Sociedade

Coletivo PermaSampa  fortalece permacultura urbana em São Paulo

Os educadores são profissionais renomados, que se reúnem para oferecer o Curso de Planejamento Permacultural (PDC, na sigla em inglês) com foco no ambiente urbano, em parceria com o Instituto Casa da Cidade. Nesta quinta edição, que começa em março, as aulas práticas serão realizadas na zona Leste, com o coletivo Quebrada Sustentável.

Por Redação da Envolverde –

Poucos anos atrás, permacultura era uma palavra estranha para a maioria dos paulistanos. Mas, atualmente, graças ao trabalho de diversos coletivos que atuam em diferentes bairros da cidade, essa ciência de design ecológico (que significa cultura permanente) vem ganhando cada vez mais espaço na metrópole, em versões criativas e adaptadas ao espaço urbano.

A partir dos três princípios éticos fundamentais da permacultura, que são cuidar das pessoas, cuidar do planeta e partilhar os excedentes, muitos cidadãos estão descobrindo e se encantando com as possibilidades de transformar a cidade em um lugar melhor para se viver.

Para boa parte dos paulistanos interessados no assunto, o primeiro contato com a permacultura costuma ser um PDC, sigla em inglês que se refere ao Curso de Planejamento Permacultural, currículo com 72 horas de aulas teóricas e práticas, reconhecido internacionalmente e baseado nas lições dos fundadores da permacultura, os australianos Bill Mollison (1928 – 2016) e David Holmgren (1955).

Até 2015, quando o coletivo PermaSampa lançou a 1ª edição de seu PDC urbano, em parceria com o Instituto Casa da Cidade, praticamente só era possível estudar permacultura fora da cidade, em centros especializados estabelecidos em sítios e fazendas que apresentam assentamentos humanos e contextos locais bem diferentes do que temos hoje em São Paulo.

“Antes, as pessoas faziam um PDC e guardavam aquele conhecimento para aplicar futuramente, daqui a 20 anos talvez, quando pudessem deixar a cidade, comprar uma terra ou se aposentar. Nós queremos que a permacultura seja para hoje”, diz Marjory Mafra, coordenadora do coletivo PermaSampa e organizadora do curso que já teve quatro edições e formou mais de 147 permacultores, sendo 20 com vagas sociais, gratuitas e destinadas a lideranças comunitárias e pessoas com potencial multiplicador em territórios periféricos da cidade.

“O que mais gosto no nosso PDC é que ele possibilita muitas conexões entre as pessoas que, até então, achavam-se sozinhas em suas iniciativas e desejos de transformar a cidade. Quando entram nessa rede de pessoas interessantes, elas descobrem um mundo novo, sentem que elas têm o direito de interferir na cidade, de melhorá-la”, avalia Marjory.

Para a coordenadora pedagógica do PDC PermaSampa e Casa da Cidade, Nádia Recioli, um dos pontos fortes do curso são os intercâmbios feitos entre o centro e as periferias. “Os alunos, oriundos de diferentes universos, agregam seus saberes ao curso, seja pelas formas específicas e acadêmicas do conhecimento de uns, seja pelos saberes tradicionais e experiência prática em permacultura e ação comunitária de outros, como é o caso de quem chega pelas vagas sociais. Nosso trabalho é compreender isso e ajudar as pessoas a ressoarem essas vozes, a tomarem para si a ação de transformação, promovendo trocas e valorizando os saberes que vêm de todos os lados”, diz Nádia.

Foco na cidade

O PDC PermaSampa e Casa da Cidade vai além do currículo tradicional, que busca capacitar os participantes a planejar territórios com mínimo impacto socioambiental, a partir da gestão sistêmica de recursos naturais energéticos, alimentícios e hídricos, e introduz conceitos de permacultura urbana, tais como redução dos impactos ambientais das cidades, resiliência e regeneração socioambiental no meio urbano, transição para a economia de baixo carbono, construção de políticas públicas sustentáveis e direito à cidade.

A cada edição, os alunos trabalham em um estudo de caso, elaborando uma proposta de design ecológico para um espaço na cidade. Na primeira edição, os participantes realizaram intervenções na própria Casa da Cidade. Nas últimas três turmas, as atividades práticas aconteceram no Espaço Cultural Jardim Damasceno, localizado no bairro da Brasilândia, na Zona Norte.

Nesta quinta edição, as práticas e o estudo de caso de design serão realizadas em parceria com a Quebrada Sustentável, coletivo da Zona Leste de São Paulo, cujo um dos integrantes, Marcus Vinícius de Moraes, foi formado em uma das vagas sociais.

O time de educadores é composto por permacultores e ativistas com larga experiência: Claudia Visoni, Felipe Pinheiro, Guilherme Castagna, Gilberto Machel, Giuliana Capello, Julio Avanzo, Lucas Ciola, Nádia Recioli, Nilson Dias, Peter Webb, Tomaz Lotufo e Vinicius Pereira.

É nessa rica experiência de troca com os permacultores, os coletivos e ativistas de toda a cidade que temos encontrado os caminhos para o desenvolvimento da permacultura urbana, em direção a uma cidade mais sustentável e justa para todas as pessoas.

Ex-alunos contam suas experiências

“Quando eu cheguei no curso, me senti um peixe fora d’água, porque quase todo mundo ali tinha diploma, curso superior, era arquiteto, essas coisas todas. Mas, logo nos primeiros dias eu percebi que eu também somava com eles, eu também tinha meu lugar, minha função. Descobri que dá pra trabalhar sustentabilidade dentro daquilo que cada um tem, dentro da realidade de cada um de nós. Hoje me sinto mais capacitada para trabalhar na favela e sei da importância de uma cisterna e uma hortinha vertical na vida das famílias. Sou muito grata por isso”. – Terezinha Silva, do Movimento de Defesa do Favelado, que atua em São Mateus, Vila Prudente e Sapopemba, zona Leste de São Paulo.

“A Permacultura foi chegando na minha vida por um impulso de rebeldia e autonomia, quando passe a viver em casas ocupadas com afinidades anárquicas. Aprendi a plantar, a captar água, a me alimentar, a construir e desconstruir. Trabalhei com bioconstrução e com hortas comunitárias em escolas e bibliotecas do bairro. Em 2016, consegui uma vaga social no PDC do coletivo PermaSampa, que me ajudou a integrar de maneira mais organizada e clara essas experiências práticas e intuitivas que eu havia vivenciado, para poder passar adiante para as pessoas.” – Glauco Murta, educador, permacultor e bioconstrutor, atua em projetos de permacultura na zona Norte (Perus e Taipas) e na zona Sul de São Paulo (Jardim São Luís).

Vem aí a 5ª edição!

Para se adaptar ao ritmo na cidade, a 5ª edição do PDC PermaSampa e Casa da Cidade acontece em três semanas de imersão ao longo de três meses, com aulas à noite e atividades durante os sábados, em período integral. O programa inclui atividades práticas, visitas a campo e aplicação dos conceitos estudados no projeto de estudo de caso.

Serviço:

5º PDC PermaSampa e Casa da Cidade

Datas: módulo 1, de 13 a 17 de março; módulo 2, de 1 a 7 de abril; e módulo 3, de 6 a 13 de maio

Horário: 2ª a 6ª feira, das 19h às 22h15, e sábados, das 8h às 12h e das 14h às 18 h

Carga horária: 80 horas

Local: Casa da Cidade: Rua Rodésia, 398, Vila Madalena, São Paulo

Educadores: Claudia Visoni, Felipe Pinheiro, Gilberto Machel, Giuliana Capello, Guilherme Castagna, Julio Avanzo, Lucas Ciola, Nilson Dias, Nádia Recioli, Peter Webb, Tomaz Lotufo e Vinícius Pereira.

Coordenação Pedagógica: Nádia Recioli

Vagas: 25 + 5 vagas sociais (destinadas a membros de coletivos e líderes comunitários)

Investimento: R$ 1.200 à vista ou R$ 1.350 em 3 parcelas

Inscrições: até dia 06/03 (mediante o pagamento da 1ª parcela e envio do comprovante por e-mail)

Para concorrer a uma vaga social: escreva para [email protected] até 24/02 e solicite o formulário para participar da seleção.

Informações e inscrições: [email protected]

Vídeo de apresentação do curso: https://www.youtube.com/watch?v=ZxTs6OgAT2w

Página do evento no Facebook: https://web.facebook.com/events/1844603965827694/

Sobre o coletivo PermaSampa

O coletivo PermaSampa surge com a proposta de disseminar conhecimentos e fortalecer a prática da permacultura na cidade de São Paulo. Desde sua formação, em 2015, o grupo realizou quatro edições do PDC (Curso de Design Permacultural) em parceria com o Instituto Casa da Cidade.

Em novembro de 2016, o PermaSampa ajudou a organizar o primeiro Festival Reverbere (Festival Latino-Americano de Permacultura), em parceria com a UMAPAZ e o Cineclube Socioambiental Crisantempo, que ofereceu mais de 2.000 vagas em atividades gratuitas de permacultura em diferentes pontos da cidade de São Paulo.

Além disso, o coletivo tem promovido uma série de atividades e debates gratuitos para discutir a importância e o impacto da permacultura na vida coletiva na cidade, relacionando o tema a outros assuntos pertinentes e transversais, como políticas públicas ambientais, a ativismo hacker, autogoverno e resistência etc. No último dia 17 de janeiro, o coletivo recebeu o renomado arquiteto alemão Gernot Minke, que falou para mais de 200 pessoas em um evento aberto e gratuito sobre “Arquitetura Sustentável – Construir com materiais naturais”.

(#Envolverde)