Sistema de Cidades Inteligentes revoluciona o Aglomerado de Piracicaba

Inovação em Energia, Resíduos e Saneamento direcionara o Plano de Desenvolvimento Regional

Por Katherine Rivas –

Na procura de alternativas para a transformação dos centros urbanos em cidades inteligentes, vinte e três prefeituras que formam o Aglomerado Urbano de Piracicaba se reuniram nos dias 8 e 9 de fevereiro para debater estratégias de geração e investimento que conformaram o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da região.

Prefeito de Piracicaba debate alternativas com setor privado e financeiras

 

Em parceria com o Instituto Smart City, plataforma no cenário latino-americano integrada por empresários, gestores públicos e privados em favor da tecnologia e negócios das Cidades Inteligentes e representantes dos municípios do Aglomerado de Piracicaba, o seminário levou ao Teatro do Engenho iniciativas e discussões baseadas em 4 pilares: Energia, Resíduos, Saneamento e Tecnologia.

O Aglomerado nasceu em 2012. É uma das 4 regiões mais rentáveis do estado de São Paulo, com 1,4 milhões de habitantes e 3,26% da participação no PIB do estado formada pelos municípios: Águas de São Pedro, Analândia, Araras, Capivari, Charqueada, Conchal, Cordeirópolis, Corumbataí, Elias Fausto, Ipeúna, Iracemápolis, Laranjal Paulista, Leme, Limeira, Mombuca, Piracicaba, Rafard, Rio Claro, Rio das Pedras, Saltinho, Santa Gertrudes, Santa Maria da Serra e São Pedro. Durante o encontro os prefeitos e representantes do município manifestaram a inquietude de transformar o Aglomerado em região metropolitana.

Para Luigi Longe e Vitor Amuri, idealizadores do projeto do Smart City o principal objetivo é unir as experiências de sucesso das cidades para produzir um impacto regional que facilite a regulamentação e estruturação de projetos urbanos. “Vemos em tecnologias avançadas a possibilidade de ajudar os prefeitos a solucionarem problemáticas urbanas e de mobilidade. Tecnologias de Iluminação que podem contribuir com a segurança do município. Não existe um conceito único de cidade inteligente, e sim a capacidade de resolver os problemas” afirma Amuri, vice-presidente de soluções públicas inteligentes do Smart City.

Segundo Longe a ideia é sensibilizar os governantes da importância de um Plano Diretor Integrado e gerar mecanismos para atrair investimentos para estes projetos sem precisar do dinheiro do contribuinte, tais como turismo, festas nos municípios entre outros. “Queremos espalhar tecnologia em todo o Brasil, precisamos acabar com o falso padrão que indivíduos humildes não vão se adaptar a cidade inteligente. É um desafio, eles vão levar a mudança a outros municípios” acrescenta Vitor Amuri.

Evento debate consumo desnecessário e resíduos sólidos

 

Plano de ação

A aglomeração urbana de Piracicaba é a quarta região metropolitana caminhando ao desenvolvimento de um plano regional, explica Luis José Pedretti, diretor da Emplasa.  A cidade de São Paulo foi pioneira, seguida pela Baixada Santista e Sorocaba. Após o Aglomerado, a cidade de Campinas também passará pelo processo.

Para Pedretti, é preciso sentar e avaliar as prioridades nos próximos dez anos junto com alternativas para as deficiências no saneamento básico.  Todos os dados para criação destas diretrizes são coletados com base no IBGE e sistemas de geolocalização e atividades econômica dos municípios.

Três pilares apresentam as prioridades da região, resíduos, saneamento e iluminação pública. Segundo Luigi Longo estes fatores são importantíssimos para tornar nos prefeitos elegíveis, por tal motivo além de melhorar a qualidade de vida das cidades o projeto contribuirá a legitimar os mandatos das autoridades na região. “ O principal problema é como traçar projetos para atrair o setor privado. O Brasil está em um momento de crise e o único jeito de avançar é se aliar ao setor privado. Precisamos montar projetos seguros que envolvam o Ministério Público, Tribunal de Contas para chamar a atenção dos investidores” diz Longo

Para Smart City a prioridade é criar um ambiente de troca de experiências com cases de Piracicaba, Limeira, Rio Claro que motivem os prefeitos a dar os primeiros passos “Existe um receio das autoridades, o ambiente é inóspito e os prefeitos se sentem sozinhos, mas estamos aqui para dividir o papel” afirmaram os representantes.

Prefeitos e representantes dos municípios realizarão nos próximos dias encontros frequentes com a Emplasa para a construção do Plano Regional.  A expectativa além de ter um planejamento rígido que acabe com as desigualdades é obter facilidade de financiamentos dos projetos “Existe um patamar de recursos observados no financiamento de projetos, enquanto alguns municípios podem não se encaixar, a agrupação regional traz solução a estas limitações” explica o porta-voz da Superintendência Regional de Piracicaba da Caixa Econômica Federal.

Barjas Negri, Prefeito de Piracicaba, acredita o projeto das cidades inteligentes são alternativas para alavancar avanços importantes nos municípios por um período de dez anos. Ele caracteriza o cenário atual pela dificuldade fiscal na economia que afetou múlltiplos projetos.

Alternativas sustentaveis foram apresentadas no Teatro Engenho

 

Pilares

Durante o debate foram apresentadas algumas alternativas inovadoras para os municípios. Sobre resíduos foi lançado o desafio de mudar o olhar da sociedade acostumada com a reciclagem para priorizar o ucycling (reutilização de material reciclado) desta forma ao invés de contribuir com o crescimento do lixo será possível reaproveitar este várias vezes diminuindo os níveis. Outra das iniciativas é a geração de energia elétrica pelo aproveitamento de resíduos e combustível, uma estratégia inédita na América Latina.

No âmbito de energia a telegestão e luminárias LED surgem como alternativas transformadoras. Por meio da telegestão é possível conectar semáforos e sensores de segurança por dispositivos inteligentes. Estas iniciativas podem contribuir também com aumento da segurança e diminuição do crime devido a um monitoramento mais detalhado.

No Saneamento básico, o Aglomerado teve grandes avanços e apresenta oportunidades diversas, porém ainda existe disparidade. Diretor do Núcleo de Meio ambiente da Fundação de Sociologia e Política de São Paulo, Elcires Pimenta acredita que o país está em uma posição grave na política de resíduos sólidos. No Aglomerado ele vê uma preocupação crescente com o estresse hídrico da região que tem entre suas questões fundamentais o tratamento do esgoto “A questão dos resíduos sólidos talvez seja a mais importante. É necessário um plano regional, a integração desses planos todos é fundamental para que sejam efetivos” defende Pimenta

Para o especialista, os governantes e a população do Aglomerado tem o preparo para debater estas temáticas, no entanto a participação precisa ser ampliada nos próximos meses com conferencias municipais, eventos setoriais para que os cidadãos assumam suas responsabilidades na construção participativa. Pimenta observa a crise hídrica nos próximos anos e afirma que é urgente ver esta sob dois aspectos: a falta de água e o excesso de água, um dos desafios dos vinte e três municípios.

Durante o evento empresas com inovação tecnológica como Triciclos, Enob, Saúde Controle, Dominum ADM, Matec, Aguas do Mirante e ONNO Led apresentaram as novidades para os gestores públicos. (#Envolverde)

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