São Paulo: Aos domingos, a vida pulsa no Minhocão

Leno F Silva, especial para a Envolverde – 

Caminhar pelo Minhocão, aos domingos, é uma maneira de encontrar com algumas das diversidades de Sampa

Muito criticado como solução de mobilidade urbana e projeto arquitetônico, o espigão que liga o centro à zona oeste da cidade vive congestionado na maior parte do dia de segunda à sexta.

Os edifícios laterais passam a sensação de estarem colados às grades de proteção das pistas, e os primeiros andares ficam completamente expostos e sem privacidade. Por isso, algumas janelas permanecem fechadas todo o tempo, sem contar a poluição do ar, intensa, em função do volume de veículos expelindo CO2.

A existência de um movimento organizado para transformar essa obra do Maluf em um parque suspenso dá alento e esperança o que, talvez, possibilitará a melhora sensível das condições ambientais da região.

Enquanto isso não avança, sobra aproveitar os domingões como der na telha: andar, correr, bicicletar; passear com cães, desfilar de patins, jogar bola com as crianças, saborear as delícias culinárias vendidas informalmente e, o mais importante, ver e cruzar com pessoas de carne e osso e ao vivo.

Vista do Minhocão em um domingo. Foto Leno F. Silva

Sem pressa e com olhar de observador é comum perceber que a vida pulsa nos apartamentos dos prédios “invadidos” pelas pistas de rodagem.

Já se constata lá uma nova fase da expansão imobiliária. Lançamentos e projetos ousados atraem futuros moradores, os quais buscam as facilidades daquele perímetro, sem o risco de terem as suas individualidades vistas nos primeiros pavimentos, e também apostam numa completa revitalização da área nos próximos anos.

Que vença o Parque Minhocão, com mais verde, humanidade; opções de lazer, entretenimento e cultura para a nossa gente boa da cidade de São Paulo. Por aqui, fico. Até a próxima. (#Envolverde)

Atentado a uma árvores de 700 anos

Júlio Ottoboni, especial para a Envolverde – 

Árvore símbolo do Vale do Paraíba já sofreu inúmeros atentados em seus 7 séculos de existência. O atual, com fogo, pode ter sido o mais devastador.

Um incêndio atingiu no início de abril o jequitibá-rosa, no distrito de Eugênio de Melo de São José dos Campos, com 700 anos de idade. Ele já foi alvo de várias atos de vandalismo e atentados. Atualmente é escorado por uma imensa estrutura de aço. A árvore, típica da Mata Atlântica e sob ameaça de extinção, queimou por cinco horas e ainda passa por avaliação de técnicos quanto a sua possibilidade de recuperação e de sobrevivência.

Jequitibá de 700 anos que fica no distrito de Eugênio de Melo de São José dos Campos. Foto de: Adenir Britto/PhotoUpBrasil

A árvore é um dos mais importantes símbolos de defesa do meio ambiente da Vale do Paraíba paulista e foi declarada patrimônio histórico e imune de corte por decreto municipal nº 8.25993, de 10 de dezembro de 1993. Mesmo assim não se conseguiu conter os ataques ao jequitibá.

O fogo começou por volta das 11 horas da terça-feira (11) e foi extinto às 16h por equipes do Corpo de Bombeiros e populares. Funcionários da prefeitura também estiveram no local para acompanhar e ajudar no trabalho de contenção do incêndio que adentrou por uma fresta no tronco e queimou a árvore por dentro.

Segundo moradores da região, um homem capinou a área de calçada e ateou fogo no mato, isso a poucos metros da árvores que em minutos estava em chamas. A prefeitura realizará na próxima segunda-feira (17) a limpeza e retirada da vegetação seca e queimada do entorno do jequitibá-rosa.

Equipes das secretarias de Manutenção da Cidade e de Urbanismo e Sustentabilidade realizaram  uma vistoria técnica para identificar os graus de destruição e de lesões sofridas pela árvore. O diagnóstico preliminar mostrou que o incêndio não atingiu profundamente o tecido vivo do jequitibá-rosa. Isso pode ajudar numa futura recuperação da árvore.

Segundo a prefeitura, as equipes técnicas aguardarão o prazo de 20 dias para haver uma resposta fisiológica da árvore. Em seguida vão reiniciar os serviços de adubação, tratamento nutricional e controle de pragas e doenças por meio de inseticidas e fungicidas.

Foto: Adenir Britto/PhotoUpBrasil

Essas atividades são repetidas desde 2006 dentro de um plano de recuperação. Agora ele será intensificado caso o exemplar reaja. As condições de saúde da árvore antes do incêndio só serão alcançadas em um prazo de quatro anos.

Esse exemplar tem 27 metros de altura e 30 de diâmetro de copa e ainda pode durar cerca de mil anos. O Jequitibá teve uma fissura no caule e além de uma armação metálica para impedir que seja derrubado pelos ventos. O tratamento começou em 2002 e deve levar ainda de três a quatro décadas até sua recuperação.

A árvore fica nas margens da antiga estrada velha Rio-São Paulo, num trecho da Estrada Imperial. Ela foi abrigo de bandeirantes e de Entradas que seguiam para Minas Gerais. Também testemunhou o ciclo da cana de açúcar, o cafeeiro e de gado leiteiro, passando imune por mais de 3 séculos de exploração econômica da região em atividade agrária.

Os primeiros problemas começaram a surgir na década de 60, com cultos religiosos feitos sobre suas raízes e nas proximidades de seu tronco. Velas acessas em diversos rituais acabaram por incendiar a árvore diversas vezes e causaram danos significativos em sua saúde. Nos anos 80, a fábrica de veículos militares Engesa usou a árvore para testes com seus caminhões e jeeps, inclusive lançando-os contra o tronco ou mesmo atando correntes na tentativa de derrubá-lo com veículos de tração 4 x 4 .

Esses abusos comprometeram toda estrutura radicular da árvore, a fez perder galhos e entrar em colapso até o tombamento. Porém, mesmo com os cuidados, o jequitibá vem nestes 24 anos de preservação legal, passando por uma série de atentados. Os mais comuns são incêndios e tentativas de derrubada. Além da colocação de anéis metálicos em seu tronco, para evitar a abertura da fissura existente, foi criada um imenso suporte de aço para mantê-lo em pé. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

 

Fórum de Inovação Social no Setor Público abre chamada pública

Servidores da administração pública têm até 4 de maio para inscrever seus cases de inovação que contribuam para o aprimoramento da implementação de políticas públicas, da gestão de processos organizacionais ou serviços públicos ofertados aos cidadãos

São Paulo, 13 de abril de 2017 – Estão abertas as inscrições para a chamada pública do Fórum de Inovação Social no Setor Público (FIS) de 13 de abril a 4 de maio. O FIS é um projeto de fortalecimento intersetorial e impulso de soluções inovadoras para os desafios sociais mais prementes, fruto da construção de parcerias entre governo, empresas e sociedade civil, promovido pela ponteAponte Empreendedorismo Social em parceria com a Sator Eventos.

Serão selecionadas de três a seis iniciativas inovadoras de servidores da administração pública direta e indireta de todo o país, que contribuem para o aprimoramento da implementação de políticas públicas, da gestão de processos organizacionais ou serviços públicos ofertados aos cidadãos com impacto direto comprovado, em áreas estratégicas como educação, saúde, ambiente, habitação, inclusão social, empregabilidade, empreendedorismo e geração de renda.

As iniciativas selecionadas participarão do III Connected Smart Cities, que ocorre em São Paulo (SP) nos dias 21 e 22 de junho, com os custos pagos (credenciamento ao evento, transporte e alimentação), e apresentarão suas ações a um público amplo de formadores de opinião em diversos setores, bem como participarão de um laboratório de inovação social. As inscrições são gratuitas e voluntárias. Confira o regulamento.

Serviço:
Fórum de Inovação Social no Setor Público (FIS)
Inscrições até 04 de maio de 2017
Para se inscrever, preencha este formulário
Para mais informações, acesse ponteaponte.wix.com/forumdeinovacao

Sobre a ponteAponte:
Somos uma empresa social focada no desenvolvimento e na implementação de projetos intra e intersetoriais colaborativos, que potencializam o impacto socioambiental de nossos parceiros (OSCs, empresas privadas e órgãos governamentais). Nossa missão é construir as pontes que nos levem a um mundo mais justo e sustentável.

Sobre a Sator Eventos:
Completando 10 anos, a Sator é uma empresa de produção de eventos que passou a oferecer serviços de comercialização e comunicação para os eventos que organizava e, mais recentemente, descobriu-se como uma organização desenvolvedora de plataforma de negócios, que consiste em identificar, planejar e desenvolver oportunidades por meio de encontros presenciais como seminários, feiras, rodadas de negócios, mídia online e impressa. São parceiros estratégicos da ponteAponte na realização do Fórum de Inovação Social no Setor Público.

Sobre o Connected Smart Cities:
É o maior evento de cidades inteligentes no Brasil, unindo empresas de serviços e tecnologia de ponta, especialistas, prefeituras e pessoas engajadas com a otimização das cidades do Brasil, buscando inspiração em soluções implantadas nas mais inteligentes cidades do mundo e trazendo novas ideias. A 3ª edição ocorrerá nos dias 21 e 22 de junho de 2017 no Centro de Convenções Frei Caneca em São Paulo.
(#Envolverde)

Inovação deve caminhar junto com sustentabilidade

Liliane Rocha*, especial para a Envolverde – 
Os aplicativos que tanto facilitam a vida nas cidade e em ambientes virtuais são, também, a nova face das empresas. Por estarem na ponta da inovação estrariam também livres dos compromissos com a sustentabilidade empresarial?

Sabemos que a internet passou a incorporar em meados dos anos 90 as empresas on-line, mas o que elas têm em comum? São inovadoras. Surgiram para atender demandas e anseios que a maioria de nós sequer sabíamos que eram tão eminentes. Oferecem produtos ou serviços dos quais sequer detém os materiais físicos ou as estruturas das atividades fins, construindo um império de forma infinitamente mais veloz do que empresas historicamente consolidadas haviam conseguido desde a revolução industrial.

Uber, Facebook, Netflix, Groupon, Cabify, Google, Airbnb, entre outras, são empresas que tiveram uma jornada meteórica. Admiradas pelo êxito de pouco tempo após sua fundação passarem a faturar bilhões. A UBER, em cerca de dois anos de existência, foi avaliada em 17 bilhões de dólares; a Groupon, também no mesmo período, foi avaliada em cerca de 6 bilhões de dólares; a Google, poucos meses após a sua fundação, foi avaliada e vendida por 1,4 bilhões de dólares.

Em tudo mencionado acima certamente não há nada de errado. No entanto, as perguntas que devem ganhar espaço em nossas reflexões são: como e em que medida estas empresas têm se consolidado pautadas nos conceitos de Sustentabilidade?

Páginas de pesquisas e sites de interação social deveriam ser pressionados e responsabilizados por serem veículo para disseminação de falsas notícias? O termo “pós verdade” já foi incluso no Dicionário de Oxford e muitos afirmam que o fenômeno de falsas notícias na internet foram determinantes nas últimas eleições americanas.

E pela disseminação de pornografia infantil? Incentivo ao terrorismo? Um volume inestimável de conteúdos desta natureza navega todos os dias na rede prejudicando as vítimas e, em certa medida, resguardando os algozes.

De que modo, empresas de aplicativos na área de transporte, podem ser motivadas a preocupação com emissões do efeito estufa dos carros? Como devem ocorrer os trâmites de responsabilidade trabalhista? E com a mobilidade urbana? Sim, mobilidade urbana, afinal é inegável que a possibilidade de percorrer a cidade no conforto de um carro a baixíssimo custo, concorre nos grandes centros urbanos com o interesse por transportes coletivos como metrôs e ônibus.

Recentemente um motorista da UBER ganhou na justiça uma causa na qual deverá receber cerca de 80 mil reais, incluindo os valores que ele deixou de ganhar durante os 6 meses de relações de trabalho. Entre os argumentos utilizados estiveram o fato de que o pagamento do cliente ao motorista é feito por intermédio da empresa, que desconta cerca 20% do valor da corrida, configurando a prestação de serviços que é formalizada por meio de contrato.

Se uma mulher for estuprada no carro de um motorista vinculado a uma destas empresas ou em um imóvel alugado por meio de uma empresa de aluguel de imóvel de terceiros de quem é a responsabilidade? E em caso de discriminação de qualquer natureza? A Airbnb já foi acusada em alguns países de diminuir a oferta de habitação a preços acessíveis nas grandes cidades.

Empresas como compras coletivas responsáveis pelo rastreamento da cadeia de fornecedores das empresas que vendem promoções em seus sites? Estariam brechas legais possibilitando que as exponenciais se eximam de algumas responsabilidades?

Deixo claro que estas empresas não são vilãs. Ao contrário oferecem serviços fundamentais para a sociedade em um formato atual e relevante. O que me pergunto, no entanto, é se a sociedade estaria perdendo a noção de que, como qualquer outra empresa, estas também devem ser cobradas a construir seu patrimônio, assegurando a efetivação da Sustentabilidade no cerne da sua estratégia de negócios. Especialistas poderiam ajudá-las a formatar projetos e iniciativas que assegurem o crescimento pautado em preservação ambiental, inclusão social, equidade, entre outros. A hora é agora. Não deveremos esperar que algo de impacto aconteça para começar a construir está visão.

Certamente as exponenciais, em sua magnitude e capacidade de inovação, poderão realizar uma imensa contribuição e transformação no cenário da Sustentabilidade Global. (#Envolverde)

*Liliane Rocha é diretora executiva da Gestão Kairós – consultoria especializada de Sustentabilidade e Diversidade. Tendo sido responsável da área de Responsabilidade Social e Diversidade América Latina na Votorantim Metais, Walmart Brasil, Banco Real-Santander, Philips, entre outras. Mestranda em Politicas Públicas pela FGV, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Especialização em Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, MBA em Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero. Escreve semanalmente para a Envolverde sobre Diversidade.

São José vai sediar Centro de Alerta de Desastres

Júlio Ottoboni*, especial para a Envolverde – 

Duas boas notícias no 1º Seminário Nacional de Avaliação dos Alertas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que ocorreu na primeira semana de abril no Parque Tecnológico de São José dos Campos e atual sede da entidade. O órgão científico é uma das ações mais eficazes no combate dos extremos climáticos ocasionado pelo aquecimento global de efeito antrópico.

A Prefeitura de São José dos Campos doará uma área de 54 mil metros quadrados para o Cemaden construir sua sede própria. O conjunto de prédios ficará ao lado do Parque Tecnológico, que se encontra as margens da Via Dutra. A direção da entidade também confirmou que ampliará em mais 1.500 m² a sua estrutura atual, em funcionamento no núcleo atual.

Com essa ampliação, o Cemaden conseguirá trazer mais uma parcela de pesquisadores que se encontram lotados no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na unidade do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) sediada em Cachoeira Paulista, também no Vale do Paraíba.

Centro de monitoramento de desastres do Cemaden – Foto Julio Ottoboni

O anúncio da ampliação da estrutura e a doação do terreno ocorreram durante do seminário, no qual representantes das defesas civis de mil municípios, incluindo São José dos Campos, participaram de capacitação para alertas naturais. Com os extremos climáticos a situação tem ficado crítica em diversos pontos do país.

Pelo levantamento do órgão científico, que é ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e Comunicações, nos últimos cinco anos foram emitidos mais de 6.7 mil alertas ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad). Essa entidade atua para evitar e minimizar impactos sociais e econômicos causados por desastres naturais.

Local onde será construída a nova sede do Cemaden em São José dos Campos (SP)

Parceria de resultados

A experiência de São José dos Campos com o  Cemaden  no monitoramento e prevenção de catástrofes já mostrou efeitos práticos. Em janeiro, a entidade enviou um alerta para a Defesa Civil sobre o risco de deslizamento ou escorregamento e em março, ambos neste ano, outro alerta foi emitido sobre chuva com potencial de enxurrada. Nas duas ocasiões o tempo foi suficiente para alertar os moradores e retirar outros dos lugares sob risco.

O Cemaden entrou em operação em dezembro de 2011 e foi anunciado logo depois do desastre na serra fluminense. Segundo o governo federal, o esforço está concentrado em diminuir o tempo de resposta aos alertas.

“O tempo de resposta é determinante para preservar vidas. Algumas vezes, esse período é muito curto, chega a ser de alguns minutos”, explica o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes.

Os alertas são feitos após  análises de risco e de condições adversas, utilizando estudos de modelagem e dados coletados pelas redes geológicas, hidrológicas e meteorológicas distribuídas pelo país. O Cenad, que é ligado ao Ministério da Integração Nacional, aciona a defesa civil nos estados e municípios para que tome as providências necessárias.

Integração com Defasas Civis

“Queremos maior interface entre o Cemaden e as defesas civis. Nossa ideia é criar um canal de comunicação com elas para receber feedback dos estados e municípios, para sabermos se a qualidade e o produto que estamos oferecendo estão adequados às necessidades de cada localidade”, ressaltou Moraes.

O controle das áreas se dá da Sala de Situação do Cemaden, na qual 958 municípios são monitorados. Destes,  821 integram o Plano Nacional de Gestão de Risco e Respostas a Desastres e estão elencados como cidades com alto grau de ameaça para a ocorrência de desastres naturais. Pois nestas localidades ocorrem  94% das mortes e 88% do total de desalojados e desabrigados em todo o território nacional.

O Cemaden entrará em breve com um sistema de envio de mensagens SMS para as defesas civis estaduais e municipais. Esses avisos por meio de um número de celular cadastrado na base de dados agilizará o processo e também causando a redundância, algo fundamental no caso de potencial de risco. Também está em análise o desenvolvimento de um aplicativo que gera os avisos de forma automática. (#Envolverde)

* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, tem 31 anos de profissão, foi da primeira turma de pós-graduação de jornalismo científico do Brasil, atuou em diversos veículos da grande imprensa brasileira, tem cursos de pós-graduações no ITA, INPE, Observatório Nacional e DCTA. Escreve para publicações nacionais  e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ciência e tecnologia aeroespacial e economia. É conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecológico Vale do Paraíba, foi professor universitário em jornalismo e é coautor de diversos livros sobre meio ambiente.  É colaborador Attenborough fixo da Agência Envolverde e integrante da Rebia.

Internet: Banda Larga fixa sem limites

Artigo 19 – 

Aprovado no Senado, PL 174/16 estipula que conexão de banda larga de internet não poderá estar sujeita a planos de franquia. As redes móveis, no entanto, ficam fora dessa determinação.

O Senado aprovou o projeto de lei (PL) 174/16, que altera o Marco Civil da Internet e inclui como um direito dos usuários brasileiros de internet a “não implementação de franquia limitada de consumo nos planos de internet banda larga fixa”. O PL será agora apreciado em três comissões da Câmara dos Deputados (Defesa do Consumidor; Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e Constituição e Justiça e de Cidadania) em tramitação prioritária, com os deputados podendo aprová-lo ou sugerir modificações – neste último caso, as alterações voltariam a ser analisadas pelos senadores.

Caso o projeto seja aprovado na Câmara, a internet de banda larga fixa não poderá ser comercializada no mesmo regime em que hoje se comercializa a internet móvel, como o 3G e 4G para celulares. Nestes, o usuário fica limitado a uma quantidade preestabelecida de uso de dados e, caso ultrapasse sua cota, tem a velocidade do serviço reduzida ou ainda seu acesso à internet bloqueado. Quando isso acontece, as operadoras de rede móvel somente permitem a restauração do acesso à internet caso o usuário contrate um plano de franquia adicional ou então, o que é ainda pior, um novo plano de dados com maior franquia.

A mobilização de usuários de internet foi fundamental para a aprovação do PL 174/16, tendo em vista a celeridade do processo – o projeto passou somente por uma comissão (a CCT – Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática) antes de ser votado em definitivo pelos senadores. Em uma enquete feita na página no Senado, 99% dos votantes se posicionaram contra a limitação por franquia na banda larga fixa. Na sequência, o projeto foi submetido à votação na comissão e seguiu para o plenário, onde não teve grandes dificuldades para ser aprovado.

A aprovação da proibição do modelo de franquias na banda larga fixa pelos senadores significa ainda a vitória de um movimento de mais de um ano de luta contra a imposição de mais limitações ao acesso à rede, que já sofre com a falta de oferta e problemas de desempenho. Além disso, o fato de a decisão legislativa atender à vontade popular, especialmente no momento turbulento pelo qual passa o país, também é motivo de celebração.

Apesar da vitória pontual, no entanto, o cenário no Congresso para o futuro da internet não é animador. Isso porque existem atualmente grupos de parlamentares que têm atuado com o objetivo de desconfigurar o Marco Civil da Internet, apresentando inúmeras propostas de modificações da norma. Nesse sentido, é de suma importância que a aprovação do PL 174/16 não sirva como porta de entrada para outras alterações na lei que entrem em conflito com os direitos de usuários de internet.

Outro ponto para o qual vale chamar atenção é o fato de que a proibição expressa no PL 174/16 abrange apenas a banda larga fixa, isentando a internet móvel da determinação. Essa particularidade não pode limitar discussões no sentido de ampliar e qualificar o uso da rede através do celular, que atualmente é o principal dispositivo utilizado por brasileiros e brasileiras para acessar a internet.

O modelo de franquias na internet móvel pode também ser superado em um futuro próximo com a chegada da tecnologia 5G, que prenuncia uma revolução na velocidade da conexão e na capacidade de tráfego de dados, criando assim a possibilidade para que as limitações por franquias se tornem obsoletas. Dessa forma, o direito recém-conquistado para os usuários da banda larga fixa pode também vir a ser estendido aos usuários da rede móvel muito em breve.

É importante ainda destacar que a posição do Poder Executivo sobre o tema das franquias não está bem definida. Um dos grandes indicadores disso é que no dia 12 de janeiro, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, manifestou publicamente o apoio à adoção de modelos de franquia na banda larga fixa, voltando atrás no dia seguinte, após repercussão bastante negativa da afirmação. Além disso, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) esteve com uma consulta pública aberta em sua página eletrônica até o dia 30 de abril na qual qualquer um podia enviar contribuições sobre a questão.

Por fim, vale mencionar que a aprovação do PL 174/16 deve contribuir para a inclusão digital da metade dos domicílios que ainda não têm acesso à internet no país, uma vez que, com a banda larga fixa continuando a ser uma alternativa mais ampla de conexão irrestrita se comparada à conexão móvel, as pessoas terão incentivo a, quando possível, contratarem o serviço ou ainda a construir seus próprios modelos comunitários de conexão. No caso deste último, trata-se de uma prática que possui grande potencial na medida que a infraestrutura de telecomunicações ainda não chega a vários pontos do país, o que estimula as diversas comunidades a construírem suas próprias redes.

Promulgado em abril de 2014, o Marco Civil da Internet foi construído em meio a um amplo debate por diversos setores da sociedade durante mais de três anos e hoje confere diversas garantias de direitos aos usuários brasileiros de internet. Por esse motivo, a ARTIGO 19 espera que a Câmara dos Deputados siga o exemplo do Senado e aprove a proibição do modelo de franquias na banda larga fixa, o que significaria uma medida favorável aos direitos de acesso à internet de qualidade e, consequentemente, aos direitos à liberdade de expressão e informação. (Artigo19 / #Envolverde)

Foto: Internet

MAC mostra os infinitos caminhos que levam à arte

Por – Agência USP

Apresentar os diferentes caminhos da arte contemporânea brasileira é o desafio da mostra Os desígnios da arte contemporânea no Brasil, que está sendo apresentada no segundo andar do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. Um desafio que o curador José Antonio Marton propõe reunindo o trabalho de nove artistas de diferentes regiões do Brasil. “São trabalhos que, apesar da diversidade de paisagens, dialogam entre si e questionam o público”, explica.

Fernando Lindote: Lusus Naturae – Foto: Sidney Kair

A reflexão sobre os movimentos da sociedade se fundem na arte de Alan Fontes, Ana Prata, Fernando Lindote, James Kudo, Paulo Almeida, Rodrigo Bivar, Sergio Lucena, Tatiana Blass e Ulysses Boscolo. Porém, trazem narrativas diversas.

Tatiana Blass: Entrevista # 10,óleo sobre tela de 2014 - Foto: Everton Ballardin
Tatiana Blass: Entrevista # 10, óleo sobre tela de 2014 – Foto: Everton Ballardin

“A mostra nos revela uma produção contemporânea pulsante”, observa Ana Magalhães, curadora do MAC. “Ao longo da história da arte contemporânea, a questão da morte da pintura foi levantada para falar do esgotamento desse suporte como um suporte necessariamente atrelado à tradição artística, contra a qual se bateram e se fascinaram os artistas do século 20. Mas também para falar do fim da narrativa linear da arte, ou do fim da história da arte como discurso sobre a produção artística. Mas efetivamente a pintura permaneceu como meio importante da prática artística contemporânea, em várias partes do mundo. No Brasil, os artistas que lançam mão desse meio são muitos e o fazem, como veremos aqui, de formas muito diferentes.”

Onde as memórias se perdem

Alan Fontes: instalação lembra as Cataratas de Foz do Iguaçu – Foto Divulgação
Alan Fontes: instalação lembra as Cataratas de Foz do Iguaçu – Foto Divulgação

O jeito de ver, contar, sentir e registrar a história resulta nos múltiplos caminhos que o visitante percorre no espaço. Alan Fontes, mineiro de Belo Horizonte, questiona a destruição da história e da natureza. Na instalação Onde as Memórias se Perdem, apresenta uma pintura retratando as Cataratas de Foz do Iguaçu. “A obra foi executada com uma paleta reduzida em tons frios, que instaura uma indefinição espacial e temporal na cena”, explica o artista. “O fluxo contínuo de água que abre seu caminho de forma contundente na paisagem, erodindo e lavando infinitamente a rocha, está metaforicamente relacionado com o volume intermitente de imagens produzidas na contemporaneidade, assim como a consequente sensação de esquecimento gerada pela constatação da nossa incapacidade de lembrar e reter definitivamente a memória.”

No fundo, outras duas pinturas questionam a destruição dos casarões da avenida Paulista.

Ana Prata, também mineira, de Sete Lagoas, traz as séries Sol e Montanha, Amarelo e Grande Circo. São imagens de quem busca o invisível. “Os desígnios da arte contemporânea são múltiplos e inumeráveis”, opina a artista. “Acho que se decifrarmos os seus desígnios perderíamos a vontade de olhar, de entender e buscar. Perderia o sentido que a arte tem de tornar visíveis coisas invisíveis.”

Ana Prata: Grande Circo, 2013 – Foto: Divulgação
Ana Prata: Grande Circo, 2013 – Foto: Divulgação

As cores de Fernando Lindote, de Santana do Livramento, cidade gaúcha que faz fronteira com o Uruguai, movimentam o espaço. Buscam a simbologia da cultura brasileira na escultura do papagaio em bronze e na pintura Primeiro Imperador, uma espécie de ser mítico que habita as florestas. Na mostra, é possível observar o artista que não abdica do humor do cartunista e chargista.

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Fernando Lindote e a figura mítica do Primeiro Imperador – Foto: Divulgação

Tatiana Blass debate o tempo, a vida e a morte em sua instalações e pinturas. Na instalação Zona Morta, 2007, o visitante revê e reflete sobre sonhos e lembranças. Há quadros, discos, um velho piano com uma partitura do caderno Invenções a Duas Vozes, obrigatório no aprendizado clássico, fotos, uma decoração dos anos 1960. E, ao sair, há um corpo estendido no chão de alumínio fundido, com o título Para o Morto.

Tatiana Blass: sonhos e lembranças - Foto: Divulgação
Tatiana Blass: sonhos e lembranças – Foto: Divulgação

Sergio Lucena e o encontro da luz

Nas telas de Sergio Lucena, o visitante mergulha no silêncio. Paraibano de João Pessoa, o artista surpreende pelo encontro com a luz. As cores se fundem e são a paisagem. E o retrato de um pintor consagrado no Brasil e no exterior.

Nas telas de Lucena, contemplação e silêncio - Foto: Divulgação
Nas telas de Lucena, contemplação e silêncio – Foto: Divulgação

Para chegar à luz e cor, Lucena, 53 anos, percorreu um longo caminho. Entrou nos cursos de Física e Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, mas não concluiu. Acreditou e trabalhou pelas trilhas que a sua arte foi desenhando. Em 1992, ganha uma bolsa de estudos para estudar em Berlim. Sua trajetória é pontuada por diversas fases. Uma árdua busca. O desenho denso em detalhes, perfeito, foi se libertando da forma e hoje é a nuance do tempo, do espaço, da natureza do ser sensível. “A paisagem é o meu tema maior. Ela corresponde para mim à fusão dos estados físico, psicológico e espiritual”, explica Lucena. “A pintura de paisagem é o caminho que percorro na busca das relações entre as múltiplas esferas da realidade.”

Memórias de um lugar

James Kudo, 49 anos, paulista de Pereira Barreto, traz a série Florestas e surpreende pelas cores e síntese da paisagem.  Uma síntese também da sua própria história e lembranças.

James Kudo: cor e luz - Foto: Divulgação
James Kudo: cor e luz – Foto: Divulgação

Nos tons de azul do céu, da água, o preto que transformou as montanhas, no aconchego de um tecido xadrez que remete à memória de uma casa, de um lar, Kudo pinta a trajetória da sua cidade natal, fundada por imigrantes japoneses no dia 11 de agosto de 1928,  chamada de Novo Oriente. Parte desse município que passou a ser chamado de Pereira Barreto foi inundada, em 1990, pela usina hidrelétrica de Três Irmãos. São as imagens dos lugares de sua infância que são reverenciadas em seus desenhos.

Universo poético

Ulysses Bôscolo: pequenas telas formam a paisagem de pássaros – Foto: Divulgação
Ulysses Bôscolo: pequenas telas formam a paisagem de pássaros – Foto: Divulgação

Na série Pássaros,  o paulistano Ulysses Bôscolo, 39 anos, propicia ao visitante as imagens e cores dos pássaros. “Uma série de telas pequenas e do mesmo tamanho distribuídas no espaço como se fossem notas musicais em uma partitura”,  define o curador Antonio Marton. Apresenta também uma série de xilogravuras. Não tem o encanto e a delicadeza dos pássaros mas trazem a força do seu desenho. São obras que revelam as várias faces do artista, gravador e ilustrador.

A obra do paulistano Paulo Almeida, 39 anos, também registra os ambientes          que o cercam. São grandes pinturas que trazem detalhes da arquitetura ou reflexos dos espaços captados ou flagrados pelo seu olhar fotográfico. São estratégias onde ele reconstrói um novo espaço com as suas obras e compartilha esse universo com os artistas e os visitantes da mostra.

Paulo Almeida :Biennial Pavilion on the mirrors, 2015 - Foto: Divulgação
Paulo Almeida :Biennial Pavilion on the mirrors, 2015 – Foto: Divulgação

Descobertas do contemporâneo

 Nas imagens de Rodrigo Bivar, há a pausa de uma busca. Apesar de jovem – nasceu no Distrito Federal, Brasília , em 1981 – a sua inquietação já o levou por diversos caminhos. Vai seguindo os desígnios da contemporaneidade. E se até há pouco tempo ele registrava cenas e paisagens do cotidiano, agora ele compõe as formas das cores. Nada a ver com o óbvio dos limites dos espaços. Ele se dá a autonomia e o direito ao infinito da arte.

Rodrigo Bivar: uma nova paisagem – Foto: Divulgação
Rodrigo Bivar: uma nova paisagem – Foto: Divulgação


A exposição Os desígnios da arte contemporânea no Brasil, com curadoria de José Antônio Marton, está no Museu de Arte Contemporânea da USP, na Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, até 30 de julho de 2017. Funciona às terças, das 10 às 21 horas, e quarta a domingo, das 10 às 18 horas. Entrada gratuita. Mais informações no tel. (11) 2648-0254. Site: www.mac.usp.br

(#Envolverde)

Cidades e Meio Ambiente, uma relação conturbada

Por Dal Marcondes, da Envolverde –

A modernidade não significa o abandono da relação entre as pessoas e o meio ambiente. O desenvolvimento tecnológico não irá resolver todos os problemas ambientais do planeta Terra.

O século 20 consolidou o apartheid entre a humanidade e as dinâmicas próprias dos ecossistemas e da biosfera. Até o final do século 19, quando nasceu meu avô, a vida na terra, em qualquer que fosse o país, tinha estreitos laços com os produtos e serviços da natureza.

O homem dependia de animais para a maior parte do trabalho, para locomoção e mal começava a dominar máquinas capazes de produzir força ou velocidade.

Na maioria das casas o clima era regulado ao abrir e fechar as janelas e, quando muito, acender lareiras, onde madeira era queimada para produzir calor.

Cem anos depois a vida é completamente dominada pela tecnologia, pela mecânica, pela química e pela eletrônica, além de todas as outras ciências que tiveram um exponencial salto desde o final do século 19.

Na maior parte dos escritórios das empresas que dominam a economia global a temperatura é mantida estável por equipamentos de ar condicionado, as comunicações são feitas através de telefones sem fio e satélites posicionados a milhares de quilômetros em órbita, as dores de cabeça são tratadas com comprimidos e as comidas vêm em embalagens com códigos de barra.

Não se trata aqui de fazer uma negação dos benefícios do progresso científico, que claramente ajudou a melhorar a qualidade de vida de bilhões de pessoas, e também deixou à margem outros bilhões, mas de fazer uma reflexão sobre o quanto de tecnologia é realmente necessário e o que se pode e o que não se pode resolver a partir da engenharia.

As distâncias foram encurtadas e hoje é possível ir a qualquer parte do mundo em questão de horas, e isso é fantástico. No entanto, nas cidades, as distâncias não se medem mais em quilômetros, mas sim em horas de trânsito. E isso se mostra um entrave para a qualidade de vida.

Computadores, internet e telecomunicações tornaram o mundo menor e abriram as portas de um universo de conhecimento inimaginável poucos anos atrás.

Ainda na década de 1990 fiz uma entrevista com o pensador norte-americano Alvin Toffler , autor de A Estrada do Futuro e perguntei porque o futuro que se desenhava era tão diferente do que havia sido previsto poucos anos atrás, da década de 1970. “Simples”, respondeu ele.

“Ninguém foi capaz de prever que os computadores se tornariam eletrodomésticos, e mais ainda, que eles seriam ligados em rede possibilitando comunicação universal entre pessoas e bancos de dados”, concluiu. Ou seja, a web, a internet como conhecemos hoje, 20 anos depois daquela entrevista, não foi uma evolução previsível.

Romantismo pragmático

Há um certo romantismo em pensar na vida em comunhão com a natureza, onde as pessoas dedicam algum tempo para o contato com plantas, animais e ambientes naturais.

Eu pessoalmente gosto e faço caminhadas regulares em praias e trilhas. Mas não é disso que se trata quando falo na ruptura entre a engenharia humana e as dinâmicas naturais.

Há uma crença que está se generalizando de que a ciência, a engenharia e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental que surja.

E esse é um engano que pode ser, em muitos casos, crítico para a manutenção do atual modelo econômico e cultural das economias centrais e, principalmente, dos países que agora consideramos “emergentes”.

Alguns exemplos de que choques entre a dinâmica natural e o engenho humano estão deixando fraturas expostas. A região metropolitana de São Paulo enfrentou uma das maiores crises de abastecimento de água de sua história.

As nascentes e áreas de preservação que deveriam proteger a água da cidade foram desmatadas e ocupadas, no entanto a mídia e as autoridades em geral apontam a necessidade de mais obras de infraestrutura para garantir o abastecimento, como se a produção de água pelo ecossistema não tivesse nenhum papel a desempenhar.

No caso da energia também existe uma demanda incessante por mais eletricidade, mais combustíveis e mais consumo. Isso exige o aumento incessante da exploração de recursos naturais e não renováveis.

Pouco ou nada se fala na elaboração de programas generalizados de eficiência energética, de modo a economizar energia sem comprometer a qualidade de vida nas cidades.

Outro ponto de descolamento é a gestão de resíduos. Grande parte dos ambientes naturais está contaminada por plásticos e outros resíduos produzidos pelo descarte de produtos usados e embalagens.

A gestão de resíduos tem sido encarada como um problema de engenharia, fala-se muito em aterros sanitários e em “queima energética” dos resíduos, o que levaria a agravar outro problema presente na agenda ambiental do século 21, as mudanças climáticas, causadas principalmente pelas emissões de gás carbônico das atividades humanas. Pouco ainda se faz em direção a uma eficaz redução da geração de resíduos ou da utilização maior de materiais reciclados e/ou biodegradáveis.

Serviços Ambientais

Há também o desmatamento em todos os biomas brasileiros e ao redor do mundo. Monitora-se muito os dados sobre a Amazônia, mas há problemas sérios na Mata Atlântica, cujos dados recentes mostram aumento da área desmatada, no Cerrado, onde estão as nascentes de alguns dos grandes rios brasileiros, e até na Caatinga, que sofre periodicamente com longos períodos de estiagem.

Todos esses dilemas, porém, parecem alheios ao cotidiano das grandes cidades, onde o trânsito e o tempo (medido em horas) ocupam os espaços de preocupação. Não há no imaginário de pessoas que vivem em ambientes artificiais de edifícios, automóveis e espaços urbanos degradados uma clara noção dos vínculos existentes entre suas vidas e os serviços ambientais prestados pelos ecossistemas.

A desconexão vai além da simples percepção, nas cidades as pessoas se recusam a mudar comportamentos negligentes como o descarte inadequado de resíduos ou desperdícios de água e energia. Há muito a mudar.

Pessoas, empresas, governos e organizações sociais são os principais atores de transformação, mudanças desejáveis e possíveis, mas que precisam de uma reflexão de cada um sobre o papel do meio ambiente na vida moderna.

É um equívoco pensar que civilização e meio ambiente são departamentos estanques. O moderno modo de vida das sociedades de consumo depende da resiliência dos ecossistemas em oferecer água, alimentos e todo o tipo de produtos minerais e vegetais necessários para a manutenção da sociedade do século 21.

A profunda descrença na capacidade humana em mudar é, na verdade, uma atitude inconsequente de uma geração acomodada no individualismo e no consumismo, onde as relações sociais se dão mais em redes cibernéticas do que no bom e velho calor humano.

As sociedades humanas vivem em constante mutação, como mostra a história. Negar a possibilidade de que o futuro seja um bom lugar para se viver é violentar os direitos de nossos filhos e netos de ter uma existência digna. (#Envolverde)

  • Dal Marcondes é jornalista com especialização em economia e meio ambiente e passagens por grandes redações da imprensa paulista, como Gazeta Mercantil, Agências France Presse, Dinheiro Vivo e Estado e revistas como IstoÉ e Exame. Atualmente é mestrando da ESPM-SP com pesquisa em Modelos de Negócios no Jornalismo Digital e Pós-Industrial.

 

ONU Mulheres: nota pública sobre assassinato de Maria Eduarda Alves da Conceição

ONU Mulheres divulgou no início da noite dessa sexta-feira (31) nota pública manifestando “consternação” com o assassinato da adolescente negra Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, vítima de bala perdida na quinta-feira (30), enquanto estava em aula na cidade do Rio de Janeiro. Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, assina o comunicado.

A ONU Mulheres divulgou no início da noite dessa sexta-feira (31) uma nota pública manifestando “consternação” com o assassinato da adolescente negra Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, vítima de bala perdida na quinta-feira (30), enquanto estava em aula na cidade do Rio de Janeiro.
Maria Eduarda Alves da Conceição foi assassinada em sala de aula. Foto: reprodução do Facebook

Maria Eduarda foi uma das participantes do projeto ‘Uma Vitória Leva à Outra’ sobre o empoderamento de meninas pelo esporte, desenvolvido pela ONU Mulheres e pelo Comitê Olímpico Internacional durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

A agência especializada da ONU destacou os dados “alarmantes e inaceitáveis” com relação à violência contra as mulheres e meninas brasileiras, especialmente as afrodescendentes. Confira a nota na íntegra:

Nota pública sobre o assassinato da adolescente Maria Eduarda Alves da Conceição, vítima de bala perdida, no Rio de Janeiro

“A ONU Mulheres Brasil manifesta consternação com o assassinato da adolescente negra Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos, vítima de bala perdida, em 30 de março de 2017, durante o desenvolvimento de suas atividades escolares. Apresenta condolências às e aos familiares, amigas e amigos da adolescente e comunidade escolar da Escola Municipal Daniel Piza, localizada na Pavuna, Rio de Janeiro.

Até outubro de 2016, Maria Eduarda foi uma das participantes do projeto ‘Uma Vitória Leva à Outra’ sobre o empoderamento de meninas pelo esporte, desenvolvido pela ONU Mulheres e pelo Comitê Olímpico Internacional, no contexto do legado dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Em face da violência fatal contra Maria Eduarda, a ONU Mulheres Brasil reitera o apelo público em defesa do direito das mulheres e meninas, notadamente as afro-brasileiras, a terem uma vida sem violências, incluindo o respeito à memória das vítimas. Reforça o alerta às autoridades públicas para a continuidade de investimentos em políticas para a prevenção e a eliminação da violência contra as mulheres e meninas e a juventude negra, a fim de evitar as mortes violentas por razões de gênero e raça.

A entidade relembra os dados alarmantes e inaceitáveis com relação à violência contra as mulheres e meninas brasileiras, especialmente as afrodescendentes.

De acordo com o Mapa da Violência 2015 sobre o assassinato de mulheres, entre 2003 e 2013, houve um aumento de 191% na vitimização de negras. Ainda conforme o estudo, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres, ONU Mulheres e Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), em dez anos, houve um aumento de 54% no número de homicídios de mulheres negras, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013.

Por fim, a ONU Mulheres retoma os compromissos da campanha global UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres, neste ano, sob o lema “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres e as meninas”, alcançando as pessoas mais vulneráveis primeiro. A campanha apoia o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada em 2015, pelos Estados-membros da ONU.

Nadine Gasman
Representante da ONU Mulheres Brasil

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Acesse a nota original na página da ONU Mulheres clicando aquihttp://bit.ly/2oiR9O0

(#Envolverde)

Direito à cidade é tema de debate na Unicamp

Especialistas discutirão a importância do acesso da população ao espaço urbano

A Unicamp promove no dia 4 de abril o Fórum Direito à Cidade – Desafios para uma Agenda Metropolitana, trazendo para o centro das discussões uma questão que impacta diversos setores da sociedade. O evento reunirá especialistas de variadas instituições e formações nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Sociologia, Antropologia, Direito Urbanístico e de movimentos sociais.

“Direto à cidade significa dar direito ao cidadão de usufruir o lugar em que ele vive. Morar bem, mas também aproveitar a infraestrutura. A ideia de que parte da população é alijada dessas benesses que a cidade tem a oferecer nos preocupa e é o que nos motivou a fazer o evento”, diz o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp José Marcos da Cunha, um dos organizadores. “É uma questão que precisa colocar o dedo na ferida para mostrar como a cidade é desigual.”

O intuito dos organizadores é exaltar a importância do assunto, tanto no âmbito acadêmico quanto fora dele, e verificar como o acesso à cidade se coloca em cada parte da metrópole. “O objetivo é montar um quebra-cabeça, de modo que tenhamos uma visão geral dos principais temas, dos problemas e, quem sabe, dos caminhos que estão sendo assumidos para resolvê-los”. Segundo Cunha, o poder público dispõe de maneiras para promover essas mudanças, mas falta coragem para adotá-las.

As palestras serão divididas em quatro partes. A primeira pretende explicar o quadro geral e entender o que significa e como surge a questão. A segunda pensará os movimentos sociais como parte central da engrenagem da metrópole e refletirá a importância desses grupos na garantia do direito à cidade. As várias escalas do problema, como espaciais e sociais, serão expostas na terceira parte, reservando à última um espaço de debate maior entre os palestrantes e a plateia.

Entre os convidados estarão a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) Raquel Rolnik, que foi relatora do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada; Luciana Tatagiba, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Participação, Movimentos Sociais e Ação Coletiva (NEPAC) da Unicamp; e Francisco Sabatini, da PUC-Chile, especialista em segregação socioespacial na América Latina. Também participarão dos debates Edesio Fernandes, especialista da área de direito urbanístico; e Luciana Lago, pesquisadora da rede Observatório das Metrópoles e professora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O Fórum Direito à Cidade – Desafios para uma Agenda Metropolitana é uma realização do Fórum Pensamento Estratégico (PENSES), em parceria com o Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” da Unicamp, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, Centro de Estudos da Metrópole, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. O PENSES é um espaço acadêmico, vinculado ao Gabinete do Reitor, responsável por promover discussões que contribuam para a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da sociedade em todos seus aspectos. Mais informações sobre a programação podem ser encontradas no site www.gr.unicamp.br/penses/direito-cidade/

Fórum Direito à Cidade – Desafios para uma Agenda Metropolitana

Dia: 4 de abril de 2017

Horário: das 8h30 às 17h30

Local: Centro de Convenções (CDC) – UNICAMP

Endereço: Rua Elis Regina, 131, Cidade Universitária, Campinas (SP)