isso sugere a existência de uma grande oportunidade para negócios na área agrícola em países em desenvolvimento.

Objetivo 10: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles

ODS 10

ODS 10

    • Em média – e levando em consideração o tamanho das populações – a desigualdade de renda aumentou em 11% em países em desenvolvimento entre 1990 e 2010.
    • Uma maioria significativa de famílias – mais de 75% – estão vivendo em sociedades onde a renda é pior distribuída do que na década de 1990.
    • Crianças que fazem parte da camada de 20% mais pobres da população têm três vezes mais chances de morrer antes de completar seus cinco anos do que crianças mais ricas.
    • A proteção social foi significativamente ampliada globalmente. No entanto, pessoas com algum tipo de deficiência têm cinco vezes mais chances do que a média de ter despesas catastróficas com saúde.
    • Apesar do declínio na mortalidade materna na maioria dos países desenvolvidos, mulheres na área rural são três mais suscetíveis à morte no parto do que mulheres que vivem nos centros urbanos.

Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis

ODS 11

ODS 11

  • Metade da humanidade – 3,5 bilhões de pessoas – vive nas cidades atualmente. Em 2030, quase 60% da população mundial viverá em áreas urbanas.
    828 milhões de pessoas vivem em favelas e o número continua aumentando.
  • As cidades no mundo ocupam somente 2% de espaço da Terra, mas usam 60 a 80% do consumo de energia e provocam 75% da emissão de carbono. A rápida urbanização está exercendo pressão sobre a oferta de água potável, de esgoto, do ambiente de vida e saúde pública. Mas a alta densidade dessas cidades pode gerar ganhos de eficiência e inovação tecnológica enquanto reduzem recursos e consumo de energia.
  • Cidades têm potencial de dissipar a distribuição de energia ou de otimizar sua eficiência por meio da redução do consumo e adoção de sistemas energéticos verdes. Rizhao, na China, por exemplo, transformou-se em uma cidade abastecida por energia solar. Em seus distritos centrais, 99% das famílias já usam aquecedores de água com energia solar.

Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis

ODS 12

ODS 12

  • 1,3 bilhão de toneladas de comida são desperdiçadas diariamente.
    Se as pessoas usassem lâmpadas de baixo consumo, o mundo economizaria 120 bilhões de dólares anualmente.
  • A população global deve chegar a 9,6 bilhões de pessoas até 2050; o equivalente a três planetas seriam necessários para prover os recursos naturais necessários para sustentar os estilos de vida atuais.
  • Mais de 1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso à água potável.

Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos (*)

13

ODS 13

  • As emissões de gases de efeito estufa oriundos da atividade humana estão levando a mudanças climáticas e continuam aumentando. Elas alcançaram atualmente seu maior nível da história. Emissões globais de dióxido de carbono aumentaram quase 50% desde 1990.
  • As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso aumentaram a níveis sem precedentes nos últimos 800 mil anos. As concentrações de dióxido de carbono aumentaram em 40% desde os tempos pré-industriais, primeiramente por conta dos combustíveis fósseis e depois pelas emissões vindas do desmatamento do solo. O oceano absorveu cerca de 30% do dióxido de carbono antropogênico emitidos, tornando-se mais ácido.
  • Cada uma das últimas três décadas tem sido mais quente na superfície da Terra do que a anterior, desde 1850. No hemisfério Norte, o período entre 1983 e 2012 foi provavelmente o mais quente dos últimos 1.400 anos.
  • De 1880 a 2012, a temperatura média global aumentou 0,85ºC. Sem nenhuma ação, a média de temperatura mundial deve aumentar 3ºC até o final do século 21 – aumentando ainda mais em algumas áreas do mundo, incluindo nos trópicos e subtrópicos. As pessoas mais pobres e vulneráveis são as mais afetadas pelo aquecimento.
  • A média do nível do mar desde a metade do século 19 tem sido maior do que a média dos dois milênios anteriores. Entre 1901 e 2010, o nível global do mar aumentou 0,19 (0,17 a 0,21) metros.
  • De 1901 a 2010, o nível mundial do mar cresceu 19 centímetros com a expansão dos oceanos, devido ao aquecimento global e derretimento das geleiras. Desde 1979, o gelo do mar do Ártico diminuiu em cada década, com 1,07 milhões de km² de gelo perdido de dez em dez anos.
  • Ainda é possível limitar o aumento da temperatura global para 2ºC acima dos níveis pré-industriais, por meio de um conjunto de medidas tecnológicas e mudanças de comportamento.
  • Existem muitos caminhos atenuantes para alcançar a redução substancial de emissões para as próximas décadas, com chances superiores a 66%, se for limitado o aquecimento a 2ºC – a meta determinada pelos governos. No entanto, postergar até 2020 para as mitigações adicionais aumentará substancialmente os desafios tecnológicos, econômico, social e institucional associados para limitar o aquecimento no século 21 para menos de 2ºC relacionados a níveis pré-industriais.
(*) Reconhecendo que a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima [UNFCCC] é o fórum internacional intergovernamental primário para negociar a resposta global à mudança do clima.

Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável

ODS 14

ODS 14

  • Os oceanos cobrem três-quartos da superfície da Terra, contém 97% da água do planeta e representam 99% da vida no planeta em termos de volume.
    Mundialmente, o valor de mercado dos recursos marinhos e costeiros e das indústrias é de 3 trilhões de dólares por ano ou cerca de 5% do PIB (produto interno bruto) global.
  • Mundialmente, os níveis de captura de peixes estão próximos da capacidade de produção dos oceanos, com 80 milhões de toneladas de peixes sendo pescados.
  • Oceanos contêm cerca de 200 mil espécies identificadas, mas os números na verdade deve ser de milhões.
  • Os oceanos absorvem cerca de 30% do dióxido de carbono produzido por humanos, amortecendo os impactos do aquecimento global.
  • Oceanos são a maior fonte de proteína do mundo, com mais de 3 bilhões de pessoas dependendo dos oceanos como fonte primária de alimentação.
  • Pesca marinha direta ou indiretamente emprega mais de 200 milhões de pessoas.
  • Subsídios para a pesca estão contribuindo para a rápida diminuição de várias espécies de peixes e estão impedindo esforços para salvar e restaurar a pesca mundial e empregos relacionados, causando redução de 50 bilhões de dólares em pesca nos oceanos por ano.
  • 40% dos oceanos do mundo são altamente afetados pelas atividades humanas, incluindo poluição, diminuição de pesca e perda de habitats costeiros.

Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade

ODS 15

ODS 15

  • Treze milhões de hectares de florestas estão sendo perdidos a cada o ano.
  • Cerca de 1,6 bilhão de pessoas dependem das florestas para sua subsistência. Isso inclui 70 milhões de indígenas. Florestas são o lar de mais de 80% de todas as espécies de animais, plantas e insetos terrestres.
  • 2,6 bilhões de pessoas dependem diretamente da agricultura, mas 52% da terra usada para agricultura é afetada moderada ou severamente pela degradação do solo.
  • Anualmente, devido à seca e desertificação, 12 milhões de hectares são perdidos (23 hectares por minuto), espaço em que 20 milhões de toneladas de grãos poderiam ter crescido.
  • Das 8.300 raças animais conhecidas, 8% estão extintas e 22% estão sob risco de extinção.
    80% das pessoas vivendo em área rural em países em desenvolvimento dependem da medicina tradicional das plantas para ter cuidados com a saúde básica.

Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis

ODS 16

ODS 16

  • O número de refugiados registrados junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) era de 13 milhões em meados de 2014, há cerca de um ano.
  • Corrupção, suborno, roubo e evasão de impostos custam cerca de 1,26 trilhão para os países em desenvolvimento por ano.
  • A taxa de crianças que deixam a escola primária em países em conflito alcançou 50% em 2011, o que soma 28,5 milhões de crianças.

Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

ODS 17

ODS 17

  • A Assistência Oficial ao Desenvolvimento (OAD) levantou aproximadamente 135 bilhões de dólares em 2014.
  • Em 2014, 79% dos produtos de países em desenvolvimento entraram no mercado “duty-free” de países desenvolvidos.
  • A dívida dos países em desenvolvimento continua estável, beirando 3% do rendimento de exportação.
  • O número de usuários da internet na África quase dobrou nos últimos quatro anos.
  • Em 2015, 95% da população mundial tem cobertura de sinal de celular.
  • 30% da juventude mundial é de nativos digitais, ativos online por pelo menos cinco anos.
  • A população mundial apresentou aumento do uso da internet de 6% em 2000 para 43% em 2015.
  • No entanto, mais de 4 bilhões de pessoas não usam Internet, e 90% delas são de países em desenvolvimento.

(#Envolverde)

A sustentabilidade em tempos de crise

Dal Marcondes*, da Envolverde – 

A sustentabilidade e suas metas construídas ao longo de décadas oferecem uma plataforma de conhecimentos que tem o potencial de alimentar 10 bilhões de pessoas e oferecer todos os benefícios de uma civilização tecnologicamente evoluída.

O início dos anos 2000 foram muito ricos em iniciativas de sustentabilidade de empresas e organizações sociais no Brasil. Muitos dos grandes pensadores da área, como Ignacy Sachs e Ray Anderson passaram um bom tempo em reuniões e encontros com executivos e empresários que sonharam com um país líder em Responsabilidade Social e em ações socioeducativas capazes de criar, aqui, os paradigmas de uma nova economia.

Foi um tempo em que as empresas e organizações colocaram como prioridade a adequação aos preceitos da Global Reporting Iniciative (GRI) quando anualmente preparavam seus Relatórios de Sustentabilidade. Organizações que propugnavam o respeito aos objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), aos Princípios do Equador tinham como sonho integrar a carteira do Índice de Responsabilidade Social (ISE) da BM&FBovespa.

Essas metas, diretrizes e sonhos sobrevivem em algumas empresas e organizações, certamente não foram completamente sufocadas por conta da crise institucional e econômica, mas refluíram grandemente em sua capacidade de avançar em direção à utopia de uma sociedade estruturada em uma economia sustentável, capaz de servir como paradigma para a economia global, o que é o sonho de economistas como Sachs e Ladislau Dowbor.

Baixas nas estruturas corporativas

As estruturas de sustentabilidade dentro de grandes empresas sofreram baixas e profissionais de primeira linha nos momentos de avanço hoje ou padecem de trabalhos meramente burocráticos, ou simplesmente não fazem mais parte das equipes. O cenário não é alentador se comparado a poucos anos trás, quando o sonho de transformações reunia nos mesmos salões os principais executivos nacionais de organizações como Greenpeace, WWF. Instituto Socioambiental, Repórter Brasil e outros, e gigantes do mundo corporativo, como Walmart Brasil, Unilever, Cargill e Maggi, entre outras organizações do mesmo porte.

As grandes conferências de organizações como Ethos e Cebds deixaram marcas na memória corporativa e dos profissionais que investiram pesadamente em capacitação para fazer frente às demandas de sustentabilidade que emergiam não apenas da sociedade, mas das próprias empresas. O governo também avançou, mas a sensação é de que nunca liderou o processo, veio, na maior parte das vezes a reboque.

Ao chegar à metade desta segunda década do século 21 a impressão que se tem é de que o esforço foi em vão. Ao final de 2015 a Organização das Nações Unidas conseguiu o consenso necessário para lançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que substituíram os ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Com 17 objetivos e 169 metas que devem ser alcançadas por todos os países até 2030. Sob o ponto de vista dos acordos e regulações internacionais houve um grande avanço na última década e meia, com as Conferências das Partes (COP) em diversas áreas, principalmente Clima, que com os estudos realizados pelo IPPC conseguiram derrubar muitas das argumentações apresentadas por céticos sobre o impacto das ações humanas em relação às mudanças no clima global. O problema não está mais no campo das leis e das regulações.

Retrocesso político e institucional

As maiores dificuldades são impostas agora pelos campos político e econômico. O avanço de setores ultraliberais e xenófobos nas principais economias do planeta está assegurando um retrocesso na implantação de políticas de inclusão social mais consistentes. No campo das empresas o retrocesso se dá pela busca ainda exacerbada da rentabilidade financeira em detrimento dos ganhos estruturantes da sustentabilidade. Muitos dos executivos mais comprometidos com os avanços socioambientais em paralelo aos ganhos econômicos foram afastados de seus cargos e substituídos por pessoas focadas em resultados, como se diz no meio corporativo.

Há ainda um esforço honesto de profissionais e organizações em direção à manutenção dos desejos de sustentabilidade demonstrados nos anos passados, no entanto é preciso um esforço adicional. Um reforço da importância dos princípios e objetivos da sustentabilidade em um planeta que caminha para 10 bilhões de habitantes ainda neste século.

Os diagnósticos estão feitos, sabe-se com grande margem de certeza que o atual meio de exploração dos recursos naturais, a produção linear e o descarte de resíduos no ambiente natural não podem continuar como padrão. A alimentação industrializada e o nível de desperdício relacionado ao consumo mostram uma sociedade ainda individualista e desligada dos problemas naturais e humanos, lembrando que essa separação entre natural e humano é artificial, uma vez que a humanidade é parte do ecossistema natural da Terra.

Plataforma para o futuro

A sustentabilidade e suas metas construídas ao longo de décadas de estudos e conferências internacionais oferecem uma plataforma de conhecimentos capazes de dar sustentação a uma economia que tem o potencial de alimentar 10 bilhões de pessoas com qualidade e, ainda, oferecer todos os benefícios de uma civilização tecnologicamente evoluída. Empresas, governos e organizações sociais estão perfeitamente habilitados a estabelecer suas metas e diretrizes em harmonia com o que há de mais avançado em conhecimento, ciência e utopia sustentável.

Mas… o que falta? Basicamente pressão popular, reforço institucional e decisão dentro de todos os nichos de poder, institucionais ou empresariais.

Para garantir que isso pode ser feito há um exército de profissionais qualificados à espera da oportunidade de fazer a diferença. Pessoas que construíram o boom da sustentabilidade nos últimos 20 anos, que estudaram gestão ambiental nas dezenas de cursos que surgiram no país, que atuaram e se capacitaram em centenas de atividades e que construíram seu conhecimento e diálogos e debates estimulados por mídias ambientais, de sustentabilidade e por jornalistas com atuação na mídia tradicional. (#Envolverde)

  • Dal Marcondes é jornalista com especialização em economia e meio ambiente e passagens por grandes redações da imprensa paulista, como Gazeta Mercantil, Agências France Presse, Dinheiro Vivo e Estado e revistas como IstoÉ e Exame. Atualmente é mestrando da ESPM-SP com pesquisa em Modelos de Negócios no Jornalismo Digital e Pós-Industrial.

GPA assume compromissos de bem estar animal

Companhia garante que, até 2025, 100% dos ovos comercializados pelas suas marcas próprias serão provenientes de criação de galinhas sem gaiolas

O Grupo GPA é o primeiro grande varejista brasileiro a assumir um compromisso público pelo bem-estar animal na produção de ovos. A companhia se compromete a  viabilizar, até 2025, a comercialização de 100% de ovos de marcas exclusivas provenientes de criação de galinhas sem gaiolas. Hoje, o portfólio de ovos de marcas próprias da companhia é formado por Taeq (com uma linha orgânica) e Qualitá (caipiras e convencionais). A venda dos ovos de marcas próprias responde por até 80% da comercialização da categoria nas lojas Extra e Pão de Açúcar, representando, portanto, um importante avanço na discussão do assunto com a cadeia produtiva no país.

O compromisso, publicado em 27 de março de 2017, vem a somar às iniciativas já realizadas pelo GPA, por meio das marcas Assaí, Extra e Pão de Açúcar, para colaborar com o bem-estar animal na cadeia produtiva brasileira. O Grupo já oferece produtos caipiras e orgânicos, que garantem a criação sem gaiolas, e também possui um programa próprio (Programa Evolutivo de Qualidade – PEQ) para os seus fornecedores de marcas exclusivas, que visa o desenvolvimento dos mesmos e estabelece o atendimento às práticas de bem-estar animal e da legislação específica do setor.

Como próximos passos, a companhia instituirá um plano de implementação progressivo, a fim de cumprir as diretrizes, objetivos e metas desta política, sempre respeitando o poder de escolha do cliente. Assim, a partir deste ano, o PEQ terá um aprimoramento do seu protocolo de auditorias, passando a integrar conceitos internacionais em práticas relacionadas a bem-estar animal. Além disso, o GPA lançará novas linhas de produtos “sem gaiola” e reforçará comunicação em lojas para informar o consumidor sobre os diferentes tipos de produtos e modos de criação. Por fim, a companhia iniciará um plano de colaboração com a cadeia produtiva, assim como os órgãos públicos, para encorajar a criação de normas que regulamentem a produção de ovos de galinhas sem gaiolas.

Hoje, o grande varejo representa menos de 10% da venda de ovos no país. Dessa forma, ao tornar público seu compromisso, o GPA espera engajar o mercado para que também evolua na discussão do assunto e inicie uma transição complexa, considerando a situação econômica atual do país e as características do setor produtor com baixa oferta de produtos provenientes de produção livre de gaiolas.

Clique aqui para conferir o posicionamento do GPA sobre a oferta de ovos

(#Envolverde)

Títulos Verdes no Brasil

Por Marina Grossi, do Cebds – 

A consciência crescente dos consumidores tem levado as empresas a aumentar constantemente o grau de transparência dos processos de produção. Cada vez mais quem compra determinado produto quer saber em que condições ele foi produzido, se respeitou as regras de boa gestão ambiental, se não envolveu nenhuma ação que afrontou princípios de justiça social, se a empresa tem imagem positiva em termos de responsabilidade sócio ambiental.

Guardadas as óbvias diferenças, algo semelhante vem acontecendo no universo do financiamento empresarial. Recentemente um grupo de gestores de investimentos, liderados pela Climate Bonds Initiative e responsáveis pela alocação de cerca de R$ 1,6 trilhão emitiu declaração no sentido de reafirmar seu compromisso de que, diante das ameaças  presentes e futuras  decorrentes dos efeitos das mudanças climáticas, é  urgente estruturar, a exemplo do que já existe em outras  partes do mundo, o mercado brasileiro de títulos verdes, ou green bonds , na expressão inglesa que ainda predomina.

Assinam essa declaração alguns dos mais importantes agentes do mercado financeiro como BTG Pactual, BB DTVM, Itaú Asset Management, Santander Asset Management, Sul América Investimentos e UBS Brasil.

Os títulos verdes nada mais são do que títulos em tudo semelhantes a qualquer outro tipo de título de dívida mas que, como característica diferenciadora, carregam uma marca ecológica por destinarem-se ao financiamento de atividades comprovadamente relevantes na defesa dos valores ambientais. São títulos que exigem um alto grau de transparência da parte das empresas, já que são sempre submetidos a avaliação externa.

Esses títulos ainda são novidade por aqui, mas já fazem grande sucesso em várias partes do mundo. Para impulsionar este mercado no país, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Febraban lançaram, em outubro do ano passado, Guia para Emissão de Títulos Verdes no Brasil.

O potencial de mercado para títulos assim em nosso país é extraordinariamente grande, seja em função da gigantesca dimensão dos ativos ambientais que poderiam ser objeto de ações lastreadas por esses títulos, seja porque são várias as empresas brasileiras que desenvolvem atividades capazes de ganhar o rótulo verde, uma vez que estejam bem orientadas sobre os mecanismos  que regulam a atividade.

Justine Leigh Bell da Climate Bonds Initiative estima que para o corrente ano de 2017 há um  potencial de cerca  de R$ 16 bilhões em projetos passíveis de serem financiados sob a rubrica verde. Eficiência energética e manejo florestal são exemplos de áreas em que já foi possível realizar captações bem sucedidas e com muito grande procura da parte dos investidores.

A Suzano Papel e Celulose, primeira empresa brasileira a desvendar essa seara em mercado brasileiro, realizou uma emissão de US$ 500 milhões para papéis focados em restauração florestal, gestão hídrica e energia renovável. O sucesso foi tamanho que a demanda superou a oferta em três vezes. Há um mercado ávido por associar-se a iniciativas bem estruturadas, iniciativas capazes de gerar retorno não penas na dimensão financeira, mas também em credibilidade e imagem. A BRF e a Fibria foram as outras duas empresas brasileiras que já emitiram esses papeis, mas no exterior, registrando semelhante sucesso.

As regulamentações próprias desse mercado devem exceder aquelas que já, de forma tão detalhada, normatizam os mercados de capitais em geral. Títulos com a marca da sustentabilidade são depositários de esperanças que devem se cumprir. Transparência e viabilidade são fundamentais. Além do mais, é preciso tomar em consideração as especificidades nacionais e as dos diversos segmentos de negócios.

De todo modo, o que se vê no comportamento demonstrado pelo mercado, são perspectivas muito concretas de que a retomada dos investimentos e, consequentemente, do desenvolvimento em nosso país pode ocorrer incorporando a dimensão ambiental de forma muito mais efetiva do que ocorria até o advento da crise.

Texto publicado originalmente no Projeto Colabora em 27 de março.

(#Envolverde)

Anjos dos negócios

Por Dal Marcondes, da #Envolverde

Estudo realizado por dois anos com algumas das maiores empresas que atuam no Brasil mostra como elas se relacionam com as startups locais

Empreender nem sempre é um caminho pavimentado por rosas, ao contrário, na maior parte das vezes o calçamento é feito de espinhos. No entanto, isso nem sempre é ruim, porque os desafios e obstáculos são parte importante do processo de construção de novas empresas. Ao se superar as “dores do nascimento” startups inovadoras tornam-se visíveis em um novo ecossistema, o dos investidores anjos e empresas que buscam projetos para incorporar aos seus negócios.

Magnus Arantes, presidente do HBS Alumni Angels of Brazil

Na primeira quinzena de março tomamos contato no Brasil com o estudo How Corporations are Connecting With the Startup Ecosystem (Como as Corporações Estão se Conectando com o Ecossistema de Startup), um projeto inspirado em similares realizados na Harvard Business School e em outras entidades de referência. Segundo Magnus Varassin Arantes, um brasileiro que atua junto à Universidade de Harvard e tornou-se, nos últimos anos, um Investidor Anjo e cofundador do HBS Alumni Angels of Brazil, organização de ex-alunos da Harvard que desde 2012 atuam no fortalecimento do ecossistema de empreendedorismo inovador no Brasil.

O estudo, que foi feito em 2012 e apresentado em São Paulo em 16 de março, aponta que o Brasil, entre as oito maiores economias do mundo naquele ano, estava em último lugar em investimentos em pesquisa, com apenas 1,16% do PIB, enquanto o primeiro lugar era ocupado pela Coreia do Sul, com 4,36% do PIB. Essa posição pode ter caído ainda mais por conta da crise econômica que assola o país desde 2015.  Magnus, que é um ativo investidor em startups no Brasil e na América Latina, explica que o investimento em pesquisa é um dos principais geradores de inovação, e que nos países que mais investem a maior parte do esforço vem sendo desenvolvido pela iniciativa privada. “É parte da estratégia de crescimento das empresas buscar novos caminhos para seu negócio a partir da pesquisa e da aquisição de startups promissoras”, explica.

O estudo apresentado teve metodologia baseada em análise qualitativa a partir de um questionário composto por 95 perguntas feitas às grandes empresas participantes. “Nossa metodologia apresenta a capacidade de identificar vários objetivos das empresas no relacionamento com startups, indo além da simples perspectiva financeira”, explica Magnus.

O estudo procurou atuar em três objetivos primários:

1 – Mapear a intensidade de relação entre grandes empresas e startups no Brasil:

2 –  Desenvolver um padrão para medir os diferentes estágios de intensidade das corporações;

3 – Identificar arquétipos confiáveis e seus modelos, para guiar empresas nesse ecossistema.

 

Cinco objetivos mapeados nas empresas na relação com Startups

1 – Financeiro – busca de resultados;

2 – Inovação – Busca de produtos, serviços ou tecnologias;

3 – Cultural – Busca de incorporação de modelos de ação;

4 – Marketing – Marcas e relações externas;

5 – Testar e aprender – Buscar informações e mapeamento de riscos e oportunidades;

 

Entre os resultados da pesquisa chama a atenção que, em 53% dos casos de incorporação de startups por grandes empresas, a motivação foi estratégica, enquanto em 15% se buscava resolver problemas do negócio e, apenas em 3% dos casos o objetivo era meramente financeiro. Isso mostra que esse ecossistema está mais voltado para a incorporação de inovação do que meramente ampliar faturamento.

A pesquisa é extensa e tem uma avaliação detalhada da relação entre as startups e grandes empresas de diversas áreas e mostra que o aprofundamento na relação entre essas organizações e iniciativas iniciantes podem render bons frutos. “A maioria das empresas somente investe nas startups já em operação e poucas aportam recursos nos primeiros momentos”, explica Magnus. Ele aponta que isso é uma oportunidade perdida pelas empresas que desejam projetos inovadores, uma vez que boas Iniciativas podem não chegar ao amadurecimento, apesar de terem produtos ou serviços absolutamente inovadores, simplesmente por não terem o capital ou a capacidade de gestão necessários.

Uma das lições que fica para as startups brasileiras é que o sonho de empreender não pode estar baseado apenas em uma boa ideia de produto, serviço ou tecnologia. É preciso, segundo apontou Magnus Varassin Arantes em entrevista à Envolverde, ter uma sólida base de gestão, de forma a atrair o interesse de possíveis grandes parceiros a partir de uma posição já reconhecida em seu mercado. Como mostra o quadro acima, a empresa iniciante tem de apresentar um valor estratégico para o possível investidor, ou ao menos ser capaz de resolver um problema inerente ao negócio do grande parceiro.

Outros valores são importantes, mas têm mostrado, segundo o estudo, um interesse apenas moderado por parte dos possíveis interessados. Fica também o alerta de que o ecossistema da inovação entre pequenas empresas carece ainda, no Brasil, de uma sistemática capacidade de reconhecimento pelos principais atores econômicos. “As empresas perdem muito ao não se se adiantarem em investir em projetos promissores”, explica o Magnus, mas alerta que o estudo mostrou que boa parte das iniciativas de parcerias não alcançam os resultados esperados, e que as empresas alegam que há poucas iniciativas que realmente valem o investimento de esforço e recursos para a construção de uma relação de negócios. (#Envolverde)

Navios do futuro poderão usar energia dos ventos

O vento, energia que moveu as caravelas no século XVI, poderá ser a solução para um transporte marítimo mais eficiente no século XXI. A novíssima tecnologia de navios movidos a energia eólica será testada nos próximos dois anos pela Norsepower Oy Ltd., em parceria com a Maersk Tankers, o Energy Technologies Institute (ETI) e a Shell Shipping & Maritime.

A Maersk Tankers fornecerá um navio-tanque Long Range 2 (LR2) de 109.647 toneladas de peso-morto (DWT), que será adaptado com duas velas de rotor Norsepower de 30m de altura por 5m de diâmetro. Os cilindros altos e giratórios já foram usados ​​em embarcações menores no passado, mas esta é a primeira vez que alguém tenta colocá-los em um navio tão grande quanto um petroleiro de 245 metros. As velas do rotor serão instaladas durante o primeiro semestre de 2018 e os testes em alto mar devem acontecer em 2019.

Se os dispositivos economizarem tanto combustível como esperado – até 10% em média, em uma rota global típica – a Maersk Tankers poderia usá-los em seus navios maiores, disse Tommy Thomassen, diretor técnico da Maersk Tankers. O interesse justifica-se pela crescente proximidade das novas regras de controle da poluição marítima, que devem entrar em vigor em 2020. Elas exigem o uso de combustível com um teor de enxofre muito menor, que deve ser mais caro do que óleos combustíveis atuais. “Esse é um dos fatores de mercado que tornam este tipo de tecnologia de propulsão eólica muito mais interessante”, explica Tuomas Riski, CEO da Norsepower, empresa finlandesa que constrói as velas de rotor para o petroleiro Maersk. A Norsepower tem estudado várias idéias para cortar o uso de combustível marítimo ao longo dos anos, desde velas movidas a energia solar até pipas para rebocar embarcações.

Os cilindros de 30 metros são uma versão modernizada do rotor desenvolvida há quase um século pelo engenheiro alemão Anton Flettner. Eles aproveitam o vento usando o efeito Magnus, a força física que faz uma bola de tênis se desviar quando acertada com um topspin. Um motor ajusta os cilindros girando e quando o vento sopra, o fluxo de ar acelera em um lado da vela e retarda para baixo no oposto para criar uma diferença de pressão que gera o movimento, propelindo o navio através da água. Quando as condições de vento são favoráveis, os motores principais não são necessários, o que permite uma economia de combustível e redução nas emissões de gases poluentes sem afetar a programação. Mais detalhes técnicos podem ser consultados aqui e aqui.

O Energy Technologies Institute, um grupo de pesquisa financiado pelo governo britânico, responde pela maior parte dos 3,5 milhões de libras que estão sendo investidos no projeto. “As velas de rotor são uma das poucas tecnologias que permitirão melhorias percentuais de dois dígitos na economia de combustíveis marítimos”, explica Andrew Scott, Gerente de Programa de Energia Renovável Marinha e Offshore do Energy Technologies Institute.

Cortar o uso de combustíveis fósseis pode parecer um contra-senso para uma companhia petrolífera como a Royal Dutch Shell. No entanto, sua área de transporte marítimo e negócios marítimos, que está coordenando o projeto, tem 10 petroleiros e cerca de 40 transportadores de gás natural liquefeito. Por isso, a Shell atuará como coordenadora do projeto e prestará consultoria operacional e terminal / portuária à equipe do projeto, enquanto a Maersk Tankers fornecerá insights técnicos e operacionais.

As grandes empresas e as startups no Brasil

O caráter empreendedor do brasileiro é conhecido globalmente. Contudo, quando falamos de inovação e da Economia Criativa e Colaborativa percebemos que ainda estamos muito longe do que acontece em centros de excelência como o Vale do Silício, na Califórnia. Além de diversos componentes históricos, um dos fatores que ajuda a explicar essa diferença é que, nos Estados Unidos, existe um processo estabelecido de constante parceria entre as grandes corporações e as startups. Especialmente no desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, com potencial de ganhar escala global.

E foi para entender o que acontece neste segmento, aqui no Brasil, que a HBS Alumni Angels of Brazil (HBSAAB)

Magnus Arantes, presidente do HBS Alumni Angels of Brazil – Foto: Claudio Belli/Divulgação

realizou o estudo How Corporations are Connecting With the Startup Ecosystem (Como as Corporações Estão se Conectando com o Ecossistema de Startup). A Pesquisa levou um ano para ser concluída. Neste período, foram realizados inúmeros estudos de revisão bibliográfica, dois workshops, diversos encontros com profissionais da área de Tecnologia da Informação (TI) e gestores de inovação, além de entrevistas, em profundidade, com executivos de cerca de 50 grandes empresas.

Deste processo qualitativo foi elaborado um questionário, composto de 95 perguntas. Ele se tornou a parte quantitativa da Pesquisa e foi estruturado sobre uma metodologia própria, desenvolvida pela HBSAAB, para compreender os objetivos, os porquês e as ferramentas utilizadas nesta relação. A inspiração veio de trabalhos similares realizados na Harvard Business School e em outras entidades de referência.

“Nossa metodologia apresenta de forma única e inovadora a capacidade de identificar vários objetivos das empresas no relacionamento com startups, e não apenas a visão financeira e/ou de inovação que foram objeto de estudo em pesquisas anteriores”, destaca Magnus Varassin Arantes, cofundador e presidente da HBS Alumni Angels of Brazil (HBSAAB).

De acordo com Arantes, a Pesquisa tem a ambição de ajudar a encurtar a distância entre grandes empresas e startups. “Nosso objetivo é fornecer subsídios que facilitem a criação de programas estruturados, capazes de facilitar esta conexão entre grandes empresas e o ecossistema empreendedor”, diz. “E nada melhor do que aprender com a experiência de quem já está fazendo e tem o que ensinar”.

Os resultados do estudo e a metodologia serão apresentados no seminário internacional Status of Corporate Venture in Brazil: How Corporations are Connecting With the Startup Ecosystem. O evento contará com a participação do professor Thales Teixeira, da Harvard Business School, e representantes de algumas empresas participantes da Pesquisa, tais como a Cisco, Embraer e Samsung, além do BNDES e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

SERVIÇO:

Seminário internacional Status of Corporate Venture in Brazil: How Corporations are Connecting with the Startup Ecosystem

Dia: 16/3 (quinta-feira)

Horário: das 19:00 às 21:30h

Local: Hotel Maksoud Plaza (Rua São Carlos do Pinhal, 424 – Bela Vista)

Sobre a HBS Alumni Angels of Brazil (HBSAAB)

A associação foi criada em 2012 e reúne ex-alunos da Universidade Harvard. Hoje, conta com 110 integrantes e sua missão é ajudar a desenvolver o ecossistema de empreendedorismo no Brasil. Faz isso fornecendo apoio a startups que necessitem de recursos financeiros (smart money) e capital intelectual para crescer. Em cinco anos, cerca de 500 empreendedores apresentaram seus planos de negócios e destes, mais de 150 tiveram a oportunidade de interagir com os membros da associação em rodadas fechadas realizadas pelos membros. Mais de 50 projetos foram beneficiados com serviços voluntários de mentoria, coaching, networking e desenvolvimento de estratégias. Adicionalmente, oito receberam investimentos que, em conjunto, superam R$ 10 milhões, feitos diretamente pelos integrantes da HBSAAB ou co-investidores.

Riscos ambientais estão no topo da lista de mais prováveis e impactantes

Global Risk Report 2017 também destaca efeitos negativos da desigualdade social e da evolução tecnológica como tendências para os próximos anos

Pela primeira vez em 12 anos, os riscos ambientais estão entre as principais preocupações de especialistas em negócios e sociedade civil em todo o mundo, aponta o Global Risk Report 2017. O estudo, desenvolvido anualmente pela the World Economic Forum, em parceria com seguradora global Zurich and renomadas instituições financeiras e acadêmicas, mostra uma crescente atenção ao impacto de riscos ambientais como eventos climáticos extremos, desastres naturais, desastres causados ​​pelo homem e falha na mitigação ou adaptação às mudanças climáticas no cotidiano das populações.

O relatório também mostra que a instabilidade e a crescente desigualdade social figuram como tendências para os próximos dez anos, trazendo os riscos do desemprego estrutural ou subemprego. De acordo com Edson Franco, presidente da Zurich no Brasil, cuidar das organizações significa considerar tudo o que pode afetá-las e, no atual contexto global, um gerenciamento de risco eficaz deve levar em consideração as interdependências entre eles. “A Zurich acredita serem fundamentais as iniciativas que contribuem para melhorar o entendimento da sociedade em relação aos riscos, pois faz com que as pessoas reflitam e busquem as melhores formas de se precaver contra as ameaças”.

Outra importante conclusão do estudo é que a sociedade não está acompanhando o ritmo da evolução tecnológica. Das doze tecnologias emergentes analisadas no relatório, os especialistas descobriram que a inteligência artificial e a robótica têm os maiores benefícios potenciais, mas também os maiores efeitos negativos potenciais com maior necessidade de governança.

“Vivemos um momento de ruptura, no qual o progresso tecnológico também cria desafios”, declara Cecilia Reyes, Chief Risk Officer da Zurich. “Sem a governança apropriada e a renovação das habilidades dos trabalhadores, a tecnologia vai eliminar funções mais rápido que a criação destas. Os governos não podem mais oferecer níveis históricos de proteção social, e se instalou uma narrativa contrária ao que é praticado atualmente. A cooperação é essencial para evitar a deterioração futura de finanças governamentais e a exacerbação da instabilidade social”, afirma.

A interconectividade de risco é uma questão importante abordada no Global Risk Report 2017. Para John Scott, Chief Risk Officer da Zurich para Commercial Insurance, a conectividade de gerenciamento “é a receita do sucesso para o futuro da gestão de riscos”.

O Global Risk Report 2017

O estudo está em sua 12ª edição e foi realizado com base em uma pesquisa com aproximadamente 750 especialistas em negócios, sociedade civil e o público, e abordou 30 riscos globais e as tendências relacionadas que poderiam amplificar ou alterar as interconexões entre elas. As ameaças foram classificadas em duas categorias (Probabilidade e Impacto) e categorizadas em cinco tipos. Em 2017, os principais riscos por categoria foram:

1. Riscos econômicos: comércio ilícito e desemprego ou subemprego

2. Riscos ambientais: eventos climáticos extremos, desastres naturais, desastres causados ​​pelo homem e falha na mitigação ou adaptação às mudanças climáticas

3. Riscos geopolíticos: armas de destruição em massa, ataques terroristas, conflitos entre nações e colapso no governo de um país

4. Riscos sociais: migração involuntária em larga escala, crise de água e crise de alimentos

5. Riscos tecnológicos: fraude ou roubo de dados e ataques cibernéticos

Zurich Insurance Group (Zurich) é uma seguradora líder multicanal que apresenta soluções para seus clientes e parceiros na esfera local e global. Com cerca de 54 mil colaboradores, fornece uma ampla gama de serviços e produtos em Seguros de Vida e de Ramos Elementares em mais de 210 países e territórios. Entre os clientes da Zurich encontram-se indivíduos, pequenas e médias empresas, assim como grande empresas e multinacionais.
O Grupo está sediado em Zurich, Suiça, onde foi fundado em 1872. O Zurich Insurance Group Ltd (ZURN) está listado no Six Swiss Exchange e tem o Nível I no programa American Depositary Receipt (ZURVY), que é transacionado fora da bolsa no OTCQX. (#Envolverde)

Mulheres ainda enfrentam desigualdade no acesso a empregos e educação

Por Redação da ONU Brasil – 

Meninas e mulheres devem ser encorajadas a seguir a carreira que quiserem, afirmou nesta quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. A chefe da agência das Nações Unidas alertou que elas ainda enfrentam desigualdades no acesso a empregos dignos e à educação de qualidade, sobretudo porque gastam mais tempo que os homens em tarefas domésticas.

Meninas e mulheres devem ser encorajadas a seguir a carreira que quiserem, afirmou nesta quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. A chefe da agência das Nações Unidas alertou que elas ainda enfrentam desigualdades no acesso a empregos dignos e à educação de qualidade, sobretudo porque gastam mais tempo que os homens em tarefas domésticas.

“Queremos construir para as mulheres um mundo do trabalho diferente. Conforme as meninas cresçam, elas devem ser expostas a um vasto leque de carreiras e encorajadas a fazer escolhas que as levem além dos serviços tradicionais e de cuidado, para profissões na indústria, na arte, no serviço público, na agricultura modera e na ciência”, disse Phumzile.

Mulheres passam até 2,5 vezes mais tempo do que os homens cuidando da casa e de parentes, sem receber nada por isso.

Mulheres nepalesas. Foto: Banco Mundial/Stephan Bachenheimer

 

“Em muitos casos, essa divisão desigual do trabalho vem às custas do aprendizado dessas mulheres e meninas, de atividades remuneradas, do envolvimento nos esportes ou na liderança de comunidades”, acrescentou a dirigente da agência da ONU.

Para Phumzile, é necessário mudar a forma como crianças são educadas na família, na escola e pelos meios de comunicação. O objetivo deve ser quebrar estereótipos e impedir que os jovens aprendam “que as meninas têm de ser menos, ter menos e sonhar menos que os meninos”.

A chefe da ONU Mulheres lembrou que, no mercado de trabalho, homens ganham em média 23% mais que as mulheres por trabalhos de igual valor. Em certos segmentos populacionais, como negros vivendo nos Estados Unidos, o índice sobre para 40%.

 

Cobrando mais oportunidades de emprego decente e educação, Phumzile alertou ainda que as disparidades de gênero estão se perpetuando em novos setores. “Atualmente, apenas 18% dos diplomas de graduação em ciências da computação foram concedidos para estudantes mulheres”, afirmou. Apenas 25% da mão de obra das indústrias de tecnologia é feminina.

A dirigente pediu ainda políticas públicas e empresariais para adequar a rotina de trabalho às necessidades de mulheres. Uma recomendação é a instituição da licença trabalhista tanto para mães quanto para pais de recém-nascidos.

Phumzile acrescentou que governos devem estar atentos às vulnerabilidades de mulheres que trabalham no setor informal. “Isso exige implementar políticas macroeconômicas que contribuam para o crescimento inclusivo e acelerem significativamente o progresso para as 770 milhões de pessoas vivendo na pobreza extrema”.

Em 2017, o tema escolhido pela ONU para lembrar o Dia Internacional é “Mulheres no Mundo do Trabalho em Evolução: Um Planeta 50-50 até 2030”. A data será marcada com eventos na sede da ONU em Nova Iorque, onde especialistas, dirigentes da ONU, representantes dos Estados-membros e celebridades se reunirão para celebrar o empoderamento feminino.

Saúde sexual e reprodutiva

Também por ocasião da data, o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, fez um apelo à comunidade internacional para que garanta o acesso de todas as mulheres a serviços de saúde sexual e reprodutiva.

Entre as consequências da persistente desigualdade entre homens e mulheres, estão graves violações dos direitos humanos, alertou o dirigente.

“Tomemos como exemplo o fato de que, todos os anos, dezenas de milhares de meninas são forçadas a se casar — um terço delas, aproximadamente — antes de completarem 15 anos. Ou que uma em cada três mulheres sofrem violência de gênero. Cerca de 200 milhões de mulheres já passaram pela mutilação genital feminina”, alertou o chefe da agência.

Jovem de Burkina Faso recebe métodos contraceptivos em Burkina Faso. Foto: UNFPA

 

Osotimehin lembrou que “há 225 milhões que, mesmo querendo, não conseguem planejar suas vidas reprodutivas”. “Por isso, estão impossibilitadas de decidir se querem ter filhos ou não e quando tê-los”, afirmou.

Para o chefe do UNFPA, “assegurar o acesso universal ao planejamento reprodutivo voluntário significa colocar as mulheres e meninas mais pobres, marginalizadas e excluídas em primeiro plano”. “Mulheres e meninas que podem fazer escolhas e controlar suas vidas reprodutivas são mais propensas a conseguir melhor educação, trabalhos decentes e tomar decisões com liberdade e informação em todos os âmbitos de suas vidas”, frisou.

Mercado de trabalho

A chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, ressaltou que as mulheres têm 50% menos chances que os homens de ter empregos remunerados em tempo integral.

“As mulheres estão super-representadas no trabalho vulnerável e informal, muitas vezes sem proteção social, e são sub-representadas na gestão do setor corporativo, detendo apenas 22% das posições seniores de liderança nas empresas”, afirmou a dirigente em mensagem para o dia.

Clark destacou ainda que, das 173 economias incluídas no relatório de 2016 do Banco Mundial sobre “Mulheres, Negócios e Direito”, ao menos 155 possuem no mínimo uma lei que discrimina mulheres.

“Ainda existem países onde as mulheres não têm o direito de se divorciar, herdar propriedades, possuir ou alugar terras, ou ter acesso a crédito”, criticou. “Chegou a hora de eliminar as barreiras à igualdade de gênero no mundo do trabalho e em todas as outras esferas.”

Menina em sala de aula na Guatemala. Na América Latina e no Caribe, mais de 78% das mulheres com emprego ocupam postos de setores da economia considerados de baixa produtividade. Foto: Banco Mundial/Maria

 

Em artigo de opinião publicado para a data mundial, a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, apontou que 78,1% das mulheres empregadas na região atuam em setores definidos como de baixa produtividade. São as áreas da atividade econômica com as piores remunerações, menor contato com novas tecnologias e, em muitos casos, empregos de baixa qualidade.

A chefe do organismo regional lembrou ainda que “uma em cada três mulheres na América Latina e no Caribe ainda não tem uma fonte de renda própria”. “A isso se soma o fato de que 26% das mulheres maiores de 15 anos de idade na região recebem menos de um salário mínimo”, acrescentou.

Para combater a pobreza e a precariedade, Bárcena recomendou “propostas como a renda básica universal ou a regulação e fiscalização do salário mínimo em determinados setores altamente feminizados que hoje não têm amparo legal algum”. Segundo ela, essas “são ferramentas que permitiriam ampliar e melhorar o acesso das mulheres à renda”.

Violência

Em mensagem para o Dia Internacional, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, lembrou que uma em cada três mulheres está sujeita à violência física na esfera privada.

No meio rural, 90% dos estupros ocorrem precisamente quando as mulheres estão em seu caminho para recolher água ou lenha.

“As mulheres devem exercer suas liberdades e ser capazes de fazer as próprias escolhas, controlar os próprios corpos e as próprias vidas, além de participar de decisões que definem o curso da sociedade, da mesma forma que os homens fazem”, disse Bokova.

A dirigente lembrou as palavras da ativista Gloria Steinem, dizendo que “a história da luta das mulheres pela igualdade não pertence a apenas uma feminista nem a uma organização, mas sim aos esforços coletivos de todos os que se preocupam com direitos humanos”.

Neste 8 de março, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, afirmou que “a violência bárbara contra mulheres e meninas é uma vergonha compartilhada”, da responsabilidade de todos.

“Seja em casa, no local de trabalho ou em prisões, mulheres devem se sentir seguras. Ninguém deveria viver desesperadamente com medo ou em situações de terror”, alertou o dirigente, que se comprometeu a acabar com a violência de gênero e a empoderar mulheres de todo o mundo.

Secretário-geral da ONU também se pronunciou

Em mensagem para a data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que “os direitos legais das mulheres — que nunca foram iguais aos dos homens em nenhum continente — estão se esvaindo”.

O dirigente máximo das Nações Unidas afirmou que a desigualdade de gênero tem sido agravada pelo machismo e pela misoginia, erroneamente justificados por valores culturais ou religiosos. “Nestes tempos turbulentos, com o mundo mais imprevisível e caótico, os direitos das meninas e mulheres estão sendo reduzidos, restritos e revertidos”, disse.

Confira na íntegra o pronunciamento do chefe da ONU clicando aqui.

(ONU Brasil/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site ONU Brasil.