EUA retiram apoio ao Fundo de Populações da ONU

Por Tharanga Yakupitiyage, da IPS/Envolverde

Os Estados unidos cancelaram qualquer tipo de ajuda ao Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA). Essa agência trabalha em temas como saúde sexual e reprodutiva em cerca de 150 países. Essa decisão se baseou em uma falsa acusação, segundo o Fundo, de que a organização apoia ou participa de programas de esterilização forçada de mulheres e de abortos não consensuais.

Esse argumento está em uma carta enviada pelo Departamento de Estado dos EUA, no último dia 3, onde anuncia a retirada do apoio, “apesar de reconhecer que o trabalho da organização foi importante em diversos momentos”. Os gestores do Fundo de Populações acreditam que as acusações falsas serviram apenas como desculpa para cortar o financiamento. O Fundo argumenta que nunca promove o aborto e que atua principalmente no planejamento familiar de forma a evitar gravidez indesejada e abortos. “Sempre valorizamos os Estados Unidos como um parceiro confiável e líder em iniciativas para garantir que cada gravidez seja desejada, cada criança protegida e que cada jovem possa desenvolver seu potencial”, diz o comunicado emitido em resposta ao cancelamento do financiamento a suas atividades.

Mulheres em evento da UNFPA na África

Os Estados Unidos eram um dos grandes contribuintes do UNFPA. Em 2015 sua contribuição foi de US$ 75 milhões, ficando atrás apensa da Inglaterra e da Suécia. O corte das contribuições norte-americanas “terão consequências devastadoras para a meninas e mulheres de todo o mundo”, disse Shannon Kowalski, diretora de políticas e campanhas da Coalisão Internacional para a Saúde das Mulheres.

Mãe e filha atendida em programas da UNFPA na África

O trabalho da organização frente a situações de crise será o mais prejudicado, como o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva para as mulheres vítimas do Estado islâmico, e de outros grupos extremistas do Oriente Médio.

Segundo a diretora da UNFPA o corte dos recursos dos Estados Unidos coloca em risco a capacidade da organização em facilitar o acesso a partos seguros de 45 mil mulheres na Síria e em apoiar 55 centros que ajudam 15 mil meninas e mulheres sobreviventes de violência de gênero no Iraque, entre elas mais de 700  yazidíes sobreviventes de violência sexual.

Segundo dados da organização, as doações dos Estados Unidos ajudaram, em 2016, 2.340 mulheres a terem partos seguros e impedir 295 mil abortos em condições criminosas. A organização alerta que sem esse apoio as mulheres sírias não terão nenhuma maternidade que atenda refugiadas.

No entanto essa não é a primeira vez que os Estados Unidos retiram o apoio à organização e o argumento é sempre o mesmo, de que a entidade apoia abortos não consensuais. Entre 2002 e 2008 o ex-presidente George W. Bush já havia retirado o apoio de US$ 34 milhões.

“A declaração do presidente Donald Trump alcançou novos níveis de hipocrisia com a decisão e deixar de apoiar o Fundo de Populações das Nações Unidas, uma vez que pouco tempo atrás sustentou que tem um grande respeito pelas mulheres e seu papel no mundo, mas um mês depois decide cortar o financiamento a políticas de gênero do  UNFPA. Apesar do tom forte do comunicado, os gestores do Fundo pedem ao presidente norte-americano que reveja sua posição. (IPS / #Envolverde)

Traduzido por Verónica Firme e editado em português por Dal Marcondes

 

 

 

 

Mulheres: Mais prazo para a Plataforma UNA

Agência FAPESP – Foi prorrogado até o dia 10 de abril o cadastramento na primeira etapa do mapeamento para a Plataforma UNA, projeto ancorado pela ONU Mulheres, Womanity Foundation e BrazilFoundation em parceria com o Instituto C&A, que visa mapear o ecossistema de iniciativas para equidade de gênero e empoderamento da mulher no país.

O objetivo da plataforma é reunir, em um local único e de fácil acesso, informações relevantes sobre iniciativas que lidam com questões relacionadas a gênero, bem como suas relações para fomentar interconexões e ampliar os resultados no ecossistema.

ONU Mulheres, Womanity Foundation e BrazilFoundation, em parceria com o Instituto C&A, vão mapear iniciativas de equidade de gênero em todo o país (foto: Womanity.org)

Para mapear esse ecossistema, será utilizada uma plataforma tecnológica que possibilitará o cadastro de organizações e de iniciativas por meio de questionário eletrônico de autopreenchimento. Essas informações serão utilizadas para traçar o perfil de cada organização, bem como identificar as conexões entre elas.

Em um segundo momento, essa plataforma terá a função de automatizar, tornar inteligente e perpetuar o processo de mapeamento e identificação  de conexões, uma vez que permitirá que novos atores se cadastrem e apontem as parcerias e os relacionamentos com as organizações preexistentes, ou indiquem outras a serem incluídas na plataforma.

Após o cadastro das organizações e iniciativas, será feita uma análise das conexões, que indicará possíveis cruzamentos em termos de atuação geográfica, principais temas trabalhados, subtemas, entre outros itens. Numa etapa posterior, pretende-se aprofundar as análises, por meio de estudo de casos e encontros entre organizações.

A equipe responsável pelo trabalho é formada pelas organizações Blossom, Ibeac e ponteAponte, com WomenWhoCode na execução da programação.

Poderão se cadastrar na plataforma as seguintes iniciativas e organizações que trabalhem com a temática de equidade de gênero e empoderamento da mulher de maneira declarada em sua missão, eixos temáticos e/ou estratégias:Organizações da área social especializadas/com projetos no tema mulher;
Organizações multilaterais (BID, Banco Mundial, Sistema ONU etc.);
Movimentos sociais;
Redes sociais;
Coletivos;
Secretarias e órgãos de governo (federal, estadual e municipal);
Think tanks que focam ou tangenciam a temática;
Departamentos ligados aos Poderes Legislativo e ao Judiciário;
Departamentos de relações internacionais de outros países no Brasil (embaixadas, câmaras de comércio bilaterais etc.), desde que desenvolvam ação em território brasileiro com independência;
Organizações do Sistema S;
Associações, fundações e conselhos setoriais (CNI, Fiesp etc.);
Sindicatos;
Organizações de fomento à pesquisa (CNPq, FAPESP etc.);
Academia;
Imprensa e órgãos de comunicação focados na temática;
Redes de fomento relacionadas ao tema (exemplo: Mulheres do Brasil e Rede de Mulheres Líderes pela Sustentabilidade);
Empresas com ações e projetos focados no público-alvo principal feminino ou investimentos nessa temática (micro, pequeno, médio a grande portes);
Institutos e fundações empresariais (responsabilidade social e investimento social privado);
Organizações que fomentam o empreendedorismo feminino;
Bancos e fundos de investimento;
Grupos de mulheres;
Consultorias e empresas de pesquisa.
O cadastramento é gratuito e voluntário, pelo link http://www.u1na.org/.

Mais informações podem ser obtidas pelo endereço mapamulheres@ponteaponte.com.br ou pelo telefone (11) 3129-7265.

(#Envolverde)

Agência Pública oferece bolsa para reportagens sobre maconha

Agência Pública – 

Com apoio do CESeC, a Pública vai financiar quatro pautas de repórteres independentes sobre o tema “maconha”; a bolsa é de 7 mil reais

Estão abertas as inscrições para o 7º Concurso de Microbolsas da Agência Pública. Nesta edição, que conta com o apoio do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Candido Mendes – CESeC, a Pública convoca repórteres independentes de todo o Brasil para investigar o tema “Maconha”. Serão quatro microbolsas de 7 mil reais para as melhores propostas de investigação sobre o tema.

Com o concurso, a Pública e o CESeC pretendem fortalecer e qualificar o debate sobre as drogas e sobre os efeitos das políticas a elas relacionadas. O projeto pretende incentivar jornalistas de todo o Brasil a produzir histórias que informem a sociedade quanto aos vários aspectos envolvidos na produção, no uso recreativo e medicinal, na história e na criminalização da maconha.

O concurso busca pautas inéditas e repórteres interessados em revelar aspectos até hoje desconhecidos  em relação à maconha. As pautas devem ampliar o conhecimento sobre os mecanismos de consumo, uso e repressão à maconha no Brasil. “Queremos reportagens que encarem de maneira séria, profissional e investigativa a droga mais utilizada no país, cujo status como ilegal está em debate em todo o mundo – inclusive no Supremo”, diz Natalia Viana, co-diretora da Pública.  “Discutir aspectos relevantes sobre o uso das drogas precisa deixar de ser um tabu. É papel do jornalismo abordar todos os temas que impactam a sociedade”.

“Desde 2014, quando foi realizada a primeira edição do Prêmio Gilberto Velho Mídia e Drogas, o CESeC vem se dedicando a estimular uma participação maior e mais qualificada da mídia no debate público sobre políticas de drogas. A imprensa pode contribuir muito para reduzir o predomínio de visões preconceituosas e equivocadas sobre as drogas, que continuam a alimentar políticas ultrapassadas e ineficazes”, diz a coordenadora do CESeC, Julita Lemgruber.

As inscrições vão até o dia 29 de abril e devem ser feitas através deste formulário. Para fazer a inscrição, é necessário que o repórter apresente a pré-apuração da pauta, quais fontes pretende entrevistar e em qual formato a reportagem vai ser feita. O regulamento completo está disponível no site da Agência Pública.

A seleção das pautas será feita pelas diretoras da Pública, Marina Amaral e Natalia Viana, em conjunto com coordenadora do CESeC, Julita Lemgruber. O anúncio dos vencedores será feito no dia 9 de maio, no site da Pública. A produção das pautas será acompanhada pela Pública, que também vai editar e publicar o material a partir de julho.

Sobre a Agência Pública: Fundada em 2011, a Agência Pública é uma iniciativa de jornalismo independente sem fins lucrativos focada na produção de reportagens investigativas distribuídas mais de 70 republicadores. Todo o conteúdo pode ser livremente reproduzido sob a licença Creative Commons.  Sua missão é a produção de material jornalístico pautado pelo interesse público – visando ao fortalecimento do direito à informação, à qualificação do debate democrático e à promoção dos direitos humanos. Além de ser financiada através de campanhas de crowdfunding, a Agência Pública tem como parceiros fundações que investem na democratização da mídia como a Fundação Ford e a OAK Foundation. A Pública é atualmente a agência mais premiada do país. Em 2016, foi vencedora dos prêmios Gabriel Garcia Marquez, Vladmir Herzog e Petrobrás, o que garantiu o posto de terceiro veículo mais premiado do país. Foi também o primeiro veículo brasileiro indicado ao Prêmio Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras. http://apublica.org/

Sobre o CESeC : Fundado em 2000, na Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC ) desenvolve projetos para o aperfeiçoamento do sistema de justiça criminal e o subsidídio de políticas públicas voltadas à redução da criminalidade com respeito aos direitos humanos. Desde a sua criação, o CESeC já realizou 60 projetos de pesquisa, consultoria e ensino, que resultaram em 20 livros e mais de 60 publicações. Além de Política de Drogas, o CESeC tem como linhas de pesquisa: Polícia e Sociedade; Justiça e Sistema Penitenciário; Indicadores e Políticas de Segurança; Juventude, Movimentos Sociais e Cidadania; Mídia e Violência e Mediação de Conflitos. http://www.ucamcesec.com.br/

(#Envolverde)

Idec repudia propostas para regularizar a oferta de planos de saúde acessíveis

Ontem (8), o Ministério da Saúde encaminhou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) um documento com propostas para regularizar a oferta de planos de saúde acessíveis. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) repudia as medidas sugeridas e defende a divulgação de estudos de impacto financeiro para implantação do projeto, além da apresentação de documentos técnicos que demonstrem que não haverá prejuízos para o consumidor e para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o Idec, é inadmissível que a proposta divulgada omita embasamento técnico e transfira essa responsabilidade para a ANS. Essa era a função essencial do Grupo de Trabalho, constituído pelo Ministério da Saúde. Sobre as propostas apresentadas, o Instituto se manifesta da seguinte forma:

Ampliação de coparticipação em no mínimo 50%: a coparticipação é um instrumento criado para fazer o usuário do plano não usar os serviços de saúde, obrigando-o a pagar um determinado valor pelo procedimento que for utilizar, além do valor da mensalidade. Com isso o consumidor adia consultas e exames e atrasa a prevenção e o diagnóstico precoce. No entendimento do Idec, isso é ruim para o consumidor e para o sistema de saúde como um todo, porque atrasa a prevenção e o diagnóstico precoce. Isso é mais grave no caso de doentes crônicos e idosos, que são os mais prejudicados com essa medida.

Reajustes de planos individuais segundo tabela de custos: planos de reajuste não regulado, ou com regulação mais frouxa, que é o caso da proposta, permitem que as operadoras fixem reajustes superdimensionados no decorrer da relação contratual. Isso abre margem para que as operadoras ofereçam um plano artificialmente barato, para ganhar o consumidor e, a partir do primeiro reajuste, aumentar consideravelmente o valor da mensalidade.

Foto: Shutterstock

 

Obrigatoriedade de Segunda Opinião Médica: essa alteração tem um potencial explosivo para negar internações e procedimentos caros e complexos, impedir atendimentos de urgência, tratamentos de câncer, de transtornos mentais, órteses, próteses, fisioterapia, transplantes etc. Além disso, afronta a Resolução CONSU nº 8/98, que proíbe o uso de autorizações prévias (ou segundas opiniões) para procedimentos de urgência e emergência.

Revisão de prazos de atendimento: a fim de reduzir custos, as operadoras contratarão uma rede conveniada ou credenciada menor, procurando também pagar menos aos prestadores. Com poucos serviços conveniados, será ainda maior a dificuldade de agendar exames e consultas com médicos e de encontrar hospitais e laboratórios de qualidade. O Idec reforça que o controle de prazos de atendimento é a única forma estipulada pela ANS para mensurar capacidade de rede assistencial, ou seja, a qualidade do atendimento prestado.

Abrangência inferior ao município: é redução de cobertura inferior ao nível municipal. Se operadoras oferecerem serviços apenas em regiões da cidade, isso pode ocasionar problemas em urgências e emergências em que o beneficiário precisará fazer deslocamentos.

O Idec alerta ainda que esses planos acessíveis são produtos placebo e simulações de plano de saúde não sustentáveis para o consumidor. Se implementados, implicarão em mudanças radicais (para pior) na atual legislação sobre o tema, em especial por:

* Abrir margem para a exclusão de idosos e doentes crônicos, negativas de internações e procedimentos caros e complexos, e impedir atendimentos de urgência, tratamentos de câncer, de transtornos mentais, órteses, próteses, fisioterapia, transplantes etc;
* Flexibilizar reajustes, podendo levar à entrada de planos de saúde baratos no início, mas com reajustes exorbitantes aplicados no futuro;
* Criar barreiras de atendimento, que limitam a cobertura apenas a serviços disponíveis no local ou instituem pagamentos adicionais, além da mensalidade;
* Ter poucos serviços conveniados e pagar menos aos prestadores, gerando maior dificuldade de agendar exames e consultas com médicos e de encontrar hospitais e laboratórios de qualidade.

Por fim, o Idec reitera seu posicionamento anterior, no sentido de que esta proposta não tem condições de oferecer produtos de qualidade e segurança ao consumidor, podendo ocasionar-lhes graves prejuízos, inclusive fazendo “explodir” a judicialização da saúde suplementar. (#Envolverde)

Visões femininas sobre o mundo pós-desenvolvido

Por Rosa Alegria* 

O Dia Internacional da Mulher não é apenas para cumprimentar as mulheres que admiramos, mas também para lembrar que depois de 50 anos de revolução feminista as mulheres carregam o maior peso da desigualdade.

Em 2008 fui estudar no Schumacher College, (Totnes, sul da Inglaterra) querendo aprofundar meu conhecimento sobre a sustentabilidade -tema que até então achava que dominava, dando palestras, escrevendo artigos, oferecendo consultorias.

Fui atrás de um tema instigante: o pós-desenvolvimento. Já nas primeiras aulas do programa “Development: What Next?” (Desenvolvimento: o que vem depois?) me deparei com o pensamento radical (no melhor sentido da palavra) de Vandana Shiva e Gustavo Esteva. A cada instante só lembrava daquela paráfrase grega do “sei que nada sei”.

Durante o curso, o impacto foi crescendo. Eram descobertas fascinantes na primeira semana. Com a mente revirada do avesso, resolvi passar uma noite em claro para refazer uma apresentação que iria expor na Bélgica por ocasião de uma conferência de mulheres cujo tema central era o desenvolvimento feminino.

 

Dei uma escapada do curso e fui para a cidade de Liége atender o compromisso. Iniciei minha apresentação formulando uma questão que mudou o rumo dos debates: que tipo de desenvolvimento nós, mulheres, queremos?

Voltei para a Inglaterra e concluí o curso. Com a cabeça ainda do avesso, passei a refletir sobre esse desenvolvimento fabricado pelo poder masculino e pelos países economicamente mais fortes.

Essa reflexão não só elevou meu nível de consciência sobre o que estava diante dos olhos (e que eu ainda não estava enxergando bem), mas também antecipou o futuro que já emergia do meu desconforto com a realidade que tem afetado especialmente as mulheres.

De lá pra cá, tenho pensado na proximidade construtiva entre o universo feminino e os novos modelos de desenvolvimento, pautados pela colaboração entre seres, comunidades, cidades e nações.

 

Que desenvolvimento é esse?

Em vez de fomentar a inclusão, a integração, o cuidado e o acolhimento, tão próprios do universo feminino, esse mundo que se diz desenvolvido tem se sustentado na segregação, exclusão e fragmentação dos sistemas humanos e naturais, fazendo a sua própria espécie chegar cada vez mais perto do fim.

O desenvolvimento capitalista tem gerado enormes riquezas para alguns, mas devastado o planeta. A biodiversidade está em extinção a uma taxa mil vezes mais rápida do que a taxa natural observada nos últimos 65 milhões de anos

Não foi capaz de gerar bem-estar humano em larga escala (de acordo com recente estudo do Centro para a Saúde e Meio Ambiente da Escola de Medicina de Harvard).

Há muito o que ser reparado e reconstruído pela ótica feminina. O ônus da devastação ecológica e do crescimento irresponsável pesa ainda mais sobre as mulheres em suas múltiplas funções sociais e em sua condição biológica de quem gera a vida.

Não há melhor momento do que esta crise para repensarmos o tipo de desenvolvimento que queremos e como inserir princípios femininos que traduzam a quintessência de um mundo pós-desenvolvido.

O desenvolvimento do crescimento ilimitado não pode continuar justificando a destruição ambiental e prejudicando a qualidade de vida da humanidade, em nome do crescimento do PIB.

Para entender o desenvolvimento tal qual foi concebido nos últimos cinquenta anos, temos que passar pela histórica dualidade entre os que “possuem” e os que “não possuem”, entre o Norte e o Sul, entre os desenvolvidos e os subdesenvolvidos.

Esse é um modelo criado pelos vencedores da Segunda Guerra, em particular, pelos EUA que passaram a orquestrar a economia mundial na base da dominação e da exclusão.

A felicidade que antes era preenchida pela suficiência foi substituída pela necessidade insaciável que movimenta os mercados e a roda-viva da economia, perpetuando a dependência do consumo e acendendo a chama da ganância.

Populações inteiras e plenas de potencial criativo foram colonizadas pela ideia de que há algo além de suas possibilidades, gerando um sentimento de eterna frustração em torno daqueles que não foram incluídos no sistema econômico.

O Dia Internacional da Mulher não é apenas para cumprimentar as mulheres que admiramos, mas também para lembrar que depois de cinquenta anos de revolução feminista as mulheres carregam o maior peso da desigualdade.

Falando das brasileiras: a cada 12 minutos morre uma mulher vítima de violência doméstica; ocupam precariamente 8% dos cargos políticos do país.

Representam globalmente 70% dos analfabetos e apesar de serem as responsáveis pelo cultivo da maior parte dos alimentos que comemos, não têm acesso à propriedade das terras.

Das duzentas maiores empresas brasileiras apenas três têm uma mulher no comando e certamente muitas delas sob modelos de liderança masculinos hostis à sua realidade feminina.

Diga-se de passagem, já há algum tempo, uma corrente de mulheres bem-sucedidas em suas profissões, competentes e que ocuparam cargos importantes nas empresas, abriram mão de sua carreira para cuidar da família em busca de um alivio emocional.

Desenvelopando o desenvolvimento

Realmente não é bem esse o desenvolvimento que vai fazer a humanidade florescer e tornar possível a vida na Terra. Em resposta a esse insustentável modelo, muitos movimentos e inovações estão (des)envelopando esse desenvolvimento que na gênese da palavra traduz o des-fazer do que poderia já estar feito, do des-envolver daquilo que poderia envolver o coletivo no econômico construtivo.

Grandiosas mudanças estão emergindo como frentes não só de resistência como (e principalmente) de evolução.

Somos todos da geração pós-guerra e vivemos ainda o desenvolvimento revestido de crescimento insustentável. Estamos cada vez mais deslocados no ambiente de trabalho.

Queremos pular o muro para entrar no quintal dos empreendedores que fazem do Brasil destaque mundial entre os que fazem por conta própria (estudo GEM Global Entrepreneuship Monitor de 2016).

Sistemas educacionais arcaicos já esgotaram nossa paciência, e principalmente a paciência dos que ainda têm de sentar em bancos escolares pontualmente. Mas muitas inovações começam a transformar escolas em centros de genuíno saber.

Nesse fim de ciclo aparecem os sintomas como, por exemplo, as erupções conservadoras da era Trump e a atual onda conversadora pipocando pelo mundo.

Mas o futuro está mais perto do que se imagina. Grandes transformações estão a caminho. Uma nova civilização já está germinando.

A cultura patriarcal que incorporamos durante oito mil anos está por um fio, seja na sala de aula, no trabalho ou dentro de casa.

A visão integral da realidade está desinstalando a velha ideia de separação entre Ciência e Espiritualidade, Norte e Sul, Razão e Emoção, Feminino e Masculino, Esquerda e Direita, Trabalho e Lazer, Humanidade e Natureza.

A competição já é palavra indigesta nas rodas de conversa. A colaboração entra como valor nos planos de negócio. O sistema financeiro começou a colapsar em 2008 (ano em que estudei no Schumacher) e ainda está colapsando.

Novos indicadores entram nas agendas públicas fragilizando a lógica do PIB. Países com mais recursos naturais já representam contrapartida na falência dos recursos financeiros.

O acordo de Paris consolida a constatação de que o planeta está fervendo, incluindo a febre raivosa do Trump.

Escolas renomadas de business já incluem a felicidade como indicador evolucionário. Valores femininos já integram o perfil das cartilhas de RH das grandes empresas.

O mundo pós-desenvolvido requer um olhar mais feminino simplesmente porque “uma mulher é um circulo pleno; dentro dela está o poder de criar, nutrir e transformar.

“Uma mulher sabe que nada pode se concretizar sem luz. Vamos chamar a voz e o coração da mulher para nos guiar nesta era de transformação planetária”. (Diane Mariechild). (Diário do Comercio/ #Envolverde)

Rosa Alegria, Master of Sciences, há 15 anos pioneira em Estudos do Futuro no Brasil, academicamente certificada pelo mais reconhecido centro mundial nessa área: University of Houston, Clear Lake, USA. Fundadora do NEF – Nucleo de Estudos do Futuro, na PUC/SP. É colunista da Envolverde.

** Publicado originalmente no site Diário do Comércio.

Mil anos para as mulheres!

Por Dal Marcondes*

Minha vida é cercada de mulheres. Em sua maioria pessoas fortes, cheias de vida e personalidade. A começar por minha mãe. Maria Bela é um farol que emana segurança e caráter. Minhas irmãs, as três, são a ternura de que me lembro. Cristina é o sonho, o charme, a insensatez e a liberdade. Adriana é a responsabilidade e a braveza em todos os sentidos do termo. Nira é a harmonia, a alegria e a ternura que fazem sorrir, sempre.

Minhas filhas são complementos: Alba é um presente que faz olhar o futuro com esperança. Alice é a certeza de que este futuro será construído de fato, e será um bom lugar para se viver.

Entre meus amores há um pouco de tudo, representado hoje por Ana Maria, que tudo agita e fMulher Trabalhadoraaz com que a vida se mova, sempre.

Agora, no Dia Internacional da Mulher vamos ler muito sobre isto, apenas espero que não seja mais com a visão romântica de que as mulheres são umas coitadinhas que carregam o mundo nas costas. Claro que há injustiças, e muitas. No entanto, há avanços a serem comemorados. O principal deles é o espaço que as mulheres estão ocupando no campo político. Tivemos uma mulher Presidente da República, uma demonstração de que estão prontas para assumir responsabilidades que anos atrás eram impensáveis para quem não ostentasse aspecto de liderança viril.

A vida tem demonstrado que as mulheres chegaram a este século XXI muito melhor preparadas para as incertezas e novos desafios que os homens. As meninas estão anos luz de seus contemporâneos masculinos nos quesitos liberdade, consciência e autoconhecimento. Enquanto as moças olham para cima e para a frente, grande parte dos rapazes se encolhe, se acovarda e busca abrigos que os protejam de um futuro incerto.

Há, entre os homens, um certo sentimento de “antigamente é que era bom”, quando sabiam seus papéis quase que por “herança genética”. Eram criados para trabalhar, pagar as contas e ter prioridade sobre o controle remoto da TV. Sabiam o que fazer, enquanto, na sua opinião, as mulheres deviam se dedicar a lavar, passar, cozinhar e cuidar das crianças. Bom, tudo mudou.

E agora rapazes? A festa não acabou, apenas mudou a música, agora elas trabalham, planejam, mandam e, talvez, sejam melhores que nós nisso. Elas dirigem, compram, pagam e opinam. Elas são mães e com este poder da vida entendem melhor a responsabilidade de deixar viver.

O mundo masculino é um mundo de exclusão, de força e de morte. O mundo feminino é de acolhimento e de vida. Qual tem mais a oferecer para o futuro? E não podemos nos equivocar, este mundo-mulher não é fraco, sua força não vem das armas, mas sim da legitimidade. Enquanto os homens se armam para enfrentar a pluralidade da vida, as múltiplas opiniões e a diversidade, as mulheres estão habituadas a mediar as disputas de seus homens sem deixar mágoas e construindo uniões.

Acredito que a Terra, planeta feminino, será melhor quanto mais as mulheres ocupem espaços de poder. Neste  Dia Internacional da Mulher faço uma aposta no futuro: que este seja o milênio da mulher. E no ano 3.000 voltaremos a ver se os homens podem voltar a merecer confiança. (Envolverde)

Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde, passou por diversas redações da grande mídia paulista, como Agência Estado, Gazeta Mercantil, revistas IstoÉ e Exame. Desde 1998 dedica-se à cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, educação, desenvolvimento sustentável e responsabilidade socioambiental empresarial.

Caminhadas coletivas

Além de aproximar famílias da escola, carona comunitária ajuda a criar laços entre os alunos e a comunidade.

Por Plataforma Cidades Educadoras*

A ideia não é exatamente nova – surgiu na Austrália, em 1991, elaborada por David Engwich -, mas cada vez mais se espalha pelo mundo: porque não substituir os carros particulares ou os ônibus escolares por uma caminhada a pé, que leve as crianças juntas e caminhando para as aulas, organizada em conjunto pela escola e pela comunidade escolar? Porque não criar autonomia sobre a mobilidade urbana desde cedo?

Quando a professora Carolina Padilha, do Carona a Pé, resolveu transformar o transporte de seus filhos – que estudam em um colégio particular na zona central de São Paulo – em um processo participativo e caminhante, não sabia que ela já havia se disseminado pelos quatro cantos. A “geração espontânea” da ideia de criar um sistema de “caronas a pé” para seus filhos é significativo da força e da urgência de iniciativas como essa, que trazem enormes benefícios para crianças, pais, ruas, escolas e comunidades.

Conhecido em diversas partes do mundo como Pédibus, tais iniciativas são simples de se organizar e ajudam a criar cidades mais amigáveis para crianças. E como uma cidade amiga da infância é uma cidade amiga de todos e todas, apresentamos um passo a passo de como organizar sua carona comunitária para a escola, elaborada a partir de uma conversa com Flávia Fontes Oliveira, jornalista e mãe de duas meninas que participam do Carona a Pé, e do Manual do Pédibus, elaborado pela Câmara Municipal de Lisboa (Portugal).

1) Por que caminhar com as crianças?

– Cada deslocamento de automóvel libera 200 gramas de dióxido de carbono na atmosfera, que contribui para o efeito estufa;
– Diminui drasticamente o trânsito nas adjacências da escola;
– É seguro e desperta consciência ambiental, espacial, de mobilidade urbana e transforma o entorno da escola;
– Cria laços entre as crianças, entre a comunidade escolar, aproxima famílias e pais da escola;
– É gratuito;
– Promove hábitos saudáveis e diminui a obesidade infantil;
– Crianças que praticam atividade física tem melhor capacidade de concentração;
– Aproxima os pais uns dos outros e fortalece sentidos comunitários;
– Fortalece a busca por melhorias no espaço urbano.

Crédito: Reprodução/Plataforma Cidades Educadoras

2) Quem pode organizar?

Flávia afirma que o Carona a Pé é um projeto da comunidade escolar e não da escola, mas há casos em que o processo pode ser induzido pela coordenação escolar. “No começo, conversamos com alguns pais e mães na saída da escola e iniciamos uma conversa por WhatsApp. Elaboramos a primeira rota e começamos o processo. Não faz nem dois anos e já são mais de oitenta crianças envolvidas em oito rotas.”

3) Mãos à massa

“Você tem que ter um acordo entre todo mundo, uma reunião, pois estará confiando seu filho à outras pessoas. Isso é legal, porque gera um apoio entre as pessoas. Depois de algum tempo, a Carona ganha vida própria”, acredita Flávia. É importante pensar rotas e caminhos que sejam acessíveis às crianças. O Manual do Pédibus afirma que as paradas idealmente são de no máximo dois minutos entre um ponto e outro, ou seja, 150 metros na velocidade média de uma criança. O trajeto total não pode passar de um quilômetro. Grupos de WhatsApp – ou qualquer outra rede de mensagens rápidas – ajudam bastante na organização.

De forma a aumentar a segurança, criar coletes com refletores também ajuda a estabelecer uma unidade visual. Flávia ressalta que as crianças, depois de se familiarizar com o sistema, ajudam amigos e novos membros do grupo a fazerem a caminhada dentro das regras estabelecidas. Realizar encontros de confraternização também é uma boa pedida.

Para esse “ônibus” sair, é preciso um acompanhante na frente da expedição e outro atrás para garantir a segurança e que ninguém se perca. Pode ser um pai, um avô, um irmão mais velho, um professor etc.

4) Regras de conduta

Os sistemas de carona coletiva são bastante flexíveis e adaptáveis, mas é importante haver um compromisso e um calendário organizado entre os pais, para garantir que os horários sejam cumpridos e as crianças sejam recebidas com amor e tranquilidade. Não ocupar toda a calçada, não sair correndo, manter uma fila, são algumas das regras que podem ajudar a manter o bom-convívio do “ônibus”, que pode sair inclusive em clima chuvoso, desde que as crianças tenham guarda-chuvas, capas, um par de botas e uma troca de roupa.

5) Resultados

Uma família faz em média 20 deslocamentos semanais até a escola. “Não ter que me preocupar com o transporte diário do meu filho é um grande alívio”, aponta Flávia, que enxerga benefícios em todo o entorno da escola. “O bairro começou a reconhecer as crianças, que são bem recebidas, eles já ficam atentos com a travessia de rua, oferecem sorrisos. Não tenho dúvida que isso torna a cidade mais amiga das crianças.”

“As crianças passam a se apropriar da rua e a conviver melhor entre si. Além disso, chegam na escola de um jeito mais tranquilo e saudável, o que contribui para a sua aprendizagem”, pontua a mãe Renata Morettin, em reportagem do Portal Aprendiz sobre a iniciativa.

6) Saiba mais

O Carona a Pé têm um site bastante explicativo onde é possível encontrar um formulário para quem quiser estabelecer a metodologia em sua escola. O Manual do Pédibus traz um passo a passo bastante completo e abrangente. Confira também as matérias do Portal Aprendiz sobre o tema: Famílias criam ônibus andante para levar crianças às escolas na Suíça e Carona a Pé cria rotas para a escola e aproxima crianças da vida no bairro. A experiência também está registrada no Banco de Experiências da Plataforma Cidades Educadoras.

(Porvir/ #Envolverde)

* Publicado originalmente na Plataforma Cidades Educadoras e retirado do site Porvir.

Festival promove saúde e arte integradas

No meio da Chapada dos Veadeiros, Silêncio em Contato é o primeiro Festival de Contato Improvisação a acontecer no local que é tido como santuário ecológico e espiritual.

Por Redação da Envolverde –

Em um mundo agitado, cheio de informações e conectividade, estar em silêncio se torna cada vez mais necessário. O silêncio tem o poder de transformar emoções, reações, estados mentais e pensamentos, além de ser uma maneira de libertar-se, bem como um instrumento para a escuta, algo que se faz cada vez mais necessário em um mundo onde ninguém se escuta e estamos, literalmente, divididos ao meio. E isso não é novidade para ninguém: técnicas orientais milenares já demonstravam que ficar quieto e meditar trazem enormes benefícios à saúde física e mental.

Quando somado à dança, o silêncio pode ganhar ainda mais força. Mais do que uma manifestação artística, a dança também é uma maneira de conhecer-se, seu corpo, sua mente, seus limites, seu ser altamente criativo, suas potências, abrindo espaços para entrar em equilíbrio com o mundo. Juntos, os dois podem combinar o mundo externo e interno, promovendo também uma manifestação natural do sistema corpo-mente que é complexo, mas que pode ser acionado e conectado de formas simples e eficientes. O contato improvisação é uma delas.

 

Assim convidamos para o primeiro “Silêncio em Contato” – Festival de Contato Improvisação, que acontece de 4 a 12 de março de 2017, no Portal da Chapada dos Veadeiros. Organizado pela bailarina Camila Vinhas Itavo (co-criadora e coordenadora do “Primeiro Encontro Internacional de Contato Improvisação de São Paulo”, em 2008), o festival Silêncio em Contato, em Alto Paraíso, GO, oferece oficinas com a própria Camila Vinhas, pesquisadora das Universidades Federal e Estadual de Goiás e os pesquisadores Guto Macedo do Rio de Janeiro, Alexandre Tripiciano, de São Paulo, que juntos formam o Combinado Itinerante de Contato Improvisação e a bailarina e pesquisadora Paula Zacharias, de Buenos Aires.

A proposta é mixar diferentes maneiras de se aprofundar no silêncio através da técnica do contato improvisação que se nutre de outros campos do conhecimento em pesquisas publicadas pela medicina, pela anatomia, pela fisiologia do movimento, pela reestruturação corporal aplicada ao movimento vivenciado, para se colocar como fonte de conhecimento cinético, poético, político, artístico que se vale da improvisação, da criação em conjunto e principalmente da escuta.

A formação dos bailarinos que oferecem oficinas nesta da primeira edição tem conexão direta com a saúde, com o equilíbrio e processos de restauração dos sistemas. É uma combinação específica destas atenções presentes que proporciona aprofundamento na investigação, cada um ser seu próprio instrumento, através desta prática multidisciplinar que é o Contato Improvisação, seguindo na direção do que acontece no encontro com o silêncio.

Mais informações sobre o festival no link: https://silencioemcontato.wordpress.com

(#Envolverde)

Saúde e Happn lançam campanha sobre a importância da camisinha no Carnaval

Iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo é focada no público jovem e traz orientações sobre a importância da prevenção

Por Redação da Envolverde –

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com o aplicativo de relacionamento Happn, lança nesta sexta-feira (24) uma campanha de conscientização sobre a importância do uso de camisinha e prevenção a DSTs.

Durante todo o período do Carnaval até a “Quarta-Feira de Cinzas” (01/03), ao acessar o app, foliões paulistas serão abordados por uma mensagem pop-up descontraída e animada de Carnaval ressaltando a necessidade do uso de preservativos: “Neste #Carnaval, não esqueça que a camisinha é o seu melhor #Crush. Se for para NÃO USAR preservativo, eu nem quero”.

Ao clicar na mensagem, o usuário será levado para a página da Secretaria de Estado da Saúde no Facebook. Lá, informações e vídeos sobre o vírus da Aids e demais DSTs estarão disponíveis para os usuários tirarem dúvidas e esclarecerem questões sobre o uso de preservativos.

A ação integra a campanha “Na Onda da Prevenção”, do Governo do Estado, e visa atingir o público jovem que acessa sites e aplicativos de paquera. A cada três novos casos de Aids no país, um é de uma pessoa jovem entre 15 e 24 anos. Somente no Estado de São Paulo, nos últimos 10 anos, o índice de homens nessa faixa etária com HIV aumentou 56,5%.

“Convencer as pessoas a usarem camisinha passa nitidamente por mudar a forma de se comunicar com a sociedade. Parcerias como esta com o Happn permitem que intensifiquemos nossas ações de prevenção e atinjam diretamente os públicos prioritários”, detalha o secretário de Estado da Saúde, David Uip.

Para Claire Certain, diretora global de comunicações do Happn, o aplicativo “tem grande preocupação com o respeito entre os usuários e sua segurança. Por isso, não hesitamos em nos engajar em uma campanha tão importante como essa da Secretaria de Saúde de São Paulo. Desejamos a todos um Carnaval alegre e seguro”, complementa a executiva.

O Happn é o app líder de encontros que permite aos usuários descobrirem as pessoas com quem seus caminhos cruzaram na vida real. Com 4,2 milhões de usuários, o Brasil é o principal mercado para o aplicativo e São Paulo, com 1,2 milhão, a cidade com mais Happners no mundo.

(#Envolverde)

* Com informações da Secretaria de Saúde. 

Educadores usam histórias e yoga para melhorar concentração das crianças

Projeto Yoga com Histórias valoriza a exploração do corpo e trabalha com narrativas lúdicas que envolvem as emoções

Por Marina Lopes, do Porvir –

O que as histórias têm a ver com o corpo? Para o professor João Soares e a pedagoga Rosa Muniz, a resposta é tudo. Juntos, eles criaram o projeto “Yoga com Histórias“, que tem o objetivo de proporcionar um desenvolvimento infantil mais saudável.

A ideia surgiu há mais de 22 anos, quando eles trabalhavam em um projeto da Fundação Casa, na época conhecida como Febem. A proposta era desenvolver atividades para crianças e adolescentes em situação de abandono social, violência e maus tratos. “Nós começamos a brincar de contar histórias e dar algumas posições do yoga para as crianças. Depois fizemos adaptações e passamos a incluir novos elementos”, recorda João, que já trazia experiências do teatro e também tinha praticado yoga.

De acordo com ele, a opção de associar narrativas lúdicas aos movimentos do yoga foi para justamente aproximar os pequenos desse universo. “Na minha opinião, uma aula tradicional não funcionaria com essa faixa etária. Com as histórias, conseguimos falar a língua do inconsciente das crianças e trabalhamos com questões simbólicas que envolvem os seus medos e emoções”, explica. Na visão do professor, os personagens presentes nas atividades ajudam meninos e meninas a projetarem seus sentimentos e se fortalecerem emocionalmente.

Durante as aulas, as histórias trabalham temas ligados a uma série de sentimentos, como medo, raiva e superação. “Nós tentamos trazer essa colocação do yoga, que olha para cada pessoa como um ser especial”, destaca. Ele conta que a proposta também busca estimular que as crianças desenvolvam generosidade e empatia. “Falamos muito dessas questões, mas sempre com bastante humor e de forma lúdica”, adverte.

Além do trabalho com as emoções, João destaca que a prática do yoga transforma a maneira de lidar com o corpo. “Com o passar do tempo, as crianças começam a perder a sua inteligência corporal. Elas param de subir em árvores, correr e brincar. Já não exploram mais todos os movimentos e possibilidades que o corpo oferece.” Segundo ele, essa perda também tem relação com o uso crescente de tecnologias, como tablets e celulares.

“O yoga é um espaço para as crianças explorarem o próprio corpo, e isso também está ligado ao modo como elas se relacionam com o mundo e aprendem”, avalia. Durante a prática, o professor diz que os pequenos melhoram a sua respiração e oxigenação cerebral, o que também ajuda a ampliar a concentração. Por esses e outros motivos, ele levanta a bandeira de que a prática deveria estar presente dentro do ambiente escolar. “É fundamental levar o yoga para dentro das escolas. Já está mais do que comprovado que o sistema atual não funciona.”

O primeiro argumento usado por ele para defender a inclusão do yoga na sala de aula é a forma como o espaço está organizado. “Uma criança não dá conta de ficar tanto tempo sentada em uma cadeira. Se ela não senta bem, os pulmões ficam comprimidos e não geram oxigenação adequada para o cérebro. Isso faz com que ela também não preste atenção.” Outra observação feita por ele é que as aulas deveriam oferecer um tempo de relaxamento, para os alunos assimilarem o que foi aprendido. “Poderíamos colocar três ou cinco minutos de intervalo com exercícios de respiração”, sugere.

Para espalhar essa mensagem, há anos o projeto “Yoga com Histórias” também tem se dedicado a desenvolver um curso de formação de educadores. Todo ano são criadas turmas que recebem professores de todo o país. Entre as aulas, são abordados temas como as fases do desenvolvimento infantil, psicomotricidade e inteligências múltiplas.

Nos próximos meses, o “Yoga com Histórias” também deve ganhar um programa infantil na TV Rá Tim Bum. Os episódios irão trazer histórias, desenhos animados e momentos para as crianças praticarem yoga em casa, junto com toda a família. Para viabilizar os custos desse projeto, eles criaram uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse. O objetivo é levantar R$ 280 mil para apoiar nos gastos com a produção. (Porvir/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Porvir.