Entrevista: Os desafios do jornalismo em mídias digitais

Gandour
Ricardo Gandour (Foto do Twitter)

Por Heloisa Aruth Sturm, do Knight Center –

No início do ano passado, o jornalista brasileiro Ricardo Gandour trocou o ambiente frenético das redações pela atmosfera mais serena das universidades. O lado executivo de Gandour, ex-diretor de conteúdo do Grupo Estado, deu espaço para o lado acadêmico, o de pesquisador visitante na Columbia Journalism School, nos Estados Unidos. Passados seis meses, o editor vai retornar ao Brasil na próxima semana, onde pretende continuar a unir teoria e prática.

Durante a estadia na universidade norte-americana, Gandour analisou as transformações do jornalismo no ambiente digital. Os resultados preliminares de seus estudos foram apresentados no Fórum Mundial de Editores, organizado pela Associação Mundial de Meios Informativos (Wan-Ifra) no dia 14 de junho passado em Cartagena, na Colômbia.

Em entrevista ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, Gandour falou sobre a experiência como pesquisador visitante em Columbia, os desafios do jornalismo no atual ambiente de fragmentação digital, e os planos após o retorno ao Brasil.

Knight Center: Como surgiu o seu interesse em analisar o jornalismo no ambiente digital?

Essa transformação que o ambiente informativo está vivendo, e que afeta o jornalismo de frente, na sua prática como atividade remunerada, como atividade profissional, como atividade de alto interesse público, ela me chamou atenção. Os riscos e os aspectos dessa transformação sempre me intrigaram bastante. E principalmente quando eu noto, e ainda noto, que essa discussão é um pouco contaminada por uma rotulação de que ‘ah, isso é nostalgia de editor’, ‘é uma resistência à mudança’. Mas as coisas não são excludentes. Você pode celebrar e usar as maravilhosas possibilidades que a tecnologia e os ambientes digitais têm produzido, e ao mesmo tempo refletir e discutir coisas importantes do jornalismo, sem que uma coisa seja excludente da outra. O fato de se levantar uma discussão importante não significa que você esteja negando os avanços. Especialmente no Brasil, criou-se por um tempo, e ainda sobrevive, um debate que é ‘a velha mídia, a nova mídia’. Eu acho esse debate falso. A história da mídia mostra que as mídias novas que vão aparecendo se superpuseram e foram complementando o ambiente, e as outras ficaram, se adaptaram, mudaram muito, e todas vão convivendo com um ambiente de múltiplas possibilidades.

KC: Você costuma dizer que jornalismo não é um formato, mas sim um método. Em que sentido?

Muita coisa nesse novo ambiente parece notícia, mas não é notícia. Muita peça parece peça jornalística, mas ela não contém jornalismo. Ela pode ser advocacy, ou até publicidade. Isso é uma diferença, uma conceituação muito sofisticada. E há empresas, entidades, organizações, que têm sites com o nome de ‘não sei o quê news’, mas aquele material não é jornalístico – ele é informativo. É informação, mas não é uma informação jornalística. A informação que está ali não passou pelo método jornalístico. Então, como o jornalismo atrai, porque é crível, em muitas circunstâncias ele é usado como um formato, pra parecer jornalismo. E não é. Na verdade, o jornalismo é um método. Eu levanto isso porque eu defendo que nesse novo ambiente é preciso preservar o método, senão ele vai enfraquecer e vai desaparecer, até como disciplina. Até pelas novas gerações. Daí que eu enfatizo o papel das escolas.

KC: Que efeitos isso gera no consumidor da informação?

Primeiro que na lógica, como sempre foi a mídia impresa, o posicionamento dos gêneros de edição estão muito claros: o que é uma reportagem, o que é um editorial, o que é um artigo de fundo, o que é uma análise. Até porque a mídia analógica te dá essa visibilidade, fica visível quem é quem, o que é o quê. No meio digital, tudo é muito igual, e se mistura. Então é possível por exemplo que muitos jovens leitores considerem que jornalismo seja opinião, e não é. E crescem sem se treinar a ler. Existe um treino para ler. Você tem uma educação para ler, saber interpretar a natureza da informação que você está absorvendo.

KC: O que as redações podem fazer para ajudar a reverter essa situação, pra fazer com que o consumidor de mídias digitais desenvolva essa habilidade?

Acho que os jornais têm que aprimorar seus programas internos de formação. O jornalismo profissional precisa explicar mais para o público do que se trata o jornalismo. Explicar mais o que nós fazemos.

KC: O que te levou a tirar esse período sabático do jornal e focar em pesquisa nesse momento?

Foi uma oportunidade. Não escolhi o momento. Claro que já estava querendo isso, eu vinha me interessando por essa transformação já há uns quatro anos e estudando meio que sozinho, participando de muitas palestras, debates, de aulas. Eu sempre tive uma carreira de redação e de excutivo de redação. Sempre muito na prática, no dia a dia. Nunca tive carreira acadêmica formal, mas eu sempre cultivei um olhar acadêmico. Sempre tive um olhar de tentar juntar a teoria com a prática, de entender como uma justificava a outra. Então eu sempre tive essa abordagem, essa curiosidade acadêmica, mas sempre com o executivo de linha de frente. Até que, três anos atrás, eu conheci alguns professores aqui de Columbia, o diretor da escola na época, Nicholas Lemann, e também o presidente da Universidade, Lee Bollinger, e começamos a conversar sobre isso. E essas conversas culminaram num convite de passar um semestre aqui como visiting scholar na escola de jornalismo, e desenvolver, aprofundar essa discussão.

KC: Como foi sua experiência acadêmica durante esse semestre em Columbia?

Foi uma coisa interessante, uma fase da minha carreira que eu achei legal tirar um respiro, com quase 30 anos de redação, parar e estudar. Foi muito prazeroso em todos os sentidos, pessoal e intelectualmente. Como visiting scholar, eu podia montar o plano de trabalho que eu quisesse. Frequentei dois cursos como ouvinte, Sociology of News, um seminário para doutorandos, e Journalism and Public Life, para alunos de graduação, ambos com o Michael Schudson, que é um craque, e acabei me beneficiando e ajudando ele no curso. E fiz também Managing the 21st Century News, com a Ava Seave e o William Grueskin, que foi um outro campo, mais prático, de business model. Aqui no sistema das bibliotecas integradas de Columbia, que conecta com outras bibliotecas, pesquisei todos os artigos científicos publicados de janeiro de 2015 em diante. Então foram esses cursos, pesquisa em livros e artigos, e fui entrevistar muitos professores e pesquisadores daqui da Columbia, da NYU [New York University], da CUNY [City University of New York], da SUNY [The State University of New York], e também em Washington. Fiz entrevista com sessenta pesquisadores. E também fui visitar muitas redações, tanto da mídia tradicional como da nova mídia, como BuzzFeed, o ProPublica. Então foi esse o método: cursos, revisão bibliográfica, entrevistas e visitas. Tudo em um semestre.

KC: Você vê muitas diferenças no modo de se fazer jornalismo no Brasil e nos Estados Unidos?

Meu contato aqui foi por meio da escola e conversando com gente que trabalha nas grandes redações americanas, como Washignton Post, The New York Times, então foi uma amostra bem elitizada. Mas também fiquei muito em contato com os veículos daqui, lendo notícias todos os dias. Eu acho que a gente ainda está alguns passos atrás, em número de fontes por matéria, estrutura da narrativa. Acho que a gente tem que avançar muito ainda. O jornalismo norte-americano tem uma coisa mais detalhista, mais estruturada, mais cuidadosa.

KC: O que você vai levar de volta para o Brasil dessa experiência?

Como estou colaborando com a ESPM [Escola Superior de Propaganda e Marketing], que está construindo e consolidando um novo curso de jornalismo, eu vou colaborar com congressos, palestras, e continuar batendo nessa tecla e avançar essa pesquisa. O Tow Center for Digital Journalism me convidou para ser pesquisador visitante, então vou voltar para o Brasil mas ficar como fellow do Tow Center, e tocar de lá do Brasil a continuidade desse trabalho, vindo para os Estados Unidos por uma semana a cada dois meses. Eu vou levar essa motivação adicional para que os fundamentos do jornalismo sejam preservados. (Knight Center/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Knight Center.

“Portinari Para Crianças” chega ao mercado brasileiro

Por Redação da Envolverde –

TSP Editorial lança coleção em homenagem ao pintor modernista.

Já se disse que a arte é uma mentira que nos permite conhecer a verdade. Se a arte for a obra de Portinari (1903-1962), um dos maiores pintores do Brasil e do mundo, que verdades e valores não revelaria? Pensando na intertextualidade entre arte e educação, a TSP Editorial, depois de 3 anos e meio de pesquisas e revisões, lança a coleção paradidática “Portinari Para Crianças”. Inspirada na obra do pintor paulista, a coleção é composta por 7 livros de leitura (que abrangem do ensino infantil ao fundamental, do 1º ao 5º ano), 6 livros do professor, 125 pranchas com telas do artista e 1 DVD com 125 imagens para imprimir de todas as obras que ilustram os livros.

A tela "Meninos Brincando" (1958), de Portinari, é o ponto de partida para discutir a infância, no livro destinado à educação infantil (crianças de 04 a 06 anos). Foto: Reprodução
A tela “Meninos Brincando” (1958), de Portinari, é o ponto de partida para discutir a infância, no livro destinado à educação infantil (crianças de 04 a 06 anos). Foto: Reprodução

 

A coleção teve o apoio de João Candido Portinari, filho único do pintor e diretor-presidente do Projeto Portinari, no Rio de Janeiro, e supervisão da arte-educadora e coordenadora do Núcleo de Arte-Educação e Inclusão Social do Projeto Portinari, Suely Avellar. Ela é coautora dos livros do professor. Os textos são das escritoras Maria Lucia Lima, Fátima Miguez e Lucia Fidalgo e o projeto gráfico, da designer Julia Lima. Direcionada aos estudantes e professores das redes pública e privada, a coleção “Portinari Para Crianças” custa R$ 69 por aluno. Cada livro é destinado a um ano letivo.

A partir de telas e gravuras de Portinari, foram criados poemas e textos em forma de narrativas, que dialogam com as imagens por ele criadas. Portinari foi um dos pioneiros, no Brasil, a retratar o negro e o índio. Dedicou-se a retratar os trabalhadores e figuras populares em suas diversas atividades (o lavrador de café, a lavadeira, o seringueiro, o garimpeiro, o músico, o jangadeiro, o operário, o estivador, o cangaceiro, a baiana). Eles aparecem em diferentes contextos, na sua cidade natal, na favela, como migrantes ou retirantes. Portinari é considerado o principal pintor modernista a tratar questões de identidade e etnia e, por consequência, das raízes do Brasil.

A capa do livro "Riquezas do Brasil", voltado para o ensino fundamental, traz a reprodução da pintura a óleo "Café", de 1935: aprender ficou mais divertido.
A capa do livro “Riquezas do Brasil”, voltado para o ensino fundamental, traz a reprodução da pintura a óleo “Café”, de 1935: aprender ficou mais divertido.

 

Mais do que linhas e cores, a obra de Portinari revela valores fundamentais para crianças e jovens em formação. A coleção propõe uma conexão entre as telas e temas do Brasil, do mundo e de formação de crianças e jovens nessa faixa etária, dos 04 a 10 anos. Os títulos se dividem em: Educação Infantil – “Os Meninas” e “As Meninas”; 1º ano – “Jogos e Brincadeiras”, 2º ano – “Brasil Festeiro”, 3º ano – “Festa na Floresta Brasileira”, 4º ano – “Riquezas do Brasil” e 5º ano – “História do Brasil em Traços e Cores”, cada qual prestando uma homenagem ao pintor e chamando a atenção para fatos e experiências educacionais. “A proposta é o ensino da arte de maneira muito agradável e intuitiva, com o uso de diversas outras disciplinas, como História, Economia, Sociologia, Antropologia e Biologia. A infância é um tema fundamental na obra de Portinari. Nosso trabalho foi apenas o de explorar as potencialidades desse tema e apontar caminhos de aprendizado para pais, professores e alunos”, explica Luiz Fabricio Argentieri, sócio-fundador da TSP Editorial e idealizador da coleção.

A coleção "Portinari Para Crianças" (TSP Ed.) reúne livros e DVD e promove um diálogo entre as obras de arte e diferentes disciplinas escolares, como História, Sociologia, Economia, Antropologia, Biologia.
A coleção “Portinari Para Crianças” (TSP Ed.) reúne livros e DVD e promove um diálogo entre as obras de arte e diferentes disciplinas escolares, como História, Sociologia, Economia, Antropologia, Biologia.

 

Na coleção de nível infantil, dirigida a crianças de 04 a 06 anos, frases poéticas, escritas por Maria Lucia Lima, falam de ações, preferências e comportamentos de meninos e meninas, conduzindo os pequenos leitores ao acervo da obra de Portinari. Os temas remetem à infância do artista em Brodowski, sua cidade natal, no interior do Estado de São Paulo. A tela “Meninos Brincando”, de 1958, ilustra a capa do livro, que conta a vida do menino Candinho. Crianças engajadas em brincadeiras de cor e forma e em retratos de cenas do interior. Obras como “Plantando Bananeira” (1956), “Menino com Pipa” (1954), “Menino com Passarinho e Arapuca” (1959), “Menina das Trancinhas” (1958), “Denise com Pássaro” (1960), “Menina com Cabrito” (1954), “Grupo de Meninas” (1940), “As Moças de Arcozelo” (1940) são reproduzidas nos livros e servem de inspiração para pais e professores instigarem os pequenos leitores. Lá estão retratos sobre a relação das crianças com os animais, com os amigos, com a vida, brincando no quintal, entre estrelas e balões, e entre frutas tropicais, como goiabeira, mangueira e bananeira.

Tropical e popular, Portinari é um dos mais importantes artistas brasileiros do século 20. A colona, a baiana, a mulata, a índia, o cangaceiro, o mestiço, o intelectual, todos são retratados em suas obras. A História do Brasil aparece em traços e cores na coleção “Portinari Para Crianças”. Uma forma divertida e lúdica de aprendizado. Obra que merece ser revisitada, revista e, agora, também vista em DVD, com novas tintas e cores.

Ficha técnica:

Título: Portinari Para Crianças

Autoras: Fátima Miguez, Lucia Fidalgo e Maria Lucia Lima

Coordenação: Suely Avellar / Projeto Portinari

Ilustrações: Julia Lima

TSP Editorial, São Paulo, 2016.

Formatos: 18 cm x 19 cm (livros de educação infantil) e 22 cm x 15,5 cm (ensino fundamental)

Páginas: 40 páginas (educação infantil) e ensino fundamental (60 páginas, em média).

Preço: R$ 59 por livro

Vendas on-line: www.totalsp.com.br

Contato: 19 3878-3746

Pedro Jacobi: Brasil só trabalha em estado de urgência

Para o especialista não existe uma cultura preventiva da água e nem transparência de informações.

Por Katherine Rivas, da Envolverde –

Em 2016 a cidade de São Paulo, após se recuperar de uma crise hídrica, marcava 31,4% de perda de água, número que representava que ainda existia vulnerabilidade. O mesmo indicador era replicado com porcentagens mais elevados em capitais do Nordeste. O parâmetro da falta de uma cultura preventiva da água se generaliza no Brasil inteiro, que prestes a comemorar o Dia internacional da água no 22 de março, hoje é avaliado pelos especialistas como incapaz de gerar estratégias de proteção e educação hídrica.

Um estudo elaborado pelo Trata Brasil sobre perda de água, expõe que no ano 2013 o número total de perdas financeiras por recursos hídricos foi de 39%, a água não faturada pelas empresas era equivalente a 6,53 bilhões de m³ de água tratada (R$ 8,015 bilhões ao ano). Comparando com o cotidiano, 6,5 vezes a capacidade do Sistema Cantareira ou 7,154 piscinas olímpicas perdidas ao dia num intervalo de cinco anos.  Num período de dez anos o indicador de perdas evoluiu menos de 1 ponto porcentual ao ano, passando de 42,2% em 2004 para 39,1% em 2013.

Segundo o Trata, no Brasil 84 cidades perdem mais de 25% da água produzida e 60% perde mais de 35% entre estes São Paulo (34,99%), Rio de Janeiro (54,50%), Manaus (75,59%) e Salvador (52,54%).

Botões de controle para tubulações de água. Foto: Reprodução/ Shutterstock

Para o pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP, Pedro Jacobi, a grande dificuldade do Brasil é a inexistência de uma cultura da água. O Poder Público trabalha sob contextos extremamente drásticos de crise hídrica, porém deixa de lado a escassez hídrica “Precisamos considerar que se não há crise algumas cidades ainda permanecem na linha constante de escassez hídrica. O governo precisa deixar de depender das mudanças climáticas e trabalhar sempre com a perspectiva de falta de chuva. São Paulo é um exemplo disso claramente marcada pela escassez” explica e defende que o Poder Público precisa trabalhar sempre com a população sem criar uma ideia catastrófica e sim um processo de diálogo que fortaleça essa cultura preventiva.

As cidades brasileiras apresentam uma distância abrupta de outros países, é o caso da Califórnia nos EUA que tem um nível de perdas médio de 5,3% enquanto São Paulo apresenta 32%1 de perdas médio e Rio de Janeiro 50,62%.

Jacobi avalia que o reuso de água industrial aumentou nos últimos anos no setor da construção sendo um estimulo para a sociedade, no entanto a pegada hídrica não é uma pratica significativa nas empresas devido ao pouco interesse não alinhado ao capitalismo. “Eu percebo que os brasileiros não se mobilizam frente a gravidade do assunto.  Eles se mobilizam por outras questões tais como o Movimento Sem Teto, porém água não se qualifica como um conflito significativo para eles.  Isso é alarmante, precisamos trazer a discussão de criar uma visão preventiva nas pessoas” afirma

Gestor- Cidadão

Na visão de Jacobi os gestores públicos permanecem no mesmo erro há anos, pois não existe uma boa comunicação nem transparência sobre o assunto. O especialista afirma que é inexistente também as formas como os meios de comunicação contribuem sobre a temática “O foco principal é tarifação ou privatizações, o cidadão pouco acesso tem a informações sobre a pauta da água” diz

Ele lembra da crise hídrica em 2015 onde o Ministério Público precisou pressionar o governo para ter informações sobre o volumem morto e avalia que a transparência sempre é mínima nos contratos assim como nos sites do governo. Jacobi conclui que há uma grande dificuldade do Poder Público para lidar com assuntos hídricos, perceptível na ocupação de mananciais, a lei de mananciais, a inexistência de uma cultura da água que enfrente os interesses das empresas e na falta de conhecimento da sociedade sobre os verdadeiros riscos da perda de água e seu impacto no cotidiano. (#Envolverde)

Menos Perda Mais Água para transformar o Brasil até 2030

Após dois anos do seu lançamento planos de ação são aplicados em prefeituras signatárias

Por Katherine Rivas, da Envolverde –

Com 8 bilhões de reais não faturados equivalente a 80% dos investimentos em água em 2013, segundo o Trata Brasil, representantes da sociedade civil e preocupados com o Meio Ambiente vem unindo esforços para gerar soluções a crise hídrica. É o caso do Movimento Menos perda Mais Água, iniciativa da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas e as empresas Braskem e Sanasa. O norte principal é o ODS 6 “Garantir a disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos”

Adriana Leles, líder do Movimento Menos Perda, Mais Água e assessora da presidência da Sanasa explica que o movimento surgiu em 2015 e hoje já conta com 50 organizações nele. Este está estruturado em quatro pilares: Políticas Públicas, para influenciar o debate político e empresarial da pauta; Narrativa, resgatando os aprendizados para experiências futuras e sensibilização; Indicadores, diagnosticando as práticas de mensuração atual e Soluções, gerando produtos, serviços, capacitação e treinamento.

O Movimento procura o engajamento de municípios com uma agenda de desenvolvimento contra perdas, fortalecendo o conhecimento da população e capacitando os gestores. Desta forma estabeleceu cinco etapas de ação que iniciaram no seu lançamento em 2015 e vão até 2030 contribuindo com um novo cenário brasileiro.

 

 

Há dois anos as organizações lançaram o Movimento e formalizaram as estratégias, já em 2016 foi elaborada uma cartilha de boas práticas onde alguns candidatos a prefeitos assinaram uma carta de compromisso com as questões hídricas caso forem eleitos. O ano 2017, com 5000 prefeitos assumindo em território nacional, é o marco do Programa de Cidades Piloto onde será colocado em pratica um plano de ação para reverter as perdas de água.  Desta forma o objetivo é realizar em 2018 o oitavo Fórum Mundial da Água onde prefeitos e empresas vão ter reconhecimento por contribuir com avanços na luta contra perdas.

Até 2030 o cenário deve mudar abruptamente, aumentando a eficiência na gestão hídrica e reduzindo o número de pessoas que sofrem com a escassez de água no Brasil “O Brasil é um país muito curioso pois apresenta desigualdade de região, umas tem desenvolvimento significativo e outras pouco eficiente, por esse motivo o nordeste apresente níveis de perda elevado, alinhados também ao momento de gestão” explica Adriana Leles. Para a líder trabalhar na questão hídrica é essencial para a sobrevivência alcançando condições boas de saneamento que geram impactos na saúde, desenvolvimento social e econômico assim como direitos humanos.

Entre as cidades que já assinaram o compromisso estão São Paulo, Campinas, Piracicaba, Piracaia, Caraguatuba, Atibaia, Maceió, Porto Alegre e Bragança Paulista. Leles explica que o ano 2015 foi de engajamento, porém ainda há uma longa caminhada para chegar a todos os gestores do país. “Consideramos que este é um compromisso extremamente sério, temos sim poucas cidades engajadas os prefeitos sabem quanto isso é complexo, mas não adianta ter 300 prefeitos assinando e logo ver que não foi cumprido. Queremos estar junto as cidades isso é mais estratégico para nos” comenta

Segundo o Movimento a gestão de água de cada município é decisão da Prefeitura mesmo com a participação de empresas em consequência também a boa gestão dos recursos hídricos, distribuição de água e tratamento de esgoto.  Neste sentido cada município signatário terá a liberdade de escolher o plano que se adapte à sua região. A cartilha apresentou os cases das prefeituras de Limeira, Maringa, Campinas e Campo Grande oferecendo um panorama geral do cenário brasileiro.  Para conhecer mais do plano acesse o link http://migre.me/wfCmB. (#Envolverde)

Liderança ética

A Schneider Electric, especialista global em gestão de energia e automação, anunciou na segunda-feira (13) que foi reconhecida como uma das Empresas Mais Éticas do Mundo pelo Instituto Ethisphere®, líder global na definição e avanço de padrões e práticas comerciais éticas. Este é o sétimo ano consecutivo em que a Schneider Electric recebe este reconhecimento. Durante a maior lista de Ética do mundo, o Instituto Ethisphere®, pelo décimo primeiro ano, homenageia publicamente empresas que demonstraram liderança ética em suas indústrias, usando a conduta ética como um motorista de lucro e um diferencial competitivo. Este ano, 124 empresas foram designadas como Empresas Mais Éticas do Mundo. A Schneider Electric é uma das duas únicas empresas premiadas na categoria “máquinas diversificados”. (#Envolverde)

Produção cultural descentralizada

O Instituto CCR, organização sem fins lucrativos que gerencia o investimento social do Grupo CCR, prorrogou até 30 de abril o prazo para inscrições no “2º Edital Instituto CCR de Projetos Culturais” que se encerraria em 14 de março. Com isso, amplia-se a oportunidade para que mais proponentes possam participar do processo seletivo. O grande objetivo do edital é promover a produção cultural descentralizada das grandes capitais, movimentando a economia criativa nos municípios no entorno das Unidades de Negócio administradas pelo Grupo CCR. “A edição anterior do edital foi um sucesso, com 730 instituições cadastradas e 86 projetos submetidos. Desses, 17 foram aprovados e estão sendo realizados em cidades do interior dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais”, destaca a gestora do Instituto CCR, Marina Mattaraia. “Para esta 2ª edição, o resultado está muito além de nossas expectativas e, por isso, estamos ampliando os prazos, para que mais proponentes tenham a oportunidade de apresentar seus projetos”, complementa. Somente serão aceitas inscrições feitas via Sistema de Inscrição Online, no site do Instituto CCR, dentro do período de inscrição: de 14 de fevereiro a 30 de abril de 2017. Os proponentes devem ser pessoa jurídica. Os proponentes devem ser sediados em alguma das 174 cidades listadas no edital (veja a lista abaixo). Os projetos devem estar aprovados com publicação no “Diário Oficial da União” até 30 de abril e aptos a captar no artigo 18 da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. Após indicação dos projetos, os proponentes serão submetidos a uma avaliação pela área de compliance do Grupo CCR. Somente receberão o aporte projetos cujos proponentes sejam aprovados nessa etapa. O valor total do patrocínio é de R$ 2 milhões. Os projetos escolhidos serão patrocinados com o montante de até R$ 200 mil cada um. Não é obrigatório que o patrocínio chegue a esse limite. (#Envolverde)

Unidos pela educação

A Fundação Siemens firmou uma parceria com o Instituto Sabin para aumentar o alcance do Projeto Experimento, programa que tem o intuito de estimular em crianças o interesse pela ciência. O Instituto vai levar o projeto, que já está em andamento desde 2015 e já beneficiou cerca de 20 mil alunos em sete estados brasileiros, para 19 entidades sociais no Distrito Federal e entornos. É esperado que 5700 crianças sejam impactadas pela parceria nessas novas escolas beneficiadas até janeiro de 2019. A meta do Projeto Experimento para 2017 é ampliar o alcance do programa para 30 mil alunos em 12 estados. A parceria foi viabilizada graças à Siemens Healthineers, divisão de saúde da Siemens, que enxergou a possibilidade e engajou as duas entidades. A princípio, a parceria tem a duração de dois anos, podendo ser renovada. A expectativa da Fundação Siemens é que a parceria se torne permanente e que o Instituto Sabin se torne um multiplicador do projeto. Além disso, de acordo com Bianca Talassi, Secretária Executiva da Fundação Siemens, as entidades acreditam na força da educação e esse acordo pode abrir caminho para novos projetos no futuro. A previsão é que as aulas nas novas escolas comecem ainda no primeiro trimestre escolar, impactando crianças a partir dos seis anos. Cada professor pode atender entre 20 e 30 alunos e, nessas 19 entidades, serão treinados dois professores por instituição, totalizando 38 novos professores para a condução do programa. Uma das metas estipuladas é de aumentar este ano o número de professores/multiplicadores em todo o Brasil de 500 para 1500. (#Envolverde)

Scheider Electric está entre as empresas mais éticas do mundo 


Por Redação da Envolverde –

São Paulo, 13 de março de 2017 – A Schneider Electric, especialista global em gestão de energia e automação, anunciou na segunda-feira (13) que foi reconhecida como uma das Empresas Mais Éticas do Mundo pelo Instituto Ethisphere®, líder global na definição e avanço de padrões e práticas comerciais éticas. Este é o sétimo ano consecutivo em que a Schneider Electric recebe este reconhecimento.

Durante a maior lista de Ética do mundo, o Instituto Ethisphere®, pelo décimo primeiro ano, homenageia publicamente empresas que demonstraram liderança ética em suas indústrias, usando a conduta ética como um motorista de lucro e um diferencial competitivo. Este ano, 124 empresas foram designadas como Empresas Mais Éticas do Mundo. A Schneider Electric é uma das duas únicas empresas premiadas na categoria “máquinas diversificados”.

“Estamos orgulhosos deste reconhecimento pelo sétimo ano pelo Instituto Ethisphere, e, além disso de sermos uma das duas empresas em nossa categoria. Isso prova que a Schneider Electric considera desafios absolutamente éticos e que resolvemos com impacto e eficiência, de acordo com nossos valores corporativos”, disse Emmanuel Babeau, Diretor Vice-Presidente encarregado de Finanças e Assuntos Jurídicos e Presidente da Comissão de Ética e Responsabilidade na Schneider Electric. “Nossos clientes podem ter certeza de que nossos padrões éticos são o mais altos possíveis e que nos preocupamos com planeta e com a sociedade “, finaliza.

“Ao longo dos últimos onze anos, temos visto a mudança de expectativas sociais, redefinição constante de leis e regulamentos e o clima geo-político. Vimos também como as empresas respondem éticamente a estes desafios. Eles investem em suas comunidades locais ao redor do mundo, abraçam de estratégias de diversidade e inclusão, e se concentram em negócios sustentáveis”, diz Timothy Erblich, Diretor Executivo de Said Ethisphere. “Parabéns a todos da Schneider Electric por ser reconhecida como Empresa Mais Ética um do mundo”, completa.

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Globalmente comprometidas com a Responsabilidade e Ética

Na Schneider Electric, ética e governança são fatores chaves do crescimento e da competitividade. Eles são administrados através de nossos princípios de responsabilidade, um conjunto de orientações projetado para fornecer os colaboradores do Grupo, um quadro de comportamento responsável. Este documento está em linha formulado com os princípios da empresa de governança, os 10 princípios do Pacto Global, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e Normas Internacionais do Trabalho. Nossos “Princípios de Responsabilidade” está traduzido em 30 idiomas e é enviado a todos os colaboradores do Grupo. O programa “Dinâmica de Responsabilidade e Ética” também ajuda os funcionários da Schneider Electric a gerenciar todas as questões éticas que possam surgir. O programa é regularmente comunicado e auditado internamente e desde o início de 2015 e está servindo como um indicador de desempenho ético no Barômetro Planeta & Sociedade, índice de sustentabilidade da empresa. No final de 2016, foi bem acima do objetivo, com 93% de entidades da Schneider Electric ter passado a avaliação. O objetivo é chegar a 100% até ao final de 2017.

Sobre o Instituto Ethisphere® – O Instituto Ethisphere® é líder global na definição e promoção dos padrões de práticas comerciais éticas corporativa Esse caráter, confiança mercado e sucesso do negócio. O Instituto tem uma profunda expertise em medição e definição de padrões de ética do núcleo usando percepções baseadas em dados ajudar as empresas que aumentam caráter corporativo. Ethisphere Considera integridade e transparência impacto da confiança do público e a linha de fundo de qualquer organização. www.ethisphere.com

Sobre a Schneider Electric – A Schneider Electric é especialista mundial em gestão de energia e automação. Com receita de 25 bilhões de euros em 2016, a companhia possui mais de 160 mil funcionários e atende clientes em mais de 100 países, ajudando-os na gestão e processos de energia para que seja segura, confiável, eficiente e sustentável. Desde o mais simples switche até sistemas operacionais complexos, a Schneider melhora a forma como seus clientes gerenciam e automatizam suas operações com tecnologia, softwares e serviços. Com a estratégia de negócio Life Is On, as tecnologias conectadas da Schneider remodelam indústrias, transformam cidades e enriquecem vidas. www.schneider-electric.com.br

(#Envolverde)

Empresas Inteligentes tratam a sustentabilidade como uma nova fronteira de inovação

Por Redação da Envolverde –

Os cases Benchmarking são aqueles que comprovam benefícios reais para o ambiente natural, social e econômico. São avaliados por especialistas, cientistas, ativistas e lideranças de vários países, e com comprovado conhecimento de causa, que pontuam quesitos do case sem ter acesso ao nome da organização. A Comissão Técnica 2017 congrega especialistas de 7 diferentes países. Os cases que atingem score técnico, são certificados Benchmarking e compartilhados em publicações e eventos. Todo este cuidado e atenção é para proporcionar aprendizado, acelerar avanços e up grades na gestão socioambiental brasileira. Empresas e gestores com boas práticas socioambientais podem inscrever seus cases até 31 de março.

Benchmarking Brasil – Um programa de valorização das boas práticas

O Programa Benchmarking realizou sua 1ª edição em 2003 e pela seriedade e formato inovador tornou-se um dos mais respeitados Selos de Sustentabilidade do País. Hoje com 1 modalidade âncora e 5 modalidades paralelas é o mais legítimo dos movimentos de sustentabilidade pela pluralidade de vozes que congrega. Empresas, Universidades, Escolas Técnicas Profissionalizantes, Órgãos e entidades representativas e governamentais, Artistas, Personalidades, e mídia especializada fazem parte da iniciativa que está em sua 15a edição.

A metodologia de seleção e certificação do Programa Benchmarking tem o reconhecimento da ABNT. Em 2013, Benchmarking Brasil foi o grande vencedor (1° colocado) na categoria Humanidades do Prêmio von Martius de Sustentabilidade da Câmara Brasil Alemanha. É considerado a fotografia da gestão socioambiental brasileira registrando seu nível de maturidade e evolução em sustentabilidade.

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O Programa Benchmarking já certificou 356 práticas de 186 instituições de 26 diferentes ramos de atividades. Com aproximadamente 200 especialistas de 21 diferentes países participando da comissão técnica, o programa se tornou uma plataforma de inteligência coletiva em sustentabilidade trabalhando com diferentes públicos para fortalecer o movimento das boas práticas junto a sociedade brasileira. Todo este conhecimento aplicado produzido pelos especialistas atuantes em sustentabilidade são compartilhados em publicações especializadas e eventos técnicos. Além do Banco Digital de boas práticas disponível na internet com grande visitação, mais de 60 encontros técnicos já foram realizados. 03 livros publicados (BenchMais 1, 2 e 3) e 12 edições veiculadas da Revista Benchmarking (versões eletrônica e impressa) distribuídas gratuitamente para público atuante e interessado nesta temática.

A XIV edição do Programa Benchmarking Brasil contou com importantes apoios. São eles: Apoio Institucional: TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) e do IAPMEI – Parcerias para o crescimento do ministério de economia do governo de Portugal. Apoio Divulgação: Envolverde, Pensamento Verde, Acionista, RSOPT (Rede de Responsabilidade Social das Organizações de Portugal), e Revista Meio Ambiente Industrial. Apoio Acadêmico: Escolas Profissionalizantes Centro Paula Souza, IFSP e Senai SP, e, Universidades Anhembi Morumbi, Uninove e Mackenzie. O XIV Bench Day, se realizou nos dias 29 e 30 de junho de 2016 no Hall Nobre e auditório do Tribunal Regional Federal da 3a Região – Av. Paulista, 1842 – 25o andar, em São Paulo/SP. Inscrições de cases para a XV Edição: 24 de janeiro a 31 de março de 2017. Mais informações no site benchmarkingbrasil.com.br

(#Envolverde)

Supercomputador facilita pesquisa climática

Por Zadie Neufville, da IPS – 

Kingston, Jamaica, 15/3/2017 – O Caribe já desfruta de seu novo supercomputador de alto rendimento conhecido como Sparks (acrônimo em inglês de Plataforma Científica para a Pesquisa Aplicada e o Intercâmbio de Conhecimento), fundamental para prognosticar as variações do clima e mitigar os efeitos da mudança climática. O Sparks, instalado no dia 30 de novembro na Universidade das Índias Ocidentais, na Jamaica, já prepara os macrodados necessários para que os países insulares do Caribe não sucumbam ao aquecimento global.

Os especialistas preparam a região para mitigar os devastadores efeitos derivados da mudança climática, como elevação do nível do mar, prolongamento das secas, precipitações mais extremas e crescentes impactos dos ciclones tropicais. As consequências do aquecimento da Terra poderiam dizimar as economias dos Estados em desenvolvimento e de muitos pequenos países insulares, ao reverterem os avanços sociais obtidos nos últimos anos e exacerbarem a pobreza.

Antes de contar com o Sparks, os cientistas da região tinham dificuldades para reunir dados confiáveis, necessários para elaborar projeções climáticas de longo prazo. Há apenas uns meses, a incapacidade da universidade de trabalhar com a informação fazia os pesquisadores terem de processar um único grupo de dados por vez, explicou Jay Campbell, cientista do grupo de estudo do clima.

Cada processamento de dados demorava seis meses, devido à limitada capacidade de armazenamento e à falta de redundância, acrescentou Campbell, afirmando que, “se algo dava errado, simplesmente tínhamos que recomeçar”. Quando foi instalado, o Sparks começou a atender à necessidade de armazenamento, análise, modelação, acesso e difusão de informação climática sobre o Caribe.

No longo prazo, os especialistas poderão elaborar projeções climáticas mais precisas e confiáveis com maior resolução espacial para facilitar, entre outras coisas, o desenho de inovadoras iniciativas-piloto para melhorar a resiliência e depois ampliá-las. Quando Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) elaborar o próximo informe de avaliação, em 2018, haverá muito mais informação sobre o Caribe, o que converte o supercomputador em um instrumento essencial da luta contra a mudança climática.

O Sparks, descrito como um dos mais rápidos do Caribe, não só impulsionou as possibilidades de pesquisa como, segundo o professor principal, Archibald Gordon, “deverá ajudar os governantes da região a tomar melhores decisões no tocante às suas respostas e estratégias de adaptação, a fim de mitigar o impacto da mudança climática”.

Os especialistas destacaram a necessidade de contarem com macrodados para fornecer a informação necessária a fim de melhorar os prognósticos de curto, médio e longo prazos. Agora têm capacidade e habilidade para completar o processamento de dados em apenas dois dias. O sistema ajudará os cientistas a melhorarem a “avaliação dos possíveis riscos e impactos e mitigá-los de forma efetiva, na medida em que construímos uma infraestrutura mais resiliente”, apontou Gordon.

Os cientistas do Caribe utilizam macrodados para elaborar prognósticos sobre as condições de seca para os agricultores e outros interessados do setor. Foto: Zadie Neufville/IPS

 

Quando a Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou, em junho de 2016, que se vivia o “14º mês consecutivo da maior calor registrado em terra e nos oceanos, e o 378º mês consecutivo com temperaturas acima da média do século 20”, os cientistas da região se comprometeram a fornecer a informação que os governos do Caribe necessitam para tomarem as medidas que permitam diminuir as consequências da mudança climática.

A região busca constantemente formas para fortalecer sua capacidade de fornecer dados climáticos precisos e consistentes. Os esforços foram redobrados depois que, em setembro de 2013, uma “análise climática rápida” no Caribe oriental identificou o que ficou conhecido como certo “número de limitações e vulnerabilidades à mudança climática para uma adaptação efetiva”.

O estudo, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), identificou, entre outras coisas, “a falta de dados climáticos precisos e consistentes para compreender a mudança climática, prognosticar seus impactos e planejar medidas de adaptação”. Para enfrentar o desafio, a OMM e o Instituto de Meteorologia e Hidrologia do Caribe, com fundos da Usaid, criaram o Centro Climático Regional, em Barbados.

A instalação do novo computador é outro passo para superar as limitações. Sua inauguração, por ocasião de uma reunião do IPCC na sede da Jamaica da Universidade das Índias Ocidentais, foi significativa, porque mostrou aos especialistas que o Caribe não estava pronto e não seria capaz de produzir os macrodados necessários para o próximo informe de avaliação de 2018.

O diretor do Grupo Climático do Caribe, professor Michael Taylor, explicou que a credibilidade e a precisão dos dados são obtidas com computadores muito velozes, com rápida devolução de resultados, bem como com capacidade de processar múltiplos conjuntos de dados e maior resolução para produzir a informação que as autoridades da região necessitam.

“A pesquisa climática e os métodos de redução de escala já não estarão limitados pelo computador nem pelos programas de computação”, ressaltou Taylor, tentando, sem êxito, conter a emoção. O Sparks coloca a Jamaica e a Universidade das Índias Ocidentais bem acima de outros países do Caribe anglo-saxão, e ao lado de algumas das maiores instituições do Norte Global.

Essa melhoria na capacidade informática é um valor que atrairá especialistas mais capacitados e estudantes de fora da região. Fundamentalmente, contribui para o esforço da Universidade destinado a se colocar como importante instituição de pesquisa, além de seus estudos sobre os usos medicinais da maconha. “Isso expande as capacidades de pesquisa, uma área em que a Universidade não havia incursionado até agora. Antes, o processamento de macrodados só podia acontecer com colaboradores de fora da região”, explicou Taylor.

Além de sua importância na contribuição com dados valiosos para o informe do IPCC, o Sparks revoluciona as pesquisas de sequenciamento de dados do DNA, médicas e biológicas, entre outras, que são realizadas na Universidade. E o mais importante: os pesquisadores universitários concordam que um supercomputador reúne os esforços das instituições que estão à frente da luta climática regional.

Fica claro que o Sparks representa “um ponto de inflexão e uma grande mudança” para a pesquisa climática em escala regional, bem como para a comunidade acadêmica da Universidade das Índias Ocidentais. Envolverde/IPS